{"id":33800,"date":"2022-02-12T17:14:00","date_gmt":"2022-02-12T20:14:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=33800"},"modified":"2022-02-12T09:44:05","modified_gmt":"2022-02-12T12:44:05","slug":"um-roteiro-para-estudar-a-alienacao-em-marx","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2022\/02\/12\/um-roteiro-para-estudar-a-alienacao-em-marx","title":{"rendered":"Um roteiro para estudar a aliena\u00e7\u00e3o em Marx"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O livro&nbsp;<em>Karl Marx\u2019s Writings on Alienation<\/em>, editado e introduzido por Marcello Musto, publicado este ano pela editora brit\u00e2nica Palgrave Macmillan, re\u00fane uma sele\u00e7\u00e3o de textos de Marx sobre a tem\u00e1tica da aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema parece particularmente pertinente em um contexto em que a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida e a generaliza\u00e7\u00e3o do teletrabalho durante a pandemia voltaram a p\u00f4r em discuss\u00e3o os efeitos do processo de produ\u00e7\u00e3o (em sentido amplo, n\u00e3o s\u00f3 industrial) tem sobre a vida da classe trabalhadora em seus m\u00faltiplos aspectos, come\u00e7ando pelo impacto sobre o tempo livre. O fen\u00f4meno da \u201c<em>great resignation<\/em>\u201d ou \u201c<em>Big Quit<\/em>\u201d \u2014 ou seja, a ren\u00fancia em massa aos trabalhos mal pagos e que n\u00e3o asseguram condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de seguran\u00e7a e higiene, nos Estados Unidos \u2014 tamb\u00e9m \u00e9 parte deste panorama, a que se soma a onda de greves conhecida como \u201cStriketober\u201d, e outros processos de luta da classe trabalhadora em todo o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro est\u00e1 organizado em duas partes. A primeira consiste no estudo introdut\u00f3rio de Marcello Musto, intitulado \u201cAlienation Redux: Marxian perspectives\u201d. Este texto apresenta as caracter\u00edsticas principais do tratamento da quest\u00e3o da aliena\u00e7\u00e3o em Marx, com as respectivas mudan\u00e7as \u00e0 medida que avan\u00e7a em sua trajet\u00f3ria te\u00f3rica, assim como discute as diversas leituras da quest\u00e3o em outras tradi\u00e7\u00f5es e em diversas vertentes do marxismo no s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda parte do livro \u00e9 composta de um conjunto de escritos de Marx, organizados em tr\u00eas se\u00e7\u00f5es. A se\u00e7\u00e3o \u201cEarly Political and Philosophical Writings\u201d (\u201cPrimeiros Escritos Pol\u00edticos e Filos\u00f3ficos\u201d) cont\u00e9m textos de 1844 a 1856, que incluem passagens dos&nbsp;<em>Manuscritos econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos<\/em>&nbsp;de 1844,&nbsp;<em>A Sagrada Fam\u00edlia&nbsp;<\/em>e&nbsp;<em>A ideologia alem\u00e3<\/em><strong>,<\/strong>&nbsp;entre outros. Em seguida, h\u00e1 uma se\u00e7\u00e3o com textos dos&nbsp;<em>Grundrisse<\/em>&nbsp;e seu manuscrito sobre a economia pol\u00edtica de 1861-1863, assim como&nbsp;<em>Teorias da mais-valia<\/em>. A \u00faltima se\u00e7\u00e3o comp\u00f5e-se de textos preparat\u00f3rios d\u2019<em>O capital<\/em>&nbsp;e passagens do pr\u00f3prio&nbsp;<em>Capital<\/em>, incluindo fragmentos dos manuscritos de 1863-1865 e do cap\u00edtulo VI, in\u00e9dito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrav\u00e9s dessa sele\u00e7\u00e3o de textos, pode-se ter uma ideia clara do tratamento da problem\u00e1tica da aliena\u00e7\u00e3o e seu lugar no pensamento de Marx. Neste artigo, repassaremos os principais argumentos apresentados por Musto na Introdu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">No princ\u00edpio, Hegel<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro tratamento sistem\u00e1tico da quest\u00e3o da aliena\u00e7\u00e3o aparece em Hegel, especialmente em sua&nbsp;<em>Fenomenolog<\/em><em>i<\/em><em>a&nbsp;<\/em><em>do esp\u00edrito<\/em>. No caso de Hegel, a quest\u00e3o estava relacionada com uma teoria idealista do esp\u00edrito que se objetiva na realidade, dando lugar a uma separa\u00e7\u00e3o entre sujeito e objeto que logo seria superada por meio da conquista da identidade entre ambos. Mas tamb\u00e9m tinha certas margens materialistas, destacando a import\u00e2ncia do trabalho como forma de objetiva\u00e7\u00e3o da atividade humana. No entanto, ao n\u00e3o ter uma concep\u00e7\u00e3o suficientemente clara da especificidade do trabalho sob o capitalismo, Hegel identificou aliena\u00e7\u00e3o e objetiva\u00e7\u00e3o (ou seja, a atividade que produz ou modifica objetos materiais distintos do sujeito e das ideias).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ludwig Feuerbach retomou a categoria para fazer refer\u00eancia ao fen\u00f4meno religioso e explicar suas bases materialistas. Marx utilizou pouco o termo nos trabalhos publicados durante sua vida e em geral o conceito foi ignorado pelo marxismo at\u00e9 a apari\u00e7\u00e3o de&nbsp;<em>Hist\u00f3ria e consci\u00eancia de classe<\/em>, de Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Redescobertas e distor\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua c\u00e9lebre obra de 1923, Luk\u00e1cs retomou o argumento da aliena\u00e7\u00e3o, utilizando o termo \u201creifica\u00e7\u00e3o\u201d, com o qual explicava o fato de que a atividade produtiva se apresentava ao trabalhador como algo objetivo e independente de sua vontade. Essa vis\u00e3o se inclinava, por influ\u00eancia de Hegel, a assimilar a aliena\u00e7\u00e3o com a objetiva\u00e7\u00e3o e n\u00e3o \u00e9 fortuito que a ideia de proletariado como \u201csujeito-objeto id\u00eantico da hist\u00f3ria\u201d tenha sido central para Luk\u00e1cs, dada a tend\u00eancia a conceder ao tema um recorte filos\u00f3fico mais amplo do que a que se podia depreender das obras de Marx publicadas at\u00e9 aquele momento. Mais apegado ao marxismo cl\u00e1ssico e distante da teoria do sujeito-objeto id\u00eantico, Isaak Ilich Rubin p\u00f4s no centro de sua explica\u00e7\u00e3o da teoria marxista do valor a quest\u00e3o do fetichismo da mercadoria, n\u00e3o como um problema da consci\u00eancia mas sim como um processo social necess\u00e1rio da economia capitalista, relacionado com o car\u00e1ter privado da produ\u00e7\u00e3o para o mercado. Mas sua obra&nbsp;<em>A teoria marxista do valor<\/em>&nbsp;manteve-se praticamente desconhecida fora da URSS at\u00e9 os anos 1970, quando foi traduzida para o ingl\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A publica\u00e7\u00e3o em 1932 dos&nbsp;<em>Manuscritos econ<\/em><em>\u00f4<\/em><em>mico-filos\u00f3ficos<\/em>&nbsp;de 1844 de Marx foi o evento que deu impulso aos debates sobre o conceito de aliena\u00e7\u00e3o, tanto para quem investigava o pensamento de Marx como entre diversas tend\u00eancias da filosofia e das ci\u00eancias sociais, assim como em certos setores militantes, junto com as leituras em chave humanista do pensamento de Marx.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos&nbsp;<em>Manuscritos<\/em>, Marx definia a aliena\u00e7\u00e3o em termos de um processo pelo qual o produto do trabalho se tornava um objeto externo para o trabalhador, mas tamb\u00e9m com um poder que se voltava contra ele como algo estranho e hostil, e assinalava quatro aspectos da aliena\u00e7\u00e3o do trabalhador na sociedade burguesa: 1) em rela\u00e7\u00e3o ao produto de seu trabalho; 2) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua atividade laboral, que percebe como algo direcionado contra ele; 3) em rela\u00e7\u00e3o a seu ser gen\u00e9rico (de seu pr\u00f3prio corpo e faculdades f\u00edsicas e espirituais); 4) em rela\u00e7\u00e3o aos demais seres humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto para Hegel a aliena\u00e7\u00e3o era algo inerente \u00e0 objetiva\u00e7\u00e3o, Marx a concebia como uma caracter\u00edstica espec\u00edfica do trabalho sob o capitalismo. Por essa raz\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o seria consistente reler os&nbsp;<em>Manuscritos<\/em>&nbsp;na chave de uma cr\u00edtica da aliena\u00e7\u00e3o humana em geral, independentemente da quest\u00e3o de classe. Aclaremos de passagem que em Hegel havia uma concep\u00e7\u00e3o de autoprodu\u00e7\u00e3o do ser humano pelo trabalho, que se faz patente em sua c\u00e9lebre dial\u00e9ctica do senhor e do escravo, quest\u00e3o que estava relacionada com suas leituras da economia pol\u00edtica brit\u00e2nica e que Marx reivindicava em sus&nbsp;<em>Manuscritos<\/em>. Marx, por\u00e9m, assinalava que esses acertos do pensamento de Hegel sobre a quest\u00e3o do trabalho permaneciam subordinados a uma concep\u00e7\u00e3o na qual a an\u00e1lise da aliena\u00e7\u00e3o se centrava na aliena\u00e7\u00e3o do pensamento abstrato, que se resolvia em uma supera\u00e7\u00e3o da objetividade, raz\u00e3o pela qual considerava mais adequada a solu\u00e7\u00e3o de Feuerbach na dire\u00e7\u00e3o do materialismo, embora este tivesse uma leitura pouco sofisticada de Hegel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Musto sintetiza bem os alcances e limita\u00e7\u00f5es deste texto de Marx:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Sublinhar a import\u00e2ncia do conceito de aliena\u00e7\u00e3o nos&nbsp;<em>Manuscritos econ<\/em><em>\u00f4<\/em><em>mico-filos\u00f3ficos<\/em>&nbsp;de 1844 para uma melhor compreens\u00e3o do desenvolvimento de Marx n\u00e3o pode significar colocar um v\u00e9u de sil\u00eancio sobre os enormes limites deste texto juvenil. Seu autor apenas havia come\u00e7ado a assimilar os conceitos b\u00e1sicos da economia pol\u00edtica, e sua concep\u00e7\u00e3o de comunismo n\u00e3o era mais que uma s\u00edntese confusa dos estudos filos\u00f3ficos que havia realizado at\u00e9 ent\u00e3o. Por mais cativantes que sejam, sobretudo pela forma em que combinam ideias filos\u00f3ficas de Hegel e de Feuerbach com uma cr\u00edtica da teoria econ\u00f4mica cl\u00e1ssica e uma den\u00fancia da aliena\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, os&nbsp;<em>Manuscritos econ<\/em><em>\u00f4<\/em><em>mico-filos\u00f3ficos<\/em>de 1844 s\u00e3o apenas uma primeira aproxima\u00e7\u00e3o, como se depreende de sua vaguidade e ecletismo. Lan\u00e7am uma luz importante sobre o curso que tomou Marx, mas uma enorme dist\u00e2ncia os separa ainda dos temas e o argumento n\u00e3o s\u00f3 da edi\u00e7\u00e3o completa de 1867 do Primeiro Livro de&nbsp;<em>O&nbsp;<\/em><em>Capital<\/em>, como tamb\u00e9m de seus manuscritos preparat\u00f3rios, um deles publicado, que redigiu desde fins da d\u00e9cada de 1850. \u00c0 diferen\u00e7a de an\u00e1lises que ou distinguem com \u00eanfase um rotulado \u201cjovem Marx\u201d ou tentam for\u00e7ar a exist\u00eancia de uma ruptura te\u00f3rica em sua obra, as leituras mais incisivas do conceito de aliena\u00e7\u00e3o nos&nbsp;<em>Manuscritos econ<\/em><em>\u00f4<\/em><em>mico-filos\u00f3ficos<\/em>&nbsp;de 1844 souberam trat\u00e1-los como uma etapa interessante, mas apenas inicial, na trajet\u00f3ria cr\u00edtica de Marx. Se n\u00e3o tivesse continuado suas investiga\u00e7\u00f5es, e ao inv\u00e9s disso tivesse ficado com os conceitos dos manuscritos de Paris, provavelmente teria sido reduzido a ocupar um lugar ao lado de Bruno Bauer (1809-1882) e Feuerbach nas se\u00e7\u00f5es de manuais de filosofia dedicadas \u00e0 esquerda hegeliana [<a href=\"about:reader?url=https%3A%2F%2Fwww.laizquierdadiario.com%2FMarx-alienacion-y-comunismo#nb1\">1<\/a>].<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Posteriormente, Musto reconstr\u00f3i e discute outras concep\u00e7\u00f5es da aliena\u00e7\u00e3o, caracter\u00edsticas do s\u00e9culo XX, entre as quais destaca a de Heidegger, com sua ideia de \u201cestado de decad\u00eancia\u201d ligada \u00e0 perda da autenticidade do ser na experi\u00eancia do mundo, muito distanciada da quest\u00e3o tal como fora tratada por Marx. Em Marcuse, Musto assinala uma identifica\u00e7\u00e3o de aliena\u00e7\u00e3o e objetiva\u00e7\u00e3o, assim como um deslocamento da quest\u00e3o da libera\u00e7\u00e3o do trabalho para a da libido; enquanto que em Adorno e Horkheimer a aliena\u00e7\u00e3o aparece como um estranhamento relacionado com o controle social e a manipula\u00e7\u00e3o da cultura de massas. Outra leitura como a de Erich Fromm, influenciada pela psican\u00e1lise, retomou a quest\u00e3o da aliena\u00e7\u00e3o como algo caracter\u00edstico da experi\u00eancia subjetiva individual, enquanto as releituras existencialistas e neo-hegelianas da quest\u00e3o, de Sartre a Jean Hippolyte, a apresentar\u00e3o como algo caracter\u00edstico da experi\u00eancia da autoconsci\u00eancia humana ao longo de toda a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As leituras existencialistas, e outras como a de Hannah Arendt, tomavam somente a quest\u00e3o da \u201cautoaliena\u00e7\u00e3o\u201d ou aliena\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo em rela\u00e7\u00e3o aos demais seres humanos, sem levar em considera\u00e7\u00e3o os demais aspectos assinalados por Marx em sua cr\u00edtica inicial da economia capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as posi\u00e7\u00f5es marxistas dos anos p\u00f3s-Segunda Guerra que discutiram sobre os&nbsp;<em>Manuscritos<\/em>, Musto destaca tr\u00eas: 1) as que o consideravam um texto de transi\u00e7\u00e3o sem maior import\u00e2ncia; 2) as que separam o \u201cJovem Marx\u201d do \u201cMarx Maduro\u201d, tomando partido por um ou outro, em leituras que contrap\u00f5em os&nbsp;<em>Manuscritos<\/em>&nbsp;a&nbsp;<em>O<\/em><em>&nbsp;capital<\/em>; 3) as que veem uma continuidade em toda a trajet\u00f3ria te\u00f3rica de Marx, outorgando-lhe uma esp\u00e9cie de unidade monogr\u00e1fica atrav\u00e9s da quest\u00e3o da aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Musto assinala a unilateralidade dessas tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es, afirmando a import\u00e2ncia de assentar terreno firme no que se refere \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o da obra de Marx, a partir da constata\u00e7\u00e3o de como se modifica a quest\u00e3o da aliena\u00e7\u00e3o em sua rela\u00e7\u00e3o com a compreens\u00e3o da economia capitalista e a subsequente elabora\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica, diferenciando-a ainda de outras posi\u00e7\u00f5es que surgiram nos anos 1960, como as de Guy Debord, Jean Baudrillard, ou a partir do lado conservador da sociologia norte-americana.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Entre a desaliena\u00e7\u00e3o e a autonomia<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o da aliena\u00e7\u00e3o esteve presente em importantes debates do marxismo durante o s\u00e9culo XX. Neste caso, interessa comentar dois, nos quais Musto se det\u00e9m especialmente, sem que se deixe de considerar que est\u00e3o contidos no percurso que tra\u00e7a. Um caso importante de apropria\u00e7\u00e3o da tem\u00e1tica da aliena\u00e7\u00e3o foi o dos comunistas dissidentes dos pa\u00edses do Leste. Buscaram apoiar-se nas leituras dos&nbsp;<em>Manuscritos econ<\/em><em>\u00f4<\/em><em>mico-filos\u00f3ficos<\/em>, e mais em geral na cr\u00edtica de Marx \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o e ao fetichismo da mercadoria, para fazer uma cr\u00edtica do estalinismo em diversos n\u00edveis, especialmente contra o sistema de governo baseado na burocracia e na vigil\u00e2ncia policial, o produtivismo e os m\u00e9todos \u201cdesp\u00f3ticos\u201d nas f\u00e1bricas e a promo\u00e7\u00e3o de uma concep\u00e7\u00e3o acr\u00edtica da realidade. Casos como os de Karel Kosik com sua&nbsp;<em>Dial\u00e9tica do concreto<\/em>, Mihailo Markovic com sua&nbsp;<em>Dial\u00e9tica da pr<\/em><em>\u00e1<\/em><em>xis<\/em>&nbsp;ou Gajo Petrovic com seu&nbsp;<em>Marxismo contra stalinismo<\/em>&nbsp;s\u00e3o representativos desse tipo de leitura, com suas diferen\u00e7as e pontos de contato. Com a queda do estalinismo, poderia parecer que sejam reflex\u00f5es anacr\u00f4nicas ou demasiado espec\u00edficas, mas acredito que essa vis\u00e3o seria um erro. Qualquer discuss\u00e3o sobre como tem que ser o socialismo implica um balan\u00e7o e uma cr\u00edtica do estalinismo e a\u00ed, al\u00e9m do legado te\u00f3rico, program\u00e1tico e pol\u00edtico de Trotsky e da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda, tamb\u00e9m podem fazer seu aporte aqueles que tiveram que enfrentar o estalinismo a partir de uma \u201cvolta a Marx\u201d que lhes aparecia naquele momento como \u00fanica alternativa pr\u00f3xima, diante da falta de continuidade das tradi\u00e7\u00f5es oposicionistas em raz\u00e3o da repress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A outra grande vertente relacionada com a recusa da aliena\u00e7\u00e3o, embora sem utilizar o conceito da mesma forma que os marxismos humanistas, \u00e9 a do&nbsp;<em>opera<\/em><em>\u00ed<\/em><em>smo<\/em>, primeiro, e posteriormente a do autonomismo, que segue tendo peso nos debates atuais. Pr\u00f3xima em suas origens \u00e0s leituras de Galvano Della Volpe, essa tradi\u00e7\u00e3o foi sempre reativa \u00e0s leituras hegelizantes do marxismo. Mas tamb\u00e9m sustentava uma concep\u00e7\u00e3o distinta da proposta no marxismo cl\u00e1ssico sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a luta de classes e o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico. Para o&nbsp;<em>opera<\/em><em>\u00ed<\/em><em>smo<\/em>, como sintetizava Mario Tronti em&nbsp;<em>Oper\u00e1rios e&nbsp;<\/em><em>Capital<\/em>, o desenvolvimento capitalista era consequ\u00eancia da luta da classe oper\u00e1ria. Essa vis\u00e3o relativizava de maneira sutil o car\u00e1ter \u201cestranho e hostil\u201d do processo de produ\u00e7\u00e3o para o trabalhador e enfatizava o desenvolvimento da conflitividade fabril contra o comando capitalista do trabalho. Posteriormente, Antonio Negri, influenciado pelo p\u00f3s-estruturalismo e as teorias do \u201ccapitalismo cognitivo\u201d, fez uma releitura desses temas, amplificando a no\u00e7\u00e3o de&nbsp;<em>general intellect<\/em>&nbsp;proposta por Marx em seu fragmento sobre as m\u00e1quinas (do qual incluem-se passagens nessa compila\u00e7\u00e3o) para uma pot\u00eancia que se instala como trabalho afetivo, comunicativo e cognitivo. Contraditoriamente, essa posi\u00e7\u00e3o termina em uma reivindica\u00e7\u00e3o da progressividade do desenvolvimento capitalista menos cr\u00edtica que a de Marx, j\u00e1 que este assinalava a contradi\u00e7\u00e3o entre os avan\u00e7os da ci\u00eancia e a t\u00e9cnica e o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, como express\u00e3o da contradi\u00e7\u00e3o de classe caracterizada pela extra\u00e7\u00e3o de mais-valor e a impossibilidade de liberar a for\u00e7a de trabalho sem mudar o sistema por meios revolucion\u00e1rios. Voltemos a Marx, para ver como pensou este problema.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Aliena\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o capitalista<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em&nbsp;<em>O<\/em><em>&nbsp;capital<\/em>&nbsp;e seus manuscritos preparat\u00f3rios, assim como no cap\u00edtulo VI in\u00e9dito, Marx desenvolve a no\u00e7\u00e3o de aliena\u00e7\u00e3o muito mais ligada a uma teoria mais clara da explora\u00e7\u00e3o capitalista e a extra\u00e7\u00e3o de mais-valia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assinala Musto:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>At\u00e9 finais da d\u00e9cada de 1850, n\u00e3o houve mais refer\u00eancias \u00e0 teoria da aliena\u00e7\u00e3o nas obras de Marx. Depois da derrota das revolu\u00e7\u00f5es de 1848, ele viu-se for\u00e7ado a exilar-se em Londres, onde, uma vez instalado, concentrou todas as suas energias no estudo da economia pol\u00edtica e, aparte alguns muito breves trabalhos de temas hist\u00f3ricos, n\u00e3o publicou outro livro. Quando come\u00e7ou a escrever sobre economia outra vez, de todo modo, em seus&nbsp;<em>Elementos fundamentais para a cr\u00edtica da Economia Pol\u00edtica<\/em>&nbsp;(1857-1858), mais conhecidos como&nbsp;<em>Grundrisse<\/em>, mais de uma vez utilizou o termo \u201caliena\u00e7\u00e3o\u201d. Este texto retomou em v\u00e1rios aspectos as an\u00e1lises dos&nbsp;<em>Manuscritos econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos<\/em>&nbsp;de 1844, embora cerca de uma d\u00e9cada de estudo na Biblioteca do Museu Brit\u00e2nico lhe tenha permitido torn\u00e1-los consideravelmente mais profundos [<a href=\"about:reader?url=https%3A%2F%2Fwww.laizquierdadiario.com%2FMarx-alienacion-y-comunismo#nb2\">2<\/a>].<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos&nbsp;<em>Grundrisse<\/em>, Marx relaciona diretamente a quest\u00e3o da aliena\u00e7\u00e3o com a do interc\u00e2mbio de mercadorias, assim como no cap\u00edtulo VI in\u00e9dito de&nbsp;<em>O<\/em><em>&nbsp;capital<\/em>&nbsp;faz refer\u00eancia ao processo de personifica\u00e7\u00e3o das coisas e coisifica\u00e7\u00e3o das pessoas. Mas avan\u00e7a mais ainda propondo que o capital subordina a seu pr\u00f3prio interesse n\u00e3o apenas a atividade imediata do trabalhador como tamb\u00e9m o processo de coopera\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o, os avan\u00e7os cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos aplicados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e \u00e0 melhora e desenvolvimento do maquin\u00e1rio. Essas quest\u00f5es entram tamb\u00e9m em jogo quando Marx define em&nbsp;<em>O<\/em><em>&nbsp;Capital<\/em>&nbsp;o fen\u00f4meno do fetichismo da mercadoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marx explica o fetichismo da mercadoria como um processo necess\u00e1rio da produ\u00e7\u00e3o capitalista:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Esse car\u00e1ter fetichista do mundo das mercadorias se origina, como a an\u00e1lise precedente demonstrou, na peculiar \u00edndole social do trabalho que produz mercadorias. Se os objetos para o uso se convertem em mercadorias, isso se deve unicamente a que s\u00e3o produtos de trabalhos privados exercidos independentemente uns dos outros. O complexo desses trabalhos privados \u00e9 o que constitui o trabalho social global. Como os produtores n\u00e3o entram em contato social at\u00e9 que intercambiam os produtos de seu trabalho, os atributos especificamente sociais desses trabalhos privados n\u00e3o se manifestam exceto no marco desse interc\u00e2mbio. Em outras palavras: de fato, os trabalhos privados n\u00e3o alcan\u00e7am realidade como partes do trabalho social em seu conjunto, exceto por meio das rela\u00e7\u00f5es que o interc\u00e2mbio estabelece entre os produtos do trabalho e, atrav\u00e9s dos mesmos, entre os produtores. A estes, portanto, as rela\u00e7\u00f5es sociais entre seus trabalhos privados os colocam manifestamente como o que s\u00e3o, vale dizer, n\u00e3o como rela\u00e7\u00f5es diretamente sociais travadas entre as pessoas mesmas, em seus trabalhos, sen\u00e3o pelo contr\u00e1rio como rela\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias de coisas entre as pessoas e rela\u00e7\u00f5es sociais entre as coisas. \u00c9 apenas em seu interc\u00e2mbio em que os produtos do trabalho adquirem uma objetividade de valor, socialmente uniforme, separada de sua objetividade de uso, sensorialmente diversa. Tal divis\u00e3o do produto laboral em coisa \u00fatil e coisa de valor s\u00f3 se efetiva, na pr\u00e1tica, quando o interc\u00e2mbio j\u00e1 tenha alcan\u00e7ado a extens\u00e3o e relev\u00e2ncia suficientes para que se produzam coisas \u00fateis destinadas ao interc\u00e2mbio, de modo que j\u00e1 em sua produ\u00e7\u00e3o mesma se tenha em conta o car\u00e1ter de valor das coisas. A partir desse momento, os trabalhos privados dos produtores adotam de maneira efetiva um duplo car\u00e1ter social. Por um lado, enquanto trabalhos \u00fateis determinados, t\u00eam que satisfazer uma necessidade social determinada e com isso provar sua efic\u00e1cia como partes do trabalho global, do sistema natural caracterizado pela divis\u00e3o social do trabalho. Por outro lado, apenas satisfazem as variadas necessidades de seus pr\u00f3prios produtores na medida em que todo trabalho privado particular, dotado de utilidade, \u00e9 pass\u00edvel de interc\u00e2mbio por outra classe de trabalho privado \u00fatil, e portanto lhe \u00e9 equivalente. A igualdade de trabalhos&nbsp;<em>toto coelo<\/em>&nbsp;[totalmente] diversos s\u00f3 pode consistir em uma abstra\u00e7\u00e3o de sua desigualdade real, na redu\u00e7\u00e3o ao car\u00e1ter comum que possuem enquanto gasto de for\u00e7a humana de trabalho, trabalho abstratamente humano. O c\u00e9rebro dos produtores privados reflete esse duplo car\u00e1ter social de seus trabalhos privados somente nas formas que se manifestam no movimento pr\u00e1tico, no interc\u00e2mbio de produtos: o car\u00e1ter socialmente \u00fatil de seus trabalhos privados, pois, s\u00f3 o reflete sob a forma de que o produto do trabalho tem que ser \u00fatil, e precisamente s\u00ea-lo para outros; o car\u00e1ter social da igualdade entre os diversos trabalhos, apenas sob a forma do car\u00e1ter de valor que \u00e9 comum a essas coisas materialmente diferentes, os produtos do trabalho.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura do fetichismo da mercadoria re\u00fane os temas tratados por Marx em seus escritos anteriores sobre a aliena\u00e7\u00e3o, s\u00f3 que os complexifica. Nos&nbsp;<em>Manuscritos<\/em>, o eixo estava posto no processo pelo qual o trabalho, os produtos do trabalho e as demais pessoas se tornavam para o trabalhador algo estranho e hostil, com o que Marx enfatizava a cr\u00edtica da desumaniza\u00e7\u00e3o imposta pela propriedade privada. Em&nbsp;<em>O<\/em><em>&nbsp;capital<\/em>, Marx mant\u00e9m essa ideia de que o processo de trabalho e seus produtos aparecem para o trabalhador como algo alheio e independente de sua vontade, assim como sua rela\u00e7\u00e3o com outras pessoas se estabelece atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o mercantil, mas vinculada mais concretamente com a quest\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o. A separa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora em rela\u00e7\u00e3o aos meio de produ\u00e7\u00e3o, que a ele se mostram como algo alheio, \u00e9 o prerrequisito da extra\u00e7\u00e3o do mais-valor, dado que os trabalhadores \u201clivres\u201d devem vender sua for\u00e7a de trabalho aos capitalistas e nesse processo produzem o valor necess\u00e1rio para pagar seus pr\u00f3prios sal\u00e1rios e o mais-valor que est\u00e3o na base da gan\u00e2ncia capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltemos ao argumento de Musto:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Dois elementos nesta defini\u00e7\u00e3o marcam uma clara linha divis\u00f3ria entre a concep\u00e7\u00e3o de aliena\u00e7\u00e3o de Marx e a sustentada pela maior parte dos autores sobre os quais estivemos discutindo. Primeiro, Marx concebe o fetichismo n\u00e3o como um problema individual mas como um fen\u00f4meno social, n\u00e3o como um assunto da mente mas como um poder real, uma forma particular de domina\u00e7\u00e3o, que se estabelece na economia capitalista como resultado da transforma\u00e7\u00e3o dos objetos em sujeitos. Por essa raz\u00e3o, suas an\u00e1lises da aliena\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limitam ao mal-estar dos homens e das mulheres individuais, mas se estendem a todos os processos sociais e as atividades produtivas que lhes s\u00e3o subjacentes. Segundo, para Marx o fetichismo se manifesta em uma precisa realidade hist\u00f3rica da produ\u00e7\u00e3o, a realidade do trabalho assalariado; n\u00e3o \u00e9 parte da rela\u00e7\u00e3o entre as pessoas e as coisas como tal, e sim mais propriamente a rela\u00e7\u00e3o entre os seres humanos e uma forma particular de objetividade: a forma-mercadoria [<a href=\"about:reader?url=https%3A%2F%2Fwww.laizquierdadiario.com%2FMarx-alienacion-y-comunismo#nb3\">3<\/a>].<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto nos&nbsp;<em>Grundrisse<\/em>&nbsp;como em&nbsp;<em>O<\/em><em>&nbsp;capital<\/em>, Marx j\u00e1 tem uma vis\u00e3o muito mais complexa do capitalismo e portanto uma compreens\u00e3o materialista muito mais clara do fen\u00f4meno da aliena\u00e7\u00e3o. Faz-se mais complexa sua vis\u00e3o da sociedade e da mudan\u00e7a revolucion\u00e1ria. Da\u00ed que, em&nbsp;<em>O<\/em><em>&nbsp;capital<\/em>, Marx assinale que o capitalismo se apropria de conquista da ci\u00eancia, da t\u00e9cnica e da organiza\u00e7\u00e3o do trabalho em seu pr\u00f3prio benef\u00edcio, mas ao mesmo tempo cria condi\u00e7\u00f5es para o comunismo, tais como a coopera\u00e7\u00e3o no processo de trabalho, o desenvolvimento e a aplica\u00e7\u00e3o de tecnologias, a apropria\u00e7\u00e3o das for\u00e7as da natureza \u00fateis para a produ\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o de maquinaria que somente se pode empregar em comum por v\u00e1rios trabalhadores, a economiza\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o e a tend\u00eancia a criar um mercado mundial.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Por que \u00e9 necess\u00e1rio o comunismo<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse livro \u00e9 uma boa contribui\u00e7\u00e3o para se introduzir o tema da aliena\u00e7\u00e3o em Marx e, tamb\u00e9m, para se chegar a uma compreens\u00e3o clara dos alcances e limites que tem em seu tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Musto debate contra aqueles que retiram import\u00e2ncia da quest\u00e3o, assim como contra aqueles que dizem que \u00e9 o tema principal da teoria de Marx, e assinala que a reflex\u00e3o sobre o problema se torna muito mais clara e s\u00f3lida na medida em que Marx tem uma melhor compreens\u00e3o do funcionamento do capitalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas ao mesmo tempo p\u00f5e essa argumenta\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o de explicar o pensamento pol\u00edtico revolucion\u00e1rio de Marx. A aliena\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um problema do ser humano em geral, nem da consci\u00eancia individual nem de toda forma de objetiva\u00e7\u00e3o em abstrato. Por isso, o enfoque de Marx mostra o processo contradit\u00f3rio entre a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade comunista em base ao desenvolvimento das for\u00e7as produtivas e a orienta\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de mais-valor e realiza\u00e7\u00e3o da gan\u00e2ncia capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O capitalismo cria as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a luta pelo comunismo, mas n\u00e3o mais que isso. Deve ser subvertido atrav\u00e9s da revolu\u00e7\u00e3o socialista, vencendo a resist\u00eancia das classes exploradoras e opressoras, para estabelecer um regime social baseado na coopera\u00e7\u00e3o, na propriedade coletiva e na busca das mais amplas liberdades para as pessoas.<\/p>\n<p>Fonte: Outras palavras<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seria este conceito a principal contribui\u00e7\u00e3o do fil\u00f3sofo? Como ele se relaciona com mais-valor e fetiche da mercadoria? Quais as contribui\u00e7\u00f5es de Luk\u00e1cs, Adorno, Fromm e outros? 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