{"id":3729,"date":"2019-10-09T08:12:33","date_gmt":"2019-10-09T11:12:33","guid":{"rendered":"http:\/\/blogopara.com.br\/?p=3729"},"modified":"2019-10-09T08:12:43","modified_gmt":"2019-10-09T11:12:43","slug":"mantido-ritmo-brasil-vai-atrasar-em-30-anos-meta-de-saneamento-universal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2019\/10\/09\/mantido-ritmo-brasil-vai-atrasar-em-30-anos-meta-de-saneamento-universal","title":{"rendered":"Mantido ritmo, Brasil vai atrasar em 30 anos meta de saneamento universal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A Agenda 2030 \u00e9 um plano de a\u00e7\u00e3o para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade da qual o Brasil e outros 192 pa\u00edses que integram a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) s\u00e3o signat\u00e1rios. Essas na\u00e7\u00f5es se comprometeram a tomar medidas ousadas e transformadoras, urgentes e necess\u00e1rias, para direcionar o mundo para um caminho sustent\u00e1vel e resiliente. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e as 169 metas da Agenda 2030 buscam fortalecer a paz universal com mais liberdade e reconhecem que a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza em todas as suas formas e dimens\u00f5es, incluindo a pobreza extrema, \u00e9 o maior desafio global e um requisito indispens\u00e1vel para o desenvolvimento sustent\u00e1vel. Para concretizar os direitos humanos de todos e todas, a escala e a ambi\u00e7\u00e3o desta nova agenda universal mostram que as metas s\u00e3o integradas e indivis\u00edveis, e equilibram as tr\u00eas dimens\u00f5es do desenvolvimento sustent\u00e1vel: a econ\u00f4mica, a social e a ambiental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 a terceira edi\u00e7\u00e3o do Relat\u00f3rio Luz. A exemplo do que ocorreu em 2017 e 2018, a publica\u00e7\u00e3o analisa a implementa\u00e7\u00e3o dos 17 ODS no Brasil a partir de dados oficiais. Desta vez, a an\u00e1lise ganha ainda mais import\u00e2ncia, pois o Brasil foi um dos 47 entes nacionais que haviam se comprometido a mostrar pol\u00edticas nos setores social e ambiental durante o F\u00f3rum Pol\u00edtico de Alto N\u00edvel (High-level Political Forum \u2013 HLPF 2019), ocorrido em Julho de 2019, em Nova York (EUA). Mas o governo federal desistiu de apresentar sua Revis\u00e3o Nacional Volunt\u00e1ria. Como o HLPF \u00e9 a mais alta inst\u00e2ncia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o monitoramento da Agenda 2030, o Relat\u00f3rio Luz 2019 se torna a principal fonte de avalia\u00e7\u00e3o sobre os avan\u00e7os e desafios do pa\u00eds frente \u00e0 agenda global de sustentabilidade no \u00faltimo ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pobreza, fome, infraestrutura prec\u00e1ria e desemprego<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O RL 2019 resume o cen\u00e1rio atual: temos 15 milh\u00f5es de pessoas em extrema pobreza, 55 milh\u00f5es de pobres, 34 milh\u00f5es sem acesso \u00e0 \u00e1gua tratada, mais de 100 milh\u00f5es sem servi\u00e7o de coleta de esgoto e quase 600 mil domic\u00edlios sem energia el\u00e9trica. Quase 50% da flora est\u00e1 sob amea\u00e7a radical e o campo e a sa\u00fade se veem amea\u00e7ados pela libera\u00e7\u00e3o de 239 novos tipos de agrot\u00f3xicos. O cen\u00e1rio \u00e9 tenso, com desemprego alto (13 milh\u00f5es de pessoas) e persistente. O documento aponta que para reverter o quadro, \u00e9 preciso a participa\u00e7\u00e3o das juventudes, das popula\u00e7\u00f5es afetadas pelos problemas e das organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, na defini\u00e7\u00e3o das solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ODS 6: \u00c1gua Limpa e Saneamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O territ\u00f3rio brasileiro concentra mais de 12% do total de \u00e1gua doce do mundo. Esse ativo ambiental, al\u00e9m de estar comprometido, est\u00e1 distribu\u00eddo territorialmente de forma desigual. Ainda que o Brasil seja signat\u00e1rio das resolu\u00e7\u00f5es da ONU que reconhecem e reafirmam o acesso \u00e0 \u00e1gua e ao saneamento enquanto um direito humano, as condi\u00e7\u00f5es, dados e proje\u00e7\u00f5es no Brasil indicam grandes dificuldades para alcan\u00e7ar o ODS 6 (\u00c1gua Limpa e Saneamento) de acordo com o Relat\u00f3rio Luz 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa Constitui\u00e7\u00e3o Federal determina que \u00e9 responsabilidade do Estado, em todos seus n\u00edveis de governo e institui\u00e7\u00f5es \u2013 inclusive as ag\u00eancias reguladoras dos servi\u00e7os \u2013 garantir a melhoria progressiva dos \u00edndices de saneamento b\u00e1sico. Mas a realidade \u00e9 de relativa estagna\u00e7\u00e3o dos principais indicadores ao longo das \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, com incrementos muito t\u00edmidos frente aos impactos negativos que a falta de saneamento b\u00e1sico gera na sa\u00fade p\u00fablica, na qualidade de vida, no desenvolvimento cognitivo das crian\u00e7as e em outras \u00e1reas centrais da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em m\u00e9dia, 83,47% da popula\u00e7\u00e3o brasileira recebe atendimento de \u00e1gua, mas apenas 58,04% t\u00eam coleta de esgoto e 46% t\u00eam tratamento do total de esgoto gerado. A cada 100 litros de \u00e1gua captada e tratada, mais de 38 litros s\u00e3o perdidos nas tubula\u00e7\u00f5es no processo de distribui\u00e7\u00e3o. As regi\u00f5es Norte e Nordeste apresentam \u00edndices socioecon\u00f4micos que apontam para uma situa\u00e7\u00e3o de maior vulnerabilidade e tamb\u00e9m as piores condi\u00e7\u00f5es de saneamento b\u00e1sico: no Norte s\u00f3 24,77% do esgoto \u00e9 coletado e 22,58% do esgoto gerado \u00e9 tratado, no Nordeste estes \u00edndices s\u00e3o de 37,95% e 34,73%, respectivamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O RL 2019 destaca duas leis federais como centrais para a organiza\u00e7\u00e3o do setor h\u00eddrico nacional, que impacta tantas outras \u00e1reas: a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2007-2010\/2007\/Lei\/L11445.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pol\u00edtica Nacional de Saneamento B\u00e1sico<\/a>, (Lei 11.445\/2007) e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/L9433.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos<\/a>\u00a0(Lei 9.433\/1997). Ambas preveem dispositivos e princ\u00edpios importantes, como o uso priorit\u00e1rio da \u00e1gua para abastecimento humano, a determina\u00e7\u00e3o de que as bacias hidrogr\u00e1ficas devem ser a unidade territorial de gest\u00e3o da \u00e1gua e a cria\u00e7\u00e3o de colegiados parit\u00e1rios para executar tal gest\u00e3o, os comit\u00eas de bacias, entre eles o CBHSF. Entretanto, aponta o documento, tais dispositivos legais n\u00e3o foram implementados como necess\u00e1rio. Segundo proje\u00e7\u00e3o da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), no final de 2015, ou mantidos os investimentos \u00e0 \u00e9poca, o pa\u00eds s\u00f3 atingiria a universaliza\u00e7\u00e3o em 2054, ou seja, um atraso de 21 anos em rela\u00e7\u00e3o ao Plansab e 24 anos em rela\u00e7\u00e3o aos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nova legisla\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Congresso Nacional est\u00e1 h\u00e1 mais de um ano debatendo uma proposta de novo marco legal para o setor de saneamento b\u00e1sico no pa\u00eds. Duas Medidas Provis\u00f3rias foram apresentadas durante o governo de Michel Temer (<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2015-2018\/2018\/Mpv\/mpv844.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">MP 844 em julho de 2018<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.congressonacional.leg.br\/materias\/medidas-provisorias\/-\/mpv\/135061\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">MP 868 em dezembro de 2018<\/a>) e ambas perderam a validade. Na avalia\u00e7\u00e3o do RL 2019, devido, especialmente, \u00e0 press\u00e3o de setores contr\u00e1rios \u00e0 proposta. Atualmente tramita o\u00a0<a href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/137118\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Projeto de Lei 3.261\/19<\/a>, de autoria do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) tamb\u00e9m propondo altera\u00e7\u00f5es significativas em diferentes legisla\u00e7\u00f5es afeitas \u00e0s pol\u00edticas de saneamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDe modo geral a discuss\u00e3o \u00e9 bastante controversa, uma vez que o debate de fundo \u00e9 permitir que a iniciativa privada possa concorrer com paridade de condi\u00e7\u00f5es com as empresas estatais, realizando os necess\u00e1rios investimentos que o setor demanda\u201d, analisa a publica\u00e7\u00e3o. Por outro lado, aponta o relat\u00f3rio, uma das principais cr\u00edticas daqueles que discordam das mudan\u00e7as propostas \u00e9 o fato de que a iniciativa privada se interessar\u00e1 somente pelos munic\u00edpios considerados superavit\u00e1rios, ou seja, com um ganho de escala significativo e com n\u00edveis de renda maiores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Independentemente do debate ideol\u00f3gico sobre o modelo de presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, seja ele p\u00fablico, privado ou h\u00edbrido, o que fica evidente \u00e9 que o Estado brasileiro, em todos seus n\u00edveis de governo e inst\u00e2ncias (inclusive as ag\u00eancias reguladoras), n\u00e3o trata essa agenda como prioridade. H\u00e1 uma evidente redu\u00e7\u00e3o dos investimentos da Uni\u00e3o ao longo dos \u00faltimos anos e o panorama da atua\u00e7\u00e3o dos munic\u00edpios no planejamento do saneamento b\u00e1sico, segundo o IBGE, mostra que 58,4% dos munic\u00edpios n\u00e3o t\u00eam sequer plano municipal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os analistas do GT Agenda 2030, o Brasil ainda est\u00e1 longe da universaliza\u00e7\u00e3o, e mantendo o status quo, n\u00e3o alcan\u00e7ar\u00e1 at\u00e9 2033 como previsto em nosso Plano (Plansab) \u2013 ou at\u00e9 2030 como previsto no ODS. Em grande parte dos locais o servi\u00e7o \u00e9 de m\u00e1 qualidade e nada acontece com os prestadores que n\u00e3o cumprem as metas contratuais, os \u00edndices de perdas na distribui\u00e7\u00e3o s\u00e3o alt\u00edssimos e n\u00e3o h\u00e1 um padr\u00e3o regulat\u00f3rio que permita induzir a melhoria da qualidade da presta\u00e7\u00e3o e ao mesmo tempo dar maior seguran\u00e7a jur\u00eddico-regulat\u00f3ria. Quem perde \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desigualdade, a m\u00e3e das mazelas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 por acaso que os locais com os piores \u00edndices de saneamento b\u00e1sico, em geral, s\u00e3o aqueles onde os demais indicadores socioecon\u00f4micos tamb\u00e9m indicam uma alta vulnerabilidade. O ranking da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Engenharia Sanit\u00e1ria e Ambiental,\u00a0<a href=\"http:\/\/abes-dn.org.br\/?p=26776\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ABES da Universaliza\u00e7\u00e3o<\/a>, demonstra a correla\u00e7\u00e3o negativa entre os baixos \u00edndices de saneamento b\u00e1sico e doen\u00e7as intestinais, diarreia e c\u00f3lera nos munic\u00edpios de pequeno, m\u00e9dio e grande porte. Por exemplo, entre os grandes munic\u00edpios, o que tem melhor posi\u00e7\u00e3o \u00e9 S\u00e3o Caetano do Sul (SP), com uma taxa de interna\u00e7\u00e3o de 23,3 a cada 100 mil habitantes por doen\u00e7as desse tipo, enquanto a pior situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de Barcarena (PA), onde a mesma taxa \u00e9 de 216,81, quase 10 vezes superior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas propostas incipientes do governo federal apontam para uma estrat\u00e9gia que n\u00e3o encontra respaldo no discurso oficial de prioridades, tampouco no or\u00e7amento. A principal delas \u00e9 o\u00a0<a href=\"http:\/\/arquivos.ana.gov.br\/pnsh\/pnsh.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Plano Nacional de Seguran\u00e7a H\u00eddrica (PNSH)<\/a>, divulgado em 2019 pelo Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Regional, que prioriza a chamada \u201cinfraestrutura cinza\u201d, focando em obras de engenharia para tentar garantir a oferta de \u00e1gua, sem incorporar as solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza ou \u201cinfraestrutura verde\u201d, baseada em a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas. A partir do PNSH surgiu a ideia do Programa Nacional de Dessaliniza\u00e7\u00e3o e Seguran\u00e7a H\u00eddrica proposto a partir do\u00a0<a href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/136371\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Projeto de Lei 1.385\/2019<\/a>, mas n\u00e3o houve desdobramento pr\u00e1tico relevante. As obras de transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco no sert\u00e3o nordestino tamb\u00e9m seguem sendo implementadas ao longo de 2019, mesmo enfrentando questionamentos legais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gest\u00e3o das \u00c1guas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a gest\u00e3o sustent\u00e1vel da \u00e1gua, o\u00a0<a href=\"http:\/\/atlasesgotos.ana.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Atlas do Esgoto<\/a>, divulgado pela ANA em 2017, apontou que 110 mil km dos rios brasileiros est\u00e3o polu\u00eddos e em mais de 83 mil km a polui\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grave que n\u00e3o \u00e9 permitida a capta\u00e7\u00e3o de suas \u00e1guas para o abastecimento p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es demonstram a extrema falta de cuidado com a \u00e1gua e a aus\u00eancia de uma gest\u00e3o integrada e sustent\u00e1vel. Os crimes ambientais resultantes da atividade de minera\u00e7\u00e3o em Mariana (2015) e Brumadinho (2019), ambos em Minas Gerais, a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua em Barcarena (Par\u00e1), decorrente da extra\u00e7\u00e3o de bauxita (2018), e os conflitos pelo uso da \u00e1gua entre a sociedade e o agroneg\u00f3cio em Correntina, no oeste da Bahia (2017), s\u00e3o alguns exemplos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra identificou, em 2018, 276 conflitos pela \u00e1gua organizados por munic\u00edpio e bacia hidrogr\u00e1fica no Brasil, impactando mais de 73 mil fam\u00edlias. \u00c9, portanto, urgente fortalecer os comit\u00eas de bacias hidrogr\u00e1ficas como espa\u00e7os de resolu\u00e7\u00e3o de conflitos, planejamento estrat\u00e9gico e de participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil nas decis\u00f5es e processos de monitoramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2019, temos novas barreiras para gest\u00e3o integrada dos recursos h\u00eddricos. Uma delas \u00e9 o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.snirh.gov.br\/portal\/snirh\/centrais-de-conteudos\/central-de-publicacoes\/ana_manual_de_usos_consuntivos_da_agua_no_brasil.pdf\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cManual de Usos Consuntivos da \u00c1gua no Brasil\u201d<\/a>, que ap\u00f3s revis\u00e3o da metodologia realizada pela ANA, passou a incluir a evapora\u00e7\u00e3o l\u00edquida em reservat\u00f3rios artificiais (considerando as hidrel\u00e9tricas) nos usos consuntivos (quando o volume no final do processo \u00e9 menor do que no in\u00edcio, ou seja, quando h\u00e1 consumo). Isso fez com que tal uso passasse a ocupar o segundo lugar no gasto h\u00eddrico do pa\u00eds, somente atr\u00e1s da irriga\u00e7\u00e3o e com uso quatro vezes superior a todo consumo humano brasileiro. Como as hidrel\u00e9tricas s\u00e3o a principal fonte geradora de energia do pa\u00eds, esse novo m\u00e9todo representa um desafio na gest\u00e3o h\u00eddrica nacional, especialmente na garantia dos usos m\u00faltiplos da \u00e1gua e na prioriza\u00e7\u00e3o ao abastecimento humano e dessedenta\u00e7\u00e3o animal, princ\u00edpios estabelecidos na PNRH.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, o Brasil carece de regulamenta\u00e7\u00e3o nacional do reuso da \u00e1gua, especialmente para fins n\u00e3o-pot\u00e1veis e de reaproveitamento de \u00e1guas pluviais. A proposta que tramitava na C\u00e2mara Federal (<a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=1554110\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">PL 2.245\/2015<\/a>), por exemplo, para incluir \u201co emprego da \u00e1gua de menor qualidade em usos menos exigentes\u201d nas diretrizes da PNRH foi arquivado em 31 de janeiro de 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro desafio s\u00e3o os resultados da investiga\u00e7\u00e3o conjunta da Rep\u00f3rter Brasil, Ag\u00eancia P\u00fablica, e da organiza\u00e7\u00e3o su\u00ed\u00e7a Public Eye, com base nos dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que um coquetel que mistura diferentes agrot\u00f3xicos foi encontrado na \u00e1gua de 1 em cada 4 cidades do Brasil entre 2014 e 2017. Nesse per\u00edodo, as empresas de abastecimento de 1.396 munic\u00edpios detectaram os 27 pesticidas que s\u00e3o obrigados por lei a testar. Desses, 16 s\u00e3o classificados pela Anvisa como extremamente ou altamente t\u00f3xicos e 11 est\u00e3o associados ao desenvolvimento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas como c\u00e2ncer, malforma\u00e7\u00e3o fetal, disfun\u00e7\u00f5es hormonais e reprodutivas. A descoberta aponta para uma grave quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar dos desafios, algumas iniciativas indicam que a gest\u00e3o das \u00e1guas no Brasil pode ser aprimorada, como \u00e9 o caso do Observat\u00f3rio da Governan\u00e7a das \u00c1guas no Brasil (OGA), f\u00f3rum multissetorial composto por mais de 85 organiza\u00e7\u00f5es e pesquisadores e pesquisadoras, cujo objetivo \u00e9 gerar, sistematizar e difundir informa\u00e7\u00f5es das pr\u00e1ticas de governan\u00e7a das \u00e1guas no Brasil. Em 2019, o OGA vai atuar com alguns comit\u00eas de bacias hidrogr\u00e1ficas para aplicar indicadores de governan\u00e7a e fornecer um instrumento que permita avalia\u00e7\u00e3o mais assertiva da gest\u00e3o, indicando pontos fortes e fracos e propondo melhorias nesse sentido. Al\u00e9m disso, as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es municipais, em outubro de 2020, representam uma oportunidade para pautar essa agenda e elev\u00e1-la \u00e0 devida prioridade no debate nacional, aproximando-a de candidatos e da sociedade em geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Planos Municipais de Saneamento B\u00e1sico no S\u00e3o Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A bacia hidrogr\u00e1fica do rio S\u00e3o Francisco tem grande import\u00e2ncia para o pa\u00eds n\u00e3o apenas pelo volume de \u00e1gua transportado em uma regi\u00e3o semi\u00e1rida, mas, tamb\u00e9m, pelo potencial h\u00eddrico pass\u00edvel de aproveitamento e por sua contribui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e econ\u00f4mica para a regi\u00e3o. Essa bacia da integra\u00e7\u00e3o nacional tem 2.700 km de extens\u00e3o: nasce na Serra da Canastra em Minas Gerais e des\u00e1gua no Oceano Atl\u00e2ntico na divisa entre Alagoas e Sergipe. O Velho Chico passa por 507 munic\u00edpios em sete unidades da Federa\u00e7\u00e3o: Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goi\u00e1s e Distrito Federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse contexto, os Planos Municipais de Saneamento B\u00e1sico (PMSB) s\u00e3o fundamentais para a sa\u00fade ambiental dos munic\u00edpios brasileiros e tornaram-se o foco de uma das a\u00e7\u00f5es mais importantes do CBHSF. Por decis\u00e3o institucional, o colegiado resolveu auxiliar os munic\u00edpios localizados na bacia no que diz respeito ao financiamento dos seus planos de saneamento b\u00e1sico, refor\u00e7ando, assim, o compromisso do Comit\u00ea em fortalecer as a\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o dos afluentes inseridos na bacia, minimizando as cargas de polui\u00e7\u00e3o lan\u00e7adas nos cursos d\u2019\u00e1gua. At\u00e9 o momento, o CBHSF finalizou 58 PMSBs. Desses, 5 est\u00e3o em andamento e 4 em licita\u00e7\u00e3o. O \u00faltimo chamamento em curso contemplar\u00e1 48 cidades da bacia hidrogr\u00e1fica do Velho Chico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>\u201cO S\u00e3o Francisco \u00e9 a \u00fanica alternativa para o semi\u00e1rido nordestino e \u00e9 essencial que n\u00f3s busquemos eliminar o lan\u00e7amento de esgotos na calha principal e nos afluentes.\u201d \u2013\u00a0<\/strong><strong>Anivaldo Miranda, presidente do CBHSF<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os munic\u00edpios contemplados pelo PMSB do CBHSF foram selecionados de acordo com sua situa\u00e7\u00e3o ambiental, quer seja pela necessidade de amplia\u00e7\u00e3o do sistema de abastecimento de \u00e1gua; a urg\u00eancia de novos mananciais de abastecimento; o lan\u00e7amento de esgoto sem tratamento \u00e0 montante da capta\u00e7\u00e3o; al\u00e9m da ocorr\u00eancia de inunda\u00e7\u00f5es ou alagamentos em \u00e1reas urbanas, entre outros crit\u00e9rios. Vale observar que, uma vez criado, a execu\u00e7\u00e3o do plano de saneamento ficar\u00e1 a cargo das prefeituras ou por concess\u00f5es privadas ou p\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de 2020, o munic\u00edpio que n\u00e3o possuir o PMSB n\u00e3o poder\u00e1 dispor de recursos para saneamento e obras estruturantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recomenda\u00e7\u00f5es do Relat\u00f3rio Luz 2019<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Garantir a participa\u00e7\u00e3o social efetiva em todos os n\u00edveis de tomada de decis\u00e3o sobre recursos h\u00eddricos e saneamento, com aten\u00e7\u00e3o \u00e0 inclus\u00e3o de comunidades tradicionais ou em vulnerabilidade social, estabelecendo e implementando estrat\u00e9gia para universalizar o acesso \u00e0 \u00e1gua e aos servi\u00e7os de saneamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Garantir a transpar\u00eancia em todas as inst\u00e2ncias da gest\u00e3o p\u00fablica dos recursos h\u00eddricos e saneamento, incluindo comit\u00eas de Bacias, \u00f3rg\u00e3os estaduais e empresas com outorga de servi\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Preservar a vegeta\u00e7\u00e3o existente e restaurar ecossistemas a fim de proteger as \u00e1guas do pa\u00eds. Nesse sentido, manter e aprimorar os mecanismos de prote\u00e7\u00e3o a ecossistemas e impedir os retrocessos em mat\u00e9ria ambiental que tramitam no Legislativo brasileiro (como a proposta de \u201cflexibiliza\u00e7\u00e3o\u201d do licenciamento ambiental e do uso de agrot\u00f3xicos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Incorporar o direito ao saneamento b\u00e1sico no artigo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. Promover estrat\u00e9gia nacional para o reuso e uso racional da \u00e1gua em todos os setores, agr\u00edcola, industrial, comercial, de servi\u00e7os e residencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. Incorporar a \u00e1gua e saneamento na NDC (Contribui\u00e7\u00e3o Nacionalmente Determinada) do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Destaque do RL 2019: Mariana e Brumadinho<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os desastres de Mariana e Brumadinho mostraram ao Brasil e ao mundo a import\u00e2ncia da consolida\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias resilientes e da industrializa\u00e7\u00e3o inclusiva e sustent\u00e1vel, para que o pa\u00eds cres\u00e7a com igualdade e promova o bem-estar efetivo de seus cidad\u00e3os. Para isso \u00e9 necess\u00e1rio que sejam realizados novos investimentos em pesquisa e inova\u00e7\u00e3o, para que sobretudo se eliminem erros do passado, se potencializem capacidades e o Brasil encontre seu caminho rumo a uma ind\u00fastria mais verde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Relat\u00f3rio Luz 2019 analisa os dois desastres ocorridos em Minas Gerais: Brumadinho, em janeiro deste ano, e Mariana, em 2015. Ambos epis\u00f3dios interferiram diretamente, de forma negativa, no avan\u00e7o de quase todos os 17 compromissos estabelecidos na Agenda 2030, entre eles, os ODS 1 (erradica\u00e7\u00e3o da pobreza), 2 (fome zero), 3 (boa sa\u00fade e bem-estar), 5 (igualdade de g\u00eanero), 9 (ind\u00fastria, inova\u00e7\u00e3o e infraestrutura), 11 (cidades e comunidades sustent\u00e1veis), 12 (consumo e produ\u00e7\u00e3o respons\u00e1veis) e 16 (paz, justi\u00e7a e institui\u00e7\u00f5es fortes). Al\u00e9m dos ODS 14 (vida debaixo d\u2019\u00e1gua) e 15 (vida sobre a terra), que tratam do uso sustent\u00e1vel dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos e do uso sustent\u00e1vel dos ecossistemas terrestres. E ainda o ODS 8 (trabalho decente e crescimento econ\u00f4mico) e 10 (redu\u00e7\u00e3o das desigualdades), porque evidenciaram que o crescimento econ\u00f4mico pautado na grande minera\u00e7\u00e3o se provou destruidor dos seres humanos e da natureza, sendo incompat\u00edvel com o planejamento para um mundo sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Respons\u00e1veis pelas mortes e desaparecimentos de 297 pessoas e um aborto, os estouros dos reservat\u00f3rios espalharam lama contaminando as \u00e1guas por quil\u00f4metros, causando impactos profundos e irrevers\u00edveis. No primeiro caso, o de Mariana \u2013 em 2015, foram 663,2 km atingidos, em 16 dias. O que permitiu que mais de 50 bilh\u00f5es de litros, o equivalente ao volume de 5 lagoas da Pampulha, 20 mil piscinas ol\u00edmpicas ou 2 bilh\u00f5es e 500 milh\u00f5es de garraf\u00f5es de \u00e1gua mineral alcan\u00e7assem o Oceano Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No segundo caso, na regi\u00e3o do C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, em Brumadinho, foram mais 17,3 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos lan\u00e7ados na Bacia do Rio Paraopeba, uma devasta\u00e7\u00e3o de 112 hectares de florestas nativas, o enterro de nascentes, cursos d\u2019\u00e1gua e a contamina\u00e7\u00e3o com metais pesados (ferro, cobre, mangan\u00eas e cromo) de um dos mais importantes mananciais da Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte, formador da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Relat\u00f3rio Luz 2019 ainda chama a aten\u00e7\u00e3o para os retrocessos como o desmonte do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente; a proposta de reforma da Previd\u00eancia; a tentativa de usurpar os direitos dos povos origin\u00e1rios e tradicionais; o pacote anticrime que agrava injusti\u00e7as sociais e raciais; a libera\u00e7\u00e3o recorde de novos agrot\u00f3xicos; os cortes na educa\u00e7\u00e3o e traz um estudo pr\u00e1tico, que demonstra nosso distanciamento cada vez maior do plano de a\u00e7\u00e3o mundial que, comp\u00f5e os ODS e, visa ao estabelecimento de um planeta melhor, mais igual e mais justo.<\/p>\n<pre>Fonte: CBHSF<\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pa\u00eds, 100 milh\u00f5es vivem sem acesso \u00e0 rede de esgoto; falta de planejamento e investimento agrava quadro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3730,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[200],"tags":[924,923],"class_list":["post-3729","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-agua-potavel","tag-saneamento"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cb.jpg","uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cb.jpg",1000,667,false],"thumbnail":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cb-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cb-300x200.jpg",300,200,true],"medium_large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cb-768x512.jpg",640,427,true],"large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cb.jpg",640,427,false],"1536x1536":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cb.jpg",1000,667,false],"2048x2048":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cb.jpg",1000,667,false],"mantranews-slider-large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cb.jpg",1000,667,false],"mantranews-featured-medium":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cb.jpg",420,280,false],"mantranews-featured-long":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cb.jpg",300,200,false],"mantranews-block-medium":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cb.jpg",435,290,false],"mantranews-carousel-image":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cb.jpg",600,400,false],"mantranews-block-thumb":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cb.jpg",322,215,false],"mantranews-single-large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cb.jpg",963,642,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"Reda\u00e7\u00e3o geral","author_link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/author\/blogopara"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"No pa\u00eds, 100 milh\u00f5es vivem sem acesso \u00e0 rede de esgoto; 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