{"id":73675,"date":"2025-03-13T13:50:53","date_gmt":"2025-03-13T16:50:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=73675"},"modified":"2025-03-13T13:50:53","modified_gmt":"2025-03-13T16:50:53","slug":"conheca-a-tradicao-da-festa-de-sao-jose-no-rodeadouro-celebracao-centenaria-e-parte-das-raizes-juazeirenses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2025\/03\/13\/conheca-a-tradicao-da-festa-de-sao-jose-no-rodeadouro-celebracao-centenaria-e-parte-das-raizes-juazeirenses","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a a tradi\u00e7\u00e3o da Festa de S\u00e3o Jos\u00e9 no Rodeadouro, celebra\u00e7\u00e3o centen\u00e1ria e parte das ra\u00edzes juazeirenses"},"content":{"rendered":"<p>C\u00e9lia Regina Pereira, 68 anos, aprendeu cedo a cultuar S\u00e3o Jos\u00e9, padroeiro da comunidade do Rodeadouro, no sert\u00e3o baiano. A admira\u00e7\u00e3o pela imagem divina foi herdada do seu pai, um promesseiro fiel que nunca faltava \u00e0 tradicional festa para o santo, realizada h\u00e1 s\u00e9culos na regi\u00e3o. \u201cQuando se falava em S\u00e3o Jos\u00e9, ele movia c\u00e9us e terra para participar de tudo\u201d, conta. De sua inf\u00e2ncia para c\u00e1, a filha j\u00e1 soma d\u00e9cadas envolvida na cerim\u00f4nia, que acontece sempre no dia 19 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>A festividade encerra o rito do noven\u00e1rio, per\u00edodo de nove dias de ora\u00e7\u00f5es e celebra\u00e7\u00f5es ao pai adotivo de Jesus. Este ano, a programa\u00e7\u00e3o inclui alvorada e o tradicional \u2018Samba de V\u00e9io do Rodeadouro\u2019, manifesta\u00e7\u00e3o cultural da comunidade. O evento ainda leva barcos ao rio para uma viagem que carrega a imagem do santo pelas \u00e1guas do Velho Chico. Para 2025, navega\u00e7\u00f5es estar\u00e3o \u00e0 espera dos devotos em Juazeiro para fazer a viagem \u00e0 comunidade. Estima-se que centenas de pessoas dever\u00e3o comparecer \u00e0 festa. Entre elas, a dona C\u00e9lia e seus familiares.<\/p>\n<p>Conta-se que a celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o antiga que n\u00e3o se sabe ao certo quando come\u00e7ou. Mesmo os moradores mais velhos, como Benedita De Sena, 84, relatam que a rever\u00eancia ao padroeiro j\u00e1 existia antes mesmo de seu nascimento.<\/p>\n<p>\u201cEu sei que sempre cantamos a novena \u2013 naquela \u00e9poca, tudo em latim \u2013 mas ningu\u00e9m sabe como S\u00e3o Jos\u00e9 apareceu por aqui. Meus antepassados diziam que a imagem veio de uma casa constru\u00edda na regi\u00e3o do Alagadi\u00e7o\u201d, comenta. Qual tenha sido o percurso, a devo\u00e7\u00e3o chegou a boa parte das casas da regi\u00e3o. Benedita mesmo ressalta, ao apontar para uma imagem do santo na sala: \u201caqui, a gente conserva S\u00e3o Jos\u00e9 em todo lugar\u201d.<\/p>\n<p>Entre os registros mais antigos conhecidos, est\u00e1 o de uma antiga capela, constru\u00edda com madeira e barro. A igrejinha foi derrubada pelas chuvas, mas sabe-se que ainda ali j\u00e1 eram feitos os cultos em devo\u00e7\u00e3o a S\u00e3o Jos\u00e9. Mesmo com a destrui\u00e7\u00e3o, a f\u00e9 da comunidade continuou firme.<br \/>\nUma certeza \u00e9 de que a hist\u00f3ria de f\u00e9 est\u00e1 profundamente ligada \u00e0 realidade da comunidade, segundo explica o padre Marcos da Silva, respons\u00e1vel pela Par\u00f3quia de S\u00e3o Jos\u00e9, organizadora do festejo. De um lado, o santo \u00e9 o protetor da Sagrada Fam\u00edlia e padroeiro dos trabalhadores e da agricultura, do outro, a popula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 remanescente de quilombo, carrega a resist\u00eancia e a cultura de suas ra\u00edzes, atravessando gera\u00e7\u00f5es. E \u00e9 a\u00ed que as hist\u00f3rias se cruzam, diz o padre.<\/p>\n<p>\u201cComo protetor dos plantios e intercessor dos trabalhadores, ele \u00e9 especialmente significativo aqui, para um povo quilombola, que vive \u00e0s margens do rio e que, provavelmente, realizava plantios coletivos para garantir o sustento no passado\u201d, explica.<\/p>\n<p>Para ele, em tempos de cheia ou de seca, muitos dos antepassados de Benedita e C\u00e9lia podem ter recorrido ao santo em busca de abund\u00e2ncia nas colheitas. Afinal, diz a cren\u00e7a que se o c\u00e9u se veste de nuvens no dia de S\u00e3o Jos\u00e9, o ano inteiro ser\u00e1 de colheitas fartas. Quem sabe, mais que um santo, Jos\u00e9 de Nazar\u00e9 tenha se tornado um fiel jardineiro de almas e das planta\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas a f\u00e9 vai al\u00e9m da natureza e das chuvas. Isso porque o Rodeadouro repousa nas curvas do Rio S\u00e3o Francisco, localizado a 13 quil\u00f4metros da sede do munic\u00edpio de Juazeiro. Inclusive, os antigos contam que o nome surgiu das in\u00fameras voltas \u2013 ou \u201crodeios\u201d \u2013 que as embarca\u00e7\u00f5es precisavam fazer para alcan\u00e7ar a terra firme. Ainda hoje, os moradores mais velhos guardam a lembran\u00e7a do seu nome original: \u201cRodeador\u201d.<\/p>\n<p>O Rodeador \u00e9 aben\u00e7oado pelo Velho Chico, e tem na f\u00e9 de sua comunidade o pedido, sobretudo, por prote\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a. Benedita diz que a comunidade costuma pedir, durante as novenas, por ajuda para enfrentar dificuldades, amparo e aux\u00edlio aos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Para C\u00e9lia, \u00e9 sobre coragem para enfrentar qualquer desafio. \u201cQuando eu invoco S\u00e3o Jos\u00e9, eu sou valente\u201d, diz. Na pr\u00f3xima quarta-feira, ela, Benedita, e grande parte da comunidade embarcam para a prociss\u00e3o, que ir\u00e1 atravessar o rio, ecoando seus cantos, rezas e, sobretudo, a hist\u00f3ria de sua comunidade.<\/p>\n<p>Layla Shasta\/Ascom PMJ<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C\u00e9lia Regina Pereira, 68 anos, aprendeu cedo a cultuar S\u00e3o Jos\u00e9, padroeiro da comunidade do Rodeadouro, no sert\u00e3o baiano. 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