{"id":23629,"date":"2021-05-23T08:10:00","date_gmt":"2021-05-23T11:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=23629"},"modified":"2021-05-22T08:33:33","modified_gmt":"2021-05-22T11:33:33","slug":"fui-estuprada-desde-a-infancia-e-tive-12-filhos-do-meu-proprio-pai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2021\/05\/23\/fui-estuprada-desde-a-infancia-e-tive-12-filhos-do-meu-proprio-pai","title":{"rendered":"\u201cFui estuprada desde a inf\u00e2ncia e tive 12 filhos do meu pr\u00f3prio pai\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMeus pais eram agricultores e tiveram 18 filhos, nove homens e nove mulheres. Nasci em fevereiro de 1967 na zona rural de Caruaru, em Pernambuco, e comecei a trabalhar ainda muito menina. Aos seis anos j\u00e1 estava arrancando mato e ro\u00e7ando a terra. Meu pai era um homem rude, severo e de poucas palavras. Ele nunca nos tratou com carinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando eu tinha nove anos, fomos a um ro\u00e7ado perto de casa. No caminho meu pai me arrastou para o meio do mato, amarrou minha boca com sua camisa e tentou ser &#8216;dono de mim&#8217;. Dei uma pezada no nariz dele, tentando me defender. Mas ele puxou uma faca para me sangrar. A faca pegou no meu pesco\u00e7o e no meu joelho. Ele tentou de novo, mas n\u00e3o conseguiu o que queria. Ao chegar em casa contei tudo para a minha m\u00e3e, mas, al\u00e9m de n\u00e3o acreditar em mim, ela ainda me deu uma co\u00e7a. Fiquei sem almo\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquela noite minha m\u00e3e foi at\u00e9 o meu quarto me buscar e me levou para ele. Ela me colocou na cama deles, tapou minha boca com o len\u00e7ol e segurou minhas pernas para ele pular em cima de mim. Dei um grito e n\u00e3o vi mais nada. Apavorada, fiquei ali im\u00f3vel. Meu pai abusou de mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia seguinte n\u00e3o consegui andar. Falei para minha m\u00e3e que o que tinham feito era pecado, que era horr\u00edvel. \u2018N\u00e3o \u00e9 pecado. Filha tem que ser mulher do pai mesmo\u2019, ela disse. O que mais me d\u00f3i at\u00e9 hoje \u00e9 que fui abusada pelo meu pai com o consentimento da minha m\u00e3e. Ela n\u00e3o fazia nada para me defender e ainda o apoiava. Depois daquele dia, tr\u00eas vezes por semana ele abusava de mim. Sempre na cama deles.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Mesmo gr\u00e1vida eu sofria abusos e todo tipo de agress\u00e3o. Meus filhos-irm\u00e3os nasciam e logo morriam.&#8221;<\/p>\n<address>\u00a0<\/address>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com 15 anos, engravidei pela primeira vez. O beb\u00ea nasceu morto. Ao longo da vida engravidei 12 vezes do meu pai,\u00a0mas somente cinco filhos sobreviveram. Mesmo gr\u00e1vida eu sofria abusos e todo tipo de agress\u00e3o. Meus filhos-irm\u00e3os nasciam e logo morriam.\u00a0As duas meninas e tr\u00eas meninos\u00a0que vingavam foram criados ali em meio aquele caos. Nunca algum vizinho, familiares ou amigos interviram. Muito pelo contr\u00e1rio, todos sabiam, mas fingiam que n\u00e3o. Nunca pude ir \u00e0 escola, a uma consulta m\u00e9dica ou \u00e0 igreja. Nunca tive amigas ou namorei. N\u00e3o tive vida social e comunit\u00e1ria, nem conviv\u00eancia com outras pessoas. Vivi 38 anos em total c\u00e1rcere privado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tentei denunciar meu pai diversas vezes e nunca fui ouvida. Certa vez, fui \u00e0 delegacia de Caruaru e ainda levei um tapa na cara do delegado de plant\u00e3o, que me mandou voltar pra casa. Eu j\u00e1 tinha quase 30 anos e procurava meus direitos h\u00e1 tempo. Soube depois que meu pai, que criava ovelhas, deu um carneiro para o delegado fazer um churrasco e, assim, o caso se encerrou. Uma outra vez, ouvi o delegado dizer que meu pai era uma boa pessoa e eu n\u00e3o deveria dar queixa dele. N\u00e3o sabia mais para quem pedir ajuda. Parecia que todos achavam normal o que eu vivia. Minha m\u00e3e ainda me condenava, dizia que eu estava manchando o nome e a honra dele e da minha fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dia, minha irm\u00e3 mais nova falou que estava interessada em um rapaz da regi\u00e3o. Nosso pai quis peg\u00e1-la \u00e0 for\u00e7a, disse que j\u00e1 tinha um \u2018touro\u2019 dentro de casa e n\u00e3o era para ningu\u00e9m ali andar atr\u00e1s de macho fora de casa. Mandei minha m\u00e3e correr com minha irm\u00e3 para longe de casa e ele foi atr\u00e1s delas com uma faca nas m\u00e3os. Depois disso, minha m\u00e3e resolveu n\u00e3o ficar mais com ele. Foram todas embora para a casa do meu av\u00f4 em Caruaru. Ela e as minhas oito irm\u00e3s. S\u00f3 ficamos eu e meu pai em casa. Eu tive que ficar. Estava gr\u00e1vida e j\u00e1 tinha outros dois filhos pequenos, tive medo de n\u00e3o nos aceitarem na casa da minha fam\u00edlia. Mainha saiu de casa corrida com as minhas irm\u00e3s. Meus irm\u00e3os homens, nessa \u00e9poca, j\u00e1 eram todos falecidos. Eu j\u00e1 estava com 21 anos e meu pai ainda me espancava muito. Sem mais aguentar aquela vida, tentei me matar v\u00e1rias vezes. Botei at\u00e9 corda no meu pesco\u00e7o. Mas nunca dava certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando minha filha mais velha completou 11 anos, meu pai disse que ia ser &#8216;dono dela&#8217; e se eu tentasse impedir me mataria. N\u00e3o me aguentei. Jurei que se tocasse na minha filha ele iria morrer. Minha m\u00e3e aceitou, mas eu n\u00e3o. Jamais poderia suportar ver filha minha passar por tudo que passei. Depois que lhe ameacei, ele me bateu por tr\u00eas dias seguidos, me deu um murro no olho esquerdo que ficou roxo por v\u00e1rios dias. Meu ouvido tamb\u00e9m foi esmurrado e perdi a audi\u00e7\u00e3o. Ele estourou meu t\u00edmpano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia seguinte, meu pai amolou uma faca e foi vender fub\u00e1 e farinha de milho na cidade. Antes de sair, me disse: \u2018Rapariga safada, quando eu chegar, se voc\u00ea n\u00e3o fizer o acordo com a menina (minha filha), vai ver o come\u00e7o e n\u00e3o o fim\u2019. Quando ele saiu, corri para a casa da minha tia que morava na redondeza. Mostrei a ela meu corpo todo lanhado.\u00a0Foi quando decidi procurar por dois homens intrigados dele e os paguei para mat\u00e1-lo. J\u00e1 n\u00e3o aguentava mais tanto sofrimento. N\u00e3o queria ver a minha filha passar pelo mesmo horror que passei. Peguei o \u00fanico dinheiro que eu tinha guardado, fui para Caruaru e paguei a eles mil reais, sem um pingo de arrependimento. Tinha juntado esse valor em um ano de trabalho na feira com a venda de fub\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando meu pai voltava pra casa \u00e0 tarde, ap\u00f3s o trabalho no ro\u00e7ado, os dois rapazes j\u00e1 vieram o seguindo. No dia 15 de novembro de 2005, \u00e0s 13h30, meu pai foi assassinado com a peixeira que ele mesmo j\u00e1 tinha me amea\u00e7ado de morte. Minha filha, que era filha dele, eu consegui salvar de suas garras. Quem \u00e9 pai e m\u00e3e de verdade sabe, d\u00f3i demais no cora\u00e7\u00e3o ver um filho sofrer. Ter que levar sua pr\u00f3pria filha para a cama, abrir a intimidade dela, como minha m\u00e3e fez comigo, e colocar o pai em cima da filha? Isso \u00e9 realmente abomin\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No cemit\u00e9rio j\u00e1 tinha um carro de pol\u00edcia me esperando. Assim que acabou o enterro fui presa. Minha m\u00e3e e uma das minhas irm\u00e3s me entregaram para a pol\u00edcia. Meus cinco filhos ficaram com a minha tia, irm\u00e3 do meu pai, uma senhora de 81 anos. Eles sofreram muito com a minha pris\u00e3o. No tempo que estive em reclus\u00e3o trabalhei no ro\u00e7ado, como servente de pedreiro, lavei carro e moto dos policiais, fiz plantio de verduras. Todo servi\u00e7o que tinha l\u00e1 na pris\u00e3o eu pegava para diminuir minha pena e poder sair mais r\u00e1pido para tomar conta de meus filhos. Minha maior preocupa\u00e7\u00e3o sempre foi com eles.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Depois da absolvi\u00e7\u00e3o pude, enfim, refazer a minha vida. Finalmente eu estava livre!&#8221;<\/p>\n<address>\u00a0<\/address>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2006, com o advento da\u00a0<a href=\"https:\/\/revistamarieclaire.globo.com\/Mulheres-do-Mundo\/noticia\/2020\/08\/revolucionaria-em-varios-sentidos-historia-da-lei-maria-da-penha.html\">Lei Maria da Penha<\/a>, passei a pagar minha pena em liberdade provis\u00f3ria e voltei a viver com minhas crian\u00e7as, ap\u00f3s um ano presa. Trabalhei na ro\u00e7a e pedia ajuda aos parentes para sustent\u00e1-los. Passamos muita fome. Muitas pessoas ainda me julgavam e n\u00e3o queriam me dar trabalho por ser uma ex-presidi\u00e1ria. Em mar\u00e7o de 2011 fui acolhida pelo Centro de Refer\u00eancia da Mulher Maria Bonita, de Caruaru, que acolhe mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia. Em seguida, passei a ser usu\u00e1ria da Pol\u00edtica P\u00fablica da Rede de Enfrentamento \u00e0 Viol\u00eancia contra a Mulher da cidade de Caruaru e a coordenadora me levou a v\u00e1rios encontros feministas. Fui para a Bahia, Sergipe e para outros lugares do Brasil sempre dando o meu depoimento e testemunho de vida a outras mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 25 de agosto de 2011 fui julgada e absolvida por unanimidade na cidade de Recife. A defesa alegou a viol\u00eancia de g\u00eanero prevista pela Lei Maria da Penha, informando que agi por leg\u00edtima defesa e de terceiros. Por eu ter vivido por 38 anos em c\u00e1rcere privado, o advogado tamb\u00e9m alegou a aus\u00eancia do Estado na prote\u00e7\u00e3o dos meus direitos e dos meus filhos. Por fim, afirmou que eu ter \u2018encomendado \u00e0 morte de meu pr\u00f3prio pai\u2019 era a \u00fanica alternativa de poder viver e garantir a vida dos meus cinco filhos. Depois da absolvi\u00e7\u00e3o pude, enfim, refazer a minha vida. Finalmente eu estava livre!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2013 passei a receber um aux\u00edlio financeiro de mil reais do munic\u00edpio de Caruaru. A partir de 2017, comecei a participar do Grupo Reflexivo, uma nova metodologia aplicada pela coordenadora do Centro de Refer\u00eancia da Mulher Maria Bonita. Aprendi sobre forma\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica e tamb\u00e9m sobre viol\u00eancia de g\u00eanero. Notava que, a cada encontro, eu ia me percebendo num processo intenso de protagonismo e me empoderando cada vez mais no meu lugar de fala. Passei ent\u00e3o a participar de muitas palestras como convidada para trazer as minhas experi\u00eancias e minha hist\u00f3ria de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2018, fui homenageada pela Lei Municipal de Caruaru (Lei N\u00ba 6.074\/2018) que recebeu o nome de Lei Dona Severina, onde reconhece a prioridade da mulher e dos seus filhos pela pol\u00edtica p\u00fablica municipal. Desde ent\u00e3o, a lei que leva meu nome passou a ser refer\u00eancia nacional, para meu total orgulho. Em 2019, fui homenageada pelo Instituto Maria da Penha e recebi das m\u00e3os da pr\u00f3pria Maria da Penha uma medalha linda como s\u00edmbolo de bravura, luta e resist\u00eancia pelos direitos humanos e pela coragem das den\u00fancias pelas viola\u00e7\u00f5es sofridas. O evento foi realizado exatamente no F\u00f3rum onde fui julgada em 2011. Fiquei muito emocionada por pisar ali de novo e relembrar tudo que vivi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2020, em pleno cen\u00e1rio da pandemia de covid-19, juntamente com outras mulheres que sempre estiveram ao meu lado nessa luta, criamos um coletivo para levar informa\u00e7\u00f5es para outras mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Nosso coletivo se chama Marias Tamb\u00e9m T\u00eam For\u00e7a. Nossa primeira a\u00e7\u00e3o foi a realiza\u00e7\u00e3o de um f\u00f3rum transnacional com o tema em homenagem \u00e0 minha hist\u00f3ria: \u2018O protagonismo de mulheres sobreviventes da viol\u00eancia\u2019. L\u00e1 pude conhecer mulheres incr\u00edveis das cinco regi\u00f5es do Brasil e tamb\u00e9m convidadas internacionais que vieram de Mo\u00e7ambique, Canad\u00e1, M\u00e9xico, Argentina, Portugal e Espanha. Me senti muito prestigiada, importante e empoderada estando ali, falando de igual pra igual com todas elas. Quero que a minha hist\u00f3ria sirva de exemplo para muitas mulheres n\u00e3o passarem mais por isso em suas vidas. Pai n\u00e3o tem que ser dono do corpo de filha. Isso \u00e9 crime! Luto para que os pais e as m\u00e3es procurem respeitar seus filhos, ouvi-los e ser amigos deles. A gente \u00e9 pobre, humilde, mas pobreza n\u00e3o \u00e9 desonra n\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"paywall__site-container\" style=\"text-align: justify;\" data-piano-enabled=\"true\"><main><\/p>\n<article>\n<div class=\"protected-content\">\n<p>Hoje estou com 54 anos e tenho s\u00e9rios problemas de sa\u00fade. Tenho problemas de cora\u00e7\u00e3o, nos ossos e nos rins. N\u00e3o enxergo do olho esquerdo e nem escuto do ouvido esquerdo de tanto que apanhei a vida toda do meu pai. Um dos meus filhos sofre de epilepsia e minha filha mais velha nasceu com um problema psicol\u00f3gico. Atualmente, meus filhos tem 27, 26, 25, 23 e 21 anos. Somente os rapazes moram comigo, as duas mo\u00e7as j\u00e1 se casaram e me deram a maior alegria da minha vida, que s\u00e3o minhas tr\u00eas netinhas lindas, os amores da vida da vov\u00f3. Nunca me arrependi de ter tido meus filhos. Eles s\u00e3o a minha maior riqueza.<\/p>\n<p>Mesmo diante do meu esfor\u00e7o e luta, n\u00e3o posso negar que vivo num sufoco nesse cen\u00e1rio da pandemia, onde sabemos que muitas mulheres est\u00e3o assim como eu, passando por uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil e delicada. N\u00e3o posso mais trabalhar devido ao agravamento dos meus problemas de sa\u00fade. Lutei e luto at\u00e9 hoje, passei fome e ainda passo por muita dificuldade para sustentar a casa e meus filhos. Mesmo assim, n\u00e3o desisto. Mesmo \u00e0 revelia do Estado e enfrentando todo tipo de adversidades, nunca desisti da vida. Desejo imensamente que cada mulher erga a sua cabe\u00e7a e siga em frente, que lute para vencer e n\u00e3o d\u00ea o bra\u00e7o a torcer. Mesmo diante de todas as dificuldades, n\u00e3o se intimide. Procure sempre os seus direitos e sua felicidade, em primeiro lugar.\u201d<\/p>\n<div id=\"pub-materia-10\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\" data-advertising-status=\"complete\" data-google-query-id=\"CKzayMqX3fACFdIGuQYdIhINvQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edmarieclaire\/euleitora\/materia_14__container__\"><strong style=\"font-size: inherit;\">Para denunciar viol\u00eancia contra a mulher, ligue para o n\u00famero 180.<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/cvnmrkMXWFC_SK3L7ZGV9qZCQCM=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2021\/05\/20\/unnamed_2.jpg\" alt=\"Severina Maria da Silva (Foto: Lais Telles \/ Divulga\u00e7\u00e3o)\" width=\"351\" height=\"541\" \/><\/div>\n<div><span style=\"font-size: inherit;\">Severina Maria da Silva (Foto: Lais Telles \/ Divulga\u00e7\u00e3o)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<p><\/main><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Fonte: Marie Claire<\/div>\n<div class=\"paywall__site-container\" style=\"text-align: justify;\" data-piano-enabled=\"true\"><main><\/p>\n<section id=\"pos-content\">\n<div><\/div>\n<\/section>\n<p><\/main><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Severina Maria da Silva foi violentada pelo pai desde os 9 anos de idade no interior de Pernambuco. Quando o homem tentou fazer o mesmo com a filha deles, a agricultora decidiu que n\u00e3o deixaria a menina ter o mesmo destino que o seu &#8211; e encomendou a morte de seu algoz. Hoje, quase dez anos ap\u00f3s ser absolvida por unanimidade pela Justi\u00e7a, Severina vive de forma simples e lidera o coletivo Marias Tamb\u00e9m T\u00eam For\u00e7a para ajudar outras mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23630,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[200],"tags":[3102,3100,3101],"class_list":["post-23629","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-filhos","tag-incesto","tag-superacao"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed_1.jpg","uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed_1.jpg",500,365,false],"thumbnail":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed_1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed_1-300x219.jpg",300,219,true],"medium_large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed_1.jpg",500,365,false],"large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed_1.jpg",500,365,false],"1536x1536":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed_1.jpg",500,365,false],"2048x2048":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed_1.jpg",500,365,false],"mantranews-slider-large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed_1.jpg",500,365,false],"mantranews-featured-medium":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed_1-420x307.jpg",420,307,true],"mantranews-featured-long":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed_1-300x365.jpg",300,365,true],"mantranews-block-medium":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed_1-464x290.jpg",464,290,true],"mantranews-carousel-image":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed_1.jpg",500,365,false],"mantranews-block-thumb":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed_1-322x230.jpg",322,230,true],"mantranews-single-large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed_1.jpg",500,365,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"Reda\u00e7\u00e3o geral","author_link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/author\/blogopara"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Severina Maria da Silva foi violentada pelo pai desde os 9 anos de idade no interior de Pernambuco. 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