{"id":38040,"date":"2022-06-06T14:37:00","date_gmt":"2022-06-06T17:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=38040"},"modified":"2022-06-06T11:15:03","modified_gmt":"2022-06-06T14:15:03","slug":"cem-anos-do-radio-no-brasil-o-padre-brasileiro-que-inventou-o-radio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2022\/06\/06\/cem-anos-do-radio-no-brasil-o-padre-brasileiro-que-inventou-o-radio","title":{"rendered":"Cem anos do r\u00e1dio no Brasil: o padre brasileiro que inventou o r\u00e1dio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u201cToquem o Hino Nacional!\u201d Essas foram as primeiras palavras que o padre brasileiro Roberto Landell de Moura (1861-1928) disse na in\u00e9dita demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de transmiss\u00e3o de r\u00e1dio, em 16 de julho de 1899. A revela\u00e7\u00e3o \u00e9 do escritor Hamilton Almeida\u00a0bi\u00f3grafo do inventor do r\u00e1dio, gra\u00e7as a uma obstinada pesquisa em jornais da \u00e9poca. O escritor dedica-se a desvendar h\u00e1 45 anos a vida daquele brasileiro injusti\u00e7ado pela hist\u00f3ria e que ainda pouca gente conhece.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os detalhes sobre esse evento hist\u00f3rico, de car\u00e1ter mundial, ainda muito pouco reconhecido e que tem mais elementos de brasilidade do que poderia se supor, estar\u00e3o nas p\u00e1ginas do livro sobre o ousado padre, e que deve chegar \u00e0s livrarias ainda neste m\u00eas de junho. Padre Landell: o brasileiro que inventou o wireless (editora Insular) \u00e9 a quinta obra de Almeida sobre o inventor. O evento ocorreu 23 anos antes da primeira transmiss\u00e3o oficial de r\u00e1dio no Brasil, em 7 de Setembro de 1922.\u00a0 A 100 dias do centen\u00e1rio da r\u00e1dio, conhecer de onde vieram as primeiras ondas que se espalharam no ar ajuda a entender, neste s\u00e9culo 21, a dimens\u00e3o do feito pioneiro\u00a0dessa tecnologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aventura em S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele final de s\u00e9culo 19, o p\u00fablico ficou boquiaberto com as palavras e com o hino. N\u00e3o havia d\u00favida de que aquele 16 de julho de 1899 simbolizava a genialidade humana. Houve at\u00e9 quem chamasse de bruxaria. Mas era um padre que fazia a transmiss\u00e3o de \u00e1udio entre o Col\u00e9gio Santana, de onde ele era p\u00e1roco, na zona norte de S\u00e3o Paulo, at\u00e9 a Ponte das Bandeiras, a cerca de quatro quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. Aquela data, de primeira demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de transmiss\u00e3o radiof\u00f4nica, que vai completar 123 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hamilton Almeida buscou rastros e desvendou lacunas da vida do inventor pelo Brasil e em outros pa\u00edses. Quando fazia faculdade de jornalismo, ouviu de um professor chileno (Julio Zapata) que um padre brasileiro era o verdadeiro inventor do r\u00e1dio e n\u00e3o o f\u00edsico italiano Guglielmo Marconi, que criou o tel\u00e9grafo.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVi que a hist\u00f3ria do brasileiro estava incompleta e que ele era v\u00edtima de uma injusti\u00e7a. Eu fui juntando as pe\u00e7as. Busquei centenas de pessoas que trabalharam e conviveram com ele, al\u00e9m dos documentos espalhados por muitos lugares\u201d, afirma o bi\u00f3grafo.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duas experi\u00eancias p\u00fablicas de Landell de Moura em S\u00e3o Paulo foram documentadas. A segunda experi\u00eancia, no ano seguinte da primeira, foi publicada em apenas um ve\u00edculo, o Jornal do Com\u00e9rcio, do Rio de Janeiro,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cem anos do r\u00e1dio no Brasil : Padre Landell de Moura produziu um equipamento que deixou o p\u00fablico boquiaberto &#8211; Foto:\u00a0Hamilton Almeida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro livro publicado por Hamilton saiu nos anos 1980 em Porto Alegre, terra do Padre Landell. Em 2004, o autor publicou obra na Alemanha. Na obra mais recente, o autor resolveu desvendar detalhes sobre o dia da transmiss\u00e3o de r\u00e1dio e tamb\u00e9m sobre a busca do padre por patentear as descobertas. \u201cQuando ele colocou a voz em em uma onda de r\u00e1dio, ele abriu a porta para as comunica\u00e7\u00f5es sem fio. E isso \u00e9 legado para os nossos dias, como o telefone celular. Ele fez descobertas que acabaram gerando uma s\u00e9rie de outras descobertas desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Landell, segundo explica o bi\u00f3grafo, patenteou o r\u00e1dio no Brasil e nos Estados Unidos. \u201cEu consegui aprofundar uma s\u00e9rie de aspectos nessa nova pesquisa. Tem uma informa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m que eu considero muito importante \u00e9 que a inven\u00e7\u00e3o dele nos Estados Unidos foi reconhecida por outros inventores. Consegui encontrar provas disso (e est\u00e3o no livro)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escritor explica que Landell queria continuar pesquisando. Por isso, ele buscou correr para patentear a descoberta. Ele n\u00e3o tinha recursos da igreja ou p\u00fablico para isso. \u201cEle solicitou recurso, mas ningu\u00e9m deu apoio nenhum. Nunca ganhou nenhum dinheiro. Apenas perdeu, na verdade. Ele saiu dos Estados Unidos endividado porque foi para l\u00e1 com a inten\u00e7\u00e3o de ficar um ano (em 1901). Mas acabou ficando tr\u00eas anos e meio\u201d. Para o invento, ele conseguiu dinheiro emprestado com um comerciante de Nova Iorque e ficou devendo uma pequena fortuna que s\u00f3 conseguiu pagar anos depois. A d\u00edvida era de US$ 4 mil. \u201cSeria o equivalente a hoje uns R$ 600 mil\u201d.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ci\u00eancia e f\u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente de outros inventores contempor\u00e2neos de Landell, como Alberto Santos Dumont, que tinha seus pr\u00f3prios recursos, o padre vivia com o pires na m\u00e3o. \u201cNingu\u00e9m deu aten\u00e7\u00e3o realmente para o que ele fazia. Al\u00e9m disso, padre cientista n\u00e3o era bem visto dentro da igreja nem fora dela\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era um momento hist\u00f3rico tamb\u00e9m de in\u00edcio da rep\u00fablica no Brasil e tamb\u00e9m com a conquista do estado laico. Ci\u00eancia para um lado, f\u00e9 para o outro. Mas n\u00e3o era nisso que Landell acreditava. Ele achava que os dois campos poderiam conviver e interagir. \u201cO padre estava um p\u00e9 em cada lado. Mas tem declara\u00e7\u00f5es dele que ele achava que religi\u00e3o e ci\u00eancia eram compat\u00edveis\u201d.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curioso desde antes de padre<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Landell, quando tinha 16 anos de idade, antes de ser padre, criou uma esp\u00e9cie de telefone. O menino era curioso e gostava de ler sobre tudo, de telecomunica\u00e7\u00f5es \u00e0\u00a0astronomia. \u201cEle\u00a0 examinava animais mortos e tinha um interesse variado, em biologia, f\u00edsica, astronomia\u2026Ao mesmo tempo, ele tinha uma voca\u00e7\u00e3o religiosa tamb\u00e9m por influ\u00eancia da fam\u00edlia\u201d.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto que quando Landell foi para Roma ajudar no semin\u00e1rio, ele tamb\u00e9m buscou estudar f\u00edsica e qu\u00edmica na Universidade Gregoriana. Foram duas forma\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo. \u201cBrigavam com ele tamb\u00e9m por causa dessa situa\u00e7\u00e3o de ser padre e cientista. Quando ele inventou o r\u00e1dio, pediu licen\u00e7a para voltar ao Brasil e ir aos Estados Unidos\u201d.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Empreendedor<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seis jornais deram destaque ao invento com a experi\u00eancia de 1899. Tr\u00eas ve\u00edculos em S\u00e3o Paulo e outros tr\u00eas no Rio de Janeiro. \u201cEra uma novidade, mas n\u00e3o foi o suficiente para traduzir em patroc\u00ednio que \u00e9 o que ele precisava. Ele investiu nisso, mas infelizmente n\u00e3o teve resultado para continuar pesquisando. Acabou ficando marginalizado assim na hist\u00f3ria\u201d, afirma.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando ele veio da It\u00e1lia para o Brasil, ele tinha uma ideia de que era poss\u00edvel fazer comunica\u00e7\u00e3o pelo ar. Naquele momento s\u00f3 existia o tel\u00e9grafo\u201d. Almeida explica que o inventor demorou mais de 10 anos para desenvolver o equipamento. Landell voltou ao Brasil em 1886. Os registros mostram que em 1893, apesar dos pedidos para a igreja, ele n\u00e3o conseguiu recursos. Em 1895, o italiano Marconi apresentou o tel\u00e9grafo. \u201cMas a diferen\u00e7a fundamental \u00e9 que Landell conseguiu transmitir a voz\u201d.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1899, ele convidou empres\u00e1rios em S\u00e3o Paulo para apresentar a novidade, da capela de Santa Cruz, mais precisamente do Col\u00e9gio Santana, ele conseguiu transmitir os sons at\u00e9 a Ponte das Bandeiras, sobre o Rio Tiet\u00ea. \u201cDepois ele fez a mesma experi\u00eancia em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Avenida Paulista. Ele teve a presen\u00e7a do c\u00f4nsul brit\u00e2nico que assistiu \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">G\u00eanio esquecido<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bi\u00f3grafo lamenta que at\u00e9 hoje Landelll de Moura n\u00e3o tem a fama que poderia ter, inclusive internacionalmente. Tamb\u00e9m por isso, o bi\u00f3grafo entende, que diante dessa injusti\u00e7a, passou a se dedicar a perseguir os rastros da fant\u00e1stica hist\u00f3ria do padre. Para o novo livro, foi aos Estados Unidos e pesquisou tamb\u00e9m na It\u00e1lia atr\u00e1s das pistas. \u201cCheguei a contratar uma pesquisadora na biblioteca de Nova Iorque para me ajudar. Assim foi se juntando esse quebra-cabe\u00e7a. \u00c0s vezes, nos livros da igreja ele n\u00e3o escrevia nada\u201d.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, conversar com testemunhas fez as pe\u00e7as se juntarem. Como todas j\u00e1 faleceram, os livros tentar\u00e3o fazer justi\u00e7a ao inventor. \u201cPara os fi\u00e9is da igreja n\u00e3o era algo simp\u00e1tico porque ele fugia do tradicional de ficar l\u00e1 s\u00f3 dentro da igreja. Mas ele tinha essa capacidade intelectual de criar\u201d. Mas voz pelo ar parecia coisa do dem\u00f4nio, apontavam aqueles que davam de ombros para a ci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos Estados Unidos, ele buscou patentear o r\u00e1dio, o r\u00e1dio por ondas de luz e um tel\u00e9grafo. \u201cMas ele n\u00e3o ficou l\u00e1 para comercializar. Ele quis voltar, mas ficou endividado. Infelizmente, no caso dele, o obscurantismo venceu. Caso tivesse vingado a hist\u00f3ria do padre brasileiro, o Brasil poderia estar na vanguarda da industrializa\u00e7\u00e3o do aparelho\u201d.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do r\u00e1dio, ele come\u00e7ou a estudar outros temas fora das telecomunica\u00e7\u00f5es e da religi\u00e3o, incluindo psicologia e outras ci\u00eancias. Mas ele continuava sendo admoestado pelo bispo. Padre Landell morreu em 1928, v\u00edtima da tuberculose, aos 67 anos. \u201cEle fumava. N\u00e3o se agasalhava naquele frio de Porto Alegre. Ele dizia que dava a roupa para os pobres. Ele estava muito triste mesmo\u201d. A vacina da tuberculose havia sido descoberta naquela d\u00e9cada, mas n\u00e3o a tempo de salvar o homem que se dedicou a Deus e \u00e0 ci\u00eancia ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e9rie de reportagens<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em comemora\u00e7\u00e3o aos cem anos do r\u00e1dio no Brasil, completados em 7 de setembro de 2022, a\u00a0Ag\u00eancia Brasil\u00a0 publica uma s\u00e9rie de 10 reportagens sobre\u00a0as principais curiosidades hist\u00f3ricas\u00a0do r\u00e1dio brasileiro.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O centen\u00e1rio do r\u00e1dio no pa\u00eds tamb\u00e9m ser\u00e1 celebrado com a\u00e7\u00f5es multiplataforma em outros ve\u00edculos da\u00a0EBC,\u00a0como a\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/radioagencia-nacional\">Radioag\u00eancia<\/a>\u00a0e a<a href=\"https:\/\/radios.ebc.com.br\/mecfmrio\">\u00a0R\u00e1dio MEC<\/a>\u00a0 que transmitir\u00e1, diariamente,\u00a0interprogramas com\u00a0entrevistas e pesquisas de acervo para abordar diversos aspectos hist\u00f3ricos relacionados ao ve\u00edculo. A ideia \u00e9 resgatar personalidades, programas e emissoras marcantes presentes na mem\u00f3ria afetiva dos ouvintes.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cToquem o Hino Nacional!\u201d Essas foram as primeiras palavras que o padre brasileiro Roberto Landell de Moura (1861-1928) disse na in\u00e9dita demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de transmiss\u00e3o de r\u00e1dio, em 16 de julho de 1899. A revela\u00e7\u00e3o \u00e9 do escritor Hamilton Almeida\u00a0bi\u00f3grafo do inventor do r\u00e1dio, gra\u00e7as a uma obstinada pesquisa em jornais da \u00e9poca. 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