{"id":28823,"date":"2021-10-04T11:25:00","date_gmt":"2021-10-04T14:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=28823"},"modified":"2021-10-04T07:39:08","modified_gmt":"2021-10-04T10:39:08","slug":"rio-opara-um-rio-marcado-para-morrer-artigo-de-flavio-jose-rocha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2021\/10\/04\/rio-opara-um-rio-marcado-para-morrer-artigo-de-flavio-jose-rocha","title":{"rendered":"Rio Opar\u00e1: um rio marcado para morrer? artigo de Fl\u00e1vio Jos\u00e9 Rocha"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" align=\"right\"><em>Est\u00e1 secando o velho Chico.<\/em><br \/>\n<em>Est\u00e1 mirrando, est\u00e1 morrendo.<\/em><br \/>\n<em>J\u00e1 n\u00e3o quer saber de lanchas-\u00f4nibus<\/em><br \/>\n<em>nem de chatas e seus empurradores.<\/em><br \/>\n<em>Cansou-se de gaiolas e literatura encomi\u00e1stica e mostra o leito pobre,<\/em><br \/>\n<em>as pedras, as areias desoladas<\/em><br \/>\n<em>onde nenhum minhoc\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>ou cachorrinha-d\u2019\u00e1gua,<\/em><br \/>\n<em>cativados a nacos de fumo forte,<\/em><br \/>\n<em>restam para semente<\/em><br \/>\n<em>de contos fabulosos e assustados<\/em>.<\/p>\n<p class=\"sdfootnote-western\" align=\"justify\">O trecho acima, retirado do poema\u00a0<i>\u00c1guas e M\u00e1goas do Rio S\u00e3o Francisco<\/i>\u00a0e\u00a0escrito h\u00e1 quase quarenta anos por Carlos Drummond de Andrade (o mais mineiro dos poetas) n\u00e3o deixa d\u00favidas: h\u00e1 d\u00e9cadas o Rio S\u00e3o Francisco sofre com a\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas tais como barramento para a produ\u00e7\u00e3o de hidroeletricidade, devasta\u00e7\u00e3o das suas matas ciliares, a retirada exagerada de suas \u00e1guas para a irriga\u00e7\u00e3o e a morte dos seus afluentes. Na verdade, esta hist\u00f3ria de desrespeito com aquele rio come\u00e7ou h\u00e1 s\u00e9culos. Primeiro foi o seu nome, porque h\u00e1 que nominar o que se deseja dominar, como se o objeto apropriado passasse a existir apenas ap\u00f3s a nova nomenclatura. Assim deu-se quando os invasores europeus chegaram ao Rio S\u00e3o Francisco e este era chamado pelos povos ind\u00edgenas de Opar\u00e1, que significa Rio-Mar, dada a admira\u00e7\u00e3o que aqueles povos tinham pela sua dimens\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"sdfootnote-western\" align=\"justify\">Por um tempo ele chegou a ser chamado de Rio dos Currais devido ao n\u00famero destes em suas margens no processo de povoamento do Semi\u00e1rido pelos n\u00e3o ind\u00edgenas no per\u00edodo \u00e1ureo da pecu\u00e1ria sertaneja.\u00a0Ficou conhecido como o Rio da Unidade Nacional (outro de seus batismos) por sua import\u00e2ncia econ\u00f4mica e social unindo v\u00e1rios estados brasileiros. \u00c9 tamb\u00e9m chamado carinhosamente pelos povos que l\u00e1 habitam de Velho Chico. Este carinho se d\u00e1 porque a grande maioria dos ribeirinhos \u00e9 composta de pessoas menos favorecidas economicamente que encontram em suas \u00e1guas alguma forma para o sustento econ\u00f4mico.\u00a0Depois recebeu o ep\u00edteto de Rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional, mesmo quando continuou sendo cen\u00e1rio para a expuls\u00e3o de ind\u00edgenas, quilombolas, ribeirinhos e vazanteiros de suas ilhas e margens e foi tomado pelos projetos de desenvolvimento do Vale do S\u00e3o Francisco, causando a desintegra\u00e7\u00e3o de povos, culturas e fam\u00edlias que l\u00e1 habitavam.<\/p>\n<p class=\"sdfootnote-western\" align=\"justify\">Em dias atuais, a vaz\u00e3o do S\u00e3o Francisco representa mais 60% das \u00e1guas do Nordeste\u00a0e em sua bacia habitam mais de 14 milh\u00f5es de pessoas. \u00c9 uma popula\u00e7\u00e3o maior do que a de muitos pa\u00edses como a Bol\u00edvia ou o Equador, por exemplo. Imaginar a vida de milh\u00f5es de pessoas que h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es l\u00e1 vivem sem a abund\u00e2ncia generosa daquele manancial \u00e9 quase imposs\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"sdfootnote-western\" align=\"justify\">O Velho Chico\u00a0\u00e9 facilitador do com\u00e9rcio entre as regi\u00f5es que formam a sua bacia hidrogr\u00e1fica atrav\u00e9s da navega\u00e7\u00e3o e \u00e9 disseminador de cultura atrav\u00e9s de um di\u00e1logo alinhavado pelo com\u00e9rcio, pelas artes e pelas espiritualidades entre os ribeirinhos que com ele desenvolveram uma rela\u00e7\u00e3o enraizada no sustento econ\u00f4mico e no respeito para com a din\u00e2mica do seu caudaloso e constante percorrer do caminho que o leva ao Oceano Atl\u00e2ntico. Al\u00e9m disso, acolheu milhares de escravizados e escravizadas que escaparam das torturas da escravid\u00e3o brasileira e viveram em comunidades quilombolas. Por tudo isso, ele \u00e9 motivo de inspira\u00e7\u00e3o para muitos cineastas, poetas, cantores,\u00a0cantadores\/repentistas, cordelistas e contadores de hist\u00f3rias. Recentemente,\u00a0tem servido como cen\u00e1rio para o cinema e a televis\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de suas express\u00f5es art\u00edsticas.\u00a0Mas mesmo com toda a sua import\u00e2ncia para o Brasil\u2026<\/p>\n<p class=\"sdfootnote-western\" align=\"justify\">\u201c<b>Est\u00e1 secando o Velho Chico\u201d<\/b><\/p>\n<p class=\"sdfootnote-western\"><em>O menino e Velho Chico viagens<br \/>\nMergulham em meus olhos<br \/>\nBarrancos, carrancas, paisagens<br \/>\nFrancisco, Francisco<br \/>\nTantas \u00e1guas corridas<br \/>\nL\u00e1grimas escorridas, despedidas<br \/>\nsaudades<br \/>\nFrancisco meu santo, a velha canoa<br \/>\nGaiolas s\u00e3o p\u00e1ssaros<br \/>\nFlutuantes imagens des\u00e1guam os<br \/>\nInstantes<br \/>\nO vento e a vela<br \/>\nMe levam distante<br \/>\nAdeus velho Chico<br \/>\nDiz o povo nas margens<\/em><\/p>\n<p class=\"sdfootnote-western\" align=\"justify\">A can\u00e7\u00e3o\u00a0<i>Francisco, Francisco<\/i>\u00a0composta por Capinam e Roberto Mendes e que ganhou vida na voz da cantora Maria Beth\u00e2nia bem traduz o fasc\u00ednio que a popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o franciscana sente por aquele rio. No entanto, apesar de todo o encanto que exerce o Velho Chico est\u00e1 ofertando mais \u00e1gua do que pode e sofre com o desmatamento para fornecer madeira para as carvoarias, com a polui\u00e7\u00e3o dos esgotos e os grandes projetos de fruticultura irrigada. As consequ\u00eancias de tantas interven\u00e7\u00f5es humanas j\u00e1 s\u00e3o vis\u00edveis e sentidas como: 1. Queda de barreiras aterram o rio e dificultam a navega\u00e7\u00e3o nos trechos onde esta ainda ocorre; 2. As barragens represam a \u00e1gua para a produ\u00e7\u00e3o de eletricidade modificando a vida natural do rio e prejudicando a migra\u00e7\u00e3o dos peixes; 3. A cunha salina adentra o rio por mais de cinquenta quil\u00f4metros em certas \u00e9pocas do ano, desacreditando a famosa can\u00e7\u00e3o\u00a0<i>O Riacho do navio<\/i>\u00a0cantada por Luiz Gonzaga que dizia: \u201c<i>O rio S\u00e3o Francisco vai bater no mei do mar<\/i>.\u201d<\/p>\n<p class=\"sdfootnote-western\" align=\"justify\">A minera\u00e7\u00e3o foi sempre um grande atrativo para a sua explora\u00e7\u00e3o, especialmente no trecho que corta os estados de Minas Gerais e Bahia.\u00a0Suas \u00e1guas tamb\u00e9m s\u00e3o destinadas atualmente para a irriga\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar, monocultura do eucalipto e fruticultura, ind\u00fastrias, carvoaria, lazer e pesca. S\u00e3o in\u00fameros os grandes projetos de irriga\u00e7\u00e3o que passaram a compor a paisagem de suas margens nas \u00faltimas d\u00e9cadas, explorando as suas \u00e1guas. Some-se a todas estas atividades o fato de que nos \u00faltimos setenta anos foram constru\u00eddas barragens para a produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, respons\u00e1veis por um violento processo de expuls\u00e3o dos moradores locais de suas terras, incluindo-se a\u00ed v\u00e1rios povos ind\u00edgenas, sendo esta a interven\u00e7\u00e3o humana que mais impactou a bacia do Rio S\u00e3o Francisco (SIQUEIRA; ZELLHUBER, 2007).<\/p>\n<h3 class=\"sdfootnote-western\" align=\"justify\">O Rio S\u00e3o Francisco sobreviver\u00e1 a tantos e m\u00faltiplos usos de suas \u00e1guas para fins econ\u00f4micos como a navega\u00e7\u00e3o, ind\u00fastria, irriga\u00e7\u00e3o, abastecimento humano, esgotos, pesca, lazer e produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica?<\/h3>\n<p class=\"sdfootnote-western\" align=\"justify\">N\u00e3o bastasse todas estas atividades de explora\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4micas em sua bacia, o Velho Chico foi convocado a partilhar as suas \u00e1guas para suprir necessidades distantes.<\/p>\n<p class=\"sdfootnote-western\" align=\"justify\"><b>A Transposi\u00e7\u00e3o do Velho Chico<\/b><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\"><em>A \u00e1gua sai de Cabrobr\u00f3<br \/>\nParnamirim, Salgueiro,<br \/>\nAt\u00e9 Jati.<br \/>\nDeixe o rio desaguar doutor.<br \/>\nO S\u00e3o Francisco, com sua transposi\u00e7\u00e3o<br \/>\nNo meu nordeste<br \/>\nO progresso vai chegar<br \/>\nSe \u00e9 que o Brasil<br \/>\nAgora est\u00e1 na m\u00e3o certa<br \/>\nNa contram\u00e3o<br \/>\nO meu sert\u00e3o n\u00e3o vai ficar.<br \/>\nPriorize esse projeto, seu doutor<br \/>\nE deixe o rio desaguar.<\/em><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\"><em>Esse projeto<br \/>\nCenten\u00e1rio vai vingar<br \/>\nE com certeza<br \/>\nSer\u00e1 nossa reden\u00e7\u00e3o<br \/>\nVamos ter muitos<br \/>\nHectares de terra, tudo irrigados<br \/>\n\u00c9 \u00e1gua pra mais de um milh\u00e3o.<br \/>\nO Jaguaribe t\u00e1 sequinho, seu doutor<br \/>\nRio Piranhas,<br \/>\nApodi e Castanh\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A can\u00e7\u00e3o\u00a0<i>Deixe o rio desaguar<\/i>\u00a0de Arac\u00edlio Ara\u00fajo, que ganhou a voz do cantor paraibano Fl\u00e1vio Jos\u00e9, n\u00e3o deixa d\u00favidas de que existe uma cren\u00e7a de que as \u00e1guas transpostas do Velho Chico para algumas \u00e1reas dos estados de Pernambuco, Para\u00edba, Rio Grande do Norte e Cear\u00e1 \u00e9 promessa de progresso para o Nordeste. Uma reflex\u00e3o um pouco mais aprofundada sobre o fato de que somente a chegada da \u00e1gua sem uma mudan\u00e7a nas estruturas socioecon\u00f4micas talvez coloque em suspeita esta certeza ao se analisar que as capitais litor\u00e2neas nordestinas com os seus rios e estu\u00e1rios est\u00e3o cercadas pela desigualdade social.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Embora esteja em curso um projeto de revitaliza\u00e7\u00e3o do Velho Chico, fruto das reivindica\u00e7\u00f5es dos movimentos socioambientais, NGOs e Pastorais Sociais ligados \u00e0 quest\u00e3o da preserva\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco, percebe-se que falta uma pol\u00edtica p\u00fablica que concretize o que \u00e9 realmente necess\u00e1rio para atender as reais necessidades de preserva\u00e7\u00e3o daquele manancial.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Um dos grandes benef\u00edcios da pol\u00eamica sobre a transposi\u00e7\u00e3o foi o de alertar a popula\u00e7\u00e3o brasileira para a lenta morte dos rios brasileiros e, em especial, a do Velho Chico. O Brasil n\u00e3o tem uma pol\u00edtica p\u00fablica para a revitaliza\u00e7\u00e3o de seus rios.\u00a0Para piorar, o cerco fecha-se cada vez mais para os rios brasileiros com as leis ambientais sendo desrespeitadas pelo atual governo.<\/p>\n<p class=\"sdfootnote-western\" align=\"justify\"><b>Conclus\u00e3o<\/b><\/p>\n<p class=\"sdfootnote-western\">Corre um boato na beira do rio<br \/>\nQue o velho Chico pode morrer<br \/>\nVirar riacho e correr Pro nada<br \/>\nViajando por temporada<br \/>\nQuando a chuva do meu Deus<br \/>\nDar\u00e1 chegar, dar\u00e1 chegar<br \/>\nJ\u00e1 dizia Frei Luiz de Xiquexique<br \/>\nQu\u00e3o chique \u00e9 ter<br \/>\nUm rio pra nadar a correr<br \/>\nQu\u00e3o chique \u00e9 ter<br \/>\nUm rio pra pescar e pra beber<br \/>\nN\u00e3o deixe morrer<br \/>\nN\u00e3o deixe o rio morrer<br \/>\nSe n\u00e3o que ser\u00e1 de mim<br \/>\nQue s\u00f3 tenho esse rio pra viver<br \/>\nQue ser\u00e1<br \/>\nQue ser\u00e1 de mim<br \/>\nQue ser\u00e1 de Jos\u00e9 serafim<br \/>\nQual ser\u00e1 o destino do menino<br \/>\nQue nasceu e cresceu aprendendo a pescar surubim<br \/>\nN\u00e3o deixe morrer<br \/>\nN\u00e3o deixe o rio morrer<br \/>\nSe n\u00e3o morre o ribeirinho<br \/>\nDe fome, de sede, de sei l\u00e1 o qu\u00ea<br \/>\nSe n\u00e3o morre o ribeirinho<br \/>\nDe fome, de sede, de sei l\u00e1 o qu\u00ea.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Os bons artistas, vision\u00e1rios que s\u00e3o, anteveem a trag\u00e9dia que se anuncia se nada for feito. A can\u00e7\u00e3o\u00a0<i>Boato ribeirinho,\u00a0<\/i>uma composi\u00e7\u00e3o de Wilson Duarte, Wilson Freitas e Nilton Freitas, poderia ser o resumo de todo este artigo, pois a arte \u00e9 a suprema professora no ensino das coisas que devem ser expressas clara e resumidamente.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Como viver\u00e3o milh\u00f5es de pessoas que dependem daquele rio para a sobreviv\u00eancia. Muitas destas pessoas j\u00e1 foram afetadas pelas hidrel\u00e9tricas, pela morte das lagoas sazonais e pelo desaparecimento de esp\u00e9cies aqu\u00e1ticas. A lista poderia continuar, mas os tomadores e tomadoras de decis\u00f5es parecem desejar aument\u00e1-la ainda mais. Afinal, a quem pertencem as \u00e1guas do S\u00e3o Francisco? E o direito \u00e0 vida das esp\u00e9cies n\u00e3o humanas que tem aquele manancial como seu habitat? O Rio S\u00e3o Francisco sobreviver\u00e1 \u00e0 demanda do agroneg\u00f3cio industrial de fruticultura irrigada? Deve o seu curso natural ser desviado e suas \u00e1guas levadas para t\u00e3o distante para alimentar esta ind\u00fastria? S\u00e3o perguntas que n\u00e3o podem esperar para serem respondidas por muito mais tempo, pois isso significa a sua privatiza\u00e7\u00e3o. Privatizar \u00e9 privar. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 isso que est\u00e1 acontecendo para algumas popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas privadas cada vez mais do curso natural do rio?<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Quanto ao Rio S\u00e3o Francisco, seus problemas j\u00e1 foram cantados em can\u00e7\u00f5es, declamados em versos, capturados em imagens fotogr\u00e1ficas, dissecados em teses e disserta\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e denunciados de v\u00e1rias outras maneiras no Brasil e no exterior. No entanto, os sucessivos governos, independentes de suas inclina\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, insistem em continuar com a sua explora\u00e7\u00e3o de forma desordenada e colocando em risco as vidas de milh\u00f5es de humanos e n\u00e3o humanos em nome de um modelo de desenvolvimento que at\u00e9 agora s\u00f3 causou preju\u00edzo ao Velho chico<\/p>\n<p class=\"sdfootnote-western\" align=\"justify\">O jogo do poder pol\u00edtico \u00e9 avassalador e passa como uma m\u00e1quina demolidora pelo S\u00e3o Francisco. Interesses pol\u00edticos e comerciais promovem um poss\u00edvel desastre com a amea\u00e7a de definhamento do Velho Chico e a consequente perda de recursos para a sobreviv\u00eancia para milh\u00f5es de pessoas. O S\u00e3o Francisco clama por aten\u00e7\u00e3o h\u00e1 d\u00e9cadas e tudo que recebe \u00e9 mais explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Fonte: Ecodebate<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 secando o velho Chico. 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Cansou-se de gaiolas e literatura encomi\u00e1stica e mostra o leito pobre, as pedras, as areias desoladas onde nenhum minhoc\u00e3o ou cachorrinha-d\u2019\u00e1gua, cativados a nacos de fumo forte, restam para semente de contos fabulosos e&hellip;","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28823","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28823"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28823\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28825,"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28823\/revisions\/28825"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28824"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28823"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28823"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28823"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}