{"id":51820,"date":"2023-04-23T15:12:00","date_gmt":"2023-04-23T18:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=51820"},"modified":"2023-04-23T09:15:50","modified_gmt":"2023-04-23T12:15:50","slug":"mst-deixa-area-da-embrapa-foco-de-crise-com-lula-e-liga-alerta-para-lista-de-promessas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2023\/04\/23\/mst-deixa-area-da-embrapa-foco-de-crise-com-lula-e-liga-alerta-para-lista-de-promessas","title":{"rendered":"MST deixa \u00e1rea da Embrapa, foco de crise com Lula, e liga alerta para lista de promessas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A bandeira do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 mais hasteada no terreno da Embrapa Semi\u00e1rido, na zona rural de Petrolina (712 km do Recife), desde o final da manh\u00e3 deste s\u00e1bado (22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As fam\u00edlias que invadiram a \u00e1rea federal h\u00e1 uma semana, em meio a a\u00e7\u00f5es do chamado abril vermelho, migraram para um acampamento provis\u00f3rio em uma \u00e1rea vizinha, onde aguardam pelo cumprimento da promessa de novos assentamentos pelo governo Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A invas\u00e3o da fazenda da Embrapa estremeceu a rela\u00e7\u00e3o do MST com o governo Lula, que endureceu declara\u00e7\u00f5es contra o movimento ap\u00f3s o epis\u00f3dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A onda de invas\u00f5es irritou o presidente Lula, que teme que as a\u00e7\u00f5es causem desgaste para o governo, principalmente com o agroneg\u00f3cio. H\u00e1 receio tamb\u00e9m de que esse movimento atrapalhe o andamento de pautas de interesse da gest\u00e3o Lula no Congresso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A retirada do grupo come\u00e7ou na \u00faltima quinta-feira (20), logo ap\u00f3s uma reuni\u00e3o de l\u00edderes do MST com o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio e o Incra (Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O acordo firmado prev\u00ea o levantamento das fam\u00edlias acampadas, a compra de cinco propriedades da regi\u00e3o para o assentamento de todos e envio de lonas e cestas b\u00e1sicas para atender o grupo enquanto esperam as novas terras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os l\u00edderes do movimento dizem ter esperan\u00e7a no cumprimento da resolu\u00e7\u00e3o. Mas est\u00e3o prontos para voltar a ocupar a \u00e1rea da Embrapa Semi\u00e1rido caso o governo federal n\u00e3o cumpra sua parte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O novo acampamento est\u00e1 a cerca de 40 metros da fazenda, em uma localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica caso precisem retornar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Justi\u00e7a chegou a determinar a reintegra\u00e7\u00e3o de posse do local, dando 48 horas para desocupa\u00e7\u00e3o pac\u00edfica. A intima\u00e7\u00e3o foi entregue na quinta-feira (20). Na manh\u00e3 deste s\u00e1bado (22), havia uma viatura da Pol\u00edcia Federal na rodovia pr\u00f3xima \u00e0 fazenda, mas os agentes n\u00e3o chegaram a intervir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00edder da ocupa\u00e7\u00e3o, Florisvaldo Ara\u00fajo Neves diz que a sa\u00edda dos sem-terra da fazenda n\u00e3o foi motivada pela determina\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe n\u00e3o houvesse a negocia\u00e7\u00e3o [com o governo], a gente n\u00e3o ia sair assim f\u00e1cil. \u00c9 natural que toda empresa, sendo p\u00fablica ou privada, entre com a reintegra\u00e7\u00e3o de posse. Mas cabe \u00e0 gente o processo de resist\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele ressalta ainda o alerta em rela\u00e7\u00e3o ao cadastramento de fam\u00edlias, primeiro passo do acordo com o governo. \u201cSe n\u00e3o iniciar, j\u00e1 acende o nosso sinal vermelho\u201d, diz o agricultor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Homens, mulheres e at\u00e9 crian\u00e7as ajudam a levantar o novo acampamento erguido em \u00e1rea cedida pelo Assentamento Josias e Samuel, tamb\u00e9m do MST.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os barracos foram montados com estacas retiradas da \u00e1rea, lonas e palhas de coco. O acabamento \u00e9 feito com pregos e at\u00e9 amarra\u00e7\u00f5es com restos de mangueiras de irriga\u00e7\u00e3o, recolhidos em \u00e1reas vizinhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o mais de 600 fam\u00edlias no grupo, que passa de 2.000 pessoas. A maioria saiu da \u00e1rea urbana de Lagoa Grande (PE), cidade vizinha, e do pr\u00f3prio munic\u00edpio de Petrolina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo os l\u00edderes do movimento, a maioria \u00e9 de trabalhadores rurais que n\u00e3o t\u00eam terra pr\u00f3pria e estavam como funcion\u00e1rios das fazendas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lavrador C\u00e9lio Costa, 45, foi um dos que saiu de Lagoa Grande. \u201cEu sou agricultor desde pequeno e a gente tem essa necessidade de um peda\u00e7o de terra para que a gente possa plantar e criar pequenos animais\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele deixou a esposa em casa e foi para o acampamento com mais quatro pessoas da fam\u00edlia, entre cunhados e sobrinhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grupo que forma o chamado \u201cAssentamento Embrapa\u201d se re\u00fane h\u00e1 quatro anos. Contam que j\u00e1 monitoravam a \u00e1rea, segundo eles, sem uso pelo \u00f3rg\u00e3o federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Embrapa, contudo, diz que a terra \u00e9 de preserva\u00e7\u00e3o da caatinga e a que sua invas\u00e3o comprometeu a vida de animais amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de pesquisas para conserva\u00e7\u00e3o ambiental e de uso sustent\u00e1vel do bioma, realizadas no local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00e1rea pertence \u00e0 antiga Unidade de Servi\u00e7os, Produtos e Mercados, integrada agora na Embrapa Semi\u00e1rido. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, \u00e9 utilizada para instala\u00e7\u00e3o de experimentos diversos e multiplica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de mudas e sementes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O MST em Pernambuco afirmou, em nota, que nada foi danificado pelas fam\u00edlias e que nenhum animal foi amea\u00e7ado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto a reportagem da Folha esteve no acampamento na manh\u00e3 deste s\u00e1bado, foi realizada uma assembleia dos sem-terra da ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles receberam orienta\u00e7\u00f5es dos l\u00edderes refor\u00e7ando o acordo com o governo federal, pediram que as fam\u00edlias se mantivessem unidas e destacaram as regras de organiza\u00e7\u00e3o interna, como a limpeza do acampamento, a constru\u00e7\u00e3o de banheiros p\u00fablicos e o cuidado com fogo na \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O consumo de bebidas alco\u00f3licas \u00e9 proibido entre os acampados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O espa\u00e7o onde o MST estava instalado deve ser usado, em agosto deste ano, para a 10\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Semi\u00e1rido Show. A feira apresenta novas tecnologias para os agricultores familiares da regi\u00e3o, costuma receber mais de 20 mil pessoas oriundas de v\u00e1rios estados do Nordeste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa era a maior \u00e1rea invadida pelo MST em Pernambuco no abril vermelho deste ano. No estado, foram oito \u00e1reas ocupadas por 2.280 fam\u00edlias sem-terra. Por todo pa\u00eds, foram invadidas fazendas e sedes do Incra. O movimento afirma que s\u00e3o terras improdutivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O MST pressiona o governo Lula a apresentar um plano de a\u00e7\u00f5es de reforma agr\u00e1ria para os pr\u00f3ximos quatro anos e atender a demanda das fam\u00edlias acampadas e assentadas. Os sem-terra est\u00e3o insatisfeitos com a lentid\u00e3o da gest\u00e3o federal com o tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A entidade estima que cerca de 100 mil fam\u00edlias vivem em acampamentos no Brasil. Destas, 30 mil est\u00e3o em \u00e1reas em processo de regulariza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o foram conclu\u00eddos pelo Incra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas conversas com o governo, o MST argumenta que \u00e9 papel do movimento pressionar para que a reforma seja uma prioridade de fato do Executivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"assinatura_exclusiva\">Adriano Alves \/ Folha de S\u00e3o Paulo<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A bandeira do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 mais hasteada no terreno da Embrapa Semi\u00e1rido, na zona rural de Petrolina (712 km do Recife), desde o final da manh\u00e3 deste s\u00e1bado (22). 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