{"id":24704,"date":"2021-06-19T14:18:00","date_gmt":"2021-06-19T17:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=24704"},"modified":"2021-06-19T09:17:31","modified_gmt":"2021-06-19T12:17:31","slug":"justica-ve-abuso-em-demissao-por-whatsapp-e-manda-pagar-indenizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2021\/06\/19\/justica-ve-abuso-em-demissao-por-whatsapp-e-manda-pagar-indenizacao","title":{"rendered":"Justi\u00e7a v\u00ea abuso em demiss\u00e3o por WhatsApp e manda pagar indeniza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n\n<div id=\"audiome-container\">\n<div id=\"audiome-ref\">\u00a0<\/div>\n<div id=\"audiome-player\">\n<div id=\"audiome-button\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: inherit;\">O alerta do WhatsApp saltou na tela do celular. &#8220;Bom dia. Voc\u00ea est\u00e1 demitida. Devolva as chaves e o cart\u00e3o da minha casa. Receber\u00e1 contato em breve para assinar documentos&#8221;, escreveu o chefe, sem rodeios.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mensagens enviadas a uma empregada dom\u00e9stica levaram a Sexta Turma do TST (Tribunal Superior do Trabalho) a manter uma indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral. Para a Justi\u00e7a, faltaram considera\u00e7\u00e3o, cordialidade e educa\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Em tempos de home office e ferramentas virtuais, a decis\u00e3o acende o alerta, dizem especialistas. Na forma, demiss\u00f5es por aplicativos t\u00eam sido aceitas, mas se deve zelar pelo respeito no conte\u00fado.<br \/><br \/>Julgamentos recentes t\u00eam debatido o uso de aplicativos de mensagens no ambiente de trabalho, incluindo nas dispensas -e \u00e9 preciso ficar atento, pois as decis\u00f5es tendem a condenar abusos, tanto do empregador como do empregado.<br \/><br \/>O caso concreto narrado no in\u00edcio da reportagem ocorreu antes da pandemia da Covid-19. \u00c0 empregada, que foi demitida em 2016, a ju\u00edza Lenita Corbanezi, da 2\u00aa Vara do Trabalho de Campinas (SP), assegurou indeniza\u00e7\u00e3o de tr\u00eas sal\u00e1rios, fixados, em 2018, em R$ 2.400.<br \/><br \/>Na decis\u00e3o, a ju\u00edza diz que um empregador pode demitir um empregado quando quiser, mas &#8220;a sum\u00e1ria dispensa via WhatsApp&#8221;, afirmou ela, &#8220;denota, no m\u00ednimo, falta de respeito \u00e0 dignidade humana, n\u00e3o se justificando nem mesmo em nome dos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e de meios de comunica\u00e7\u00e3o virtuais&#8221;.<br \/><br \/>Corbanezi repudiou ainda acusa\u00e7\u00e3o feita pelo empregador, tamb\u00e9m por mensagem, de que a empregada dom\u00e9stica teria falsificado assinatura em documentos na rescis\u00e3o. O chefe voltou atr\u00e1s da den\u00fancia.<br \/><br \/>O patr\u00e3o, por\u00e9m, recorreu na tentativa de n\u00e3o pagar a indeniza\u00e7\u00e3o. O caso foi parar na Sexta C\u00e2mara da Terceira Turma do TRT-15, onde o pedido para reformar a senten\u00e7a foi negado em 2019.<br \/><br \/>Diante dos argumentos, o relator, desembargador Jorge Luiz Souto Maior, alfinetou: &#8220;Mas, pensando melhor, talvez seja mais did\u00e1tico invocar a Lei de Tali\u00e3o e, simplesmente, dizer ao reclamado [empregador]: Boa tarde, voc\u00ea foi condenado. Pague o valor indicado na senten\u00e7a em 48 horas, assim que citado para tanto, sob pena de perder a casa. Receber\u00e1 em breve indica\u00e7\u00f5es de como proceder<span style=\"font-size: inherit;\">O empregador recorreu de novo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: inherit;\"> O caso chegou ao TST, em Bras\u00edlia, onde, &#8220;dada a relev\u00e2ncia da mat\u00e9ria&#8221;, foi aceito. Em 26 de maio deste ano, o pedido contra a indeniza\u00e7\u00e3o foi mais uma vez negado e a condena\u00e7\u00e3o, mantida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><br \/>&#8220;N\u00e3o se ignora que o conte\u00fado da mensagem de dispensa foi telegr\u00e1fico nem se ignora que as regras da cortesia e da considera\u00e7\u00e3o devam ser observadas em quaisquer etapas da rela\u00e7\u00e3o de trabalho&#8221;, escreveu a relatora, ministra K\u00e1tia Arruda.<br \/><br \/>Os ministros da Sexta Turma n\u00e3o avaliaram a legalidade do uso do aplicativo, tampouco definiram se o conte\u00fado das mensagens foi ofensivo. Para Arruda, faltaram informa\u00e7\u00f5es sobre a comunica\u00e7\u00e3o entre patr\u00e3o e empregada.<br \/><br \/>&#8220;No entanto, para que se pudesse concluir nesta corte superior se foi ofensivo ou n\u00e3o o conte\u00fado da mensagem da dispensa precisar\u00edamos saber do contexto da mensagem, e n\u00e3o apenas do texto da mensagem. O contexto \u00e9 que d\u00e1 sentido ao texto&#8221;, afirmou a relatora.<br \/><br \/>Mesmo sem esse contexto, os ministros mantiveram o pagamento fixado pelo TRT-15 \u00e0 empregada. N\u00e3o cabe recurso.<br \/><br \/>Para o professor de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em direito do trabalho da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) Ricardo Calcini, a indeniza\u00e7\u00e3o foi mantida por uma quest\u00e3o t\u00e9cnica.<br \/><br \/>&#8220;O TST tangencia o assunto, mas n\u00e3o diz se vale usar o WhatsApp, se vale o tipo de mensagem. Diz apenas que n\u00e3o d\u00e1 para dar provimento ao agravo [recurso]&#8221;, afirmou.<br \/><br \/>No entanto, para que n\u00e3o se invoque, como fez o desembargador, a Lei de Tali\u00e3o -da reciprocidade da pena em rela\u00e7\u00e3o ao dano causado, ou o popular &#8220;olho por olho, dente por dente&#8221;, o empregador deve estar atento ao usar ferramentas de comunica\u00e7\u00e3o na crise sanit\u00e1ria.<br \/><br \/>Segundo Mayra Pal\u00f3poli, do escrit\u00f3rio Pal\u00f3poli &amp; Albrecht, advogados de trabalhadores, por exemplo, poder\u00e3o usar a decis\u00e3o do TST como precedente para questionar demiss\u00f5es por WhatsApp.<br \/><br \/>&#8220;\u00c9 subjetivo. N\u00e3o se trata de precedente de indeniza\u00e7\u00e3o em caso de dispensa pura e simples por WhatsApp. Mas abre um precedente de uma an\u00e1lise subjetiva da forma como se deu a dispensa pelo WhatsApp&#8221;, afirmou.<br \/>A advogada, que atende empresas, defende cuidados redobrados. &#8220;Desde o in\u00edcio da pandemia, recomendamos que a dispensa seja por chamada de v\u00eddeo&#8221;, afirmou.<br \/><br \/>Videoconfer\u00eancias s\u00e3o menos impessoais do que mensagens de texto, de acordo com Luiz Afr\u00e2nio Ara\u00fajo, do Veirano Advogados. Para ele, o uso de aplicativos \u00e9 v\u00e1lido para demiss\u00f5es.<br \/><br \/>&#8220;\u00c9 necess\u00e1rio, por\u00e9m, que isso nunca seja feito em grupos e se busque fazer de forma menos impessoal&#8221;, afirmou. Outras decis\u00f5es do TST ilustram o entendimento de Ara\u00fajo de que desligamento por aplicativo \u00e9 permitido.<br \/><br \/>Em setembro passado, por exemplo, a Quinta Turma da corte julgou v\u00e1lido o pedido de demiss\u00e3o feito por uma vendedora por WhatsApp e lhe negou direito \u00e0 estabilidade por gravidez. Ela disse ter descoberto a gesta\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o desligamento.<br \/><br \/>J\u00e1 a Terceira Turma ordenou, tamb\u00e9m em setembro, pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o a uma supervisora de telemarketing por ass\u00e9dio de gestores em grupo de WhatsApp. Eram cobrados resultados e at\u00e9 o tempo de ida ao banheiro.<br \/><br \/>Em 12 de maio deste ano, a Primeira Turma afirmou, em outra frente, que n\u00e3o h\u00e1 suspei\u00e7\u00e3o de testemunha por ela participar de grupos de WhatsApp e redes sociais. Logo, n\u00e3o se configurou amizade \u00edntima.<br \/><br \/>Para evitar constrangimentos, Let\u00edcia Ribeiro, s\u00f3cia do Trech Rossi Watanabe, disse que o uso do WhatsApp n\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel.<br \/><br \/>Se inevit\u00e1vel a ferramenta, por mais simples e diretas que sejam as mensagens, Ribeiro defendeu padr\u00f5es m\u00ednimos de comportamento. &#8220;\u00c9 esperado, e costumeiro, certo cuidado com a dignidade na comunica\u00e7\u00e3o da dispensa.&#8221;<br \/><br \/>Para Guilherme Feliciano, professor de direito do trabalho da USP, tamb\u00e9m se deve evitar o aplicativo.<br \/>Segundo ele, o uso \u00e9 pol\u00eamico, embora a lei n\u00e3o preveja veto ao WhatsApp nas comunica\u00e7\u00f5es. &#8220;Mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim&#8221;, afirmou. &#8220;Orientaria para que n\u00e3o procedesse a comunica\u00e7\u00e3o nestes termos.&#8221;<br \/><br \/>Feliciano destacou que, no caso da empregada dom\u00e9stica, a ministra tratou da necessidade de se avaliar o contexto. Por\u00e9m, para ele, &#8220;a mensagem telegr\u00e1fica pareceu desdenhosa, desrespeitosa, uma maneira de diminuir o outro&#8221;.<br \/><br \/>Em fevereiro deste ano, a 18\u00aa Turma do TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho da 2\u00aa Regi\u00e3o), que abrange Grande S\u00e3o Paulo e Baixada Santista, chancelou o uso do WhatsApp na demiss\u00e3o de uma coordenadora pedag\u00f3gica.<br \/><br \/>Para a relatora, desembargadora Rilma Aparecida Hemet\u00e9rio, o aplicativo &#8220;\u00e9 uma ferramenta de comunica\u00e7\u00e3o, como qualquer outra&#8221;. Segundo ela, o WhatsApp &#8220;se tornou um grande aliado, especialmente no ano de 2020, em raz\u00e3o da pandemia&#8221;.<br \/><br \/>Hemet\u00e9rio lembrou que mensagens trocadas valem como prova. Por isso, elas servem para demonstrar a decis\u00e3o de romper o v\u00ednculo de emprego, seja por parte do empregador, seja pelo empregado.<br \/><br \/>*<br \/>DEMISS\u00d5ES EM TEMPOS DE PANDEMIA:<br \/>&#8211; O modo mais comum de demiss\u00e3o \u00e9 o presencial<br \/>&#8211; Em tempos de Covid, empresas t\u00eam usado ferramentas tecnol\u00f3gicas em muitas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o e adotado, por exemplo, quando poss\u00edvel, o home office<br \/>&#8211; A demiss\u00e3o sem justa causa \u00e9 um direito do empregador, mas n\u00e3o pode haver abuso na condu\u00e7\u00e3o do processo de desligamento de um empregado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COMO EVITAR CONSTRANGIMENTOS:<br \/>1 &#8211; Quando n\u00e3o for poss\u00edvel a demiss\u00e3o presencial, advogados recomendam a realiza\u00e7\u00e3o de chamada por v\u00eddeo<br \/>2 &#8211; Outro instrumento cab\u00edvel \u00e9 o desligamento por chamada de voz<br \/>3 &#8211; Em ambos os casos, com a concord\u00e2ncia de ambas as partes, recomenda-se a grava\u00e7\u00e3o da conversa para evitar questionamentos posteriores na Justi\u00e7a<br \/>4 &#8211; Em caso de mensagens por escrito, o empregador deve executar a demiss\u00e3o com um texto mais bem elaborado e respeitoso, menos impessoal<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Por: Folhapress<\/strong><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 O alerta do WhatsApp saltou na tela do celular. &#8220;Bom dia. 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