{"id":53802,"date":"2023-06-17T17:35:00","date_gmt":"2023-06-17T20:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=53802"},"modified":"2023-06-16T22:07:09","modified_gmt":"2023-06-17T01:07:09","slug":"inflacao-dos-alimentos-deve-fechar-2023-com-menor-alta-em-6-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2023\/06\/17\/inflacao-dos-alimentos-deve-fechar-2023-com-menor-alta-em-6-anos","title":{"rendered":"Infla\u00e7\u00e3o dos alimentos deve fechar 2023 com menor alta em 6 anos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Os pre\u00e7os dos alimentos para consumo dentro de casa devem fechar 2023 com a menor infla\u00e7\u00e3o acumulada no Brasil em seis anos \u2013ou seja, desde 2017. \u00c9 o que sinalizam proje\u00e7\u00f5es de economistas consultados pela Folha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo eles, a desacelera\u00e7\u00e3o ante 2022 tende a refletir a oferta maior de alimentos a partir das melhores condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas para a produ\u00e7\u00e3o e o al\u00edvio dos custos de insumos que haviam disparado nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por ora, as proje\u00e7\u00f5es indicam uma alta na faixa de 3% ou menos para os pre\u00e7os da alimenta\u00e7\u00e3o no domic\u00edlio no acumulado de 2023 do IPCA (\u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), o IPCA \u00e9 o \u00edndice oficial de infla\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Em 2022, os pre\u00e7os da alimenta\u00e7\u00e3o no domic\u00edlio acumularam alta de 13,23%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carestia \u00e0 \u00e9poca veio na esteira dos problemas clim\u00e1ticos no Brasil, das press\u00f5es de insumos usados na produ\u00e7\u00e3o e dos impactos da Guerra da Ucr\u00e2nia sobre as cota\u00e7\u00f5es de commodities agr\u00edcolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A alta em 2022 ocorreu ap\u00f3s avan\u00e7os de 8,24% em 2021, de 18,15% em 2020, de 7,84% em 2019 e de 4,53% em 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve defla\u00e7\u00e3o (queda dos pre\u00e7os) de 4,85% em 2017. Naquele ano, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos tamb\u00e9m teve incremento de uma safra maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA gente est\u00e1 saindo de praticamente tr\u00eas anos de muitos problemas clim\u00e1ticos para um ano muito bom nesse aspecto\u201d, afirma o economista Matheus Pe\u00e7anha, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O FGV Ibre projeta alta de 3% para a alimenta\u00e7\u00e3o no domic\u00edlio no acumulado de 2023. A base de compara\u00e7\u00e3o elevada dos pre\u00e7os, segundo Pe\u00e7anha, tamb\u00e9m ajuda a explicar a desacelera\u00e7\u00e3o prevista para este ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 uma m\u00e9dia. Alguns produtos v\u00e3o ter queda, como a gente tem visto na prote\u00edna animal [carnes]. J\u00e1 os pre\u00e7os das hortali\u00e7as e dos legumes s\u00e3o mais vol\u00e1teis. Em outros produtos, o aumento vai ser menos expressivo do que nos anos anteriores\u201d, aponta o economista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A safra brasileira deve alcan\u00e7ar o recorde de 305,4 milh\u00f5es de toneladas em 2023, segundo estimativa divulgada pelo IBGE nesta ter\u00e7a-feira (13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os destaques, diz o instituto, s\u00e3o soja, milho e trigo, que indicam m\u00e1ximas de produ\u00e7\u00e3o neste ano. Soja e milho servem como insumos para a nutri\u00e7\u00e3o animal, impactando o custo de produ\u00e7\u00e3o das carnes. J\u00e1 o trigo \u00e9 base para a fabrica\u00e7\u00e3o de alimentos como p\u00e3es, massas e biscoitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por ora, a consultoria MB Associados projeta infla\u00e7\u00e3o de 3,2% para os alimentos no domic\u00edlio no acumulado de 2023. O C6 Bank, por sua vez, prev\u00ea uma alta de 2,8%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Santander Brasil tem uma estimativa menor. O banco prev\u00ea avan\u00e7o de 1% para a infla\u00e7\u00e3o dos alimentos consumidos no domic\u00edlio, abaixo dos 5,2% projetados para o IPCA como um todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cen\u00e1rio reflete o \u201cfim dos choques\u201d que pressionaram os pre\u00e7os a partir da pandemia, diz Daniel Karp, economista do Santander Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFoi uma tempestade perfeita que fez a infla\u00e7\u00e3o como um todo, especialmente de alimentos, subir nos \u00faltimos anos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe Kotinda, tamb\u00e9m economista do Santander Brasil, chama aten\u00e7\u00e3o para a tr\u00e9gua de insumos como os fertilizantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTeve um choque com a guerra, o mercado achou que iria faltar fertilizante. Agora, \u00e9 uma quest\u00e3o de dissipar esse risco. Os pre\u00e7os dos fertilizantes ca\u00edram bastante em d\u00f3lar em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado\u201d, aponta Kotinda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Karp n\u00e3o descarta uma defla\u00e7\u00e3o para os alimentos consumidos no domic\u00edlio em 2023, mas ressalta que esse movimento n\u00e3o est\u00e1 no cen\u00e1rio base \u2013n\u00e3o \u00e9 o mais prov\u00e1vel de acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em maio, os pre\u00e7os da alimenta\u00e7\u00e3o no domic\u00edlio ficaram est\u00e1veis (0%) frente a abril no IPCA, segundo o IBGE. Neste ano, de janeiro a maio, o acumulado ficou em 1,24%. Nos \u00faltimos 12 meses, a alta foi de 4,66%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cH\u00e1 um processo em curso que chamaria de desinfla\u00e7\u00e3o. Os pre\u00e7os ainda sobem, mas com uma intensidade menor\u201d, diz o economista Jackson Bittencourt, coordenador do curso de ci\u00eancias econ\u00f4micas da PUCPR (Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AUMENTO DA CESTA B\u00c1SICA PERDE RITMO<br \/>\nUm \u00edndice de infla\u00e7\u00e3o da cesta b\u00e1sica elaborado pela PUCPR acumulou alta de 2,25% neste ano, de janeiro a maio, no Brasil. Em igual per\u00edodo de 2022, o avan\u00e7o era mais intenso, de 16,43%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No acumulado de 12 meses at\u00e9 maio de 2023, a cesta avan\u00e7ou 3,88%. Em igual intervalo at\u00e9 maio de 2022, a alta era de 26,75%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A infla\u00e7\u00e3o da cesta b\u00e1sica \u00e9 calculada pela PUCPR com base em 13 alimentos pesquisados dentro do IPCA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA pandemia e a guerra haviam jogado os pre\u00e7os para cima. A infla\u00e7\u00e3o da cesta b\u00e1sica estava subindo vertiginosamente. Agora, os pre\u00e7os est\u00e3o se alinhando. A tend\u00eancia \u00e9 de uma estabilidade maior\u201d, analisa Bittencourt.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele destaca que a tr\u00e9gua dos custos de produ\u00e7\u00e3o dos alimentos come\u00e7a a chegar aos pre\u00e7os finais dos produtos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO d\u00f3lar influencia muito. A cadeia produtiva da agropecu\u00e1ria \u00e9 importada, desde sementes e adubos at\u00e9 pe\u00e7as para m\u00e1quinas agr\u00edcolas. A taxa de c\u00e2mbio est\u00e1 bem mais est\u00e1vel, e o custo para produzir, tamb\u00e9m\u201d, aponta o professor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"assinatura_exclusiva\">Leonardo Vieceli\/Folhapress<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os pre\u00e7os dos alimentos para consumo dentro de casa devem fechar 2023 com a menor infla\u00e7\u00e3o acumulada no Brasil em seis anos \u2013ou seja, desde 2017. \u00c9 o que sinalizam proje\u00e7\u00f5es de economistas consultados pela Folha. 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