{"id":4824,"date":"2019-11-16T13:01:16","date_gmt":"2019-11-16T15:01:16","guid":{"rendered":"http:\/\/blogopara.com.br\/?p=4824"},"modified":"2019-11-16T13:01:28","modified_gmt":"2019-11-16T15:01:28","slug":"a-ancestralidade-como-resistencia-aldeias-guarani-cultivam-sementes-mudas-cultura-e-conhecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2019\/11\/16\/a-ancestralidade-como-resistencia-aldeias-guarani-cultivam-sementes-mudas-cultura-e-conhecimento","title":{"rendered":"A ancestralidade como resist\u00eancia: aldeias guarani cultivam sementes, mudas, cultura e conhecimento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Um grupo de aldeias ind\u00edgenas Guarani v\u00eam desenvolvendo, no Rio Grande do Sul, um projeto que tem como objetivo principal a conserva\u00e7\u00e3o, a recupera\u00e7\u00e3o e o aumento da biodiversidade em suas aldeias. Implementado em parceria com o Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (IECAM), com apoio da Petrobras, o Projeto Ar, \u00c1gua e Terra \u2013 Vida e Cultura Guarani, envolve a constru\u00e7\u00e3o de viveiros de plantas nativas, interc\u00e2mbio de saberes, sementes e mudas entre as aldeias e a recupera\u00e7\u00e3o e reconvers\u00e3o de \u00e1reas degradadas por meio do plantio de esp\u00e9cies de uso tradicional na alimenta\u00e7\u00e3o, medicina, arte e rituais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Coordenado pelo cacique guarani Jos\u00e9 Cirilo e pela bi\u00f3loga Denise Wolf, do IECAM, o projeto vem sendo implementado em uma \u00e1rea de mais de tr\u00eas mil hectares de biodiversidade da Mata Atl\u00e2ntica e dos Campos Sulinos (Pampa). Em sua terceira fase, a iniciativa j\u00e1 alcan\u00e7ou resultados como o cultivo e plantio de mais de 80 mil mudas para consumo alimentar do povo ind\u00edgena, manejo e plantio de mais de 130 diferentes esp\u00e9cies vegetais e 50 hectares de terras degradadas recuperadas,\u00a0entre outras a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia de Denise Wolf com o povo guarani iniciou por volta de 1994 quando ela teve contato com alguns guaranis que viviam na aldeia Cantagalo, na divisa de Viam\u00e3o com Porto Alegre. Bi\u00f3loga de forma\u00e7\u00e3o, ela diz que, a partir desse contato, se apaixonou pela cultura guarani, por sua vis\u00e3o espiritual e pela rela\u00e7\u00e3o que eles mantinham com a natureza. Ela come\u00e7ou, ent\u00e3o, de forma volunt\u00e1ria, a participar de oficinas sobre temas como uso de plantas medicinais e cultivo de plantas aliment\u00edcias. Um trabalho que acabou se desdobrando em outros projetos. Come\u00e7aram a ser dados a\u00ed os primeiros passos para a constru\u00e7\u00e3o do Projeto Ar, \u00c1gua e Terra, implantado hoje em nove aldeias guarani no Rio Grande do Sul, abrangendo uma \u00e1rea de mais de tr\u00eas mil hectares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1997, o Instituto de Estudos Culturais e Ambientais, criado na \u00e9poca da confer\u00eancia ECO92 e que, at\u00e9 ent\u00e3o, s\u00f3 tinha realizado trabalhos no Rio de Janeiro, come\u00e7ou a atuar tamb\u00e9m em Porto Alegre, voltado para o estudo e desenvolvimento de projetos socioambientais, valorizando a recupera\u00e7\u00e3o de saberes tradicionais e da biodiversidade. Na \u00e9poca, os guarani manifestaram \u00e0 equipe do instituto interesse em projetos para a valoriza\u00e7\u00e3o de sua cultura e de sua arte e tamb\u00e9m para garantir a sua seguran\u00e7a alimentar. Come\u00e7aram a surgir projetos pequenos, com duas, tr\u00eas aldeias, voltados inicialmente mais para o artesanato, para a arte guarani. O projeto Ar, \u00c1gua e Terra, relata Denise, come\u00e7ou a ser pensado a partir de relatos dos guarani sobre problemas como a indisponibilidade de mat\u00e9ria-prima dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEles iam cada vez mais longe para buscar taquara para fazer sua cestaria, j\u00e1 n\u00e3o tinham mais \u00e1rvores como guajuvira ou cedro, cujos ramos tamb\u00e9m eram utilizados no artesanato. A partir desses relatos, pensamos a constru\u00e7\u00e3o de um viveiro, algo que n\u00e3o faz parte da tradi\u00e7\u00e3o guarani. Come\u00e7amos a desenvolver, ent\u00e3o, um projeto arquitet\u00f4nico com padr\u00f5es de constru\u00e7\u00e3o sustent\u00e1veis. Minha irm\u00e3, que \u00e9 arquiteta, desenvolveu voluntariamente junto com eles um projeto que incorporou elementos da cultura guarani, como a dire\u00e7\u00e3o, os deuses e a orienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 solar mas tamb\u00e9m espiritual. Tamb\u00e9m queriam que n\u00e3o fosse s\u00f3 um viveiro para multiplicar as plantas, mas um espa\u00e7o onde pudessem realizar oficinas e outras atividades\u201d.<\/p>\n<pre>Fonte: Sul21<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um grupo de aldeias ind\u00edgenas Guarani v\u00eam desenvolvendo, no Rio Grande do Sul, um projeto que tem como objetivo principal a conserva\u00e7\u00e3o, a recupera\u00e7\u00e3o e o aumento da biodiversidade em suas aldeias. 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