{"id":82935,"date":"2026-01-24T13:45:40","date_gmt":"2026-01-24T16:45:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=82935"},"modified":"2026-01-24T13:45:40","modified_gmt":"2026-01-24T16:45:40","slug":"centenario-de-luis-henrique-dias-tavares-celebra-um-dos-maiores-historiadores-da-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/centenario-de-luis-henrique-dias-tavares-celebra-um-dos-maiores-historiadores-da-bahia","title":{"rendered":"Centen\u00e1rio de Luis Henrique Dias Tavares celebra um dos maiores historiadores da Bahia"},"content":{"rendered":"<div class=\"template--materia-comum\">\n<div class=\"grid-column-container center\">\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-u1rve1iadj\">Luis Henrique Dias Tavares completar\u00e1 no domingo, dia 25 de janeiro, 100 anos de nascimento. Mas a verdade \u00e9 que o professor, falecido em junho de 2020, viveu mais de cinco s\u00e9culos. Historiador, escritor e jornalista, marcou o seu nome na hist\u00f3ria contando de maneira \u00fanica como a Bahia se formou, com um olhar especial para as lutas pela independ\u00eancia do estado \u2013 e o seu desfecho, com a retirada das tropas portuguesas do Brasil. Conseguiu fazer isso com a profundidade de um pesquisador incans\u00e1vel e a qualidade narrativa de um grande cronista.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-14471wb8yo\">\u201cO professor\u201d, como o filho Luis Guilherme Pontes Tavares, costuma se referir ao pai, nasceu em Nazar\u00e9 das Farinhas e ainda estava no gin\u00e1sio quando publicou o seu primeiro trabalho liter\u00e1rio, em 1942, num jornal fundado por ele, com Cl\u00f3vis Neiva Noya, chamado \u201cO Parlapat\u00e3o\u201d. Mais de 15 anos depois, aparece entre os fundadores do Jornal da Bahia, onde manteve uma coluna at\u00e9 1962. Diplomou-se pela Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia (1951) no curso de Geografia e Hist\u00f3ria. Fez concurso para professor do ensino m\u00e9dio, sendo aprovado em primeiro lugar (1953).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-8rg6oco7k2\">Prestou concurso em 1961 para a Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e obteve o t\u00edtulo de Doutor em Hist\u00f3ria e a c\u00e1tedra de Hist\u00f3ria do Brasil. Sempre focado em chegar o mais perto poss\u00edvel das fontes prim\u00e1rias da hist\u00f3ria, realizou pesquisas tanto no Brasil, quanto em Portugal e Inglaterra, fundamentais para a compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o e a independ\u00eancia do Brasil, e do odioso com\u00e9rcio de pessoas escravizadas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-qodsxt3vkj\">O jornalista Luis Guilherme Pontes Tavares lembra de duas caracter\u00edsticas marcantes no pai: a capacidade de se \u201cdoar inteiramente\u201d a qualquer coisa que fizesse e a facilidade no trato com as pessoas. \u201cEu vejo nele uma pessoa trabalhadora, executora dos projetos que elegia, extremamente comprometido com a liberdade\u201d, diz. \u201cEra de uma disciplina filha da m\u00e3e\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-ehevww486h\">\u201cMe sinto muito tranquilo para falar sobre o professor, porque a minha rela\u00e7\u00e3o com ele era de parceria e dedica\u00e7\u00e3o, principalmente quando precisou mais de aten\u00e7\u00e3o. Ele foi um exemplo para mim, porque, mesmo tardiamente, fiz mestrado e doutorado, sem nenhuma influ\u00eancia, apenas por v\u00ea-lo como um exemplo\u201d, completa a descri\u00e7\u00e3o Luis Guilherme. Chamar o pai de professor \u00e9 uma homenagem, diz Luis Guilherme. \u201cMeu pai dizia que apreciaria se o \u00faltimo dia de vida dele fosse em sala de aula\u201d, lembra.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-qdg3m0h2f4\">O filho conta que Luis Henrique circulava muito e, ao contr\u00e1rio de muitos na sua gera\u00e7\u00e3o, era acess\u00edvel a quem o procurasse. Seu gabinete na faculdade vivia de portas abertas, conta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-o00x6taack\">N\u00e3o gostava de viajar para fazer turismo, diz o filho. Quando a esposa e companheira de toda a vida, Laurita Pontes Tavares, o convencia a viajar, topava, a muito custo \u201cpor ela\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-xdw2bgoha3\">Para o filho, a qualidade textual de Luis Henrique era oriunda do jornalismo. \u201cEle tinha uma enorme capacidade de pesquisar e reunir as informa\u00e7\u00f5es para uma viagem no tempo, eu acredito que era a habilidade de cronista que o ajudava a reunir tudo aquilo\u201d, pondera.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-rrawi3jbtk\"><b>Simples e gentil<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-gvm02snn0p\">A simplicidade e gentileza que marcou a vida do professor Luis Henrique Dias Tavares \u00e9 confirmada pela jornalista e pesquisadora Mariluce Moura, cujo primeiro contato com ele aconteceu aos 11 anos. Na \u00e9poca, ele j\u00e1 era um respeitado escritor, enquanto ela, estudante do antigo col\u00e9gio de aplica\u00e7\u00e3o da Ufba, em 1962. Uma das suas professoras apontou o historiador \u00e0 dist\u00e2ncia como o autor de um livro que a turma estudava na escola. \u201cFiquei encantada porque era fissurada por livros e estudar a obra de algu\u00e9m que estava ali t\u00e3o perto era incr\u00edvel\u201d, diz. \u201cDurante todo o tempo de gin\u00e1sio conhecemos muitos textos dele, primeiro como cronista e ficcionista, s\u00f3 depois vim conhecer ele como historiador\u201d, lembra.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-vibow4wvr2\">Quando se tornou jornalista, Mariluce teve algumas oportunidades de entrevistar Lu\u00eds Henrique. \u201cAquela humildade dele era marcante. Era um grande barato ver um cara que estava decifrando um front na pesquisa de hist\u00f3ria ser t\u00e3o acess\u00edvel quanto ele. Ningu\u00e9m estudou isso por tanto tempo e com a mesma profundidade, mas mesmo assim nunca deixou de ser um cronista\u201d, acredita.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<div id=\"imagem-9v4wqsqiy5\" class=\"w-full\">Companheira Laurita Pontes Tavares acompanhou o professor por toda a sua jornada\u00a0<span class=\"font-bold\">Cr\u00e9dito: Acervo Fam\u00edlia<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-hi6uu3wqjq\">As conversas eram sempre agrad\u00e1veis, lembra a jornalista. Em janeiro de 2006, quando Mariluce j\u00e1 tinha se tornado fundadora de uma das mais importantes revistas de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do pa\u00eds, a Pesquisa Fapesp, ela publicou uma entrevista com o professor a respeito da \u201cquase desconhecida\u201d guerra de independ\u00eancia que aconteceu na Bahia. Foram mais de duas horas conversando, lembra a professora. Do outro lado, o interlocutor, com 80 anos na \u00e9poca, recitava detalhes do conflito que culminou no celebrado Dois de Julho. \u201cEra um senhor do saber\u201d, define.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-aey214bv3i\">\u201cEle era um bom prosador, excelente escritor e tinha toda uma experi\u00eancia de escrever cr\u00f4nicas para a imprensa, al\u00e9m de estar sempre em di\u00e1logo com os alunos, como professor. N\u00e3o era s\u00f3 uma boa escrita, era o poder de narrar. Quem tem este dom\u00ednio da linguagem n\u00e3o precisa ficar enrolando\u201d, acredita Mariluce Moura. \u201cFalava e escrevia com uma simplicidade muito grande e profunda, \u00e9 isso que os grandes escritores perseguem\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-fkh7pxvs4o\"><b>Col\u00e9gio da Bahia<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-6tx1nfkeoo\">No antigo Col\u00e9gio da Bahia, hoje Central, Luis Henrique Dias Tavares marcou positivamente a vida de muitos alunos. Um deles foi o poeta e jornalista Florisvaldo Mattos. Quando chegou a Salvador, oriundo de Itabuna, no Sul da Bahia, ainda adolescente, em 1952, deparou-se com um jovem e brilhante professor de hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-0j2cv18aky\">\u201cA sorte na vida emerge \u00e0s vezes como erup\u00e7\u00e3o de oportunidades. Na \u00e9poca, no Col\u00e9gio da Bahia, a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado incorporava nas diversas classes um grupo de professores estreantes, entre os quais encontrava-se Lu\u00eds Henrique Dias Tavares\u201d, recorda-se. \u201cTravamos respeitosa e cordial rela\u00e7\u00e3o entre professor e aluno, at\u00e9 o ano de 1954, quando me submeti e venci o vestibular da Faculdade de Direito, da ent\u00e3o Universidade da Bahia (a designa\u00e7\u00e3o de Federal, s\u00f3 seria adotada em 1977)\u201d, lembra.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-efpc73ypes\">Para Florisvaldo, o mais encantador nas aulas do professor Luis Henrique era a maneira de expor os conte\u00fados, muito diferente da ret\u00f3rica tradicional e as novas abordagens de fatos hist\u00f3ricos. \u201cHavia novas ideias e abordagem de fatos hist\u00f3ricos dentro de uma moderna linguagem discursiva, que atra\u00eda e agradava satisfat\u00f3ria e positivamente os alunos\u201d, lembra.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-rsuuhs4oxj\">Quando chegou a Salvador, o professor Florisvaldo j\u00e1 sonhava com a literatura. Foi neste contexto que se interessou por conhecer os poetas e escritores da gera\u00e7\u00e3o que ficou conhecida como \u201cCaderno da Bahia\u201d, da qual fazia parte o jovem professor de hist\u00f3ria, com seus contos e cr\u00f4nicas. Ao lado dele, figuravam nomes como Camilo de Jesus Lima, Jair Gramacho, Vasconcelos Maia, Wilson Rocha, Cl\u00e1udio Tuiuti Tavares e Nelson de Ara\u00fajo, entre outros.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-afsyszpd5c\">No campo da pesquisa hist\u00f3rica, Florivaldo Mattos lembra das pesquisas e publica\u00e7\u00f5es em torno do movimento libert\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o dos Alfaiates, tamb\u00e9m chamada Revolta dos B\u00fazios, deflagrada em 1798. Ele usou alguns destes conte\u00fados para compor uma disserta\u00e7\u00e3o do seu curso de mestrado em Ci\u00eancias Sociais na Ufba. O trabalho foi reeditado como um livro, com o t\u00edtulo de \u201cA Comunica\u00e7\u00e3o Social na Revolu\u00e7\u00e3o dos Alfaiates\u201d, com a Assembleia Legislativa, resolvendo reeditar em 1998, pela comemora\u00e7\u00e3o dos 200 anos da insurg\u00eancia, repetindo-a em 2018, pelos seus 220 anos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-e469h6dwpd\">Para Florisvaldo Mattos, qualquer estudo da literatura baiana na segunda metade do s\u00e9culo XX precisa levar em conta a produ\u00e7\u00e3o do professor Luis Henrique.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-p0tzs1blvd\">Fernando da Rocha Peres tamb\u00e9m conheceu Luis Henrique no antigo Col\u00e9gio da Bahia. \u201cEle nos apoiou quando fizemos um movimento cultural, eu, Glauber Rocha, Calazans Neto, Paulo Gil Soares e tantos outros que participaram daquela atividade e tantas outras que tivemos nos anos em que estivemos ali a estudar\u201d, lembra o poeta, historiador, professor e administrador cultural. \u201cEra o in\u00edcio de sua carreira como docente, s\u00f3 depois se fixou como professor de hist\u00f3ria e chefe de departamento da Faculdade de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas\u201d, conta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-06067mymo9\">\u201cO livro que ele publicou sobre a hist\u00f3ria da Bahia \u00e9 \u00fanico, porque ele passou muitos anos pesquisando aqui nos arquivos do Brasil e tamb\u00e9m no exterior. Nos deixou uma obra que \u00e9 at\u00e9 hoje um livro que abarca desde a funda\u00e7\u00e3o da cidade de Salvador aos anos mais recentes do s\u00e9culo passado\u201d, destaca.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-eakm885m4d\">Segundo o amigo, um dos cap\u00edtulos mais marcantes e tristes da vida do professor foi o per\u00edodo que passou na pris\u00e3o durante o regime militar. Ele exercia a fun\u00e7\u00e3o de diretor do departamento cultural da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do estado \u2013 o que equivalente nos dias de hoje \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Cultural, compara. \u201cLuis Henrique foi membro do Partido Comunista Brasileiro, certamente por isso foi preso, mas houve um epis\u00f3dio que tamb\u00e9m foi determinante. Uma bienal foi montada e acabou sendo censurada por conta de um quadro exposto. Estas duas coisas levaram \u00e0 iniciativa extremamente violenta de prender nosso querido amigo\u201d, lembra.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-iplsc9cqcq\">\u201cEle deve ser lembrado como historiador, docente e escritor de fic\u00e7\u00e3o. Tudo isto d\u00e1 a ele um lugar muito importante dentro da cultura baiana. Precisamos celebrar muito este centen\u00e1rio\u201d, acredita.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-w2407v2rnh\">Fernando Oberlaender, s\u00f3cio e editor da Caramuru, lembra que foi o CORREIO quem o apresentou ao professor Luis Henrique. Quando o jornal criou uma edi\u00e7\u00e3o especial para o domingo, no ano 2000, o historiador foi convidado a publicar uma nova edi\u00e7\u00e3o do seu famoso livro \u201cHist\u00f3ria da Bahia\u201d em fasc\u00edculos semanais e Oberlaender, para ilustrar o livro. \u201cQuando vi o material, percebi que n\u00e3o cabia ilustra\u00e7\u00e3o, mas tive a honra de editar o material, que vendeu mais de 15 mil cole\u00e7\u00f5es. Foi um neg\u00f3cio absurdo\u201d, lembra.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-ey525p6iq3\">Entretanto, mais surpreendente que o sucesso editorial foi o primeiro contato com o professor, diz. \u201cEle foi de uma generosidade e delicadeza gigantesca comigo, que nunca tinha editado um livro antes\u201d, conta. \u201cLuis Henrique n\u00e3o era apenas um homem educado, era gentil de todas as formas que uma pessoa \u00e9 capaz de ser. Mesmo sendo um escritor consagrado, um grande historiador, escutava minhas sugest\u00f5es com uma aten\u00e7\u00e3o impressionante\u201d, diz o editor.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-drqtoww69v\">Um dessas sugest\u00f5es foi a de inserir, \u201cde algum modo\u201d, a figura de Castro Alves, que n\u00e3o constava na obra original. \u201cEra um projeto popular, eu perguntei se n\u00e3o poder\u00edamos inserir o poeta de alguma forma, e sugeri uma biografia de grandes baianos no final dos fasc\u00edculos. Castro Alves entrou l\u00e1\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-2k6f2tbj5o\">\u201cLuis Henrique era minuciosamente estudioso, em um tempo que n\u00e3o tinham as facilidades da internet e de arquivos digitais. Antes, para descobrir algo, tinha que cheirar mofo, \u00e1caro e ele era um cara que tinha essa coisa da pesquisa textual\u201d, lembra. \u201cPosso dizer que foi ele quem conseguiu esquematizar da forma mais completa a hist\u00f3ria da Bahia. Sintetizou 500 anos, sem perder a profundidade\u201d, acredita.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luis Henrique Dias Tavares completar\u00e1 no domingo, dia 25 de janeiro, 100 anos de nascimento. Mas a verdade \u00e9 que o professor, falecido em junho de 2020, viveu mais de cinco s\u00e9culos. 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