{"id":69952,"date":"2024-11-26T18:05:58","date_gmt":"2024-11-26T21:05:58","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=69952"},"modified":"2024-11-26T18:06:00","modified_gmt":"2024-11-26T21:06:00","slug":"homens-chegam-sem-caca-e-mulheres-tem-que-comprar-carne-no-mercado-diz-indigena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2024\/11\/26\/homens-chegam-sem-caca-e-mulheres-tem-que-comprar-carne-no-mercado-diz-indigena","title":{"rendered":"Homens chegam sem ca\u00e7a e mulheres t\u00eam que comprar carne no mercado, diz ind\u00edgena"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span>Usando pintura de guerreira no corpo, Ngrenhkarati Xikrin, 44, deslocou-se da aldeia Potikr\u00f4, no sudeste do Par\u00e1, para Manaus, no Amazonas, no final de outubro. Rota sinalizada como &#8220;imposs\u00edvel de ser calculada&#8221; no Google Maps.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>Um l\u00edder ind\u00edgena contou &#8220;aos brancos&#8221;, em um evento sobre neg\u00f3cios amaz\u00f4nicos, como as mulheres de sua aldeia, na floresta amaz\u00f4nica, se organizaram para sobreviver depois da instala\u00e7\u00e3o da usina\u00a0<\/span><span>Belo Monte<\/span><span> no rio Xingu. A hidrel\u00e9trica impactou o modo de vida de mil pessoas que, como ela, vivem na Terra Ind\u00edgena Trincheira Bacaj\u00e1.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>&#8220;Agora nosso rio \u00e9 quente, n\u00e3o presta&#8221;, diz a respons\u00e1vel pelo comit\u00ea das mulheres Xikrin da Abex (Associa\u00e7\u00e3o Beb\u00f4 Xikrin do Bacaj\u00e1), que precisa fazer compras no mercado se quiser comer carne.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>Uma das sa\u00eddas para gerar renda e poder ir \u00e0s compras, &#8220;como no mundo dos brancos&#8221;, foi aprender a falar portugu\u00eas. A outra foi desenvolver uma linha de produtos da floresta \u2014castanhas, artesanato, \u00f3leo de baba\u00e7u e tecidos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>Ngrenhkarati conversou com a\u00a0<\/span><b><span>Folha<\/span><\/b><span>\u00a0durante o Fiinsa (\u00a0<\/span><span>Festival de Investimento de Impacto e Neg\u00f3cios Sustent\u00e1veis \u200b\u200bda Amaz\u00f4nia<\/span><span>\u00a0), realizado pelo Idesam (\u00a0<\/span><span>Instituto de Conserva\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da Amaz\u00f4nia<\/span><span>\u00a0) e Impact Hub, que a convidaram para uma mesa sobre empreendimentos da floresta e neg\u00f3cios comunidades.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>&#8220;N\u00f3s \u00e9ramos crian\u00e7as felizes da vida. Tinha fartura na natureza. A gente comia e sobrava. Depois tom\u00e1vamos banho no rio e nossos pais brigavam: olha, o peixe grande vai pegar voc\u00eas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>Hoje a gente atravessa o rio andando. Secou tudo, acabaram os peixes. Quem est\u00e1 de fora n\u00e3o v\u00ea nada, n\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>Foi por causa de Belo Monte, que ficou em cima do rio Xingu, e chupou a \u00e1gua todinha que vinha para o rio Bacaj\u00e1. Agora nosso rio \u00e9 quente, n\u00e3o presta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>Os homens chegam em casa sem ca\u00e7a, levam o dia todo para pegar uma piabinha. A gente tem que comprar carne no mercado e tirar \u00e1gua do po\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>As mulheres da aldeia cuidam da casa, dos filhos, dos mais velhos, v\u00e3o para a ro\u00e7a, v\u00e3o atr\u00e1s de coisas para vender. Trabalhamos muito. \u00c9 sofrido.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>Eles me colocaram como lideran\u00e7a para lutar por eles. Falar o que elas sentem e o que est\u00e1 apostando na terra isolada para o mundo inteiro. Por isso aprendi a l\u00edngua do branco. Eu n\u00e3o tive estudo meu para aprender a falar que nem voc\u00eas, aprendi \u00e0 for\u00e7a, l\u00edngua \u00e9 m\u1ebdbeng\u00f4kre.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>Os\u00a0<\/span><span>\u00edndios<\/span><span>\u00a0est\u00e3o quietos no lugar deles. A gente n\u00e3o sai daqui para mexer na cidade do branco. Mas eles v\u00eam. De vez em quando, tem que dar uma olhada, porque os invasores v\u00eam para dentro [da reserva ind\u00edgena] criando fazenda, furando terra para achar ouro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>A gente pede ajuda para a Funai, para o ICMBio, mas \u00e0s vezes n\u00e3o faz nada. Ent\u00e3o os pr\u00f3prios\u00a0<\/span><span>ind\u00edgenas<\/span><span>\u00a0v\u00e3o l\u00e1 e tiram os invasores. Logo eles voltam. \u00c9 muita amea\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>Antes de Belo Monte, todo o mundo navegou at\u00e9 Altamira. Negociava suas coisas aqui e acol\u00e1. Tinha festa em todo canto. Hoje \u00e9 dividido, a gente n\u00e3o chega mais de barco nas outras aldeias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>Nossos antigos progrediram na Associa\u00e7\u00e3o Beb\u00f4 Xikrin do Bacaj\u00e1. Foi para defender nossos direitos, o territ\u00f3rio ind\u00edgena e conseguir recursos para sobreviver.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>Ent\u00e3o a gente usa o conhecimento tradicional do nosso povo para produzir e vender castanha, \u00f3leo de coco baba\u00e7u, farinha, urucum. E fazemos artesanato, pintura de tecidos, vestidos, brincos, bolsas e cord\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>A associa\u00e7\u00e3o cria os projetos, faz parcerias, consegue tecidos para as pessoas trabalharem. S\u00f3 que o branco diz que precisa melhorar a qualidade do nosso produto para ganhar mais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>Ent\u00e3o a gente precisa de investimento para isso, e tamb\u00e9m para capacitar as mulheres e pagar o frete da aldeia at\u00e9 a cidade. Sem o rio, s\u00e3o 5h de caminhonete, na estrada ruim, at\u00e9 Altamira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>Tenho sete filhos e dez netos. A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 grande. Eu vou para a cidade grande, uso pintura de guerra, dou o recado. Mas a floresta continua sofrendo como nosso povo Xikrin. preciso de ajuda.&#8221;<\/span><\/p>\n<p>Fonte: Folha de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Usando pintura de guerreira no corpo, Ngrenhkarati Xikrin, 44, deslocou-se da aldeia Potikr\u00f4, no sudeste do Par\u00e1, para Manaus, no Amazonas, no final de outubro. Rota sinalizada como &#8220;imposs\u00edvel de ser calculada&#8221; no Google Maps. Um l\u00edder ind\u00edgena contou &#8220;aos brancos&#8221;, em um evento sobre neg\u00f3cios amaz\u00f4nicos, como as mulheres de sua aldeia, na floresta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":69953,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[200],"tags":[],"class_list":["post-69952","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Capturar-3.jpg","uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Capturar-3.jpg",500,332,false],"thumbnail":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Capturar-3-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Capturar-3-300x199.jpg",300,199,true],"medium_large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Capturar-3.jpg",500,332,false],"large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Capturar-3.jpg",500,332,false],"1536x1536":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Capturar-3.jpg",500,332,false],"2048x2048":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Capturar-3.jpg",500,332,false],"mantranews-slider-large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Capturar-3.jpg",500,332,false],"mantranews-featured-medium":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Capturar-3-420x307.jpg",420,307,true],"mantranews-featured-long":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Capturar-3-300x332.jpg",300,332,true],"mantranews-block-medium":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Capturar-3-464x290.jpg",464,290,true],"mantranews-carousel-image":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Capturar-3.jpg",500,332,false],"mantranews-block-thumb":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Capturar-3-322x230.jpg",322,230,true],"mantranews-single-large":["https:\/\/blogopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Capturar-3.jpg",500,332,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"Reda\u00e7\u00e3o geral","author_link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/author\/blogopara"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Usando pintura de guerreira no corpo, Ngrenhkarati Xikrin, 44, deslocou-se da aldeia Potikr\u00f4, no sudeste do Par\u00e1, para Manaus, no Amazonas, no final de outubro. Rota sinalizada como &#8220;imposs\u00edvel de ser calculada&#8221; no Google Maps. Um l\u00edder ind\u00edgena contou &#8220;aos brancos&#8221;, em um evento sobre neg\u00f3cios amaz\u00f4nicos, como as mulheres de sua aldeia, na floresta&hellip;","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69952","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69952"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69952\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":69954,"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69952\/revisions\/69954"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/69953"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69952"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}