{"id":81857,"date":"2025-12-04T20:21:12","date_gmt":"2025-12-04T23:21:12","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=81857"},"modified":"2025-12-04T21:36:40","modified_gmt":"2025-12-05T00:36:40","slug":"juazeiro-minha-filha-nasceu-em-minhas-maos-e-fui-eu-quem-a-amparou-para-que-nao-caisse-no-chao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2025\/12\/04\/juazeiro-minha-filha-nasceu-em-minhas-maos-e-fui-eu-quem-a-amparou-para-que-nao-caisse-no-chao","title":{"rendered":"Juazeiro: &#8220;Minha filha nasceu em minhas m\u00e3os, e fui eu quem a amparou para que n\u00e3o ca\u00edsse no ch\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Uma moradora de Juazeiro, que n\u00e3o quis ser identificada, encaminhou denuncia de maus tratos e caso de viol\u00eancia obst\u00e9trica que, segundo ela, ocorreu no Hospital Materno Infantil de Juazeiro.<\/p>\n<p>&#8220;No dia 26 de novembro de 2025, dei entrada na Maternidade de Juazeiro. Por volta das 22h30, entrei em trabalho de parto. As dores eram intensas, vomitei v\u00e1rias vezes e, ainda assim, fui ignorada. Minha irm\u00e3 informou \u00e0 equipe, mas n\u00e3o recebi assist\u00eancia. Ao ir ao banheiro, acabei dando \u00e0 luz sozinha, por volta das 23h. Minha filha nasceu em minhas m\u00e3os, e fui eu quem a amparou para que n\u00e3o ca\u00edsse no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Minha irm\u00e3 chamou o enfermeiro, que, da porta, me olhou com desprezo e disse apenas: &#8220;Venha andando pra cama.&#8221; Eu estava sangrando intensamente, segurando minha filha e sem condi\u00e7\u00f5es de caminhar. Ao demonstrar dificuldade, ele afirmou: &#8220;Coloque o feto na calcinha, e sua irm\u00e3 lhe ajuda. &#8220;Mesmo devastada f\u00edsica e emocionalmente, fiz o poss\u00edvel para obedecer. Caminhei at\u00e9 a cama com minha filha nos bra\u00e7os. L\u00e1, o enfermeiro pediu que eu a colocasse na maca, cortou o cord\u00e3o umbilical com evidente nojo e deixou o restante do cord\u00e3o e dos tecidos pendurados, dizendo que eu ficaria &#8220;assim at\u00e9 o dia seguinte&#8221;, quando seria realizada a curetagem.<\/p>\n<p>CONFIRA NA INTEGRA DEN\u00daNCIA DE VIOL\u00caNCIA OBST\u00c9TRICA \u2013 MATERNIDADE INFANTIL DE JUAZEIRO<\/p>\n<p>No dia 26 de novembro de 2025, dei entrada na Maternidade de Juazeiro (CLISE) por volta das 10h00. Durante uma consulta de pr\u00e9-natal, foi constatado que minha beb\u00ea estava sem batimentos card\u00edacos. Fui ent\u00e3o informada de que seria internada para indu\u00e7\u00e3o do parto e, posteriormente, para realiza\u00e7\u00e3o de curetagem, pois eu estava com 20 semanas e 3 dias de gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante o plant\u00e3o diurno, fui tratada com respeito e cuidado pela equipe de enfermagem. A cada exame de toque, recebi explica\u00e7\u00f5es, orienta\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o adequada da medica\u00e7\u00e3o. A enfermeira respons\u00e1vel demonstrou empatia e humanidade, essenciais em um momento t\u00e3o doloroso.<\/p>\n<p>Contudo, ao anoitecer, iniciou-se o plant\u00e3o que mudaria completamente a forma como vivi o pior momento da minha vida. O enfermeiro que assumiu \u2014 cujo nome infelizmente n\u00e3o sei \u2014 apresentou, desde o primeiro contato, uma postura rude, fria e desrespeitosa. A medica\u00e7\u00e3o, prevista para as 20h, s\u00f3 foi aplicada \u00e0s 21h, sem qualquer justificativa. Durante o toque e a aplica\u00e7\u00e3o, ele sequer manteve contato visual comigo. Sua conduta demonstrava total descaso.<\/p>\n<p>Por volta das 22h30, entrei em trabalho de parto. As dores eram intensas, vomitei v\u00e1rias vezes e, ainda assim, fui ignorada. Minha irm\u00e3 informou \u00e0 equipe, mas n\u00e3o recebi assist\u00eancia. Ao ir ao banheiro, acabei dando \u00e0 luz sozinha, por volta das 23h. Minha filha nasceu em minhas m\u00e3os, e fui eu quem a amparou para que n\u00e3o ca\u00edsse no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Minha irm\u00e3 chamou o enfermeiro, que, da porta, me olhou com desprezo e disse apenas:<\/p>\n<p>&#8220;Venha andando pra cama.&#8221;<\/p>\n<p>Eu estava sangrando intensamente, segurando minha filha e sem condi\u00e7\u00f5es de caminhar. Ao demonstrar dificuldade, ele afirmou:<\/p>\n<p>&#8220;Coloque o feto na calcinha, e sua irm\u00e3 lhe ajuda.&#8221;<\/p>\n<p>Mesmo devastada f\u00edsica e emocionalmente, fiz o poss\u00edvel para obedecer. Caminhei at\u00e9 a cama com minha filha nos bra\u00e7os. L\u00e1, o enfermeiro pediu que eu a colocasse na maca, cortou o cord\u00e3o umbilical com evidente nojo e deixou o restante do cord\u00e3o e dos tecidos pendurados, dizendo que eu ficaria &#8220;assim at\u00e9 o dia seguinte&#8221;, quando seria realizada a curetagem.<\/p>\n<p>Em seguida, ordenou a uma t\u00e9cnica que:<\/p>\n<p>&#8220;Recolhesse o feto e colocasse no lixo do centro cir\u00fargico.&#8221;<\/p>\n<p>Eu disse que n\u00e3o, que queria enterrar minha filha. Outro profissional, de forma grosseira, respondeu:<\/p>\n<p>&#8220;Tem que levar logo, sen\u00e3o isso vai apodrecer.&#8221;<\/p>\n<p>Referindo-se \u00e0 minha filha como &#8220;isso&#8221;, como se fosse um objeto descart\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s isso, simplesmente sa\u00edram. Fiquei ali, em choque, dor e desespero \u2014 sem assist\u00eancia, sem acolhimento, sem dignidade. Sozinha, retornei ao banheiro e forcei a expuls\u00e3o da placenta, porque me recusava a passar a noite inteira com restos do parto presos ao meu corpo. Apenas na manh\u00e3 seguinte, \u00e0s 10h, foi realizada a curetagem.<\/p>\n<p>Minha filha nasceu perfeitinha. Eu mesma desenrolei o cord\u00e3o do pesco\u00e7o dela.<br \/>\nEla n\u00e3o era lixo. Minha filha jamais deveria ter sido tratada como algo a ser descartado.<\/p>\n<p>Saio desse epis\u00f3dio marcada para sempre. Al\u00e9m da dor do luto, carrego a dor de ter sido tratada com crueldade em um espa\u00e7o que deveria proteger, acolher e respeitar.<\/p>\n<p>Escrevo este relato para que outras mulheres saibam o que aconteceu dentro daquela maternidade, para que isso n\u00e3o seja silenciado, e para que mais ningu\u00e9m precise passar pelo que eu passei.<br \/>\nViol\u00eancia obst\u00e9trica \u00e9 real, \u00e9 grave e precisa ser denunciada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma moradora de Juazeiro, que n\u00e3o quis ser identificada, encaminhou denuncia de maus tratos e caso de viol\u00eancia obst\u00e9trica que, segundo ela, ocorreu no Hospital Materno Infantil de Juazeiro. &#8220;No dia 26 de novembro de 2025, dei entrada na Maternidade de Juazeiro. Por volta das 22h30, entrei em trabalho de parto. 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