{"id":68528,"date":"2024-09-28T15:05:28","date_gmt":"2024-09-28T18:05:28","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=68528"},"modified":"2024-09-28T15:05:32","modified_gmt":"2024-09-28T18:05:32","slug":"surto-recente-de-febre-oropouche-foi-causado-por-nova-linhagem-viral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2024\/09\/28\/surto-recente-de-febre-oropouche-foi-causado-por-nova-linhagem-viral","title":{"rendered":"Surto recente de febre Oropouche foi causado por nova linhagem viral"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisa liderada pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontou que o in\u00edcio do surto de febre Oropouche em 2024 foi causado por uma nova linhagem viral que surgiu na Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. Os resultados do estudo constam em um artigo revisado por pares e aceito na revista cient\u00edfica internacional Nature Medicine. A vers\u00e3o preliminar j\u00e1 foi divulgada na semana passada para garantir o compartilhamento antecipado dos achados, mas o texto ainda passar\u00e1 por novas revis\u00f5es antes da divulga\u00e7\u00e3o definitiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O s\u00fabito aumento da transmiss\u00e3o da doen\u00e7a nos dois primeiros meses de 2024 gerou um alerta epidemiol\u00f3gico no Amazonas. As preocupa\u00e7\u00f5es cresceram com o avan\u00e7o das ocorr\u00eancias, que chegaram a todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. Mas dados dos anos anteriores j\u00e1 vinham sendo monitorados com mais aten\u00e7\u00e3o pelas autoridades sanit\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre agosto de 2022 e fevereiro de 2024, foram contabilizadas mais de 6 mil ocorr\u00eancias de febre Oropouche em cerca de 140 munic\u00edpios da Regi\u00e3o Norte. A pesquisa da Fiocruz envolveu o sequenciamento do genoma de v\u00edrus referentes a 382 casos registrados em quatro estados: Amazonas, Acre, Rond\u00f4nia e Roraima. As an\u00e1lises revelaram que as infec\u00e7\u00f5es foram causadas pela nova linhagem do v\u00edrus causador da doen\u00e7a, identificada por OROV BR-2015-2024.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerada as caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas do pat\u00f3geno, os pesquisadores avaliam que seu surgimento se deu, provavelmente, entre os anos de 2010 e 2014 no estado do Amazonas. A nova linhagem seria fruto de um rearranjo gen\u00e9tico entre cepas que circulavam no Brasil e outra com circula\u00e7\u00e3o no Peru, Col\u00f4mbia e Equador. Desde ent\u00e3o, ela teria se espalhado silenciosamente at\u00e9 provocar a epidemia recente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rearranjos gen\u00e9ticos, como o que deu origem \u00e0 OROV BR-2015-2024, ocorrem quando uma mesma pessoa ou animal \u00e9 infectado simultaneamente por duas linhagens virais diferentes. Assim, no processo de replica\u00e7\u00e3o viral, pode surgir uma cepa que combina elementos dos dois pat\u00f3genos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com nota divulgada nesta sexta-feira (27) pela Fiocruz, os pesquisadores conclu\u00edram que a OROV BR-2015-2024 apresenta altera\u00e7\u00f5es na superf\u00edcie da part\u00edcula viral que podem facilitar o escape de anticorpos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPessoas infectadas anteriormente pelo v\u00edrus Oropouche podem ter prote\u00e7\u00e3o reduzida contra a nova linhagem. Al\u00e9m disso, um estudo preliminar, feito por outro grupo de cientistas, e ainda n\u00e3o revisado por pares, indica que a nova cepa se replica mais rapidamente nas c\u00e9lulas do que a primeira linhagem do v\u00edrus Oropouche isolada no Brasil, nos anos 1960\u201d, registra o texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A febre Oropouche \u00e9 uma doen\u00e7a causada por um arbov\u00edrus. N\u00e3o existe tratamento espec\u00edfico, mas o paciente deve permanecer em repouso e ter acompanhamento m\u00e9dico. Podem ser prescritos analg\u00e9sicos e antit\u00e9rmicos comuns para aliviar os sintomas, que s\u00e3o muito parecidos com os da dengue. Eles duram geralmente entre 2 e 7 dias e incluem febre, dor de cabe\u00e7a, dor nas costas e nas articula\u00e7\u00f5es, podendo ainda ocorrer tontura, dor atr\u00e1s dos olhos, erup\u00e7\u00f5es cut\u00e2neas, n\u00e1useas e v\u00f4mitos. Em alguns casos, h\u00e1 tamb\u00e9m ocorr\u00eancia de encefalite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A transmiss\u00e3o, no entanto, n\u00e3o ocorre pela picada do Aedes aegypti e sim de outros mosquitos, sobretudo pelo Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-p\u00f3lvora. Eles se proliferam principalmente durante per\u00edodos de calor em ambientes \u00famidos, como em \u00e1reas pr\u00f3ximas a mangues, lagos, brejos e rios. Mas n\u00e3o s\u00e3o restritos a \u00e1reas rurais, estando presente em espa\u00e7os urbanos com disponibilidade de \u00e1gua e mat\u00e9ria org\u00e2nica, sobretudo pr\u00f3ximo a hortas, jardins e \u00e1rvores. O Culex quinquefasciatus, uma das esp\u00e9cies popularmente chamada de pernilongo, tamb\u00e9m pode atuar eventualmente como vetor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, surtos espor\u00e1dicos da doen\u00e7a t\u00eam sido registrados na Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica desde a d\u00e9cada de 1970. Durante a recente dissemina\u00e7\u00e3o, casos da doen\u00e7a foram registrados em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. Embora uma parcela deles sejam ocorr\u00eancias importadas, envolvendo viajantes que retornaram da Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica, diferentes estados tamb\u00e9m detectaram infec\u00e7\u00f5es de transmiss\u00e3o local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em julho desse ano, foram registradas na Bahia as primeiras mortes pela doen\u00e7a j\u00e1 ocorridas no mundo. A situa\u00e7\u00e3o tem gerado preocupa\u00e7\u00f5es de organismos sanit\u00e1rios nacionais e internacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pesquisadores alertam que surtos e epidemias geralmente surgem por uma combina\u00e7\u00e3o de fatores e levantam a possibilidade de que a dissemina\u00e7\u00e3o recente da febre Oropouche tenha sido influenciada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que v\u00eam gerando eventos extremos na Amaz\u00f4nia. Junto com o desmatamento e a degrada\u00e7\u00e3o ambiental, essas altera\u00e7\u00f5es no clima poderiam afetar o comportamento do mosquito vetor, contribuindo para maior exposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Essa hip\u00f3tese ajudaria a explicar porque a nova linhagem circulou por quase 10 anos antes de causar um surto de grandes propor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo tamb\u00e9m confirmou o padr\u00e3o sazonal da febre Oropouche. Foi observada uma alta dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus nas esta\u00e7\u00f5es chuvosas e transmiss\u00e3o baixa, embora persistente, nas esta\u00e7\u00f5es secas. Esta din\u00e2mica estaria associada \u00e0 maior prolifera\u00e7\u00e3o do vetor no per\u00edodo de chuvas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pesquisadores conclu\u00edram ainda que a dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a ocorreu pela combina\u00e7\u00e3o entre deslocamentos de vetores e de seres humanos infectados. \u201cEm cerca de dois ter\u00e7os dos casos, a dispers\u00e3o do v\u00edrus foi compat\u00edvel com o alcance de voo dos insetos, ficando abaixo de 2 km por dia. No entanto, em aproximadamente um ter\u00e7o dos registros, foi observada uma dispers\u00e3o de mais de 10 km por dia, indicando associa\u00e7\u00e3o com o deslocamento humano\u201d, registra a nota de divulga\u00e7\u00e3o da Fiocruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo mobilizou unidades da Fiocruz sediadas em cinco estados: Rio de Janeiro, Amazonas, Rond\u00f4nia, Pernambuco e Paran\u00e1. O trabalho tamb\u00e9m contou com a coopera\u00e7\u00e3o de unidades dos Laborat\u00f3rios Centrais de Sa\u00fade P\u00fablica (Lacens), que s\u00e3o integrados ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e ficam sob gest\u00e3o dos governos estaduais. Houve ainda envolvimento de outros \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa liderada pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontou que o in\u00edcio do surto de febre Oropouche em 2024 foi causado por uma nova linhagem viral que surgiu na Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. Os resultados do estudo constam em um artigo revisado por pares e aceito na revista cient\u00edfica internacional Nature Medicine. 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