{"id":12496,"date":"2020-07-09T14:16:00","date_gmt":"2020-07-09T17:16:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blogopara.com.br\/?p=12496"},"modified":"2020-07-07T14:29:20","modified_gmt":"2020-07-07T17:29:20","slug":"exploracao-descontrolada-das-aguas-subterraneas-e-nova-ameaca-ao-rio-sao-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2020\/07\/09\/exploracao-descontrolada-das-aguas-subterraneas-e-nova-ameaca-ao-rio-sao-francisco","title":{"rendered":"Explora\u00e7\u00e3o descontrolada das \u00e1guas subterr\u00e2neas \u00e9 nova amea\u00e7a ao Rio S\u00e3o Francisco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m das formas de degrada\u00e7\u00e3o, como a retirada de matas ciliares e o assoreamento, o Rio S\u00e3o Francisco sofre efeitos de uma \u201ca\u00e7\u00e3o invis\u00edvel\u201d e que acaba com as nascentes e provoca a dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o do seu volume: a explora\u00e7\u00e3o descontrolada de \u00e1guas subterr\u00e2neas na bacia, por meio da abertura de po\u00e7os tubulares, que abastecem lavouras irrigadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema atinge o aqu\u00edfero Urucuia, um dos principais respons\u00e1veis pelo volume de \u00e1gua do Velho Chico. A amea\u00e7a foi relatada pelo presidente do Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio S\u00e3o Francisco (CBHSF), Anivaldo de Miranda Pinto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aqu\u00edfero Urucuia est\u00e1 localizado no Cerrado, numa \u00e1rea total de 120 quil\u00f4metros quadrados, da qual entre 75 e 80% se concentra no Oeste da Bahia, com de trechos nos estados do Tocantins, Goi\u00e1s, Piau\u00ed, Maranh\u00e3o e Noroeste de Minas. O Urucuia tem import\u00e2ncia na regulariza\u00e7\u00e3o da vaz\u00e3o dos rios que nascem na regi\u00e3o e que correm na dire\u00e7\u00e3o do Velho Chico, sendo fundamentais para o abastecimento de cidades.<\/p>\n<p>De acordo com Anivaldo Miranda, devido a \u201cexplora\u00e7\u00e3o desordenada de \u00e1guas subterr\u00e2neas\u201d, houve uma queda acentuada do chamado \u201cescoamento de base da vaz\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco, ou seja, do volume de \u00e1gua que surge das nascentes e garante a manuten\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do rio no per\u00edodo da seca \u2013 de abril a outubro. Ele disse que a quest\u00e3o ainda depende de estudos, mas h\u00e1 indicativos de que o \u201cescoamento de base\u201d do Velho Chico sofreu uma redu\u00e7\u00e3o, medida a partir do reservat\u00f3rio da Usina Hidrel\u00e9trica de Sobradinho (BA), que pode ter uma grande varia\u00e7\u00e3o. \u201cAlguns especialistas falam que a queda foi de 100 metros c\u00fabicos (m3) por segundo. Outros afirmam que foi de 400 m3 por segundo, considerando todo os afluentes da bacia\u201d, assinala.<\/p>\n<p>O presidente do CBHSF afirma ainda que a bacia do Rio S\u00e3o Francisco sofre as consequ\u00eancias da explora\u00e7\u00e3o de \u00e1guas subterr\u00e2neas para a expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola na regi\u00e3o do aqu\u00edfero Urucuia, especialmente no Oeste da Bahia, onde avan\u00e7am as planta\u00e7\u00f5es irrigadas de soja, milho, feij\u00e3o e outras culturas. \u201cN\u00e3o temos nada contra (o agroneg\u00f3cio). \u00c9 necess\u00e1rio ampliar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, mas precisa ser feito de maneira sustent\u00e1vel. A press\u00e3o sob o aqu\u00edfero est\u00e1 preocupando todo mundo\u201d, alerta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ESTUDOS CIENT\u00cdFICOS<\/strong>\u00a0Miranda lembra que a explora\u00e7\u00e3o exagerada de \u00e1guas do subsolo \u00e9 um problema complexo, pois o levantamento de informa\u00e7\u00f5es e as medias de controle dependem de estudos cient\u00edficos. \u201cEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00e1guas superficiais, podemos medir as vaz\u00f5es existentes. Dentro do plano de gest\u00e3o de qualquer bacia, podermos detectar o potencial de \u00e1guas da superf\u00edcie. Mas no aqu\u00edfero n\u00e3o tem possibilidade de aferir isso (a quantidade de \u00e1gua dispon\u00edvel visualmente)\u201d, frisou. Outro fator complicador \u00e9 a abertura de po\u00e7os tubulares clandestinos, cujo combate depende do refor\u00e7o da fiscaliza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os ambientais.<\/p>\n<p>Ele informou que j\u00e1 est\u00e3o em andamento pesquisas para avaliar o impacto da explora\u00e7\u00e3o de \u00e1guas subterr\u00e2neas para a agricultura irrigada, bem como sobre a redu\u00e7\u00e3o do len\u00e7ol fre\u00e1tico e os reflexos para a Bacia do Velho Chico. Segundo Miranda, foram iniciados estudos pela Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA). A pedido da Associa\u00e7\u00e3o dos Irrigantes do Oeste da Bahia, a quest\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 objeto de estudos da Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UV) e de uma institui\u00e7\u00e3o estrangeira. Al\u00e9m disso, o CBHSF pretende contratar levantamentos a respeito da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA ANA vem fazendo estudos em profundidade, que ainda est\u00e3o em andamento. Ainda n\u00e3o existem afirma\u00e7\u00f5es conclusivas. Mas, h\u00e1 evid\u00eancias concretas de que a vaz\u00e3o do escoamento de base (nascentes do Rio S\u00e3o Francisco) est\u00e1 em processo decl\u00ednio\u201d, observa o presidente do CBHSF. \u201cEsse \u00e9 um assunto que s\u00f3 a ci\u00eancia pode resolver, para nos dizer que exatamente est\u00e1 acontecendo de fato. As universidades podem nos ajudar com pesquisas, que venham contribuir para que seja estabelecido o uso equilibrado das \u00e1guas subterr\u00e2neas.\u201d<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Problema em outras regi\u00f5es<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/>\n<\/strong>Anivaldo de Miranda Pinto, presidente do Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio S\u00e3o Francisco, salienta que o problema da retirada descontrola de \u00e1gua do subsolo afeta outras \u00e1reas do rio. Uma delas \u00e9 a regi\u00e3o do aqu\u00edfero Bambu\u00ed, que vai do Cerrado ao semi\u00e1rido, sobretudo, no Norte do estados. Sua \u00e1rea natural de recarga alcan\u00e7a uma superf\u00edcie de mais de 180 mil quil\u00f4metros quadrados em Minas, Bahia, Goi\u00e1s e Tocantins. O presidente do CBHSF disse tamb\u00e9m que a abertura descontrolada de po\u00e7os tubulares atinge duramente o Rio Grande, um dos principais afluentes da bacia, que nasce na cidade de Bocaiuva e des\u00e1gua no S\u00e3o Francisco no trecho do munic\u00edpio de Malhada (BA). \u201cEm fun\u00e7\u00e3o da superexplora\u00e7\u00e3o de \u00e1guas subterr\u00e2neas na regi\u00e3o, o Verde Grande vem dando sinais de crise\u201d, ressalta o ambientalista. Em 2017, Verde Grande ficou totalmente seco, no trecho a partir do munic\u00edpio de Ja\u00edba, no Norte do estado.<\/p>\n<p>Ainda segundo o presidente do CBHSF, no munic\u00edpio de Lap\u00e3o, no interior da Bahia, regi\u00e3o do Rio Jacar\u00e9 \u2013 t\u00e1mb\u00e9m na bacia do Velho Chico \u2013, os efeitos da explora\u00e7\u00e3o desenfreada de \u00e1guas subterr\u00e2neas s\u00e3o t\u00e3o severos que, diante do rebaixamento do len\u00e7ol fre\u00e1tico, as consequ\u00eancias est\u00e3o sendo sentidas na superf\u00edcie, com o surgimento de fendas no ch\u00e3o e rachaduras nas paredes das casas, al\u00e9m do desaparecimento de nascentes. O Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Velho Chico, em parceria com a Prefeitura de Lap\u00e3o, vai encomendar estudo geol\u00f3gico da regi\u00e3o, para avaliar o fen\u00f4meno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O problema atinge o aqu\u00edfero Urucuia, um dos principais respons\u00e1veis pelo volume de \u00e1gua do Velho 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