O fim do Carnaval pode até ter sido marcado pela Quarta-Feira de Cinzas, mas, para muita gente, também é o início de um período de mal-estar. Sintomas como febre, dor de garganta, tosse, diarreia e até infecções sexualmente transmissíveis costumam aparecer nos dias seguintes à festa. Especialistas explicam que a combinação de aglomerações, contato prolongado entre pessoas, mudanças na rotina e excesso de álcool cria o cenário ideal para a circulação de vírus e bactérias.
A infectologista Clarissa Cerqueira ressalta que a intensa proximidade física é um dos principais fatores. “As pessoas adoecem mais no pós-Carnaval porque, durante a festa, há uma grande proximidade de pessoas. O contato, a proximidade entre as pessoas é uma das principais formas de transmissão das viroses respiratórias e também de viroses gastrointestinais”, explica.
Entre os diagnósticos mais frequentes estão as infecções respiratórias. “As principais são as doenças respiratórias, como resfriados, covid, influenza”, afirma. Também há aumento das infecções sexualmente transmissíveis e viroses gastrointestinais, sendo que esta última atinge cerca de 2 milhões de pessoas por ano no Brasil. A transmissão pode ocorrer tanto pelo contato direto entre pessoas quanto pelo toque em superfícies contaminadas, seguido da transferência do vírus para boca, nariz ou olhos. Também há disseminação por gotículas liberadas ao falar, tossir ou espirrar.
“O paciente deve procurar um médico dentro das primeiras 48 horas, para que possa ter um diagnóstico mais precoce e não ter complicações”, recomenda.
Ele alerta para os riscos da automedicação. “Se for um quadro viral causado por dengue ou chikungunya, muitas vezes você não pode tomar algumas medicações, como anti-inflamatórios. Em outras situações, um antibiótico pode criar resistência. Então, é importante que você não se automedique achando que isso é o suficiente para se recuperar”, ressalta.



