{"id":54662,"date":"2023-07-07T12:20:00","date_gmt":"2023-07-07T15:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=54662"},"modified":"2023-07-06T14:25:04","modified_gmt":"2023-07-06T17:25:04","slug":"54662","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2023\/07\/07\/54662","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<p>O mais longevo dramaturgo em atividade, Z\u00e9 Celso Martinez, que morreu nesta quinta-feira (6), deixa o legado de uma arte que revolucionou a pol\u00edtica e os costumes. Ele encarou a ditadura militar e foi perseguido por suas montagens dionis\u00edacas. Z\u00e9 Celso foi preso, torturado e exilado, e produziu document\u00e1rios sobre as revolu\u00e7\u00f5es portuguesa e mo\u00e7ambicana. O document\u00e1rio Z\u00e9 Celso: tupy or not tupy lembra que ele trabalhou com grandes nomes das artes, como Augusto Boal, Chico Buarque, S\u00e9rgio Britto, Raul Cortez e Pascoal da Concei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Celso Martinez Corr\u00eaa nasceu em Araraquara no ano de 1937. Em 1955 entrou para o curso da Faculdade de Direito da Universidade de S\u00e3o Paulo, profiss\u00e3o que nunca exerceu. Entretanto no per\u00edodo em que esteve no Largo S\u00e3o Francisco formou o Teatro Oficina e foi ali que seus primeiros textos Vento Forte para Papagaio Subir (1958) e A Incubadeira (1959), foram encenados.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 60, ele se profissionaliza, e a sede do grupo \u00e9 transferida para o teatro da Rua Jaceguai, onde tr\u00eas anos depois Z\u00e9 Celso dirigia Pequenos Burgueses, de M\u00e1ximo Gorki, pe\u00e7a de sucesso que ganhou diversos pr\u00eamios, mas que foi censurada no ano seguinte, quando o Brasil mergulhou na ditadura militar. Ap\u00f3s um inc\u00eandio, o teatro da Rua Jaceguai foi reformado e a primeira montagem dessa nova fase foi O Rei da Vela, em 1967, com base num texto escrito por Oswald de Andrade na d\u00e9cada de 30, tamb\u00e9m encenada por Z\u00e9 Celso.<\/p>\n<p>A partir de 1968, o grupo monta Roda Viva, Galileu Galilei e Na selva das cidades. Depois disso, Z\u00e9 Celso se dedicou ao filme O Rei da Vela e enfrentou um per\u00edodo de crise, sofrendo com a repress\u00e3o. Em 1974, chegou a ser preso, sendo solto depois de 20 dias, e se exilou em Portugal, onde fez o filme O Parto, por ocasi\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos. No ano seguinte, foi a Mo\u00e7ambique, onde filmou a independ\u00eancia do pa\u00eds. Z\u00e9 Celso voltou para S\u00e3o Paulo em 1978 e retomou o trabalho \u00e0 frente do Oficina.<\/p>\n<p>Nos anos 80, o ator e diretor fez um intervalo nas produ\u00e7\u00f5es, mas passou a lutar pela perman\u00eancia da companhia no local, onde j\u00e1 havia se consolidado, j\u00e1 que, em 1982, o dono do quarteir\u00e3o onde o im\u00f3vel est\u00e1 localizado, o Grupo Silvio Santos, anunciou a constru\u00e7\u00e3o ali de um shopping center, gerando mobiliza\u00e7\u00e3o dos artistas junto \u00e0 sociedade civil e autoridades governamentais. O tombamento do espa\u00e7o c\u00eanico do Oficina como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico da cidade de S\u00e3o Paulo contribuiu para a resist\u00eancia contra os objetivos do grupo.<\/p>\n<p>A partir de 1990, a companhia entra em nova fase com o nome de Companhia de Teatro Oficina Uzyna Uzona, e realiza espet\u00e1culos como As bacantes (1996), de Eur\u00edpides, e Cacilda! (1998), que relatou a vida da atriz Cacilda Becker segundo a vis\u00e3o de Z\u00e9 Celso. De 2000 em diante Z\u00e9 Celso se dedicou a recriar a obra Os sert\u00f5es, de Euclides da Cunha, publicada em 1902, e fez com que o Oficina fosse palco para assembleias de movimentos art\u00edsticos (Arte Contra a Barb\u00e1rie) e sociais (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra \u2013 MST).<\/p>\n<p>O diretor trouxe ainda a constru\u00e7\u00e3o e desconstru\u00e7\u00e3o do Arraial de Canudos (BA), tombado pela guerra de 1897, embate do Ex\u00e9rcito com os sertanejos liderados por Ant\u00f4nio Conselheiro. Fazem parte dessa epopeia musical A terra (2002), O homem \u2013 parte 1 \u2013 do pr\u00e9-homem \u00e0 re-volta (2003), O homem \u2013 parte 2 \u2013 da re-volta ao trans-homem (2003), A luta \u2013 parte 1 (2005) e A luta \u2013 parte 2 (2006), sempre com cerca de 50 artistas em cena, entre m\u00fasicos, o n\u00facleo de atores e as crian\u00e7as e adolescentes do projeto comunit\u00e1rio Bexig\u00e3o, refer\u00eancia ao bairro do Bexiga, onde fica o Oficina.<\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas dos espet\u00e1culos de Z\u00e9 Celso \u00e9 a encena\u00e7\u00e3o para o grande p\u00fablico, de gra\u00e7a, ao ar livre ou em grandes espa\u00e7os. Um exemplo desse formato \u00e9 As Dionis\u00edacas, conjunto de quatro pe\u00e7as que percorreu sete capitais ao longo de 2010. As apresenta\u00e7\u00f5es ocorriam sempre em est\u00e1dios, com entrada franca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mais longevo dramaturgo em atividade, Z\u00e9 Celso Martinez, que morreu nesta quinta-feira (6), deixa o legado de uma arte que revolucionou a pol\u00edtica e os costumes. Ele encarou a ditadura militar e foi perseguido por suas montagens dionis\u00edacas. Z\u00e9 Celso foi preso, torturado e exilado, e produziu document\u00e1rios sobre as revolu\u00e7\u00f5es portuguesa e mo\u00e7ambicana. 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