{"id":52518,"date":"2023-05-13T11:50:00","date_gmt":"2023-05-13T14:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=52518"},"modified":"2023-05-13T11:10:04","modified_gmt":"2023-05-13T14:10:04","slug":"pgr-diz-que-uso-de-tese-da-legitima-defesa-da-honra-para-absolver-acusados-de-feminicidio-e-inconstitucional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2023\/05\/13\/pgr-diz-que-uso-de-tese-da-legitima-defesa-da-honra-para-absolver-acusados-de-feminicidio-e-inconstitucional","title":{"rendered":"PGR diz que uso de tese da \u2018leg\u00edtima defesa da honra\u2019 para absolver acusados de feminic\u00eddio \u00e9 inconstitucional"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O procurador-geral da Rep\u00fablica, Augusto Aras, defende que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue inconstitucional a tese da \u201cleg\u00edtima defesa da honra\u201d, argumento usado ao longo do tempo pela defesa de acusados de crimes contra a vida de mulheres, em refer\u00eancia \u00e0 pr\u00e1tica de adult\u00e9rio. Contrariando os direitos fundamentais \u00e0 vida, \u00e0 igualdade, \u00e0 n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o e \u00e0 dignidade humana, ainda s\u00e3o proferidas decis\u00f5es judiciais com base nesse argumento e que resultam em absolvi\u00e7\u00f5es de acusados por crime de feminic\u00eddio.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Uma tese que, al\u00e9m de n\u00e3o ter amparo no ordenamento jur\u00eddico nacional, viola tratados internacionais e um amplo arcabou\u00e7o normativo de prote\u00e7\u00e3o da vida, da integridade e da dignidade das mulheres.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Na manifesta\u00e7\u00e3o, feita nos autos da Argui\u00e7\u00e3o de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 779, Augusto Aras pede que o STF d\u00ea a dispositivos dos C\u00f3digos Penal e de Processo Penal interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o Federal para proibir o uso da tese de \u201cleg\u00edtima defesa da honra\u201d. Conforme defende o procurador-geral, a veda\u00e7\u00e3o deve valer para defesa, acusa\u00e7\u00e3o e autoridade policial, seja nas fases investigat\u00f3ria ou processual e at\u00e9 mesmo durante o julgamento pelo Tribunal do J\u00fari, ainda que seja feita de forma indireta. O desrespeito \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o deve levar \u00e0 nulidade do ato e do pr\u00f3prio julgamento.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Nos casos em que os jurados reconhecerem a materialidade e autoria do crime de feminic\u00eddio, mas ainda assim absolverem o r\u00e9u, contrariando as provas, deve ser assegurado recurso de apela\u00e7\u00e3o para que seja reconhecida a inconsist\u00eancia na aprecia\u00e7\u00e3o das provas e determinada a realiza\u00e7\u00e3o de novo julgamento por outro j\u00fari.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">No parecer, Augusto Aras explica que a defini\u00e7\u00e3o legal de leg\u00edtima defesa exclui a possibilidade de sua utiliza\u00e7\u00e3o para abarcar a honra do indiv\u00edduo. Atentar contra a vida de uma pessoa que supostamente tenha ofendido a honra de algu\u00e9m \u00e9 evidentemente desproporcional \u00e0 gravidade da ofensa alegada. Assim, tecnicamente, \u00e9 impr\u00f3pria a acomoda\u00e7\u00e3o da tese de defesa da honra nas normas processuais penais que disciplinam a leg\u00edtima defesa.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">O PGR argumenta que a invalida\u00e7\u00e3o da tese n\u00e3o prejudica o direito de defesa dos r\u00e9us submetidos ao j\u00fari. Os argumentos usados para defender o acusado devem se basear em preceitos constitucionais, como a dignidade humana, o direito \u00e0 vida e os princ\u00edpios da igualdade e da n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o. Segundo ele, esses argumentos n\u00e3o podem ser usados como escudo \u00e0 pr\u00e1tica de homic\u00eddio contra mulheres. &#8220;Nenhuma tentativa de justificar o assassinato de mulheres, com benef\u00edcio a seus algozes, haver\u00e1 de ser tolerada, sob pena de afronta imediata a preceitos constitucionais da m\u00e1xima relev\u00e2ncia e desprezo a todo um regramento que nos leva \u00e0 dire\u00e7\u00e3o oposta, contribuindo-se para a perpetua\u00e7\u00e3o da impunidade em crimes dessa natureza e o aumento de n\u00famero j\u00e1 alarmante de mortes\u201d, pontua Aras.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">SOBERANIA DOS VEREDICTOS<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Outro ponto afastado pelo PGR no parecer \u00e9 o que trata da soberania das decis\u00f5es do Tribunal do J\u00fari que, pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal, s\u00e3o irrecorr\u00edveis. O PGR destaca que, h\u00e1 algumas exce\u00e7\u00f5es previstas no artigo 593 do C\u00f3digo de Processo Penal (CPP). \u00c9 o caso de decis\u00f5es manifestamente contr\u00e1rias \u00e0s provas colhidas nos autos. Nessas situa\u00e7\u00f5es, o judici\u00e1rio pode determinar a realiza\u00e7\u00e3o de um novo j\u00fari.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Para o PGR, recursos \u00e0 decis\u00e3o do Tribunal do J\u00fari devem ser admitidos, sempre que verificada a contrariedade \u00e0 prova dos autos. Segundo ele, tal interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o afronta a soberania do j\u00fari visto que, em regra, n\u00e3o h\u00e1 delibera\u00e7\u00e3o que possa ficar imune a controle jurisdicional. Sem essa garantia recursal, a absolvi\u00e7\u00e3o mostra-se arbitr\u00e1ria e desproporcional, incompat\u00edvel com o sistema de prote\u00e7\u00e3o da mulher, conforme argumenta Aras.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">SISTEMA DE PROTE\u00c7\u00c3O DA MULHER<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Aras lembra que o Estado conta com um aparato de prote\u00e7\u00e3o da vida da mulher direcionado a prevenir e reprimir qualquer tipo de viol\u00eancia. O artigo 226, par\u00e1grafo 8\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, prev\u00ea como dever do Estado assegurar \u201cassist\u00eancia \u00e0 fam\u00edlia na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a viol\u00eancia no \u00e2mbito de suas rela\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A Lei Maria da Penha (Lei 11.340\/2006) foi editada \u201cpara coibir a viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher\u201d, promovendo altera\u00e7\u00f5es nos C\u00f3digos Penal e de Processo Penal e na Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, \u201cinclusive mediante a cria\u00e7\u00e3o de Juizados de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar contra a Mulher\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">No contexto internacional, antes mesmo da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o brasileira de 1988, o Brasil aderiu \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o sobre a Elimina\u00e7\u00e3o de Todas as Formas de Discrimina\u00e7\u00e3o contra a Mulher, de 1979, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). O instrumento tomou parte relevante no objetivo de alcan\u00e7ar a plena igualdade entre homens e mulheres, em todas as esferas da vida p\u00fablica e privada. A Conven\u00e7\u00e3o Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Viol\u00eancia Contra a Mulher (Conven\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m do Par\u00e1), j\u00e1 est\u00e1 internalizada no pa\u00eds pelo decreto 1.973\/1996.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O procurador-geral da Rep\u00fablica, Augusto Aras, defende que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue inconstitucional a tese da \u201cleg\u00edtima defesa da honra\u201d, argumento usado ao longo do tempo pela defesa de acusados de crimes contra a vida de mulheres, em refer\u00eancia \u00e0 pr\u00e1tica de adult\u00e9rio. 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