{"id":62858,"date":"2024-03-10T09:41:42","date_gmt":"2024-03-10T12:41:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=62858"},"modified":"2024-03-10T09:41:49","modified_gmt":"2024-03-10T12:41:49","slug":"por-que-o-uso-do-celular-nas-escolas-nao-e-uma-questao-simples","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2024\/03\/10\/por-que-o-uso-do-celular-nas-escolas-nao-e-uma-questao-simples","title":{"rendered":"Por que o uso do celular nas escolas n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o simples?"},"content":{"rendered":"<div class=\"container--component-block\">\n<p id=\"paragrafo-ts5dl49lve\" class=\"component--paragrafo\" style=\"text-align: justify;\">No Brasil, j\u00e1 existem mais linhas de celular do que pessoas. Aparelhos, ent\u00e3o, nem se fala, pois tem aqueles que ficam esquecidos nas gavetas. A quantidade ficou incalcul\u00e1vel. Por isso, encontrar equil\u00edbrio no uso cotidiano do celular j\u00e1 \u00e9 complexo e, no ambiente escolar, fica ainda mais complicado. O problema \u00e9 que n\u00e3o podemos simplificar a quest\u00e3o sem cometer injusti\u00e7as ou at\u00e9 mesmo piorar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-4cg3g6hu23\" class=\"component--paragrafo\">A solu\u00e7\u00e3o ultrapassa os muros da escola. Como pai e educador, sei que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Por isso, acho interessante tentar olhar o problema por diversos \u00e2ngulos. Sem tentar transformar o celular no \u00fanico vil\u00e3o dessa hist\u00f3ria, mas olhando para ele como um dos elementos em uma rede intrincada de fatores. Em geral, quando essa quest\u00e3o \u00e9 abordada, temos duas linhas argumentativas: uma que privilegia os aspectos f\u00edsicos e biol\u00f3gicos e outra que vai abordar o contexto social e cultural. Vamos olhar como ficam esses argumentos usando \u00e2ngulos diferentes.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-o96ls66v7w\" class=\"component--paragrafo\"><b>Quando<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-t7wrqnzyvf\" class=\"component--paragrafo\">O primeiro \u00e2ngulo, e talvez o mais importante, \u00e9 a idade das crian\u00e7as. Quanto a isso, \u00e9 quase um consenso a vis\u00e3o de que a exposi\u00e7\u00e3o precoce e prolongada \u00e0s telas pode ser prejudicial. Diversas pesquisas neurol\u00f3gicas apontam que existem consequ\u00eancias no uso exagerado de telinhas para um c\u00e9rebro ainda em forma\u00e7\u00e3o. Por outro lado, \u00e9 comum ver pais utilizando o celular como uma esp\u00e9cie de &#8220;calmante digital&#8221; em locais p\u00fablicos. Esse costume tem rela\u00e7\u00e3o com as expectativas do que seria um comportamento aceit\u00e1vel, para uma crian\u00e7a, em alguns ambientes. No entanto, s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que nem sempre s\u00e3o adequadas para crian\u00e7as menores. O que pode ser c\u00f4modo para os pais naquele momento, no futuro, pode cobrar um pre\u00e7o, se isso for uma pr\u00e1tica recorrente.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-aigv6g0jxr\" class=\"component--paragrafo\">\u00c9 curioso observar que alguns profissionais que trabalham nas grandes empresas de tecnologia do Vale do Sil\u00edcio fazem justamente o contr\u00e1rio com seus filhos. Evitam liberar o uso de telinhas desde cedo e at\u00e9 escolhem escolas que evitam as telinhas, como a Waldorf School of the Peninsula. O motivo pode ser, entre outros, o fato deles saberem mais do que ningu\u00e9m que n\u00e3o existe melhor estrat\u00e9gia do que fidelizar os futuros clientes quando eles ainda s\u00e3o crian\u00e7as. Ser\u00e1 que os fabricantes de refrigerantes e alimentos ultraprocessados tamb\u00e9m t\u00eam o mesmo cuidado com seus filhos? Quem sabe\u2026<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-4u7n2lidli\" class=\"component--paragrafo\">Portanto, olhando a quest\u00e3o a partir do \u00e2ngulo da idade, fica claro que os mais novos, como menos de 10 anos, devem ser preservados da exposi\u00e7\u00e3o excessiva. N\u00e3o apenas nas escolas, mas fora delas tamb\u00e9m.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-7cbihxkcgi\" class=\"component--paragrafo\"><b>Como<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-mgrtnrgieo\" class=\"component--paragrafo\">Agora vamos olhar outro \u00e2ngulo da quest\u00e3o. Como esse celular \u00e9 usado? Como os jovens que t\u00eam mais de 10 anos est\u00e3o usando essas telinhas? Existem diversas atividades que o celular oferece. Eles podem fazer anota\u00e7\u00f5es, jogar, pesquisar informa\u00e7\u00f5es, ouvir m\u00fasica, desenhar, fotografar, filmar, ler livros e jornais, ou assistir a s\u00e9ries, etc. Dentro de cada atividade dessas podem ser encontrados conte\u00fados classificados como sendo adequados para a idade ou n\u00e3o. Essa riqueza de possibilidades torna o celular um recurso interessante no contexto escolar, desde que a classifica\u00e7\u00e3o et\u00e1ria seja efetiva, o que nem sempre acontece.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-k3okg2i6nf\" class=\"component--paragrafo\">Mas, mesmo com essa riqueza de possibilidades, o principal uso do celular costuma ser para acessar as redes sociais. Em um mundo ideal, essas redes s\u00f3 seriam liberadas quando os jovens tivessem maturidade emocional para interagir. Por\u00e9m, elas s\u00e3o liberadas legalmente a partir de 13 anos e a realidade \u00e9 que a imensa maioria dos jovens j\u00e1 acessa alguma rede social at\u00e9 antes disso.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-l3ppa2km4h\" class=\"component--paragrafo\">Existe uma profus\u00e3o de reportagens e livros mostrando algumas consequ\u00eancias nefastas dessa nova cultura. Alguns at\u00e9 argumentam que o uso exagerado das telinhas alimentado pela din\u00e2mica viciante das redes sociais estaria diminuindo as capacidades cognitivas dos mais jovens. Esse argumento ajuda a validar a proposta de proibir os aparelhos nas escolas. Al\u00e9m de usos indevidos como a pr\u00e1tica de cyberbullying e pl\u00e1gios.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-z1pvz4derf\" class=\"component--paragrafo\">Indo na contram\u00e3o dessa vis\u00e3o, uma reportagem do The New York Times, intitulada \u201cWhat Social Media Does to the Teen Brain\u201d (em portugu\u00eas: O que as redes sociais fazem ao c\u00e9rebro adolescente), apresentou pesquisas com vis\u00f5es distintas sobre os impactos das redes sociais na sa\u00fade mental de adolescentes. Como foi o caso da pesquisa do Projeto AWeSome, que investiga a rela\u00e7\u00e3o entre o uso de redes sociais e o bem-estar de adolescentes holandeses, observando como as rea\u00e7\u00f5es podem mudar ao longo do tempo. Nessa investiga\u00e7\u00e3o, ainda em curso, eles j\u00e1 identificaram que alguns se sentem felizes e outros tristes com o uso dessas plataformas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-gbpr0xxkzk\" class=\"component--paragrafo\">Assim, olhando a quest\u00e3o pelo \u00e2ngulo do como o celular \u00e9 usado, vemos que esse \u00e9 um ponto importante. O celular pode ser usado apenas para consumir informa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m permite produzir e compartilhar conte\u00fados. O que \u00e0s vezes gera a sensa\u00e7\u00e3o de reconhecimento e a aceita\u00e7\u00e3o dos jovens por outros jovens. Ou, pelo contr\u00e1rio, indica a impress\u00e3o de um desinteresse dos outros. No entanto, o que os jovens podem n\u00e3o notar \u00e9 que esse interesse ou desinteresse n\u00e3o tem nada a ver com suas qualidades, mas sim com a forma como os algoritmos impulsionam ou n\u00e3o alguns conte\u00fados.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-u3ugci3fid\" class=\"component--paragrafo\"><b>Quem<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-ogurv058k5\" class=\"component--paragrafo\">O pr\u00f3ximo \u00e2ngulo para abordar a quest\u00e3o \u00e9 saber de que jovens estamos falando. Fatores como o contexto familiar, n\u00edvel socioecon\u00f4mico, local de moradia, acesso a outras formas de lazer e informa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo g\u00eanero podem adicionar novas camadas na compreens\u00e3o do papel do celular no cotidiano e na vida escolar.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-pr2wst6hwq\" class=\"component--paragrafo\">Se estamos preocupados em qualificar o processo educacional desses jovens, n\u00e3o podemos desconsiderar como \u00e9 sua vida e seu cotidiano. Quais s\u00e3o seus desafios particulares, as oportunidades diferentes de cada um e, \u00e9 claro, os privil\u00e9gios de alguns. Todas essas informa\u00e7\u00f5es podem trazer pesos diferentes na hora que esse jovem for privado do acesso ao celular. Alguns podem experimentar isso como um tipo de puni\u00e7\u00e3o. Criando uma percep\u00e7\u00e3o ainda menos acolhedora do ambiente escolar.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-ujkkkbj6a8\" class=\"component--paragrafo\">Al\u00e9m disso, se a justificativa da proibi\u00e7\u00e3o do celular for o poss\u00edvel impacto no desempenho escolar, tamb\u00e9m ser\u00e1 necess\u00e1rio aprofundar como se d\u00e1 o processo de aprendizagem. Uma abordagem interessante foi desenvolvida pelo soci\u00f3logo Saeed Paivandi, iraniano radicado na Fran\u00e7a e parceiro do Observat\u00f3rio da Vida Estudantil (UFBA\/UFRB). Para ele, existem quatro posturas do estudante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua vida acad\u00eamica. Os que querem aprender e compreender o que est\u00e1 sendo estudado (reflexivo), aqueles que querem apenas notas suficientes para passar (minimalista), os que focam na vida escolar como forma de ascens\u00e3o social (estrat\u00e9gico) e, por fim, os que n\u00e3o se adaptaram ao ambiente escolar (deslocado).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-8natgd5jcq\" class=\"component--paragrafo\">Essa tipologia foi desenvolvida a partir de pesquisas com estudantes universit\u00e1rios, mas podemos supor que exista alguma correspond\u00eancia com estudantes das escolas. O ponto \u00e9 que essa tipologia pode ajudar a entender porque o impacto do celular no desempenho escolar n\u00e3o \u00e9 o mesmo para todos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-g861kfho6h\" class=\"component--paragrafo\"><b>Onde<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-r803h1spa5\" class=\"component--paragrafo\">O pen\u00faltimo \u00e2ngulo que gostaria de propor para pensar essa quest\u00e3o \u00e9 a localiza\u00e7\u00e3o e o tipo dessa escola. \u00c9 uma escola p\u00fablica ou particular? Est\u00e1 na capital ou no interior? No centro ou na periferia? Como \u00e9 o clima de conviv\u00eancia dentro dessa escola? Existe um senso de comunidade? Qual ser\u00e1 o significado de proibir o celular dentro desse ambiente? O contexto de um ambiente escolar \u00e9 fundamental para engajar os estudantes. A possibilidade de participar da decis\u00e3o coletiva de proibir ou n\u00e3o o celular nesses espa\u00e7os pode fazer muita diferen\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-oat846coxb\" class=\"component--paragrafo\">Uma coisa \u00e9 pedir para n\u00e3o usar o celular durante a aula, outra \u00e9 proibir o uso na escola inteira, inclusive durante os intervalos. Algumas escolas est\u00e3o usando pochetes ou bolsas magn\u00e9ticas semelhantes ao sistema de seguran\u00e7a das lojas. O aparelho fica fechado por uma trava magn\u00e9tica no come\u00e7o das aulas e s\u00f3 no final das aulas o dispositivo \u00e9 desbloqueado, por funcion\u00e1rios ou professores.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-ekl9cpgsfb\" class=\"component--paragrafo\">O problema dessa solu\u00e7\u00e3o \u00e9 considerar que todos os alunos usam o celular do mesmo jeito e que todos s\u00e3o incapazes de respeitar uma regra simples como evitar o uso em algumas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-bb6depdbgt\" class=\"component--paragrafo\"><b>Porque<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-gyxvqz5p1l\" class=\"component--paragrafo\">Por fim, o \u00e2ngulo mais profundo dessa quest\u00e3o \u00e9 porque queremos proibir o celular no ambiente escolar? Estamos preocupados com a qualidade da experi\u00eancia escolar desse jovem? Estamos cuidando de sua sa\u00fade mental? Queremos apenas obrig\u00e1-lo a prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s aulas? Essa medida \u00e9 para evitar o cyberbullying e os pl\u00e1gios?<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-4e61a8ranq\" class=\"component--paragrafo\">Quando usamos \u00e2ngulos diversos para observar a quest\u00e3o, podemos notar que os pr\u00f3prios jovens est\u00e3o sendo esquecidos na busca de uma solu\u00e7\u00e3o para essa situa\u00e7\u00e3o. Imagine o paradoxo na cabe\u00e7a de um jovem que recebia um celular para se comportar e ficar quieto quando era mais novo, mas agora, depois que cresceu um pouco, \u00e9 proibido de usar o celular.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-4pp61pwafu\" class=\"component--paragrafo\">A pergunta que devemos fazer \u00e9: de que tipo de educa\u00e7\u00e3o estamos falando? O modelo cl\u00e1ssico com aulas expositivas e conteudistas, em que os alunos ficam assistindo sem nenhum tipo de participa\u00e7\u00e3o? Em que a memoriza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o o processo de aprendizado \u00e9 valorizado?<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-gi8x5f54x9\" class=\"component--paragrafo\">O pedagogo Jos\u00e9 Pacheco, um dos criadores da Escola da Ponte, defende que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel reinventar o modelo de educa\u00e7\u00e3o sem reconhecer a import\u00e2ncia de tr\u00eas valores fundamentais no processo de aprendizagem: autonomia, responsabilidade e solidariedade. Sem esse horizonte, os celulares sem d\u00favida s\u00e3o inimigos, pois funcionam como janelas mostrando aos alunos que existe vida l\u00e1 fora.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\">\n<p id=\"paragrafo-demv5cx3cx\" class=\"component--paragrafo\" style=\"text-align: justify;\"><i>*Andre Stangl \u00e9 professor e educador digital, cresceu em Brotas, estudou Filosofia e fez doutorado na USP<\/i><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, j\u00e1 existem mais linhas de celular do que pessoas. Aparelhos, ent\u00e3o, nem se fala, pois tem aqueles que ficam esquecidos nas gavetas. A quantidade ficou incalcul\u00e1vel. Por isso, encontrar equil\u00edbrio no uso cotidiano do celular j\u00e1 \u00e9 complexo e, no ambiente escolar, fica ainda mais complicado. 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