{"id":84575,"date":"2026-03-23T09:38:59","date_gmt":"2026-03-23T12:38:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=84575"},"modified":"2026-03-23T09:38:59","modified_gmt":"2026-03-23T12:38:59","slug":"educacao-interrompida-no-brasil-milhoes-ainda-nao-sabem-ler-ou-escrever-e-universidades-se-mobilizam-para-enfrentar-o-desafio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2026\/03\/23\/educacao-interrompida-no-brasil-milhoes-ainda-nao-sabem-ler-ou-escrever-e-universidades-se-mobilizam-para-enfrentar-o-desafio","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o interrompida no Brasil: milh\u00f5es ainda n\u00e3o sabem ler ou escrever e universidades se mobilizam para enfrentar o desafio"},"content":{"rendered":"<p>Mesmo com avan\u00e7os recentes, o Brasil ainda convive com um problema estrutural: milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o sabem ler ou escrever. Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), com base na PNAD Cont\u00ednua 2024, indicam que o pa\u00eds tem aproximadamente 9,1 milh\u00f5es de brasileiros com 15 anos ou mais em situa\u00e7\u00e3o de analfabetismo, o que representa uma taxa de 5,3% da popula\u00e7\u00e3o nessa faixa et\u00e1ria. Embora seja o menor \u00edndice desde 2016, o n\u00famero ainda revela um contingente expressivo de cidad\u00e3os exclu\u00eddos de direitos b\u00e1sicos, do acesso pleno ao mercado de trabalho e da participa\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>As desigualdades regionais continuam marcantes. Em estados do Nordeste, como Alagoas, a taxa de analfabetismo entre adultos chega a 14,3%. No Piau\u00ed, o \u00edndice \u00e9 de 13,8%, enquanto na Para\u00edba alcan\u00e7a 12,8% e no Cear\u00e1, 11,7%. Maranh\u00e3o e Sergipe tamb\u00e9m apresentam percentuais superiores a 10%. Em contraste, unidades da Federa\u00e7\u00e3o como Santa Catarina e Distrito Federal registram taxas pr\u00f3ximas a 2%, com 1,9% e 1,8%, respectivamente. Em estados mais populosos do Sudeste, como S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, os \u00edndices giram em torno de 2% a 2,3%. O retrato refor\u00e7a que, dependendo do estado, mais de um em cada dez adultos ainda enfrenta limita\u00e7\u00f5es severas de alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O desafio \u00e9 ainda mais sens\u00edvel entre pessoas com 60 anos ou mais, faixa et\u00e1ria em que o analfabetismo \u00e9 significativamente superior \u00e0 m\u00e9dia nacional. Especialistas apontam que a supera\u00e7\u00e3o desse quadro exige pol\u00edticas p\u00fablicas cont\u00ednuas, atua\u00e7\u00e3o territorial e mobiliza\u00e7\u00e3o de diferentes setores da sociedade.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que universidades t\u00eam buscado ampliar seu papel social. Uma das iniciativas recentes \u00e9 a campanha \u201cQuando eu come\u00e7o, algu\u00e9m recome\u00e7a\u201d, estruturada pelo Instituto YDUQS no \u00e2mbito do tradicional trote universit\u00e1rio. A proposta mobiliza estudantes das institui\u00e7\u00f5es\u2014 Est\u00e1cio, Wyden, IDOMED e Ibmec \u2014 para atuarem como pontes de informa\u00e7\u00e3o e apoio, indicando jovens, adultos e idosos que n\u00e3o conclu\u00edram os estudos e os auxiliando no processo de inscri\u00e7\u00e3o em programas gratuitos de alfabetiza\u00e7\u00e3o e letramento.<\/p>\n<p>Mais do que uma campanha de engajamento, a iniciativa busca mapear o interesse por oportunidades educacionais, fortalecendo uma rede de apoio comunit\u00e1rio. A a\u00e7\u00e3o transforma um ritual acad\u00eamico em mobiliza\u00e7\u00e3o social e estimula o protagonismo estudantil desde o primeiro dia de aula, conectando o in\u00edcio da<\/p>\n<p>trajet\u00f3ria universit\u00e1ria ao recome\u00e7o educacional de quem teve seus estudos interrompidos.<\/p>\n<p>Para Cl\u00e1udia Romano, presidente do Instituto YDUQS e vice-presidente do grupo educacional YDUQS, a mobiliza\u00e7\u00e3o refor\u00e7a o papel estrat\u00e9gico da educa\u00e7\u00e3o como instrumento de transforma\u00e7\u00e3o social. \u201cO Brasil avan\u00e7ou nos indicadores, mas ainda convive com milh\u00f5es de pessoas que n\u00e3o tiveram acesso pleno \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o. Quando conectamos o in\u00edcio da vida universit\u00e1ria ao recome\u00e7o educacional de quem ficou para tr\u00e1s, mostramos que o ensino superior tamb\u00e9m pode atuar como ponte de inclus\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o de oportunidades. N\u00e3o se trata apenas de formar profissionais, mas de fortalecer trajet\u00f3rias e ampliar oportunidades reais.\u201d<\/p>\n<p>Segundo ela, o envolvimento dos estudantes amplia o alcance das a\u00e7\u00f5es e fortalece a cultura de responsabilidade social nas institui\u00e7\u00f5es de ensino. \u201cAo estimular o protagonismo desde o primeiro dia de aula, refor\u00e7amos que a universidade n\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o isolado da realidade social. Cada aluno que come\u00e7a sua gradua\u00e7\u00e3o pode ajudar algu\u00e9m a recome\u00e7ar. Esse movimento coletivo, constru\u00eddo em rede, tem potencial de gerar impacto concreto nas comunidades onde estamos presentes.\u201d<\/p>\n<p>Desde 2018, o Programa de Alfabetiza\u00e7\u00e3o e Letramento de Jovens e Adultos do Instituto j\u00e1 impactou mais de 2.300 pessoas em 21 unidades distribu\u00eddas por 11 estados, com metodologia espec\u00edfica para o p\u00fablico adulto e foco em acolhimento, respeito e aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do conte\u00fado. A iniciativa n\u00e3o envolve arrecada\u00e7\u00e3o financeira e tem participa\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, posicionando o estudante como agente de mobiliza\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o como respons\u00e1vel direto pela execu\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica. Este ano, o Programa conta com a parceria da Equatorial em Maranh\u00e3o (Imperatriz) e Par\u00e1 (Ananindeua), Amap\u00e1, Piau\u00ed, Goi\u00e1s e Alagoas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do engajamento universit\u00e1rio, a campanha tamb\u00e9m prev\u00ea participa\u00e7\u00e3o da comunidade. Familiares, organiza\u00e7\u00f5es sociais, igrejas e associa\u00e7\u00f5es locais podem divulgar o programa e apoiar interessados no acesso \u00e0 inscri\u00e7\u00e3o. A proposta dialoga com a agenda de responsabilidade social e com compromissos ligados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das desigualdades, refor\u00e7ando o papel das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior como agentes complementares no enfrentamento de um desafio hist\u00f3rico do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A campanha do primeiro semestre de 2026 ocorre de 16 de mar\u00e7o a 9 de maio, com inscri\u00e7\u00f5es gratuitas pelo site oficial do Instituto YDUQS. Ao conectar o in\u00edcio da vida universit\u00e1ria ao recome\u00e7o educacional de quem ficou para tr\u00e1s, a mobiliza\u00e7\u00e3o busca transformar um momento simb\u00f3lico em oportunidade concreta de inclus\u00e3o educacional e fortalecimento das comunidades. Aqueles que desejarem fazer a<\/p>\n<p>inscri\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-candidatos ao Programa devem acessar o link: Inscri\u00e7\u00f5es Programa de Alfabetiza\u00e7\u00e3o e Letramento de Jovens e Adultos.<\/p>\n<p>Essa iniciativa conta com o apoio do Instituto Equatorial, institui\u00e7\u00e3o social mantida pelo Grupo Equatorial, que investe diretamente no desenvolvimento das comunidades nos sete estados em que atua, promovendo a\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o social e ao fortalecimento local.<\/p>\n<p>\u201cCombater o analfabetismo est\u00e1 diretamente conectado ao nosso compromisso com a transforma\u00e7\u00e3o social. Acreditamos que, por meio do conhecimento, ampliamos oportunidades, reduzimos desigualdades e promovemos o desenvolvimento sustent\u00e1vel das comunidades. Valorizamos a diversidade, atuamos com \u00e9tica e transpar\u00eancia e buscamos construir solu\u00e7\u00f5es alinhadas \u00e0 realidade local, sempre com respeito \u00e0s pessoas e suas trajet\u00f3rias. N\u00e3o existe idade para aprender, e, como Instituto, seguimos apoiando iniciativas relevantes que geram impacto concreto e duradouro na vida das comunidades, fortalecendo parcerias e transformando dados em a\u00e7\u00f5es que fazem a diferen\u00e7a.\u201d \u2014 Jana\u00edna Ali, coordenadora do Instituto Equatorial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo com avan\u00e7os recentes, o Brasil ainda convive com um problema estrutural: milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o sabem ler ou escrever. 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