{"id":33922,"date":"2022-02-15T09:17:16","date_gmt":"2022-02-15T12:17:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=33922"},"modified":"2022-02-15T09:17:20","modified_gmt":"2022-02-15T12:17:20","slug":"morre-arnaldo-jabor-aos-81-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2022\/02\/15\/morre-arnaldo-jabor-aos-81-anos","title":{"rendered":"Morre Arnaldo Jabor, aos 81 anos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Morreu, nesta madrugada, o cineasta, cronista e jornalista Arnaldo Jabor, aos 81 anos. Ele estava internado no Hospital Sirio-Liban\u00eas, em S\u00e3o Paulo, desde o dia 17 de dezembro, depois de sofrer um acidente vascular cerebral. A fam\u00edlia informou que a causa da morte foram complica\u00e7\u00f5es do AVC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascido em 12 de dezembro de 1940 no Rocha, bairro da Zona Norte carioca, Arnaldo Jabor era filho de um oficial da Aeron\u00e1utica e uma dona de casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em mais de 50 anos de carreira, Jabor percorreu entre o cinema, o jornal, a TV e o r\u00e1dio, ora tratando de pol\u00edtica, ora contando uma hist\u00f3ria da juventude \u2014 ou unindo os dois como um malabarista. Em seus filmes e textos, procurava observar a sociedade brasileira, compreender seus paradoxos e criticar suas hipocrisias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diretor do Cinema Novo, o cineasta inaugurou a linha do \u201ccinema verdade\u201d de Jean Rouch, aproximando a c\u00e2mera das pessoas nas ruas e dando destaque \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es da classe m\u00e9dia, da qual o pr\u00f3prio fazia parte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu primeiro longa-metragem \u201cA opini\u00e3o p\u00fablica\u201d (1967) foi um marco no document\u00e1rio brasileiro moderno. Atrav\u00e9s de depoimentos de personagens como estudantes, donas de casa e aposentados, o filme tra\u00e7a um painel da classe m\u00e9dia carioca ap\u00f3s o golpe militar de 1964, evidenciando seus comportamentos, suas inclina\u00e7\u00f5es e, sobre tudo, sua dist\u00e2ncia frente a realidade brasileira. A obra faz, afinal, uma refer\u00eancia ao pr\u00f3prio diretor, que sempre se colocou diante da opini\u00e3o p\u00fablica como ponto cr\u00edtico, de questionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 H\u00e1 uma semelhan\u00e7a do tempo em que fiz \u201cA opini\u00e3o p\u00fablica\u201d para hoje. Naquela \u00e9poca, o Brasil tamb\u00e9m estava dividido em dois e ningu\u00e9m falava da classe m\u00e9dia. Fiz o filme para mostrar a perplexidade de um grupo que n\u00e3o tinha a menor ideia do caminho que deveria seguir. \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o que continua hoje.\u2014 declarou o jornalista em entrevista ao GLOBO em 2014, ao lan\u00e7ar a colet\u00e2nea\u00a0 \u201cO malabarista \u2014 Os melhores textos de Arnaldo Jabor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos 1970, Jabor tornou-se um dos mais bem-sucedidos diretores do pa\u00eds com filmes como \u201cToda nudez ser\u00e1 castigada\u201d (1973), que conquistou o Urso de Prata no Festival de Berlim e foi o primeiro vencedor do Festival de Cinema de Gramado. Adaptado da obra teatral hom\u00f4nima de seu amigo Nelson Rodrigues, o drama acompanha um conturbado tri\u00e2ngulo amoroso (\u00e0s escondidas) entre um vi\u00favo, sua amante e seu pr\u00f3prio filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Baseado novamente nos textos do cronista, Jabor lan\u00e7a &#8220;O casamento&#8221; (1975), um espelho dos anseios da classe m\u00e9dia, repleto de s\u00e1tiras e ironias, que conquistou o Kikito de ouro de melhor atriz coadjuvante a Camila Amado. Na mesma linha, mais um estouro: &#8220;Tudo bem&#8221; (1978), com nomes como Paulo Gracindo, Fernanda Montenegro e Zez\u00e9 Motta. A obra, ali\u00e1s, est\u00e1 na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, editada pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cr\u00edticos de Cinema (Abraccine).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As crises amorosas e existenciais voltaram a ser objeto do roteirista e diretor em &#8220;Eu te amo&#8221; (1980), com Paulo C\u00e9sar Pereio, S\u00f4nia Braga, Tarc\u00edsio Meira, Vera Fischer e Regina Cas\u00e9 no elenco. Intimista e sexual, a pel\u00edcula culmina num grande del\u00edrio musical em celebra\u00e7\u00e3o ao amor e \u00e0 vida. Foi indicada ao pr\u00eamio de melhor filme no Festival de Gramado em 1981 e saiu vencedora em tr\u00eas categorias: melhor atriz (Sonia Braga), melhor som e melhor cenografia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucesso dentro e fora do pa\u00eds, Jabor concorreu duas vezes \u00e0 Palma de Ouro do Festival de Cannes: com &#8220;Pindorama&#8221; (1970) e &#8220;Eu sei que vou te amar&#8221; (1986). Este \u00faltimo rendeu ainda a Fernanda Torres, aos 20 anos, o pr\u00eamio de melhor atriz \u2014 foi a primeira brasileira a conquistar a honraria no evento franc\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consagrada como uma de suas produ\u00e7\u00f5es de maior destaque, a trama comp\u00f5e uma esp\u00e9cie de sess\u00e3o de psican\u00e1lise ao acompanhar um casal que decide, meses ap\u00f3s sua separa\u00e7\u00e3o, se encontrar para discutir as frustra\u00e7\u00f5es do casamento em um &#8220;jogo da verdade&#8221;. O longa lotou as salas de cinema e foi assistido por mais de 4,5 milh\u00f5es de espectadores, mas, com o ingresso a U$ 0,70, acabou dando preju\u00edzo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta \u00e9poca, fazer cinema lhe dava uma mistura de ang\u00fastia, frustra\u00e7\u00e3o e prazer, e quase nada de dinheiro, lembrou o roteirista e diretor em conversa com o GLOBO, em 2009. Na mesma ocasi\u00e3o, Jabor fez uma ressalva:\u00a0 \u2014 Felicidade para mim \u00e9 criar, \u00e9 isso que me deixa feliz. Sou um criador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fato \u00e9 que, em meio \u00e0 crise do cinema brasileiro durante o governo Fernando Collor no in\u00edcio dos anos 1990, precisou buscar um novo caminho para pagar as contas e continuar sua cr\u00edtica \u00e0 sociedade, \u00e0 pol\u00edtica e \u00e0 cultura. Com sete longas no curr\u00edculo, passou a trabalhar como jornalista de opini\u00e3o em jornais, TV e r\u00e1dio do Grupo Globo e lan\u00e7ou uma s\u00e9rie de livros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O jejum de 23 anos sem filmar foi quebrado pelo longa &#8220;A suprema felicidade&#8221; (2010), um retrato do Rio dos anos 50 com base em algumas de suas cr\u00f4nicas publicadas, exalando uma mistura de mem\u00f3ria afetiva, sonhos e descobertas pol\u00edticas \u2014 &#8220;uma esp\u00e9cie de &#8216;Amarcord&#8217; brasileiro&#8221;, segundo o pr\u00f3prio diretor e roteirista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cineasta, cronista e jornalista, que ganhou o Urso de Prata com o filme &#8216;Toda nudez ser\u00e1 castigada&#8217;, procurava observar a sociedade brasileira em suas 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