{"id":21119,"date":"2021-03-25T11:49:00","date_gmt":"2021-03-25T14:49:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=21119"},"modified":"2021-03-23T22:29:50","modified_gmt":"2021-03-24T01:29:50","slug":"pandemia-afeta-saude-mental-de-criancas-e-jovens-dizem-psiquiatras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2021\/03\/25\/pandemia-afeta-saude-mental-de-criancas-e-jovens-dizem-psiquiatras","title":{"rendered":"Pandemia afeta sa\u00fade mental de crian\u00e7as e jovens, dizem psiquiatras"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-item alt-font\">\n<div class=\"post-item-wrap\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A pandemia do novo coronav\u00edrus afetou n\u00e3o s\u00f3 a sa\u00fade mental dos adultos, mas tamb\u00e9m das crian\u00e7as e adolescentes. \u00c9 o que afirma o professor de Psiquiatria da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FM-USP), Guilherme Polanczyk. \u201cA pandemia, e todo o contexto que a acompanha, t\u00eam gerado situa\u00e7\u00e3o de estresse em crian\u00e7as, adolescentes e adultos. Como as crian\u00e7as e adolescentes s\u00e3o menos infectados e como, muitas vezes, o sofrimento deles fica mais desapercebido, eles tendem a ser mais negligenciados\u201d, disse o especialista.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1404617&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1404617&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o m\u00e9dico, sintomas como irritabilidade, mudan\u00e7as de humor, ins\u00f4nia, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o podem ser f\u00e1ceis de se identificar em adultos, mas apresentam diversas nuances quando se trata de crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Polanczyk analisa que a idade da crian\u00e7a tamb\u00e9m interfere na forma como ela reage \u00e0 pandemia. As crian\u00e7as menores, por serem mais dependentes dos pais, v\u00e3o lidar com a pandemia muito em fun\u00e7\u00e3o de como os pais est\u00e3o lidando e como o ambiente est\u00e1 organizado. \u201cAs crian\u00e7as maiores sentem falta dos amigos. Elas j\u00e1 t\u00eam capacidade maior de compreens\u00e3o de uma forma aut\u00f4noma, muitas vezes n\u00e3o completamente adequada, ou de uma forma n\u00e3o completamente realista, e podem interpretar de forma mais catastr\u00f3fica algumas situa\u00e7\u00f5es\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor defendeu a retomada das aulas presenciais ou h\u00edbridas, desde que garantidas as medidas de seguran\u00e7a aos alunos e profissionais da educa\u00e7\u00e3o, porque representa uma nova fase de desenvolvimento para os pequenos. \u201c\u00c9 preciso sensibilidade para poder explicar para as crian\u00e7as o que est\u00e1 acontecendo, mostrar a import\u00e2ncia de enfrentar, eventualmente, o desconforto social ou o medo da contamina\u00e7\u00e3o, e que esse cen\u00e1rio \u00e9 combatido com os cuidados de higiene, por exemplo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Polanczyk disse que crian\u00e7as que apresentam sintomas como dificuldade para dormir, relatos de preocupa\u00e7\u00e3o, altera\u00e7\u00f5es de comportamento e at\u00e9 queixas de dor f\u00edsica merecem aten\u00e7\u00e3o especial. Os pais devem ficar atentos a qualquer um desses sinais e buscar a ajuda de um profissional de sa\u00fade.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Sofrimento indireto<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua pr\u00e1tica m\u00e9dica psiqui\u00e1trica di\u00e1ria, o professor de Psiquiatria da Escola M\u00e9dica da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC Rio), Daniel Monnerat, disse que, apesar de estatisticamente as crian\u00e7as serem menos infectadas, elas acabam sofrendo indiretamente, primeiro com uma \u201cmenor\u201d preocupa\u00e7\u00e3o dos seus familiares em termos delas estarem com menor frui\u00e7\u00e3o, aproveitando menos as rotinas di\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo, elas acabam sofrendo, indiretamente, por estarem reclusas, mais introspectivas, vivendo uma vida mais caseira porque os pais, por serem adultos, ao cumprirem as medidas de isolamento para n\u00e3o infectarem outras pessoas, ficam mais tempo em casa e isso interfere na socializa\u00e7\u00e3o dos menores, nas atividades l\u00fadicas, recreativas. \u201cPor tabela, essas crian\u00e7as acabam, de alguma forma, sofrendo por essa reclus\u00e3o que se imp\u00f4s a todos n\u00f3s pela pandemia da covid-19\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monnerat explicou que, para afirmar que o maior efeito da pandemia se d\u00e1 em crian\u00e7as maiores ou menores, \u00e9 preciso analisar como era o estilo de vida di\u00e1ria dessas crian\u00e7as e adolescentes pr\u00e9-pandemia. Muitas vezes, alguns deles j\u00e1 eram mais introspectivos, mais caseiros, usavam ferramentas, como redes sociais e internet, para fazer contatos com os amigos. Para esses, o isolamento pode n\u00e3o ter afetado muito o\u00a0<em>modus operandi<\/em>\u00a0(modo de agir) que eles tinham anteriormente.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Quadros de depress\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, segundo o professor da PUC Rio, para aqueles adolescentes que faziam viagens e socializavam nos finais de semana, com certeza esse isolamento e os crit\u00e9rios mais r\u00edgidos que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 enfrentando, sobretudo este ano, a pandemia est\u00e1 sendo mais dif\u00edcil. Monnerat observou ainda que para pacientes que j\u00e1 tinham algum diagn\u00f3stico psiqui\u00e1trico, a pandemia pode exacerbar esses sintomas, fazendo com que eles precisem de mais atendimento m\u00e9dico, com interven\u00e7\u00e3o de medicamentos mais incisiva e, quando isso n\u00e3o \u00e9 realizado, pode fazer com que quadros de depress\u00e3o, de ansiedade e de rejei\u00e7\u00e3o se acentuem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monnerat refor\u00e7ou a necessidade de os pais e respons\u00e1veis explicarem \u00e0s crian\u00e7as que as medidas de isolamento social impostas pelas autoridades sanit\u00e1rias n\u00e3o s\u00e3o um castigo, mas foram determinadas pensando na coletividade. \u201cEu acredito que as crian\u00e7as tendem a sofrer menos, porque elas est\u00e3o sendo sensibilizadas, desde o come\u00e7o da pandemia, a pensar no coletivo. Mas se s\u00e3o crian\u00e7as que vivem em fam\u00edlia com algum desfalque emocional, com aus\u00eancia de progenitores e vivem mais \u00e0 deriva, no sentido emocional e educacionalmente falando, elas j\u00e1 est\u00e3o sofrendo muito e sofrer\u00e3o mais ao perceberem que poder\u00e3o retomar as atividades\u201d. \u00c9 preciso contextualizar os casos e entender os anseios dessas crian\u00e7as e jovens, disse.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"alt-font font-italic my-2 small text-info\" style=\"text-align: justify;\">Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia do novo coronav\u00edrus afetou n\u00e3o s\u00f3 a sa\u00fade mental dos adultos, mas tamb\u00e9m das crian\u00e7as e adolescentes. \u00c9 o que afirma o professor de Psiquiatria da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FM-USP), Guilherme Polanczyk. \u201cA pandemia, e todo o contexto que a acompanha, t\u00eam gerado 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