{"id":40579,"date":"2022-08-07T18:45:00","date_gmt":"2022-08-07T21:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=40579"},"modified":"2022-08-06T22:06:40","modified_gmt":"2022-08-07T01:06:40","slug":"brasil-registra-seis-casos-de-trabalho-escravo-domestico-em-um-mes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2022\/08\/07\/brasil-registra-seis-casos-de-trabalho-escravo-domestico-em-um-mes","title":{"rendered":"Brasil registra seis casos de trabalho escravo dom\u00e9stico em um m\u00eas"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Apenas em julho deste ano, o Brasil teve\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2022\/07\/5025221-operacao-resgata-337-trabalhadores-de-condicoes-analogas-a-escravidao.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">seis resgates de mulheres sendo submetidas<\/a>\u00a0ao trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o dom\u00e9stico. Apesar de parecer assunto do s\u00e9culo retrasado, o pa\u00eds tem visto os n\u00fameros desses casos aumentarem ano ap\u00f3s ano. Em 2021, foram 31 pessoas retiradas de<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2022\/02\/4984513-trabalho-analogo-a-escravidao-pode-ser-maior-do-que-mostram-os-numeros-de-2021.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0situa\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o<\/a>\u00a0no servi\u00e7o dom\u00e9stico, o maior n\u00famero em um \u00fanico ano, de acordo com dados do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT). Este ano, alguns casos ganharam destaque na m\u00eddia, como o da idosa que passou<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2022\/07\/5022274-mulher-e-resgatada-apos-32-anos-de-trabalho-analogo-a-escravidao-em-minas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a032 anos nessas condi\u00e7\u00f5es, em Minas Gerais<\/a>, e de outra que\u00a0foi mantida encarcerada por<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2022\/05\/5007750-idosa-e-resgatada-apos-72-anos-em-trabalho-analogo-a-escravidao-no-rj.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a072 anos, no Rio de Janeiro<\/a>. Nunca antes os auditores do trabalho tinham feito um resgate em que a pessoa estivesse h\u00e1 tantos anos sendo submetida a servi\u00e7os degradantes.<\/p>\n<div id=\"cb-publicidade-retangulo-interna\" class=\"pub-ret\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"COKj6M7Cs_kCFVSelQIdZA8Jrw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/6887\/portal-correioweb\/correiobraziliense-com-br\/brasil\/internas_5__container__\"><span style=\"font-size: revert; color: initial;\">Os n\u00fameros levantados pelo <\/span><strong style=\"font-size: revert; color: initial;\">Correio<\/strong><span style=\"font-size: revert; color: initial;\">\u00a0junto a \u00f3rg\u00e3os oficiais demonstram que este \u00e9 um problema atual e que exp\u00f5em a fragilidade da profiss\u00e3o de dom\u00e9stica, a que mais emprega mulheres no Brasil. Especialistas e entidades consultados pela reportagem ressaltam que os casos est\u00e3o aparecendo, em grande parte, devido ao trabalho da m\u00eddia na divulga\u00e7\u00e3o deste crime. Desde a repercuss\u00e3o do podcast\u00a0<\/span><em style=\"font-size: revert; color: initial;\">A Mulher da Casa Abandonada<\/em><span style=\"font-size: revert; color: initial;\">, da\u00a0<\/span><em style=\"font-size: revert; color: initial;\">Folha de S. Paulo<\/em><span style=\"font-size: revert; color: initial;\">, que fala sobre um casos de 30 anos atr\u00e1s, o MPT registrou um aumento de 123% nas den\u00fancias desse tipo de viola\u00e7\u00e3o.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Segundo o Minist\u00e9rio do Trabalho, s\u00f3 em julho j\u00e1 foram contabilizadas 38 den\u00fancias, e, em sua maioria, o denunciante faz alguma refer\u00eancia a alguma reportagem. Apesar de grande parte n\u00e3o configurar trabalho escravo e, sim, viola\u00e7\u00f5es trabalhistas, como explica a procuradora do trabalho do Rio de Janeiro Juliane Mombelli, o aumento\u00a0mostra como muitas vezes as pessoas n\u00e3o percebem as viola\u00e7\u00f5es de direitos no servi\u00e7o dom\u00e9stico. De acordo com a procuradora, isso mostra muito da cultura brasileira, de pensar que o servi\u00e7o dom\u00e9stico n\u00e3o deva ser remunerado. \u201cDizem que a empregada \u00e9 quase da fam\u00edlia, mas ela n\u00e3o \u00e9. Ela \u00e9 uma trabalhadora como qualquer outra categoria e precisa ter os direitos garantidos\u201d, frisa Juliane.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Segundo ela, nos \u00faltimos anos muitas mulheres t\u00eam sido retiradas dessa situa\u00e7\u00e3o pelos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo por impacto da PEC das Dom\u00e9sticas, em vigor desde 2015, e por casos que ganharam repercuss\u00e3o nacional, como a de Madalena, resgatada na Bahia, no ano passado. \u201cUma den\u00fancia acaba levando a outra. As pessoas veem a reportagem e percebem que \u00e0s vezes uma vizinha est\u00e1 na mesma situa\u00e7\u00e3o\u201d, completa. Esta tamb\u00e9m \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o de M\u00e1rcia Soares, diretora-executiva da Themis &#8211; G\u00eanero, Justi\u00e7a e Direitos Humanos. \u201cO que est\u00e1 acontecendo \u00e9 uma esp\u00e9cie de desnaturaliza\u00e7\u00e3o dessas situa\u00e7\u00f5es. As pessoas est\u00e3o tendo mais no\u00e7\u00e3o de que precisam denunciar\u201d, afirma.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Resgate n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil<\/h3>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com o chefe da Divis\u00e3o de Fiscaliza\u00e7\u00e3o para Erradica\u00e7\u00e3o do Trabalho Escravo da Secretaria de Inspe\u00e7\u00e3o do Trabalho (Detrae\/MTE), Mauricio Krepsky, esse tipo de resgate depende totalmente das den\u00fancias e, por isso, acaba sendo ainda mais complicado. \u201cO fato de os auditores-fiscais do trabalho terem acesso a qualquer local de trabalho, por disposi\u00e7\u00e3o legal, esbarra na inviolabilidade de domic\u00edlio prevista na Constitui\u00e7\u00e3o. Em alguns casos, \u00e9 necess\u00e1ria uma autoriza\u00e7\u00e3o judicial para ingressar na resid\u00eancia\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Vanessa Sampaio, gerente da \u00e1rea de Empoderamento Econ\u00f4mico na ONU Mulheres Brasil, por isso as den\u00fancias s\u00e3o o principal meio de combate a este crime. \u201cO ambiente familiar n\u00e3o pode ser violado, e isso torna a fiscaliza\u00e7\u00e3o ainda mais dif\u00edcil. Por isso \u00e9 importante valorizar as associa\u00e7\u00f5es e fazer campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o\u201d, destaca.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Um crime nada moderno<\/h3>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Apesar de a escravid\u00e3o moderna n\u00e3o ser o mesmo que a escravid\u00e3o vivida no Brasil por 300 anos, ela ainda guarda resqu\u00edcios desse per\u00edodo, como a pr\u00f3pria cor da pele. Dos resgatados em situa\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o, 60% eram autodeclarados pretos ou mesti\u00e7os. \u201cTem uma quest\u00e3o de racismo estrutural. A grande maioria dos trabalhadores dom\u00e9sticos s\u00e3o mulheres e cerca de 60%, negras\u201d, destaca Juliane.<\/p>\n<div id=\"cb-publicidade-retangulo-interna-3\" class=\"pub-ret\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CKvxjODCs_kCFXaqlQIdcBsP5Q\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apenas em julho deste ano, o Brasil teve\u00a0seis resgates de mulheres sendo submetidas\u00a0ao trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o dom\u00e9stico. Apesar de parecer assunto do s\u00e9culo retrasado, o pa\u00eds tem visto os n\u00fameros desses casos aumentarem ano ap\u00f3s ano. 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