O desfile da escola Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro gerou grande polêmica. A apresentação utilizou recursos públicos para exaltar um governante em exercício e ridicularizar setores importantes da sociedade, como a Família, a Igreja e outros setores tradicionais da sociedade brasileira.
A exibição tornou-se ridícula ao caricaturar um ex-presidente como palhaço e apresentar o atual presidente de forma triunfante, criando um paralelo com práticas de culto à personalidade observadas só em regimes autoritários. Esse tipo de espetáculo abre um precedente perigoso de instrumentalização do Estado e de seus recursos para a promoção simbólica de quem ocupa a presidência. E isso é inaceitável.
Algumas alas da escola de samba, como a “neoconservadores em conserva”, ridicularizaram os defensores da Família tradicional, os cristãos e o agro, o que provocou críticas de diferentes segmentos da sociedade e gerou debate sobre o uso da Cultura, financiada pelo Estado, como propaganda política. Pensadores como Karl Marx e Friedrich Engels viam a Família como uma instituição que poderia ser transformada, enxergando nela uma célula de reprodução das desigualdades sociais e da propriedade privada, enquanto a Igreja era identificada como um mecanismo de controle ideológico. Em contrapartida, filósofos como Aristóteles e Alexis de Tocqueville defenderam a Família, a religião e outros vínculos como pilares da coesão social e proteção do indivíduo contra possíveis abusos do poder. Nesse contexto, observa-se uma desconstrução estrutural e ideológica, a qual vem há anos em andamento.
O fato é que já há, entre diversos apoiadores do governo, um consenso de que utilizar um palco cultural tão importante para homenagens dessa natureza é algo problemático, especialmente quando recursos públicos estão envolvidos e quando pode ser interpretado como campanha indireta em ano eleitoral. Especialistas alertam para os riscos à imparcialidade e à moralidade pública.
Enfim, hoje o que está em jogo é a preservação de nossas instituições essenciais e a garantia de que o poder público não seja usado para fins propagandísticos que desrespeitem valores fundamentais da sociedade. A indignação por todo o País reflete a cobrança por responsabilidade, equilíbrio e respeito aos pilares que sustentam o convívio democrático. Exige-se ética, transparência, respeito e o uso responsável dos recursos públicos no interesse do Povo.
Teobaldo Pedro
Juazeiro-BA



