POLÍTICA

Operação contra Jaques Wagner leva Planalto a reavaliar agenda de Lula na Bahia

A operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT), provocou uma reavaliação dentro do Palácio do Planalto sobre a agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Bahia, prevista para os dias que antecedem as comemorações da Independência do estado.

Inicialmente, a visita presidencial estava confirmada para o dia 1º de julho e incluiria uma agenda dupla considerada estratégica para o governo federal e para a gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT): a inauguração do novo Hospital Regional do Litoral Norte, em Alagoinhas, e o lançamento das obras da Ponte Salvador-Itaparica, um dos principais projetos de infraestrutura da Bahia.

A programação serviria ainda como uma espécie de abertura para as celebrações do Dois de Julho, data histórica para os baianos e tradicionalmente utilizada pelo PT como vitrine política no estado.

Entretanto, após a operação da Polícia Federal que atingiu Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, integrantes do governo federal passaram a discutir os possíveis impactos políticos da visita.

Segundo interlocutores do Planalto, duas possibilidades estão sendo avaliadas. A primeira é o cancelamento da agenda presidencial, incluindo os eventos previamente programados. A segunda alternativa seria promover ajustes na composição política dos atos, especialmente em relação à participação de Wagner.

Nos bastidores, a principal preocupação é evitar que a imagem do presidente seja ainda mais associada ao caso envolvendo o Banco Master, que colocou Wagner no centro das atenções políticas e jurídicas nas últimas semanas.

A avaliação de auxiliares presidenciais é que fotografias, discursos conjuntos e demonstrações públicas de proximidade entre Lula e o senador poderiam ser exploradas politicamente por adversários.

Além da manutenção ou não da viagem, outro tema em discussão é justamente a presença de Jaques Wagner nas agendas oficiais. O senador é uma das principais lideranças petistas da Bahia e tradicionalmente participa dos eventos presidenciais realizados no estado. No entanto, integrantes do governo defendem cautela enquanto a repercussão da operação continua produzindo efeitos políticos.

A operação Compliance Zero investiga supostos favorecimentos ao Banco Master e a empresários ligados à instituição financeira. Wagner nega qualquer irregularidade e afirma que jamais recebeu vantagens indevidas ou atuou para beneficiar interesses privados em sua atividade parlamentar.

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