A leitura do episódio envolvendo a divulgação, pela Ascom do PT, de que vereadores de Juazeiro teriam deixado a base de ACM Neto exige cuidado para evitar interpretações apressadas ou induzidas por narrativas políticas. ACM Neto é, hoje, uma das principais lideranças nacionais do União Brasil, com trânsito tanto na direita quanto em setores de centro e até interlocução pontual com a esquerda, o que amplia seu alcance político.
No caso específico de Juazeiro, há um elemento que desmonta a narrativa construída: o único vereador do PT no município, Alex Tanuri, declarou apoio a ACM Neto. Esse fato, por si só, já evidencia que o cenário é mais complexo do que a versão divulgada.
Ao analisar a lista de vereadores mencionados, percebe-se que nomes como Anderson da Iluminação e Tetê de Bertinho aparecem como supostamente alinhados apenas por pertencerem ao União Brasil. Já os vereadores do PP, do PSDB, além de Vânia Santos e Aníbal, do Solidariedade, inserem-se em uma lógica de alinhamento flexível. Nenhum desses nomes atua com base em uma linha ideológica definida. Mesmo os vinculados a partidos de centro ou de direita não se comportam como quadros ideológicos.
Na prática, todos esses vereadores já estavam alinhados à gestão de Andrei Gonçalves, prefeito de Juazeiro, desde o primeiro dia de governo. Ou seja, não houve mudança real. Não há novidade no cenário político local. Trata-se apenas da formalização ou exposição de algo que já era conhecido nos bastidores.
Dessa forma, essa movimentação se aproxima mais de uma construção narrativa do que de um fato político novo. A estratégia da Ascom do PT parece buscar criar a impressão de um “troco” ou de um enfraquecimento de ACM Neto em Juazeiro. No entanto, analisando a realidade concreta, nada mudou. Nada de novo no front.
Isso revela uma característica conhecida da política baiana: muitos desses atores não seguem uma linha ideológica fixa, mas a conveniência do poder. A depender de quem esteja mais forte no momento, os alinhamentos se ajustam rapidamente. Se o cenário se inverter, a tendência é que esses mesmos nomes também se reposicionem.
Teobaldo Pedro
Pastor evangélico




