{"id":50773,"date":"2023-03-22T07:22:00","date_gmt":"2023-03-22T10:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=50773"},"modified":"2023-03-21T11:32:53","modified_gmt":"2023-03-21T14:32:53","slug":"rio-salitre-na-bahia-seca-e-ameaca-sobrevivencia-de-comunidades-rurais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2023\/03\/22\/rio-salitre-na-bahia-seca-e-ameaca-sobrevivencia-de-comunidades-rurais","title":{"rendered":"Rio Salitre, na Bahia, seca e amea\u00e7a sobreviv\u00eancia de comunidades rurais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No povoado da Lagoa Branca, na cidade de Campo Formoso (407 km de Salvador), o \u00fanico restaurante oferece apenas til\u00e1pias de cativeiro, vindas de Sobradinho (<a href=\"https:\/\/12ft.io\/proxy?ref=&amp;q=https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/bahia-estado\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">BA<\/a>). Os peixes end\u00eamicos da regi\u00e3o, como curimat\u00e1, mandi, dourado e piau-verdadeiro, n\u00e3o existem mais. O rio Salitre, vizinho da localidade, secou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A desertifica\u00e7\u00e3o de Campo Formoso, munic\u00edpio com popula\u00e7\u00e3o estimada em 71 mil habitantes, abrange uma \u00e1rea de 80 km<sup>2<\/sup>\u00a0onde vivem centenas de fam\u00edlias\u00a0<a href=\"https:\/\/12ft.io\/proxy?ref=&amp;q=https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2023\/01\/programa-de-educacao-para-assentados-e-quilombolas-quase-some-sob-bolsonaro.shtml\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">quilombolas<\/a>, pequenos agricultores e comunidades tradicionais de fundo de pasto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do assoreamento de trechos do rio Salitre, a degrada\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 marcada por solos improdutivos que obrigaram moradores a migrar. E o afluente do\u00a0<a href=\"https:\/\/12ft.io\/proxy?ref=&amp;q=https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/painel\/2022\/12\/lula-deve-inaugurar-trecho-de-transposicao-do-sao-francisco-no-ce-e-dar-troco-em-bolsonaro.shtml\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">S\u00e3o Francisco<\/a> n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico exemplo do fen\u00f4meno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudos indicam que s\u00e3o ao menos seis as comunidades rurais do chamado sert\u00e3o do S\u00e3o Francisco cuja seguran\u00e7a h\u00eddrica e alimentar est\u00e1 amea\u00e7ada pela desertifica\u00e7\u00e3o severa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Algumas fam\u00edlias foram para Goi\u00e1s, S\u00e3o Paulo e Sul. O problema \u00e9 muito s\u00e9rio e n\u00e3o vemos iniciativa por parte do governo&#8221;, reclama Denilson da Silva, morador da Lagoa do Porco, comunidade sisaleira do munic\u00edpio. Casas e ro\u00e7as abandonadas podem ser vistas \u00e0s margens das estradas vicinais que cortam a zona rural de Campo Formoso.<\/p>\n<div class=\"c-news__body\" style=\"text-align: justify;\" data-share-text=\"\" data-news-content-text=\"\" data-disable-copy=\"\" data-continue-reading=\"\" data-continue-reading-hide-others=\".js-continue-reading-hidden\" data-age-rating=\"\">\n<p>Entre os que ficaram, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de nostalgia. &#8220;Eu j\u00e1 tirei muito feij\u00e3o de arranca aqui. Os mais antigos pegavam jacar\u00e9&#8230; Mas, a partir da barragem de Ourol\u00e2ndia (BA), as \u00e1guas do Salitre secaram&#8221;, lembra o agricultor aposentado Ot\u00e1vio da Silva, 87, na comunidade quilombola da Lagoa Branca.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de 35 barragens na bacia hidrogr\u00e1fica do M\u00e9dio Salitre \u00e9 apontada como uma das causas da seca extrema e das eros\u00f5es. Desmatamento da caatinga, sobrepastoreio e agricultura irrigada incompat\u00edvel com os limites naturais do bioma tamb\u00e9m est\u00e3o na raiz do problema, afirmam pesquisadores.<\/p>\n<p>&#8220;Em Campo Formoso, a desertifica\u00e7\u00e3o c\u00e1rstica \u00e9 um fen\u00f4meno jovem, mas perigoso&#8221;, explica J\u00e9mison Santos, professor da Uefs (Universidade Estadual de Feira de Santana).<\/p>\n<p>O termo vem de &#8220;carste&#8221;, um dano considerado irrevers\u00edvel que ocorre quando ecossistemas tornam-se esp\u00e9cies de paisagens rochosas e desoladas. Um dos exemplos mais conhecidos no mundo s\u00e3o os desertos de Guangxi, na China.<\/p>\n<p>&#8220;Funciona como uma espiral descendente. Um problema puxa outro e perde-se o controle do processo com a biota cada vez mais vulner\u00e1vel&#8221;, completa Santos, que estuda o carste na Bahia. No estado, h\u00e1 289 \u00e1reas suscet\u00edveis \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m delas, h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es preocupantes espalhadas por oito estados do Nordeste e no norte mineiro. Essas \u00e1reas, destaca Santos, podem virar novos carstes.<\/p>\n<p>De acordo com dados do Sima Caatinga (Sistema de Monitoramento e Alerta para a Cobertura Vegetal da Caatinga), da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), 13% da regi\u00e3o Nordeste j\u00e1 est\u00e3o transformados em deserto.<\/p>\n<p>&#8220;Os estudos falam em seis n\u00facleos cl\u00e1ssicos de desertifica\u00e7\u00e3o, mas o problema agravou-se nos \u00faltimos anos e dados de sat\u00e9lites de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o mostram que s\u00e3o muito mais&#8221;, alerta Humberto Barbosa, coordenador do Sima.<\/p>\n<p>O PAN-Brasil (Programa de A\u00e7\u00e3o Nacional de Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o e Mitiga\u00e7\u00e3o dos Efeitos da Seca), principal iniciativa de enfrentamento da desertifica\u00e7\u00e3o que o pa\u00eds j\u00e1 teve, est\u00e1 paralisado h\u00e1 13 anos.<\/p>\n<p>Procurado pela reportagem, o\u00a0<a href=\"https:\/\/12ft.io\/proxy?ref=&amp;q=https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/meio-ambiente\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">MMA (Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima)<\/a>\u00a0afirma que um novo plano ser\u00e1 lan\u00e7ado neste ano. Segundo a pasta, ele incluir\u00e1 a\u00e7\u00f5es relacionadas a agricultura resiliente ao clima, agroecologia e conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio afirma ainda que dialogar\u00e1 com entes federados, institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil para retomar projetos, al\u00e9m de restabelecer a CNCD (Comiss\u00e3o Nacional de Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>&#8220;O problema \u00e9 regional, mas o impacto \u00e9 nacional. Se n\u00e3o resolver, vai piorar muito. O plano vai precisar ser repactuado&#8221;, alerta o pesquisador Jos\u00e9 Roberto de Lima, ex-coordenador do PAN-Brasil, no MMA.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da secura dos rios, outra caracter\u00edstica que se tornou marcante na paisagem de Campo Formoso s\u00e3o as vo\u00e7orocas, buracos que chegam a cinco metros de profundidade.<\/p>\n<p>&#8220;Minha m\u00e3e comprou o s\u00edtio na d\u00e9cada de 1990 e j\u00e1 tinha vo\u00e7oroca, mas o problema s\u00f3 piorou. Depois, veio a algaroba. Sonho em ver o Salitre correr de novo, mas, antes de tudo, sonho em acabar com a algaroba&#8221;, diz Joselina Pimentel, presidente da associa\u00e7\u00e3o quilombola local.<\/p>\n<p>A \u00e1rvore invasiva compete pela pouca \u00e1gua dispon\u00edvel com esp\u00e9cies nativas como o ip\u00ea-amarelo e a quixabeira. No s\u00edtio da agricultora, as vo\u00e7orocas est\u00e3o a apenas 20 metros da casa, nos fundos da propriedade.<\/p>\n<p>Na cidade, foram mapeadas 734 linhas erosivas, entre sulcos, vo\u00e7orocas e ravinas.<\/p>\n<p>Nesses locais, os solos expostos tornaram-se est\u00e9reis, alimentando um ciclo de mis\u00e9ria. Sem poder cultivar milho e cact\u00e1ceas para alimentar os bodes e as ovelhas, as fam\u00edlias veem sua renda diminuir.<\/p>\n<p>Para Alisson Pereira, professor do IFB (Instituto Federal Baiano) que fez o levantamento das linhas erosivas na cidade, os moradores desconhecem o risco que correm.<\/p>\n<p>&#8220;A chuva, que sempre foi fonte de alegria no sert\u00e3o, virou motivo de medo. Quando vem, a enxurrada arrasta toneladas de terra para o leito do rio, arrastando tudo que tiver pela frente. As comunidades est\u00e3o em perigo&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Ele acredita, por\u00e9m, que existam solu\u00e7\u00f5es. &#8220;O problema pode ser revertido com educa\u00e7\u00e3o ambiental, sobretudo dos jovens, e t\u00e9cnicas de restauro com plantio de nativas como maracuj\u00e1-do-mato, licuri, umbu, ciriguela.&#8221;<\/p>\n<p>Fonte: Folha de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em processo de desertifica\u00e7\u00e3o, cidades do entorno do afluente do S\u00e3o Francisco se esvaziam; governo promete plano de a\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":50774,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[199,1504],"tags":[1018,742,869],"class_list":["post-50773","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bahia","category-comunidade","tag-abandono","tag-salitre","tag-seca"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Anotacao-2023-03-21-112654.jpg","uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Anotacao-2023-03-21-112654.jpg",500,331,false],"thumbnail":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Anotacao-2023-03-21-112654-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Anotacao-2023-03-21-112654-300x199.jpg",300,199,true],"medium_large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Anotacao-2023-03-21-112654.jpg",500,331,false],"large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Anotacao-2023-03-21-112654.jpg",500,331,false],"1536x1536":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Anotacao-2023-03-21-112654.jpg",500,331,false],"2048x2048":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Anotacao-2023-03-21-112654.jpg",500,331,false],"mantranews-slider-large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Anotacao-2023-03-21-112654.jpg",500,331,false],"mantranews-featured-medium":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Anotacao-2023-03-21-112654-420x307.jpg",420,307,true],"mantranews-featured-long":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Anotacao-2023-03-21-112654-300x331.jpg",300,331,true],"mantranews-block-medium":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Anotacao-2023-03-21-112654-464x290.jpg",464,290,true],"mantranews-carousel-image":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Anotacao-2023-03-21-112654.jpg",500,331,false],"mantranews-block-thumb":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Anotacao-2023-03-21-112654-322x230.jpg",322,230,true],"mantranews-single-large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Anotacao-2023-03-21-112654.jpg",500,331,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"Reda\u00e7\u00e3o geral","author_link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/author\/blogopara"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em processo de desertifica\u00e7\u00e3o, cidades do entorno do afluente do S\u00e3o Francisco se esvaziam; 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