Com o comício em Belém prestes a acabar, na segunda-feira (28), o ex-governador e candidato a senador Helder Barbalho (MDB-PA) levou até o presidente Lula (PT) uma estatueta de Nossa Senhora de Nazaré. O petista levantou a peça, a exibiu ao público e foi aplaudido. No dia seguinte, em Fortaleza, o petista disse que, enquanto for presidente, Nossa Senhora Aparecida será padroeira do Brasil.
As recentes menções do presidente e candidato à reeleição à santa católica durante a campanha eleitoral, motivadas pela notícia falsa de que seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), retirará dela o título de padroeira do Brasil, contrariam as críticas feitas pelo petista ao longo dos anos sobre a mistura de religião com política.
O presidente da República é católico. Seus aliados são unânimes ao relatar, ao longo da trajetória política de Lula, que ele é resistente à ideia de misturar religião e disputas políticas. Também dizem que ele tem explorado o assunto da padroeira do Brasil de forma intuitiva. Ou seja, sabendo que seu adversário sofre desgaste por causa do boato, mas sem planejar detalhadamente com aliados como abordar o tema.
Um integrante da mobilização da campanha afirma que o tema da padroeira e imagens de Lula segurando a santa não devem entrar em materiais oficiais, como vídeos e panfletos, nesta fase da corrida eleitoral. O tópico é sensível por ter se originado e ganhado repercussão a partir de notícias falsas.
Apesar disso, a foto de Lula com a imagem da santa em mãos foi publicada pela primeira-dama da República, Janja Lula da Silva, que é devota de Nossa Senhora, nas redes sociais, logo no começo das repercussões. Na legenda, ela escreveu: “Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, olhai por nós!”
Há cerca de duas semanas, Lula recebeu grupos evangélicos no Palácio do Planalto e deu declarações contrárias ao proselitismo político em igrejas. “Eu me recuso toda vez que alguém pede para ir em igreja falar de política. Eu não vou porque eu respeito muito a fé das pessoas”, declarou.
Em outros momentos, ele falou sobre o assunto de forma mais abrangente. “Eu não acho que a gente deva utilizar a religião eleitoralmente”, declarou em setembro de 2025 em entrevista ao podcast Papo de Crente.
Em março de 2024, o presidente disse em reunião ministerial que as pessoas querem “um país em que a religião não seja instrumentalizada como um instrumento político de um partido político ou de um governo”.
Lula mencionou o caso da santa no discurso que fez em Fortaleza nesta terça-feira.
“Essa semana saiu boato de que vão querer que Nossa Senhora Aparecida não seja mais padroeira do Brasil. Eu respeito todas as religiões. A católica, a evangélica, a religião de matriz africana. Eu respeito até os ateus. Mas, enquanto eu for presidente da República, Nossa Senhora Aparecida será padroeira do Brasil. Quem não quiser, que mude do Brasil”, disse Lula.
“Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida. Ninguém”, declarou o petista no ato em Belém, realizado na segunda-feira.
Essa é a segunda vez seguida que uma disputa eleitoral acirrada leva Lula a recorrer a acenos para grupos religiosos. Em 2022, quando concorria contra o então presidente Jair Bolsonaro (PL), o petista divulgou uma carta voltada ao público evangélico.
Lula havia sido pressionado por semanas por aliados para fazer o gesto ao grupo religioso, que vota majoritariamente no bolsonarismo.



