{"id":37186,"date":"2022-05-15T17:28:00","date_gmt":"2022-05-15T20:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=37186"},"modified":"2022-05-15T14:39:42","modified_gmt":"2022-05-15T17:39:42","slug":"desde-quando-a-bahia-e-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2022\/05\/15\/desde-quando-a-bahia-e-nordeste","title":{"rendered":"Desde quando a Bahia \u00e9 Nordeste"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">No meio de um rebolado que seria criticado por Luiz Gonzaga, Xanddy roda e avisa, mesmo sem ningu\u00e9m perguntar nada: \u201ceu vim de l\u00e1 do Nordeste, cabra da peste\u201d. Talvez voc\u00ea problematize a postura preconceituosa do Rei do Bai\u00e3o \u2013 \u201cl\u00e1 no sert\u00e3o, o homem s\u00f3 remexe daqui pra cima\u201d, dizia a boys buli\u00e7osos em seus shows \u2013, mas te convido a prestar aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m na frase do cantautor do Harmonia do Samba. H\u00e1 nela um ato falho, que ali\u00e1s \u00e9 bastante comum no soteropolitano que se enxerga fora de um lugar do qual ele mesmo faz parte: o Nordeste.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"minhabahia_300x250_01\" data-google-query-id=\"CMDKupWE4vcCFVkJuQYd9pwK_w\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/44585206\/c24h_minhabahia_300x250_01_0__container__\"><span style=\"font-size: revert; color: initial;\">Ao dizer que veio \u201cde l\u00e1\u201d, o cabra da Capelinha de S\u00e3o Caetano talvez n\u00e3o tenha percebido, mas estabeleceu uma rela\u00e7\u00e3o de alteridade, ao concluir que aqui \u00e9 outro lugar. O curioso \u00e9 que se a m\u00fasica \u2018Joga o La\u00e7o\u2019 tivesse sido feita h\u00e1 pouco mais de meio s\u00e9culo, e Xanddy tivesse nascido de Petrolina pra cima, n\u00e3o haveria paradoxo, afinal, at\u00e9 1970, a Bahia ainda n\u00e3o era um estado nordestino.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Pode parecer estranho, mas o baiano como nordestino s\u00f3 passa a existir a partir de uma decis\u00e3o do IBGE, com aval dos governos, que \u00e9 relativamente recente, em termos hist\u00f3ricos. E a dificuldade de assimilar isso parece mais comum em Salvador e no Rec\u00f4ncavo, onde h\u00e1 uma identidade cultural pr\u00f3pria, marcadamente influenciada pela africanidade (na dan\u00e7a, na religi\u00e3o), pelo dend\u00ea e outros ingredientes seculares, facilmente identific\u00e1veis e que, at\u00e9 hoje, tensionam a outra identidade regional, esta mais espalhada e ensaiando certa homogeneiza\u00e7\u00e3o \u2013 \u201cViva S\u00e3o Jo\u00e3o!\u201d<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cNa minha opini\u00e3o, o soteropolitano, e muita gente da Bahia, se sente uma regi\u00e3o aut\u00f4noma: n\u00e3o se sente nem Nordeste, nem Sudeste. Se sente a Bahia\u201d, afirma o professor Cl\u00edmaco Dias, do Departamento de Geografia da Ufba, que n\u00e3o enxerga nisso um \u2018orgulho bobo\u2019 ou hierarquiza\u00e7\u00e3o da coisa.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O poeta e radialista James Martins, de quem Caetano Veloso costuma reproduzir a frase \u201cO Rio \u00e9 o Brasil, S\u00e3o Paulo \u00e9 o mundo, e a Bahia \u00e9 a Bahia\u201d, refor\u00e7a esse entendimento. \u201cA Bahia tem contornos t\u00e3o espec\u00edficos que n\u00e3o parece mesmo pertencer a nenhuma regi\u00e3o, nem Nordeste, nem Sudeste, nem outra. (&#8230;) Nossas diferen\u00e7as se aplicam tanto para cima como para baixo. Tanto assim que quando os sudestinos da TV Globo tentavam mimetizar nosso sotaque em novelas e s\u00e9ries, o faziam com um jeito, digamos, nordestino, mais afeito ao pernambucano ou alagoano. Como diria Gigica, \u2018a Bahia \u00e9 a Bahia\u2019. E s\u00f3. Um mini-Brasil at\u00e9 no mapa\u201d, analisa.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558981264142-0\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Mal-estar<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Bom, agora s\u00f3 falta combinar que \u00e9 assim mesmo com os baianos identificados, historicamente, com a dita nordestinidade. \u00c9 o caso da escritora serrolandense Cl\u00e1udia Pereira Vasconcelos, doutora em Estudos de Cultura pela ULisboa\/Ufba que escreveu \u2018Ser-T\u00e3o Baiano: o lugar da sertanidade na configura\u00e7\u00e3o da identidade baiana\u2019.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Professora de Hist\u00f3ria da Uneb, ela discute no livro, lan\u00e7ado em 2011, esse mal-estar da popula\u00e7\u00e3o sertaneja ou n\u00e3o soteropolitana, quando ignorada na composi\u00e7\u00e3o da identidade baiana, tanto de forma simb\u00f3lica, quanto pr\u00e1tica \u2013 ela mesmo uma v\u00edtima disso.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEu vivi em Serrol\u00e2ndia at\u00e9 os 22 anos, e depois de me formar em Hist\u00f3ria na Uneb, fui para Salvador fazer Interpreta\u00e7\u00e3o Teatral, na Ufba. E l\u00e1 no curso a gente fala muito, sempre se expressando, e todas as vezes que eu falava, perguntavam \u2018voc\u00ea \u00e9 pernambucana, paraibana?\u2019, todos os estados, menos a Bahia. Nunca ningu\u00e9m achava que eu era baiana\u201d, recorda.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O sotaque marcado pelo T e D palatados era muitas vezes motivo de chacota e coment\u00e1rios xenof\u00f3bicos. \u201cNa Escola de Teatro algu\u00e9m disse pra mim: \u2018olha, voc\u00ea s\u00f3 vai conseguir fazer papel de nordestina\u2019. E eu olhava pra pessoa e pensava \u2018meu Deus, essa pessoa n\u00e3o se v\u00ea como nordestina\u2019&#8230; Outra situa\u00e7\u00e3o que me marcou foi em meu primeiro emprego, que me botaram o apelido de Tieta do Agreste. Na \u00e9poca, eu n\u00e3o tinha a dimens\u00e3o do n\u00edvel de viol\u00eancia que isso era para o migrante na capital\u201d, conta Cl\u00e1udia.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558981401166-0\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>C\u00f3digos diferentes<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Na obra, a autora admite que os c\u00f3digos da capital e desse interior sertanejo s\u00e3o diferentes, \u201cmas isso n\u00e3o quer dizer que um \u00e9 melhor ou pior, s\u00e3o diferentes\u201d. Ela cita casos concretos dessa tentativa de inferioriza\u00e7\u00e3o: \u201cAlgu\u00e9m te aponta \u2018ah, voc\u00ea \u00e9 tabar\u00e9u, tabaroa\u2019, e a\u00ed outro te imita falando \u2018tia, dia\u2019, e voc\u00ea come\u00e7a a refletir: \u2018nossa, o que isso quer dizer? Eu migrei dentro do meu estado, eu n\u00e3o migrei pro Sudeste\u2019. \u2018E por que essa baianidade centrada em Salvador n\u00e3o olha para o resto do estado?\u2019\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Centrando sua tese no que denuncia como nega\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o sertaneja na Bahia, com coment\u00e1rios sobre a constru\u00e7\u00e3o da baianidade nos romances de Jorge Amado, nas m\u00fasicas de Dorival Caymmi ou na publicidade oficial, Cl\u00e1udia admite se tratarem de \u201ctextos muito potentes, e que pra fora pegaram\u201d. Mas ela n\u00e3o desiste de problematiz\u00e1-los, e t\u00e1 cert\u00edssima.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Cr\u00edticas registradas, pergunto \u00e0 professora se, do ponto de vista simb\u00f3lico, d\u00e1 para dizer que Salvador \u00e9 uma capital genuinamente nordestina. \u201cQue pergunta dif\u00edcil! Eu acho que identitariamente, n\u00e3o. Salvador se construiu como um caso \u00e0 parte. Porque eu acho que regi\u00e3o \u00e9 uma coisa que est\u00e1 para al\u00e9m de um desenho geopol\u00edtico. Eu acredito que essa capital continua descolada do ponto de vista identit\u00e1rio do resto do Nordeste, e nem t\u00f4 aqui avaliando para o bem ou para o mal\u201d, reitera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Divis\u00e3o regional<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Mas que desenho geopol\u00edtico \u00e9 esse? Quem explica \u00e9 \u00a0Andr\u00e9 Nunes, professor da Licenciatura em Geografia do Ifba. \u201cUma coisa \u00e9 o recorte oficial, para fins de planejamento, pra voc\u00ea pensar a economia, rodovias, aeroportos, por exemplo. Outra coisa \u00e9 voc\u00ea depois de fazer esse recorte, saber como as pessoas se comportam dentro dele\u201d, aponta o doutor em Geografia.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558985512674-0\"><span style=\"font-size: revert; color: initial;\">Agora, para entender como a Bahia \u2013 invadida por Lampi\u00e3o e Gonzag\u00e3o, onde \u00e9 mais f\u00e1cil achar hater de Carnaval que de S\u00e3o Jo\u00e3o \u2013 s\u00f3 entrou para o #TeamNordeste em 1970, \u00e9 preciso olhar para o processo de evolu\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio nacional.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A primeira divis\u00e3o regional do Brasil s\u00f3 foi oficializada em 1942, pelo IBGE, e coloca Bahia e Sergipe como regi\u00e3o Leste, junto com Minas, Rio e Esp\u00edrito Santo. O principal crit\u00e9rio utilizado foi o f\u00edsico-natural: vegeta\u00e7\u00e3o, clima e afins. \u201cAt\u00e9 ali n\u00e3o tinha problema, porque era um pa\u00eds de pouca mobilidade espacial, coisa que a partir dos anos 50 vai entrar em xeque\u201d, comenta Nunes, se referindo aos processos de migra\u00e7\u00e3o interna que v\u00e3o mudar a cara do Brasil nas duas d\u00e9cadas seguintes.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEra um pa\u00eds ainda rural [nos anos 40], embora Get\u00falio Vargas tenha lan\u00e7ado as bases da moderniza\u00e7\u00e3o. Mas essa virada urbana s\u00f3 vai acontecer, de fato, entre 1950 e 1970. \u00c9 um dos casos excepcionais no mundo de um pa\u00eds que se urbanizou em 20 a 30 anos, e isso vai ter um impacto na regionaliza\u00e7\u00e3o\u201d, explica Nunes.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Com essa \u2018revolu\u00e7\u00e3o\u2019 migrat\u00f3ria, o IBGE inicia, nos anos 60, uma discuss\u00e3o interna para produ\u00e7\u00e3o de uma nova regionaliza\u00e7\u00e3o, levando agora em considera\u00e7\u00e3o crit\u00e9rios econ\u00f4micos e sociais, com foco em planejamento. Na d\u00e9cada anterior, o Estado j\u00e1 havia criado institui\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas como a Superintend\u00eancia de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que tamb\u00e9m vai envolver Bahia e partes de Minas e Esp\u00edrito Santo, e o Banco do Nordeste.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1563386375579-0\"><span style=\"font-size: revert; color: initial;\">\u201c\u00c9 nesse momento que o IBGE vai articular a natureza com elementos sociais do mundo do trabalho e da produ\u00e7\u00e3o: circula\u00e7\u00e3o, com\u00e9rcio, fluxo, migra\u00e7\u00e3o, coisas do \u00e2mbito do estudo da sociedade. A din\u00e2mica econ\u00f4mica, PIB, e vai fazer um cruzamento\u201d, acrescenta Nunes, dando a senha para a entrada da Bahia no bloco nordestino.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Segundo o professor Cl\u00edmaco Dias, a cria\u00e7\u00e3o da Sudene \u201cfoi fundamental porque a Bahia se interessava para ter os benef\u00edcios, que n\u00e3o eram pequenos\u201d. Ainda de acordo com ele, essa nova configura\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m segue a mudan\u00e7a do polo econ\u00f4mico. \u201cA gente n\u00e3o estava mais fazendo parte do polo hegem\u00f4nico desde o in\u00edcio do s\u00e9culo 20\u201d, destaca.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Quando a Bahia finalmente desembarca no Nordeste, em 70, o cuscuz e a canjica j\u00e1 estavam prontos, e novos ingredientes eram dispens\u00e1veis. \u201cAs pessoas [fora da Bahia] gostam de acaraj\u00e9, mas n\u00e3o t\u00eam essa cultura do dend\u00ea. O dend\u00ea \u00e9 uma coisa fundamental na nossa culin\u00e1ria\u201d, comenta Cl\u00edmaco Dias sobre Salvador, destacando que nas demais capitais nordestinas (quase todas litor\u00e2neas), a cozinha mais influente \u00e9 a do semi\u00e1rido.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, o professor destaca que essa entrada da Bahia na regi\u00e3o \u201ccriou identidade\u201d. \u201cMas ela n\u00e3o \u00e9 uma identidade que a gente possa dizer que garante essa ideia de Nordeste, porque a Bahia tem v\u00e1rias regi\u00f5es internas que t\u00eam posturas diferenciadas. Temos, portanto, uma unidade com contradi\u00e7\u00e3o\u201d, argumenta.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Cultura nordestina foi \u2018inventada\u2019 \u00e0 revelia da Bahia<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Em seu livro \u2018Ser-T\u00e3o Baiano: o lugar da sertanidade na configura\u00e7\u00e3o da identidade baiana\u2019, que \u00e9 fruto de uma disserta\u00e7\u00e3o de mestrado defendida na Ufba em 2007, a historiadora e professora Cl\u00e1udia Pereira Vasconcelos tamb\u00e9m discute os conceitos de nordestinidade, a partir das ideias do escritor pernambucano Gilberto Freyre, e de sertanidade, atrav\u00e9s da obra do poeta baiano Eurico Alves.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m das ideias desses autores, ela embasa parte de sua tese no livro \u2018A Inven\u00e7\u00e3o do Nordeste e Outras Artes\u2019, do historiador e professor Durval Muniz de Albuquerque J\u00fanior, que ajuda na compreens\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cultural e art\u00edstica sobre a regi\u00e3o a partir do in\u00edcio do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cSegundo esse estudo, que \u00e9 mais aprofundado, quem inventa essa identidade \u00e9 um grupo de intelectuais ligado \u00e0s elites a partir dos anos 1910, justamente por causa dessa crise [de perda da centralidade econ\u00f4mica de cidades como Recife, mas tamb\u00e9m Salvador]. Eles n\u00e3o s\u00e3o mais quase nada, do ponto de vista cultural, no Brasil, e se juntam para articular um movimento chamado \u2018Movimento Regionalista do Nordeste\u2019, encabe\u00e7ado por Gilberto Freyre\u201d, destaca a pesquisadora.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 Freyre quem vai fazer, segundo ela, toda uma \u2018inven\u00e7\u00e3o\u2019 discursiva do que faz o Nordeste ser Nordeste. \u201cE a\u00ed eles elegem como personagem principal o vaqueiro e o cangaceiro, o homem rural. Por isso que existe o cabra da peste, uma mistura de vaqueiro, cangaceiro, jagun\u00e7o, esse homem mais violento e bravo\u201d, comenta.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia explica que esse mosaico come\u00e7a a ser montado, por exemplo, por pintores e outros escritores, que forjam a literatura chamada regionalista, dos anos 1930, para criar essa regi\u00e3o pautada tamb\u00e9m em quest\u00f5es relacionadas \u00e0 seca e \u00e0 pobreza, coisas que at\u00e9 os anos 1910 n\u00e3o eram instrumentalizadas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A cereja no bolo vem nos anos 40, e atende pelo nome de Luiz Gonzaga do Nascimento, m\u00fasico revolucion\u00e1rio filho de Exu (PE). \u201cVem esse cara genial, incr\u00edvel, maravilhoso, perform\u00e1tico, e divulga essa identidade. Eu diria que quem inventou foi esse grupo de intelectuais, do movimento regionalista, e o divulgador para o resto do Brasil foi Luiz Gonzaga\u201d, complementa a escritora, sem deixar de enxergar o aspecto problem\u00e1tico de certas escolhas.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 uma identidade tamb\u00e9m muito violenta, muito masculina. Para as mulheres mesmo, a gente tem mais \u00e9 que pegar uma peixeira e furar esse texto identit\u00e1rio\u201d, conclui Cl\u00e1udia, como quem aceita o desafio e fala \u2018vem nen\u00e9m\u2019 para o perigo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Por: Correio 24 horas<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No meio de um rebolado que seria criticado por Luiz Gonzaga, Xanddy roda e avisa, mesmo sem ningu\u00e9m perguntar nada: \u201ceu vim de l\u00e1 do Nordeste, cabra da peste\u201d. 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