{"id":24171,"date":"2021-06-05T16:42:00","date_gmt":"2021-06-05T19:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=24171"},"modified":"2021-06-05T11:59:48","modified_gmt":"2021-06-05T14:59:48","slug":"brasil-tem-recorde-de-trabalhadores-desempregados-ha-mais-de-dois-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2021\/06\/05\/brasil-tem-recorde-de-trabalhadores-desempregados-ha-mais-de-dois-anos","title":{"rendered":"Brasil tem recorde de trabalhadores desempregados h\u00e1 mais de dois anos"},"content":{"rendered":"\n\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio do ano passado, Marcelo Freitas Henrique, 29 anos, estava cheio de esperan\u00e7as de que deixaria os quase tr\u00eas anos de desemprego para tr\u00e1s. Prestes a concluir um curso de organiza\u00e7\u00e3o de eventos e recrea\u00e7\u00e3o, estava fazendo trabalhos tempor\u00e1rios na \u00e1rea e esperava que a experi\u00eancia abrisse caminhos rumo a uma vaga efetiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quando comecei o curso, em 2019, o setor estava no auge, eu tinha certeza de que ia dar certo, mas veio a pandemia e ela [a empresa para quem prestou servi\u00e7os] tamb\u00e9m parou. Parou tudo&#8221;, diz.<br \/><br \/>Ao todo, Henrique j\u00e1 est\u00e1 h\u00e1 quatro anos sem trabalho fixo, seja ele formal, seja informal. Como ele, outros 3,487 milh\u00f5es de brasileiros est\u00e3o desocupados h\u00e1 pelo menos dois anos, segundo dados da Pnad Cont\u00ednua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua) do primeiro trimestre de 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O chamado desemprego de longa dura\u00e7\u00e3o bateu recorde em meio \u00e0 crise econ\u00f4mica gerada pela pandemia. Os quase 3,5 milh\u00f5es de pessoas buscando vagas h\u00e1 dois anos ou mais representam o ponto mais alto da s\u00e9rie hist\u00f3rica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), iniciada em 2012.<br \/><br \/>O recorde anterior havia sido registrado no segundo trimestre de 2019, quando 3,347 milh\u00f5es de trabalhadores estavam desocupados havia pelo menos dois anos.<br \/><br \/><span style=\"font-size: inherit;\">No patamar atual, quase um ter\u00e7o (23,6%) dos 14,805 milh\u00f5es de desempregados est\u00e1 nessa situa\u00e7\u00e3o h\u00e1 mais de dois anos. Um ano antes, no come\u00e7o de 2020, o Brasil tinha 3,075 milh\u00f5es de pessoas em busca de emprego havia pelo menos dois anos. Isso quer dizer que, durante a pandemia, o grupo teve acr\u00e9scimo de 412 mil profissionais, alta de 13,4%.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para especialistas, o quadro \u00e9 resultado de um mercado de trabalho que ainda n\u00e3o tinha se recuperado plenamente da crise anterior. Quando a pandemia come\u00e7ou, em mar\u00e7o de 2020, o n\u00edvel de emprego ainda estava em processo de melhora.<br \/><br \/>Para Jos\u00e9 Ronaldo Castro J\u00fanior, diretor de estudos e pol\u00edticas macroecon\u00f4micas do Ipea (Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada), a crise iniciada em 2015 chegou com mais for\u00e7a sobre o mercado de trabalho um ano depois. A recupera\u00e7\u00e3o, iniciada a partir de 2017, ainda n\u00e3o tinha sido suficiente para elevar o n\u00edvel de emprego.<br \/><br \/>&#8220;Houve uma melhora leve, mas ainda tinha um contingente muito grande de pessoas sem ocupa\u00e7\u00e3o. Para um conjunto consider\u00e1vel de pessoas, isso [o in\u00edcio da pandemia] foi um prolongamento da crise anterior&#8221;, afirma.<br \/><br \/>\u00c9 essa tamb\u00e9m a avalia\u00e7\u00e3o do economista Rodolpho Tobler, pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas). &#8220;O desemprego mais longo \u00e9 resultado das duas \u00faltimas crises. A pandemia afetou diretamente o mercado de trabalho, mas j\u00e1 v\u00ednhamos em um momento que n\u00e3o era bom. Desde 2016, o Brasil tem mais de 11 milh\u00f5es de desempregados [no total]&#8221;, diz.<br \/><br \/>&#8220;As pessoas que j\u00e1 tinham dificuldades para entrar no mercado ficaram com ainda mais dificuldades na pandemia.&#8221;<br \/>Para Tobler, o desemprego de longa dura\u00e7\u00e3o \u00e9 a fase mais cr\u00edtica da desocupa\u00e7\u00e3o. Ao ficar distante do mercado por muito tempo, o profissional tende a encontrar mais obst\u00e1culos para conseguir chamar a aten\u00e7\u00e3o em novos processos seletivos.<br \/><br \/>Marcelo Henrique queria trabalhar com eventos. Ele diz, por\u00e9m, que, depois de quatro anos desempregado, aceita a vaga que aparecer.<br \/><br \/>&#8220;Trabalhei como operador de telemarketing por dois anos, ent\u00e3o procuro nessa \u00e1rea. S\u00f3 que, quando as pessoas veem meu curr\u00edculo, acham ruim que eu n\u00e3o tenho outras experi\u00eancias e estou sem nada h\u00e1 muito tempo, mas ningu\u00e9m me contrata, como vou ter? Agora eu estou atr\u00e1s de qualquer coisa, faxina, gari, aceito tudo.&#8221;<br \/><br \/>Castro J\u00fanior v\u00ea ainda o risco alto de esse trabalhador desempregado h\u00e1 muito tempo migrar para o desalento, quando h\u00e1 a desist\u00eancia na busca pela vaga. Ao fim do primeiro trimestre deste ano, 6 milh\u00f5es de pessoas haviam desistido de procurar emprego.<br \/><br \/>&#8220;O outro efeito \u00e9 a pessoa com certo n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o aceitar um fun\u00e7\u00e3o menor ou uma vaga de tempo parcial.&#8221;<br \/>Segundo a Pnad do trimestre encerrado em mar\u00e7o, 5,6 milh\u00f5es de pessoas passaram a integrar, em um ano, o grupo dos subutilizados.<br \/><br \/>Ao todo, s\u00e3o 33,2 milh\u00f5es que est\u00e3o desempregados, trabalhando menos de 40 horas semanais ou na for\u00e7a de trabalho potencial -quando h\u00e1 o desejo por uma vaga, mas n\u00e3o a procura, ou quando o trabalhador n\u00e3o pode preencher o posto de trabalho por qualquer raz\u00e3o.<br \/><br \/>O economista Ely Jos\u00e9 de Mattos, professor da Escola de Neg\u00f3cios da PUCRS, diz que, diante de maiores dificuldades em voltar ao mercado, o trabalhador vai em busca de alternativas, como a informalidade e o trabalho por conta pr\u00f3pria.<br \/><br \/>&#8220;H\u00e1 possibilidade de essas pessoas irem para uma situa\u00e7\u00e3o de pobreza muito grave, dependendo do apoio de programas sociais, ou de migrarem para a informalidade. Agora, que tipo de trabalho ser\u00e1 esse? Existe toda uma discuss\u00e3o sobre a qualidade dos neg\u00f3cios por conta pr\u00f3pria.&#8221;<br \/><br \/>Na casa de Marcelo Henrique, a fam\u00edlia tem conseguido se manter gra\u00e7as ao corte radical de despesas, aos trabalhos que o pai faz como serralheiro e \u00e0 doa\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas de uma obra social.<br \/><br \/>No ano passado, os pais dele receberam o aux\u00edlio emergencial; em 2021, somente a m\u00e3e recebeu. Uma tia, que \u00e9 pessoa com defici\u00eancia e vive sob os cuidados da fam\u00edlia, recebe um benef\u00edcio assistencial, que tamb\u00e9m entra no or\u00e7amento.<br \/><br \/>&#8220;A gente tem que se dobrar aqui at\u00e9 para pagar a condu\u00e7\u00e3o para eu ir \u00e0s entrevistas de emprego&#8221;, diz Henrique.<br \/><br \/>Segundo o IBGE, desempregados com tempo de procura por trabalho de um ano a menos de dois tamb\u00e9m bateram recorde no primeiro trimestre, com 2,557 milh\u00f5es de pessoas nessa faixa. O n\u00famero representa alta de 58,4% em rela\u00e7\u00e3o a igual per\u00edodo de 2020 (1,614 milh\u00e3o). Ou seja, teve incremento de 943 mil pessoas durante a pandemia.<br \/><br \/>Tobler, da FGV, diz que a rea\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho depende da retomada da economia como um todo. Para isso, afirma o pesquisador, \u00e9 necess\u00e1rio que o pa\u00eds avance na vacina\u00e7\u00e3o contra o novo coronav\u00edrus.<br \/><br \/>A imuniza\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada essencial para diminuir restri\u00e7\u00f5es em setores como o de servi\u00e7os, o maior empregador no Brasil. &#8220;A principal sa\u00edda \u00e9 o crescimento econ\u00f4mico, e o mais importante agora \u00e9 acelerar a vacina\u00e7\u00e3o&#8221;, diz.<br \/><br \/>Para Castro J\u00fanior, do Ipea, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel ver alguma recupera\u00e7\u00e3o de setores econ\u00f4micos diversos. A fragilidade ainda vem dos servi\u00e7os, segmento que inclui setores com funcionamento ainda restrito ou totalmente paralisado pela pandemia.<br \/><br \/>Est\u00e3o nesse grupo bares e restaurantes, trabalho dom\u00e9stico remunerado, e as atividades de turismo, eventos, shows e atividades culturais. &#8220;Esses setores dependem mesmo de a pandemia arrefecer, pois s\u00e3o atividades com liga\u00e7\u00e3o direta com aglomera\u00e7\u00f5es e que seguem impedidas de acontecer.&#8221;<br \/><br \/>Mattos, da PUCRS, defende a necessidade de um investimento em treinamentos, como as qualifica\u00e7\u00f5es realizadas por institui\u00e7\u00f5es como Senai (Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Industrial) e Senac (Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Comercial), que permitissem a reciclagem das habilidades de trabalhadores desempregados h\u00e1 muito tempo. &#8220;Apostar em pol\u00edticas de treinamento direcionado nunca \u00e9 demais&#8221;, diz.<\/p>\n<section class=\"bannerBillboardDetalhe\"><\/section>\n<div class=\"clear\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"spacer30\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"compartilhar\"><strong>Por: Folhapress<\/strong><\/div>\n<div class=\"clear\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"spacer30\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"spacer30\">\u00a0<\/div>\n<div id=\"comentar\" class=\"fb-comments\" data-href=\"https:\/\/www.folhape.com.br\/economia\/brasil-tem-recorde-de-trabalhadores-desempregados-ha-mais-de-dois-anos\/186108\/\" data-width=\"100%\" data-numposts=\"5\" data-colorscheme=\"light\">\u00a0<\/div>\n<div id=\"audiome-ads\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"clear\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"spacer30\">\u00a0<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio do ano passado, Marcelo Freitas Henrique, 29 anos, estava cheio de esperan\u00e7as de que deixaria os quase tr\u00eas anos de desemprego para tr\u00e1s. 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