{"id":29510,"date":"2021-10-23T13:05:00","date_gmt":"2021-10-23T16:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=29510"},"modified":"2021-10-23T11:19:35","modified_gmt":"2021-10-23T14:19:35","slug":"energia-limpa-mas-nem-tanto-os-parques-eolicos-que-abalam-vidas-em-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2021\/10\/23\/energia-limpa-mas-nem-tanto-os-parques-eolicos-que-abalam-vidas-em-pernambuco","title":{"rendered":"Energia limpa, mas nem tanto: os parques e\u00f3licos que abalam vidas em Pernambuco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O ano era 2014. No pequeno munic\u00edpio de Caet\u00e9s, a 250 km de dist\u00e2ncia da capital Recife, fam\u00edlias de agricultores come\u00e7aram a receber visitas de representantes da empresa Casa dos Ventos, que se disseram interessados em instalar aerogeradores de energia e\u00f3lica na regi\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os propriet\u00e1rios rurais que \u201cganhassem\u201d um em suas terras\u00a0teriam \u201cuma aposentadoria para o resto da vida\u201d. Sete anos se passaram e, hoje, com mais de 200 geradores instalados na regi\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 a paisagem rural mudou, mas a vida e a sa\u00fade dos agricultores: \u201ca minha vida virou um inferno\u201d.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde agosto deste ano, uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.fetape.org.br\/noticias-detalhe\/comitiva-avaliara-impactos-de-parques-eolicos-no-agreste-de-pernambuco-nesta-sexta-feira-06\/6288#.YW3JFxrMLIU\">comitiva formada por entidades, movimentos sociais e sindicais e\u00a0parlamentares<\/a>\u00a0est\u00e1 visitando as \u00e1reas de parques e\u00f3licos no agreste do Estado para ouvir depoimentos de agricultores e agricultoras familiares sobre os impactos desses grandes empreendimentos na vida dessas fam\u00edlias. O\u00a0Brasil de Fato Pernambuco\u00a0acompanhou uma dessas visitas, que deram base a uma s\u00e9rie de duas reportagens sobre as consequ\u00eancias da instala\u00e7\u00e3o de parques e\u00f3licos na sa\u00fade das fam\u00edlias, na produ\u00e7\u00e3o e no meio ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda em 2014, quando os representantes da Casa dos Ventos visitaram centenas de fam\u00edlias rurais dos munic\u00edpios de Caet\u00e9s, Venturosa, Pedra e Capoeiras, todos no agreste meridional, regi\u00e3o semi\u00e1rida de Pernambuco, o estado j\u00e1 enfrentava mais de 5 anos de seca. As fam\u00edlias rurais estavam muito vulner\u00e1veis economicamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A empresa ofereceu reformar e construir as casas, al\u00e9m de pagar entre R$ 1.500 e R$ 2.000 por cada aerogerador no terreno \u2013 segundo a empresa, o valor varia de acordo com a produ\u00e7\u00e3o de energia naquele m\u00eas (mas as fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam acesso a informa\u00e7\u00e3o sobre quantos quilowatts foi produzido). O recurso \u00e9 relevante, especialmente num munic\u00edpio com menos de 30 mil habitantes e pobre, com o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano \u2013 IDH de 0,522.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As visitas e conversas entre empresa e fam\u00edlias foram mediadas pelas prefeituras. Naquele momento as gest\u00f5es eram dos prefeitos Armando (PTB, Caet\u00e9s), Ernandes (antigo PR, hoje PL &#8211; Venturosa), Zeca Vaz (PTB, Pedra) e Neide Reino (PSB, Capoeiras). Os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais (STRs) n\u00e3o foram convidados e s\u00f3 ficaram sabendo das visitas ap\u00f3s conversas avan\u00e7adas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, mesmo os sindicatos tinham uma vis\u00e3o no geral positiva sobre a proposta da Casa dos Ventos: traria renda para as fam\u00edlias, melhorando as condi\u00e7\u00f5es de vida no campo e movimentando a economia local, tudo isso com energia limpa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo de 2014 e 2015 foram feitos estudos para a empresa decidir os locais mais adequados para a instala\u00e7\u00e3o dos aerogeradores, que foram constru\u00eddos ao longo de 2015 e o parque e\u00f3lico, batizado de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.echoenergia.com.br\/nossos-ativos\/complexo-eolico-sao-clemente\/\">\u201cVentos de S\u00e3o Clemente\u201d<\/a>, entrou em funcionamento em 2016. \u00c9 um complexo de 126 aerogeradores espalhados em quase 100 propriedades rurais \u2013 a maioria em Caet\u00e9s. Com o in\u00edcio do funcionamento surgiram os problemas e as fam\u00edlias passaram a buscar os sindicatos locais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Problemas de Sa\u00fade Mental<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um desses agricultores \u00e9 Sim\u00e3o Salgado da Silva, de 73 anos. Ele vive h\u00e1 13 anos num s\u00edtio na divisa entre Caet\u00e9s e Venturosa com sua esposa Edite Maria da Silva, 72. Sua propriedade rural n\u00e3o tem um aerogerador, mas fica a apenas 220 metros de dist\u00e2ncia de um deles e isso mudou completamente sua rotina. \u201c\u00c9 muito barulho. A minha mulher est\u00e1 com o sistema nervoso agitado e com depress\u00e3o. N\u00e3o aguenta mais ficar no s\u00edtio. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil\u201d, diz Sim\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reportagem do\u00a0Brasil de Fato Pernambuco\u00a0visitou a zona rural dos munic\u00edpios de Caet\u00e9s e Venturosa e p\u00f4de constatar n\u00e3o s\u00f3 a transforma\u00e7\u00e3o da paisagem, mas confirmar as queixas \u2013 repetidas por todos os agricultores entrevistados \u2013 sobre o barulho dos geradores. Este rep\u00f3rter que escreve, residente no Recife, achou o som do aerogerador similar ao de quando ouvimos um avi\u00e3o nos sobrevoando fazendo relativo barulho. Mas no caso dos geradores o som \u00e9 constante, 24 horas por dia, com o aumento consider\u00e1vel do barulho durante a noite e a madrugada, quando os ventos s\u00e3o mais fortes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Alves de Ara\u00fajo, de 44 anos, vive num s\u00edtio tamb\u00e9m em Caet\u00e9s. N\u00e3o tem aerogeradores em suas terras, mas a 411 metros de sua casa. \u201cIsso impactou a sa\u00fade da gente, tirou nosso sossego. Moro com minha esposa e duas irm\u00e3s, sendo uma deficiente. Ontem mesmo ela estava andando no meio do terreiro de 1h da madrugada, sem conseguir dormir por causa desse barulho. A outra precisou ser hospitalizada semana passada, de tanta dor de cabe\u00e7a por n\u00e3o conseguir dormir\u201d, conta Jo\u00e3o, com ar de desespero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele considera que seu pai faleceu devido aos aerogeradores. \u201cFoi com problemas de cabe\u00e7a, dizendo que perdeu o sossego dele com isso. Ele tamb\u00e9m ficou sem dormir e foi a \u00f3bito\u201d, lamenta. O impacto no sono \u00e9 outro elemento reiterado por todos os entrevistados. \u201cO cara trabalha o dia todo e quando chega a noite n\u00e3o consegue ter sossego. E durante o dia, se quiser tirar um cochilo depois do almo\u00e7o, eles est\u00e3o l\u00e1 passando com o caminh\u00e3o, guincho, fazendo barulho. \u00c9 complicado\u201d, se queixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A agricultora Maria Neuma da Silva tem feito uso constante de ansiol\u00edticos e antidepressivos ap\u00f3s sofrer com problemas de sa\u00fade mental causados pelos aerogeradores \/ Vin\u00edcius Sobreira\/Brasil de Fato<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Noutro s\u00edtio em Caet\u00e9s vive Claudiv\u00e2nia Salgado da Silva, 42 anos, filha de Sim\u00e3o. Nesta propriedade est\u00e3o instalados tr\u00eas aerogeradores. \u201cO barulho incomoda e \u00e9 o principal. Desde a implanta\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje sentimos v\u00e1rios impactos, mas o principal \u00e9 o ru\u00eddo, principalmente \u00e0 noite. Tudo fica em sil\u00eancio e a gente escuta isso muito mais forte, tamb\u00e9m porque venta mais. Se fosse s\u00f3 esse barulho [de agora] n\u00e3o incomodaria tanto, mas fica mais alto\u201d, diz ela \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela mora no s\u00edtio h\u00e1 oito anos com o marido e os filhos, sendo os \u00faltimos seis anos convivendo com os aerogeradores. As instala\u00e7\u00f5es geram uma renda de R$ 5 mil a R$ 6 mil por m\u00eas, que ficam com o sogro \u2013 propriet\u00e1rio dessas terras. Os contratos de arrendamento dos peda\u00e7os de terra t\u00eam validade de 35 anos, vigentes at\u00e9 meados de 2050. O sogro de Claudiv\u00e2nia optou por se mudar, escolha que foi repetida por muitas outras fam\u00edlias que \u201cganharam\u201d aerogeradores em suas terras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra propriet\u00e1ria rural de Caet\u00e9s, Maria Neuma da Silva, 49, tamb\u00e9m vive nas proximidades de um aerogerador, mas que n\u00e3o fica em suas terras. \u201c\u00c9 um barulho muito grande, n\u00e3o consigo dormir \u00e0 noite por causa da zoada. Estou tomando rem\u00e9dios e mesmo assim n\u00e3o consigo dormir\u201d, diz ela, exibindo caixas de Gabapentina (anticonvulsivo, tamb\u00e9m utilizado para dormir), Cloridrato de amiptrilina e Oxalato de escitalopram (ambos antidepressivos). \u201cSe algu\u00e9m achar que \u00e9 mentira, pode vir \u00e0 noite dormir na minha casa. O povo diz que em S\u00e3o Paulo faz barulho, mas minha fam\u00edlia vem de l\u00e1 e n\u00e3o consegue dormir aqui, n\u00e3o querem mais vir na minha casa\u201d, se lamenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Casas danificadas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duas de suas filhas se mudaram para a \u00e1rea urbana, uma devido ao barulho e outra devido a danos f\u00edsicos em sua casa, tamb\u00e9m consequ\u00eancia dos aerogeradores. Isso porque a regi\u00e3o onde est\u00e1 instalado o parque e\u00f3lico \u00e9 muito rochosa e a Casa dos Ventos realizou muitas explos\u00f5es na regi\u00e3o durante a constru\u00e7\u00e3o e instala\u00e7\u00e3o dos aerogeradores. Desde ent\u00e3o muitos im\u00f3veis passaram a apresentar rachaduras. \u201cAgora tenho que renovar a casa todo ano, coloco ferro, mas todo ano racha de novo. Se n\u00e3o reformar acontece como na casa da minha filha, que rachou toda e ela precisou sair. Ningu\u00e9m quer morar l\u00e1\u201d, conta a agricultora. \u201cN\u00e3o sei quanto j\u00e1 gastei, porque fa\u00e7o aos poucos, do jeito que posso\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde a instala\u00e7\u00e3o dos parques, em 2014, muitos im\u00f3veis passaram a apresentar rachaduras e problemas estruturais \/ Vin\u00edcius Sobreira\/Brasil de Fato<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neuma lamenta a dificuldade do di\u00e1logo com a empresa. \u201cN\u00e3o recebi nenhuma indeniza\u00e7\u00e3o. Pedi a eles cimento para ajeitar a casa, mas at\u00e9 hoje nunca chegou um saco de cimento. Isso faz 6 anos. Minha casa n\u00e3o era assim, s\u00f3 depois desses aerogeradores\u201d, relata. \u201cAntes de colocarem essas torres eles viviam aqui, oferecendo reforma [instala\u00e7\u00e3o de bloqueio ac\u00fastico] para ningu\u00e9m escutar o barulho. Muita gente aceitou e se arrependeu, porque al\u00e9m do barulho continuar, as portas de casa n\u00e3o est\u00e3o mais fechando. Nada saiu do jeito que a empresa prometeu\u201d, critica ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parte da falta de di\u00e1logo se deu pela mudan\u00e7a na gest\u00e3o do parque. A Casa dos Ventos vendeu em 2017 o parque e\u00f3lico \u201cVentos de S\u00e3o Clemente\u201d para a Echoenergia, empresa de S\u00e3o Paulo. \u201cA nova empresa diz que n\u00e3o tinha conhecimento dos problemas, prometem resolver, mas at\u00e9 hoje n\u00e3o resolveram nada. E daqui a pouco mudam para um terceiro nome, enquanto os agricultores seguem no preju\u00edzo\u201d, reclama Sim\u00e3o Salgado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A equipe do\u00a0Brasil de Fato Pernambuco\u00a0tentou contato com a\u00a0Echoenergia\u00a0para saber como anda a negocia\u00e7\u00e3o com as fam\u00edlias sobre as reformas e constru\u00e7\u00e3o de novas casas, se h\u00e1 alguma atividade ou projeto voltado \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade dos agricultores e agricultoras e se h\u00e1 algum registro p\u00fablico para que as fam\u00edlias possam saber quanta energia foi gerada por cada aerogerador instalado nas propriedades. A Echoenergia n\u00e3o respondeu os questionamentos at\u00e9 o fechamento desta mat\u00e9ria.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m foram acionadas a\u00a0Secretaria de Desenvolvimento Agr\u00e1rio (SDA)\u00a0e\u00a0Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS)\u00a0de Pernambuco. A equipe questionou se o Governo do Estado tem ci\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o e se h\u00e1 algum tipo de acompanhamento ou media\u00e7\u00e3o destes tipo de conflito por parte do governo entre a Ecoenergia e as fam\u00edlias agricultoras. Ambas as secretarias n\u00e3o se posicionaram at\u00e9 o fechamento desta mat\u00e9ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Problemas n\u00e3o ocorrem s\u00f3 em Pernambuco<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora pouco conhecidos pelo p\u00fablico em geral, os problemas gerados pela energia e\u00f3lica n\u00e3o s\u00e3o desconhecidos por pesquisadores da \u00e1rea, tampouco efeitos colaterais de menor import\u00e2ncia. Pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o rotineiros nos parques instalados e devem ser enfrentados com transpar\u00eancia e disposi\u00e7\u00e3o para sua resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista \u00e0 rede de not\u00edcias BBC, da Iglaterra, a\u00a0ge\u00f3grafa Adryane Gorayeb, da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC), integrante do Observat\u00f3rio da Energia E\u00f3lica (rede de pesquisadores de universidades p\u00fablicas de cinco Estados brasileiros), afirma: &#8220;A energia e\u00f3lica n\u00e3o \u00e9 livre de impactos e se quisermos avan\u00e7ar na gera\u00e7\u00e3o dela no pa\u00eds, teremos que pensar em uma melhor forma de planejamento relacionado \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de parques e\u00f3licos e \u00e0 gest\u00e3o dos benef\u00edcios sociais oriundos dessa ind\u00fastria&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os principais impactos, Gorayeb cita a emiss\u00e3o de ru\u00eddo pelas h\u00e9lices das torres, com consequ\u00eancias negativas para a sa\u00fade humana como dist\u00farbios do sono, enxaqueca e estresse; interfer\u00eancia nas rotas de aves; modifica\u00e7\u00e3o da paisagem natural e estresse cultural, com conflitos comunit\u00e1rios associados \u00e0 altera\u00e7\u00e3o do modo de vida tradicional (pescadores, quilombolas, ind\u00edgenas); e danos aos sistemas ambientais litor\u00e2neos, que levam ao desmonte e \u00e0 compacta\u00e7\u00e3o de dunas e do solo, aterramento de lagoas interdunares e remo\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefatope.com.br\/2021\/10\/18\/noites-em-claro-antidepressivos-e-casas-destruidas-o-drama-de-familias-nos-parques-eolicos\">BdF Pernambuco<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano era 2014. 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