{"id":79890,"date":"2025-09-23T12:16:08","date_gmt":"2025-09-23T15:16:08","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=79890"},"modified":"2025-09-23T12:16:08","modified_gmt":"2025-09-23T15:16:08","slug":"criancas-conectadas-quando-a-tecnologia-vira-ameaca-ao-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2025\/09\/23\/criancas-conectadas-quando-a-tecnologia-vira-ameaca-ao-desenvolvimento","title":{"rendered":"Crian\u00e7as conectadas: quando a tecnologia vira amea\u00e7a ao desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<p>Publicado com o objetivo de alertar a popula\u00e7\u00e3o brasileira sobre conte\u00fados que exploram crian\u00e7as e adolescentes na internet, o v\u00eddeo \u201cAdultiza\u00e7\u00e3o\u201d, do youtuber Felipe Bressanim, conhecido nas redes sociais como Felca, reacendeu outro debate importante relacionado ao mundo digital: a exposi\u00e7\u00e3o precoce e o v\u00edcio em telas durante a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia. Uma pesquisa publicada na revista cient\u00edfica internacional Trends in Psychiatry and Psychotherapy mostra que a depend\u00eancia de smartphones exerce grande influ\u00eancia no agravamento de transtornos mentais, como ansiedade, depress\u00e3o e estresse, entre outros. No caso de crian\u00e7as e adolescentes, esse cen\u00e1rio \u00e9 ainda mais preocupante.<\/p>\n<p>Os primeiros anos de vida e o per\u00edodo entre 10 e 19 anos, segundo profissionais da sa\u00fade, s\u00e3o fundamentais para a socializa\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento cognitivo. Nesse contexto, a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia acabam tornando-se suscet\u00edveis ao v\u00edcio em telas. Nos Estados Unidos, por exemplo, um estudo realizado pela Common Sense Media confirmou que metade dos adolescentes americanos se considera dependente do celular, n\u00famero que cresce constantemente em escala global.<\/p>\n<p>Segundo Felipe Barata, psic\u00f3logo e docente do IDOMED, a diferen\u00e7a entre uma vida saud\u00e1vel e o surgimento de uma patologia est\u00e1 na intensidade e na frequ\u00eancia de um evento ou comportamento a ponto de causar preju\u00edzos \u00e0 rotina de uma pessoa. \u201cNo caso do uso de telas, o v\u00edcio come\u00e7a a<\/p>\n<p>se evidenciar quando a ideia de ficar sem celular \u00e9 aterradora, quando almo\u00e7ar sem assistir a um v\u00eddeo se torna intoler\u00e1vel ou quando acordar e n\u00e3o verificar as notifica\u00e7\u00f5es provoca um vazio\u201d, explica o especialista. \u201cAl\u00e9m disso, o v\u00edcio se manifesta quando a tela passa a acompanhar o indiv\u00edduo como um verdadeiro companheiro. A pessoa conversa, come, interage e assiste a filmes sempre dividindo a aten\u00e7\u00e3o entre o evento real e o dispositivo. Muitas vezes, esse uso funciona como ref\u00fagio ou escudo contra a socializa\u00e7\u00e3o. Em resumo, trata-se de um uso sem prop\u00f3sito, com o mero intuito de ocupar o c\u00e9rebro com algum est\u00edmulo.\u201d<\/p>\n<p>Considerando a realidade contempor\u00e2nea, marcada pelo avan\u00e7o tecnol\u00f3gico e por uma rotina intensa, a obsess\u00e3o pelos smartphones torna-se cada vez mais presente nas fam\u00edlias. A baixa ades\u00e3o a atividades do cotidiano, a aus\u00eancia de aten\u00e7\u00e3o parental, o tempo pouco preenchido com pr\u00e1ticas l\u00fadicas ou pedag\u00f3gicas e at\u00e9 mesmo a impulsividade podem ser fatores de risco entre meninos e meninas.<\/p>\n<p>Outro agravante para o v\u00edcio est\u00e1 nas estrat\u00e9gias adotadas em redes e jogos digitais, conhecidas como cliffhangers. Essa t\u00e9cnica, que consiste em ganchos narrativos amplamente utilizados no cinema e na comunica\u00e7\u00e3o, cria a necessidade de que o espectador ou usu\u00e1rio se mantenha interessado em uma trama ou jogo, aumentando sua perman\u00eancia diante da tela.<\/p>\n<p>Ainda segundo o psic\u00f3logo Felipe Barata, as consequ\u00eancias do v\u00edcio s\u00e3o bastante negativas, especialmente entre os mais jovens. \u201cAl\u00e9m das quest\u00f5es f\u00edsicas, como problemas oftalmol\u00f3gicos e m\u00e1 postura, os efeitos psicol\u00f3gicos aparecem no comprometimento do sono, em sintomas ansiosos, na fragmenta\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o, na irritabilidade e na distor\u00e7\u00e3o da autoimagem a partir da compara\u00e7\u00e3o com realidades intang\u00edveis, entre outros aspectos\u201d, ressalta.<\/p>\n<p><b>Para al\u00e9m da tela: conte\u00fados, regulamenta\u00e7\u00e3o e a import\u00e2ncia do cuidado<\/b><\/p>\n<p>No v\u00eddeo de Felca, outro ponto de aten\u00e7\u00e3o foi a exposi\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes a assuntos e imagens inapropriadas. Sexualidade precoce, viol\u00eancia, agress\u00f5es verbais, jogos de azar, coleta abusiva de dados e fake news s\u00e3o alguns dos temas presentes em diversos conte\u00fados das plataformas digitais, o que representa um perigo quando n\u00e3o h\u00e1 acompanhamento e orienta\u00e7\u00e3o de um respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cNormalmente s\u00e3o conte\u00fados inapropriados para a idade, porque eles ainda n\u00e3o disp\u00f5em de recursos afetivos, comportamentais e cognitivos para lidar com esses temas e emitir um ju\u00edzo cr\u00edtico. Assim, corre-se o risco de expor a crian\u00e7a a situa\u00e7\u00f5es perigosas e prejudiciais ao seu desenvolvimento. Um exemplo disso foi o jogo Baleia Azul, no qual crian\u00e7as eram induzidas a pr\u00e1ticas perversas a partir de uma falsa ludicidade\u201d, comenta o professor Felipe Barata.<\/p>\n<p>De acordo com Claudine Rodembusch, docente de Direito da Est\u00e1cio, o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA) n\u00e3o possui artigos espec\u00edficos que tratem diretamente do ambiente digital, mas seus princ\u00edpios e diretrizes gerais s\u00e3o aplic\u00e1veis \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes. \u201cNesse contexto, pode-se estender a prote\u00e7\u00e3o do artigo 227 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que refor\u00e7a a import\u00e2ncia da conviv\u00eancia familiar e social, do direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, ao lazer, \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura, \u00e0 dignidade, ao respeito e \u00e0 liberdade, o que tamb\u00e9m se aplica ao ambiente online\u201d, defende a professora.<\/p>\n<p>Para ela, \u201c\u00e9 urgente a cria\u00e7\u00e3o de novas normas jur\u00eddicas capazes de atender \u00e0s demandas sociais decorrentes da r\u00e1pida dissemina\u00e7\u00e3o das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, sobretudo diante da aus\u00eancia de mecanismos eficazes para conter ou minimizar os danos causados pelo uso excessivo, em especial por crian\u00e7as e adolescentes. Os fatos sociais evoluem em uma espiral din\u00e2mica, de modo que a lei frequentemente demora a acompanhar os novos usos e abusos resultantes da velocidade e do mau emprego desses processos digitais\u201d, pontua.<\/p>\n<p>No Brasil, o governo federal lan\u00e7ou um guia para o uso saud\u00e1vel de telas na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, que refor\u00e7a orienta\u00e7\u00f5es e destaca a relev\u00e2ncia da supervis\u00e3o parental. Al\u00e9m disso, tramita no Congresso o Projeto de Lei n\u00ba 2.628\/2022, que busca regulamentar o acesso de crian\u00e7as e adolescentes \u00e0s redes sociais, a fim de prevenir riscos como conte\u00fados inadequados e publicidade direcionada a esse p\u00fablico.<\/p>\n<p>\u201cDe nada adianta uma nova legisla\u00e7\u00e3o se pais e respons\u00e1veis n\u00e3o educarem esses menores e n\u00e3o se educarem a si mesmos. N\u00e3o adianta proibir crian\u00e7as e adolescentes de usar a internet enquanto os pr\u00f3prios adultos d\u00e3o o exemplo contr\u00e1rio\u201d, enfatiza Claudine.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo Felipe Barata refor\u00e7a que \u00e9 poss\u00edvel transformar a rela\u00e7\u00e3o com as telas e a internet em algo positivo e sem conflitos. \u201cNo caso da primeira inf\u00e2ncia, recomenda-se a realiza\u00e7\u00e3o de vistorias cont\u00ednuas em celulares e computadores. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o a adolescentes, \u00e9 mais eficaz promover esse acompanhamento por meio de uma conversa franca. A internet \u00e9 uma ferramenta poderos\u00edssima, capaz de proporcionar aprendizado e acesso \u00e0 cultura para os pequenos, desde que seja usada com responsabilidade\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado com o objetivo de alertar a popula\u00e7\u00e3o brasileira sobre conte\u00fados que exploram crian\u00e7as e adolescentes na internet, o v\u00eddeo \u201cAdultiza\u00e7\u00e3o\u201d, do youtuber Felipe Bressanim, conhecido nas redes sociais como Felca, reacendeu outro debate importante relacionado ao mundo digital: a exposi\u00e7\u00e3o precoce e o v\u00edcio em telas durante a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia. 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