{"id":28546,"date":"2021-09-25T18:17:00","date_gmt":"2021-09-25T21:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=28546"},"modified":"2021-09-25T13:49:52","modified_gmt":"2021-09-25T16:49:52","slug":"inseguranca-alimentar-o-que-ha-no-prato-dos-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2021\/09\/25\/inseguranca-alimentar-o-que-ha-no-prato-dos-brasileiros","title":{"rendered":"Inseguran\u00e7a alimentar: o que h\u00e1 no prato dos brasileiros?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuanto \u00e0 fome, foram necess\u00e1rias duas terr\u00edveis guerras mundiais e uma tremenda revolu\u00e7\u00e3o social &#8211; a revolu\u00e7\u00e3o russa &#8211; nas quais pereceram dezessete milh\u00f5es de criaturas, dos quais doze milh\u00f5es de fome, para que a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental acordasse do seu c\u00f4modo sonho e se apercebesse de que a fome \u00e9 uma realidade demasiado gritante e extensa, para ser tapada com uma peneira aos olhos do mundo\u201d.<\/p>\n<div class=\"teads-inread sm-screen\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"teads0\" class=\"teads-player\"><span style=\"font-size: revert; color: initial;\">Assim, o recifense Josu\u00e9 de Castro, um dos principais ativistas no combate \u00e0 fome no Brasil, destaca a invisibilidade do assunto no livro: \u201cGeografia da Fome: o dilema brasileiro: p\u00e3o ou a\u00e7o\u201d.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"ad-middle\" class=\" adRef\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CL_un7zHmvMCFWM4uQYd8mMGkg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21867286880\/folhape\/middle_0__container__\"><span style=\"font-size: revert; color: initial;\">Causada por diversos fatores, como sociais e hist\u00f3ricos, crescimento da taxa de desemprego, aumento da infla\u00e7\u00e3o e falta de pol\u00edticas p\u00fablicas pelo Governo Federal, a Inseguran\u00e7a Alimentar cresceu ainda mais durante a pandemia da Covid-19. Ou seja, h\u00e1 mais pessoas passando fome no Pa\u00eds.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O desafio de ser m\u00e3e solo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bruna Gomes, moradora da Comunidade do Chiclete, no bairro da Iputinga, no Recife, vive uma batalha di\u00e1ria junto com a m\u00e3e Diulinda Gomes, para levar alimentos para dentro de casa. M\u00e3e solo de dois filhos, um menino de seis e uma menina de nove anos, Bruna vive atualmente com o Aux\u00edlio Emergencial de R$375 dela e o de R$150 da m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paralelamente, a m\u00e3e solo faz alguns \u201cbicos\u201d para conseguir complementar a renda. Bruna e a m\u00e3e moram uma ao lado da outra e sempre est\u00e3o se ajudando.<\/p>\n<div id=\"ad-middle1\" class=\" adRef\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CNiY5rrHmvMCFXw3uQYd400Ctg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21867286880\/folhape\/middle1_0__container__\"><span style=\"font-size: revert; color: initial;\">\u201cA gente divide tudo e gra\u00e7as a Deus estamos tendo tamb\u00e9m uma ajuda de cesta b\u00e1sica da Cufa que eu estou recebendo todo m\u00eas. Tem uma refei\u00e7\u00e3o agora e paramos para pensar se vamos ter outra mais tarde. A gente n\u00e3o sabe, n\u00e3o tem certeza. Se eu tenho um dinheiro para comprar, compro e trago para a casa da minha m\u00e3e e comemos as refei\u00e7\u00f5es aqui. Estamos tendo duas refei\u00e7\u00f5es que \u00e9 o almo\u00e7o e a janta, de manh\u00e3 meus filhos tomam um copinho de leite e v\u00e3o para a escola, at\u00e9 porque meu filho vai mais feliz para escola por causa do lanche. A gente vai dormir com a barriga cheia, mas n\u00e3o sabe como vai ser no outro dia. \u00c9 muito dif\u00edcil essa quest\u00e3o&#8221;, destacou.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAqui na comunidade a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem dif\u00edcil, essa comunidade sofre muito com defici\u00eancia alimentar, tem gente aqui que n\u00e3o consegue se alimentar nenhuma das tr\u00eas vezes por dia e se conseguir, \u00e9 porque algum vizinho tem um pouco, a\u00ed divide. Tem muita m\u00e3e e pai de fam\u00edlia passando por situa\u00e7\u00f5es horr\u00edveis. Tem muita crian\u00e7a passando por necessidade aqui dentro, muita m\u00e3e chorando, porque d\u00e1 o caf\u00e9 da manh\u00e3, n\u00e3o sabe se vai poder dar o almo\u00e7o, um caf\u00e9 \u00e0 noite. Est\u00e1 bem dif\u00edcil\u201d, ressaltou Bruna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cen\u00e1rio brasileiro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o Inqu\u00e9rito Nacional sobre Inseguran\u00e7a Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19, desenvolvido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar (Rede Penssan), como parte do projeto VigiSAN, 55,2% (116,8 milh\u00f5es de brasileiros) convivem com a inseguran\u00e7a alimentar e n\u00e3o t\u00eam acesso pleno e permanente a alimentos, um aumento de 54% com rela\u00e7\u00e3o a 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desses, 43,4 milh\u00f5es (20,5% da popula\u00e7\u00e3o) apresentam inseguran\u00e7a alimentar moderada ou grave e 19,1 milh\u00f5es (9%) est\u00e3o com inseguran\u00e7a alimentar grave e passam fome no seu dia a dia. A pesquisa foi realizada em 2020 e contemplou 2.180 domic\u00edlios nas cinco regi\u00f5es do pa\u00eds, em \u00e1reas urbanas e rurais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA seguran\u00e7a ou a inseguran\u00e7a alimentar n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de causa \u00fanica, \u00e9 o que a gente chama de um problema complexo multifatorial. Os estudos de Josu\u00e9 de Castro, a pr\u00f3pria literatura e as artes trazendo Raquel de Queiroz e Candido Portinari retrataram, ao longo da hist\u00f3ria do nosso Pa\u00eds, a situa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o social e fome de grande parcela da popula\u00e7\u00e3o. A fome \u00e9 um fen\u00f4meno complexo e outros fatores menos vis\u00edveis e\/ou abrangentes tamb\u00e9m pesam, mas essas quest\u00f5es da gest\u00e3o econ\u00f4mica, social e o hist\u00f3rico secular de rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas para\/com e dentro da regi\u00e3o pesam bastante nessa equa\u00e7\u00e3o\u201d, explicou a professora do Departamento de Nutri\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e membro da Rede Penssan, Fernanda Tavares.<\/p>\n<div class=\"dn_noticiasRelacionadas\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"spacer30\"><span style=\"font-size: revert; color: initial;\">De acordo com a nutricionista e mestranda da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Nutri\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Thalita Amorim, a Inseguran\u00e7a Alimentar pode ser apresentada em tr\u00eas n\u00edveis: leve, moderada e grave.\u00a0<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando a gente avalia a inseguran\u00e7a alimentar, a gente utiliza a Escala Brasileira de Inseguran\u00e7a Alimentar (EBIA) e conseguimos avaliar esses diversos n\u00edveis. A Inseguran\u00e7a Alimentar Leve est\u00e1 muito ligada \u00e0 essa preocupa\u00e7\u00e3o que as pessoas possam ter com rela\u00e7\u00e3o ao acesso do alimento ou n\u00e3o no seu dia a dia, porque a alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 atrelada ao acesso f\u00edsico do alimento, mas tamb\u00e9m ao acesso econ\u00f4mico e a outros bens, como a terra. Inclusive, quando a gente fala de Inseguran\u00e7a Alimentar Leve est\u00e1 presente a diminui\u00e7\u00e3o da qualidade da alimenta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o ou do grupo&#8221;, explicou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Na moderada e grave, n\u00f3s falamos em uma redu\u00e7\u00e3o tanto qualitativa, como quantitativa. S\u00f3 que no caso da moderada, atinge principalmente a popula\u00e7\u00e3o adulta do domic\u00edlio. A grave atinge as crian\u00e7as que moram na casa. Se a gente for considerar a Inseguran\u00e7a Alimentar Moderada e Grave, j\u00e1 percebemos uma condi\u00e7\u00e3o de fome\u201d, complementou\u00a0Thalita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda de acordo com a nutricionista, a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas \u00e9 o pontap\u00e9 inicial para a diminui\u00e7\u00e3o desse quadro no Pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPara a gente realmente retomar uma agenda de promo\u00e7\u00e3o da Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional da nossa popula\u00e7\u00e3o aqui no Brasil, \u00e9 necess\u00e1rio criar pol\u00edticas p\u00fablicas, investir e criar programas. Inicialmente, uma coisa muito importante seria a gente retornar com o Conselho Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Consea), que \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o que lida diretamente com o presidente da Rep\u00fablica e com os demais \u00f3rg\u00e3os federais, para justamente elaborar pol\u00edticas e coloc\u00e1-las em pr\u00e1tica&#8221;, destacou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Al\u00e9m disso, \u00e9 importante tamb\u00e9m o retorno do Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE). Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso financiar e ter subs\u00eddios maiores para a produ\u00e7\u00e3o dos pequenos agricultores familiares, fomentar mais a agricultura agroecol\u00f3gica, reduzir o consumo de agrot\u00f3xicos, criar empregos e realizar a manuten\u00e7\u00e3o do Aux\u00edlio Emergencial tornando at\u00e9 como uma renda m\u00ednima e manter o programa Bolsa Fam\u00edlia, investindo cada vez\u201d, pontuou, Thalita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Reciclagem como forma de sustento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tamb\u00e9m m\u00e3e solo C\u00edcera Mikaely mora com a sua filha de um ano tamb\u00e9m na Comunidade do Chiclete, na Iputinga. Para conseguir o sustento di\u00e1rio para ela e sua filha, C\u00edcera trabalha em um dep\u00f3sito de reciclagem, mas sem carteira assinada. Al\u00e9m disso, conta com o aux\u00edlio do Bolsa Fam\u00edlia, no valor de R$130 e do Aux\u00edlio Emergencial de R$375.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201c<\/strong>Eu pego \u00e0s 08h e largo \u00e0s 18h, de segunda a s\u00e1bado e trabalho de tudo um pouco no dep\u00f3sito de reciclagem, eu separo os materiais, os pre\u00e7os, e na mesma hora eu peso, para poder n\u00e3o deixar faltar as coisas da minha filha, que a minha filha s\u00f3 tem eu por ela, o pai dela n\u00e3o d\u00e1 nada, nem a fam\u00edlia dele, a\u00ed eu trabalho para sustentar ela. Eu recebo R$150 todo s\u00e1bado na reciclagem\u201d, pontuou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA necessidade vem quando falta fralda, leite pra eu dar para a minha filha, \u00e0s vezes n\u00e3o tem nada dentro do arm\u00e1rio. \u00c0s vezes eu fico pensando se comer de manh\u00e3, de tarde n\u00e3o vai ter ou se comer de tarde, de noite n\u00e3o vai ter. Esse \u00e9 o pensamento de todos n\u00f3s que criamos filhos sozinhas. Eu sou m\u00e3e solteira e eu cuido da minha s\u00f3. Os pre\u00e7os no mercado tamb\u00e9m aumentaram muito. Voc\u00ea ia com R$50 no mercado voc\u00ea trazia um prato de carne, um prato de galinha, hoje em dia voc\u00ea tem que comer salsichinha, ovo, carne de hamb\u00farguer, porque o dinheiro n\u00e3o d\u00e1 pra comprar a carne mais\u201d, disse C\u00edcera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Situa\u00e7\u00e3o mais grave no Nordeste<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Nordeste, de acordo com a pesquisa realizada pela Rede Penssan, a situa\u00e7\u00e3o se deu de forma ainda mais grave e o \u00edndice de Inseguran\u00e7a Alimentar ficou acima dos 70% na regi\u00e3o. J\u00e1 a Inseguran\u00e7a Alimentar grave (a fome) afeta 13,8% das casas do Nordeste, quase 7,7 milh\u00f5es de pessoas sem ter o que comer diariamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a professora Fernanda Tavares, historicamente, o Nordeste \u00e9 uma regi\u00e3o mais vulner\u00e1vel, que sempre teve um percentual de pobreza e extrema pobreza maior, principalmente nas \u00e1reas rurais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs dados da Vigisan mostram que as \u00e1reas rurais, com \u00eanfase nos agricultores familiares, s\u00e3o os mais afetados pela Inseguran\u00e7a Alimentar, em especial nas formas moderada e grave. Ent\u00e3o junta o desmonte e cortes de recursos para programas importantes para a agricultura familiar nos \u00faltimos 5 anos, o que foi agravado na pandemia, com \u00eanfase no PAA; uma seca superada mais recente que afetou muito a capacidade de produ\u00e7\u00e3o deles entre 2010 e 2015, com riscos de novas secas; o hist\u00f3rico de baixo investimento na regi\u00e3o e nas condi\u00e7\u00f5es de conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido, uma alta propor\u00e7\u00e3o de desemprego tamb\u00e9m nas \u00e1reas urbanas, para onde muitos &#8220;fogem&#8221; tentando melhores condi\u00e7\u00f5es de vida; e a infla\u00e7\u00e3o de alimentos b\u00e1sicos prolongada em que estamos\u201d, destacou Fernanda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Problemas de sa\u00fade e a Inseguran\u00e7a Alimentar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Moradora da Comunidade do S\u00edtio, tamb\u00e9m conhecida como Ponte Quebrada, no bairro da Iputinga, no Recife, Fernanda Patr\u00edcia \u00e9 m\u00e3e de quatro filhos, dois homens e duas mulheres. A filha mais nova de 14 anos \u00e9 a \u00fanica que mora com ela. Fernanda vive do Bolsa Fam\u00edlia que diminuiu para R$41, al\u00e9m da ajuda que o pai da filha oferece no valor R$150 e do Aux\u00edlio Emergencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCom o Aux\u00edlio Emergencial comprei esse pedacinho de terra e fiz esse barraquinho, e estou aqui faz um ano e cinco meses, eu e minha filha. Tenho um filho preso, a\u00ed a situa\u00e7\u00e3o fica mais dif\u00edcil ainda, porque toda semana tem que levar coisa pra ele, a\u00ed estou recebendo h\u00e1 seis meses uma cestinha e levo pra ele, quando n\u00e3o estou precisando, quando eu estou, geralmente eu fico, al\u00e9m disso, me ajudam na igreja quando podem\u201d, explicou Fernanda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Normalmente, a nossa alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um cuscuz, de meio-dia \u00e9 um feij\u00e3o, arroz e macarr\u00e3o com ovo, de noite cuscuz e quando arrumo dinheirinho para comprar um p\u00e3o, eu compro. A doutora me mandou fazer dieta, porque eu tenho diabetes, colesterol e press\u00e3o alta, e eu posso fazer dieta? A alimenta\u00e7\u00e3o de dieta \u00e9 mais cara do que o normal. A\u00ed eu nem fa\u00e7o. \u00c9 Deus que est\u00e1 me sustentando para estar de p\u00e9&#8221;, complementou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como minimizar esse cen\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a\u00e7\u00f5es nas comunidades e doa\u00e7\u00f5es de cestas b\u00e1sicas durante a pandemia, a Central \u00danica das Favelas (Cufa) auxilia no enfrentamento ao problema da Inseguran\u00e7a Alimentar observada em todo o Pa\u00eds. De acordo com a empreendedora social e presidente da Cufa em Pernambuco, Altamiza Melo, a organiza\u00e7\u00e3o realiza a\u00e7\u00f5es constantes nas comunidades pernambucanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA gente tem uma a\u00e7\u00e3o constante de arrecada\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas e h\u00e1 tr\u00eas meses fechamos uma parceria com a Vale do Brasil, justamente porque Pernambuco \u00e9 um Estado que est\u00e1 nos primeiros rankings do Mapa da Fome, e n\u00f3s conseguimos fechar essa parceria onde estamos atendendo at\u00e9 dezembro 6.800 fam\u00edlias nas favelas pernambucanas, com cestas b\u00e1sicas de 20kg. Quando a gente fala de Pernambuco, a gente pensa tamb\u00e9m para al\u00e9m da Regi\u00e3o Metropolitana do Recife. Al\u00e9m do impacto da Covid, muitos munic\u00edpios est\u00e3o sofrendo com a seca e a pandemia da fome que vem se alastrando\u201d, destacou Altamiza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a secret\u00e1ria de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Juventude e Pol\u00edticas sobre Drogas do Recife, Ana Rita Suassuna, algumas a\u00e7\u00f5es foram realizadas na cidade do Recife durante o per\u00edodo de pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDesde o in\u00edcio da pandemia em 2020, a gente come\u00e7ou com algumas a\u00e7\u00f5es, com um olhar para aqueles p\u00fablicos mais vulner\u00e1veis dentro da cidade. Uma das medidas foi a compra de 200 mil cestas b\u00e1sicas naquele momento, al\u00e9m disso, a gente fez uma campanha com a sociedade civil para a arrecada\u00e7\u00e3o das cestas. Tamb\u00e9m tivemos a estrat\u00e9gia de abrir restaurantes para atender a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua e em vulnerabilidade. Na assist\u00eancia social, a gente abriu um abrigo para atender as pessoas idosas em situa\u00e7\u00e3o de rua, oferecendo seis refei\u00e7\u00f5es por dia. A gente come\u00e7ou a ampliar as nossas estrat\u00e9gias e lan\u00e7amos o \u201cRecife Acolhe\u201d e as duas estrat\u00e9gias mais importantes s\u00e3o a empregabilidade, para a forma\u00e7\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel e a seguran\u00e7a alimentar\u201d, explicou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a superintendente das A\u00e7\u00f5es de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional do Estado, Mariana Suassuna, al\u00e9m das a\u00e7\u00f5es j\u00e1 realizadas, Pernambuco criou um plano espec\u00edfico de enfrentamento \u00e0 Inseguran\u00e7a Alimentar no contexto da pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA gente fez um Plano Estadual de Enfrentamento \u00e0 Inseguran\u00e7a Alimentar e Nutricional Frente a Pandemia da Covid-19 e no fim do m\u00eas passado a gente enviou para o Minist\u00e9rio P\u00fablico a vers\u00e3o final composta de a\u00e7\u00f5es que a gente j\u00e1 fazia, a\u00e7\u00f5es que foram ampliadas por conta da pandemia e a\u00e7\u00f5es novas que foram criadas em fun\u00e7\u00e3o da pandemia. S\u00e3o a\u00e7\u00f5es que foram distribu\u00eddas em quatro eixos: acesso aos alimentos e \u00e0 \u00e1gua, assist\u00eancia e inclus\u00e3o social, fomento e gera\u00e7\u00e3o de renda e acesso \u00e0s a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, que s\u00e3o fundamentais. Esse plano n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tico, ele \u00e9 um crescente. A gente est\u00e1 sempre pensando em sa\u00eddas e conseguir com o recurso que for poss\u00edvel para essas iniciativas e atender essas pessoas\u201d, destacou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cozinhar no carv\u00e3o para economizar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marluce Arlinda Maria tem 55 anos e mora na Comunidade Roda de Fogo, no bairro dos Torr\u00f5es. Mensalmente, Marluce recebe R$150 do Aux\u00edlio Emergencial e R$85 do Bolsa Fam\u00edlia. Para complementar a renda e alimenta\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m vende buchas e recebe todo m\u00eas uma cesta b\u00e1sica da Cufa. Na casa, moram ela, o marido, as duas netas e a filha de cria\u00e7\u00e3o. Marluce tem o costume de cozinhar no carv\u00e3o para economizar o g\u00e1s de cozinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTem um menino que trabalha na granja, que o ovo rachado custa R$8 e se eu estiver com dinheiro hoje, eu pago hoje, se eu n\u00e3o tiver, pago amanh\u00e3, a\u00ed eu compro duas, tr\u00eas grades de ovos por semana, quando d\u00e1, eu compro R$10 de charque, quando n\u00e3o tem a gente se vira no ovo e na salsichinha. Quando eu recebo o aux\u00edlio vou lembrando logo de pagar a energia e o trocadinho eu mando a menina comprar alguma coisa. Eu cozinho o mais pesado no carv\u00e3o e esquento no g\u00e1s. Eu vejo essa necessidade porque o g\u00e1s est\u00e1 muito caro, tem hora que eu tenho e hora que eu n\u00e3o tenho, s\u00e3o dois botij\u00f5es de g\u00e1s para passar um m\u00eas. A gente est\u00e1 se virando como pode\u201d, pontuou Marluce.<\/p>\n<p>Por: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQuanto \u00e0 fome, foram necess\u00e1rias duas terr\u00edveis guerras mundiais e uma tremenda revolu\u00e7\u00e3o social &#8211; a revolu\u00e7\u00e3o russa &#8211; nas quais pereceram dezessete milh\u00f5es de criaturas, dos quais doze milh\u00f5es de fome, para que a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental acordasse do seu c\u00f4modo sonho e se apercebesse de que a fome \u00e9 uma realidade demasiado gritante e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":28547,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[200],"tags":[5471,5469,5470,5472],"class_list":["post-28546","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-brasileiros","tag-inseguranca-alimentar","tag-o-que-ha-no-prato","tag-reciclagem-como-forma-de-sustento"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp-image-2021-09-24-at-180054.jpeg","uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp-image-2021-09-24-at-180054.jpeg",500,333,false],"thumbnail":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp-image-2021-09-24-at-180054-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp-image-2021-09-24-at-180054-300x200.jpeg",300,200,true],"medium_large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp-image-2021-09-24-at-180054.jpeg",500,333,false],"large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp-image-2021-09-24-at-180054.jpeg",500,333,false],"1536x1536":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp-image-2021-09-24-at-180054.jpeg",500,333,false],"2048x2048":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp-image-2021-09-24-at-180054.jpeg",500,333,false],"mantranews-slider-large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp-image-2021-09-24-at-180054.jpeg",500,333,false],"mantranews-featured-medium":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp-image-2021-09-24-at-180054-420x307.jpeg",420,307,true],"mantranews-featured-long":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp-image-2021-09-24-at-180054-300x333.jpeg",300,333,true],"mantranews-block-medium":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp-image-2021-09-24-at-180054-464x290.jpeg",464,290,true],"mantranews-carousel-image":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp-image-2021-09-24-at-180054.jpeg",500,333,false],"mantranews-block-thumb":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp-image-2021-09-24-at-180054-322x230.jpeg",322,230,true],"mantranews-single-large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp-image-2021-09-24-at-180054.jpeg",500,333,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"Reda\u00e7\u00e3o geral","author_link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/author\/blogopara"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u201cQuanto \u00e0 fome, foram necess\u00e1rias duas terr\u00edveis guerras mundiais e uma tremenda revolu\u00e7\u00e3o social &#8211; 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