BRASIL POLÍCIA

PM que matou mulher em abordagem tem 21 anos, atua nas ruas há 3 meses e estava sem câmera corporal

A policial militar Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, responsável pelo disparo que matou Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem na zona leste de São Paulo, estava havia cerca de três meses em patrulhamento nas ruas e não utilizava câmera corporal no momento da ocorrência.

O caso aconteceu no início de abril, no bairro Cidade Tiradentes, e passou a ser investigado pelo Ministério Público de São Paulo e pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A vítima chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.

Segundo registros da ocorrência e imagens captadas pela câmera corporal de outro policial presente na viatura, a soldado que efetuou o disparo não usava o equipamento individual de gravação por estar em fase inicial de atuação operacional após formação recente na corporação. Ainda conforme as informações divulgadas após o episódio, Yasmin está na etapa de estágio supervisionado da formação policial e havia começado o patrulhamento nas ruas havia aproximadamente três meses. Ao todo, ela tem pouco mais de 1 ano de PM.

PM diz que recebeu tapa no rosto

Segundo as imagens registradas pela câmera corporal de outro policial da equipe, a abordagem começou por volta das 2h58, quando a viatura entrou na Rua Edimundo Audran, em Cidade Tiradentes. Pouco depois, o retrovisor do veículo atingiu o braço de Luciano Gonçalvez dos Santos, companheiro de Thawanna.

Após o contato, o PM que dirigia da viatura parou o carro, deu marcha à ré e fez um comentário ao homem, reclamando por ele estar andando na rua. Luciano respondeu chamando o policial de “Steve”, expressão usada por agentes como gíria interna para se referirem a colegas de corporação. O policial reagiu em tom de repreensão.

Na sequência, Thawanna interveio e disse: “Não, não, com todo o respeito, vocês que bateram em nós”. Logo depois, a soldado Yasmin Cursino Ferreira desceu da viatura e se aproximou da mulher.

Ainda nas imagens é possível ouvir Thawanna pedindo para que a policial não apontasse o dedo em sua direção. Instantes depois, o disparo foi efetuado e atingiu a vítima no peito.

Cerca de dois minutos após o tiro, por volta das 3h, uma segunda viatura chegou ao local. O policial que dirigia o primeiro carro relatou aos colegas o que havia acontecido e iniciou tentativa de prestar os primeiros socorros à vítima até a chegada da equipe de resgate, aproximadamente às 3h30.

Após o atendimento inicial, os dois policiais envolvidos deixaram o local em outra viatura.

A família da vítima contesta a versão policial e afirma que não houve agressão que justificasse o uso de arma de fogo. O caso também motivou protestos de moradores da região e reacendeu o debate sobre protocolos de abordagem policial e uso de câmeras corporais.

A Secretaria da Segurança Pública informou que os policiais envolvidos foram afastados do serviço operacional enquanto as circunstâncias da morte são apuradas nas esferas administrativa e criminal.

Thawanna morava na região de Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, e trabalhava como ajudante-geral. Ela era mãe de cinco filhos, com idades entre 5 e 16 anos, e parte deles dependia diretamente da renda dela. A morte provocou comoção entre familiares e moradores do bairro, que organizaram manifestações pedindo esclarecimentos sobre a abordagem policial e responsabilização no caso.

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