{"id":85961,"date":"2026-05-13T14:36:43","date_gmt":"2026-05-13T17:36:43","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=85961"},"modified":"2026-05-13T14:36:43","modified_gmt":"2026-05-13T17:36:43","slug":"usa-agua-de-poco-artesiano-estudo-alerta-para-contaminacao-invisivel-em-grandes-cidades-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2026\/05\/13\/usa-agua-de-poco-artesiano-estudo-alerta-para-contaminacao-invisivel-em-grandes-cidades-brasileiras","title":{"rendered":"Usa \u00e1gua de po\u00e7o artesiano? Estudo alerta para contamina\u00e7\u00e3o invis\u00edvel em grandes cidades brasileiras"},"content":{"rendered":"<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-3e67b60qy0\">Um estudo cient\u00edfico acende um alerta: o uso crescente de \u00e1gua subterr\u00e2nea em grandes cidades brasileiras pode estar associado a riscos de contamina\u00e7\u00e3o dif\u00edceis de monitorar, especialmente em \u00e1reas industriais antigas ou em processo de reurbaniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-qdv599q030\">A pesquisa mostra que em S\u00e3o Paulo, onde h\u00e1 hist\u00f3rico de atividade industrial, subst\u00e2ncias t\u00f3xicas podem persistir no solo e alcan\u00e7ar aqu\u00edferos usados para abastecimento, cen\u00e1rio que pode se repetir em diferentes centros urbanos do pa\u00eds.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-uh15riptrb\">Com cerca de 22 milh\u00f5es de habitantes, a Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo (RMSP) ajuda a dimensionar o tamanho do desafio. A regi\u00e3o consome, em m\u00e9dia, 61,6 mil litros de \u00e1gua por segundo. Embora a maior parte venha de mananciais superficiais, cerca de 18% do abastecimento depende de aqu\u00edferos \u2014 uma realidade que tamb\u00e9m se observa em outras grandes cidades brasileiras, onde a perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os privados cresce como alternativa diante da press\u00e3o sobre os sistemas p\u00fablicos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-7c0qodebdt\">Clubes, condom\u00ednios, ind\u00fastrias e hospitais figuram entre os principais consumidores do recurso subterr\u00e2neo, aponta o estudo apoiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp), uma das principais ag\u00eancias de fomento \u00e0 pesquisa cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica do Brasil, e assinado por Daphne Silva Pino e colaboradores. Os pesquisadores examinam o quadro brasileiro, com foco especial na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-mbr1d28ndw\">O problema, segundo o estudo publicado na revista Environmental Earth Sciences, \u00e9 que boa parte desses po\u00e7os opera sem controle: dois ter\u00e7os n\u00e3o est\u00e3o formalmente cadastrados. Isso dificulta qualquer avalia\u00e7\u00e3o sobre a qualidade da \u00e1gua consumida.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-mkxxfxz7dl\">Al\u00e9m disso, muitos desses po\u00e7os foram perfurados em \u00e1reas que j\u00e1 abrigaram ind\u00fastrias e hoje passam por transforma\u00e7\u00e3o urbana \u2014 um processo comum em metr\u00f3poles de todo o pa\u00eds. Nessas regi\u00f5es, o solo pode estar contaminado por res\u00edduos antigos, especialmente solventes qu\u00edmicos usados na limpeza de m\u00e1quinas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-whjgcf7rn4\">Entre os principais contaminantes est\u00e3o o percloroetileno e o tricloroetileno, subst\u00e2ncias t\u00f3xicas que podem persistir no ambiente por longos per\u00edodos. Diferentemente de outros poluentes, esses compostos tendem a se infiltrar no solo e atingir camadas mais profundas, podendo alcan\u00e7ar aqu\u00edferos utilizados para consumo humano.\u00a0As informa\u00e7\u00f5es foram publicadas na Ag\u00eancia Fapesp.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-b1pbmw9the\">Os pesquisadores destacam que o risco n\u00e3o se limita \u00e0 presen\u00e7a dessas subst\u00e2ncias. Quando h\u00e1 bombeamento de \u00e1gua em profundidade, pode ocorrer um efeito que \u201cpuxa\u201d contaminantes das camadas mais superficiais para n\u00edveis mais profundos, ampliando o problema.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-4koqj9kxh7\">Outro ponto cr\u00edtico \u00e9 a forma como a contamina\u00e7\u00e3o \u00e9 gerida. Em geral, as a\u00e7\u00f5es de controle se concentram em terrenos espec\u00edficos, mas a \u00e1gua subterr\u00e2nea circula sem respeitar limites de propriedades. Isso faz com que \u00e1reas contaminadas possam afetar regi\u00f5es vizinhas \u2014 um desafio que exige planejamento em escala mais ampla.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-elmjfcuwug\">O estudo cruzou dados de zonas industriais, \u00e1reas contaminadas e localiza\u00e7\u00e3o de po\u00e7os, revelando que essas tr\u00eas vari\u00e1veis frequentemente se sobrep\u00f5em. Esse tipo de cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 exclusivo de S\u00e3o Paulo e pode ocorrer em outras cidades brasileiras com hist\u00f3rico industrial relevante.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-2d0khjk6ol\">Apesar disso, a recupera\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas \u00e9 lenta. Levantamento citado na pesquisa indica que menos de 20% dos locais contaminados por solventes clorados foram considerados reabilitados at\u00e9 2020 \u2014 e mesmo nesses casos, a contamina\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 totalmente eliminada, apenas reduzida a n\u00edveis considerados aceit\u00e1veis.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-uwsxmxuh42\">Jurubatuba, na zona sul de S\u00e3o Paulo, \u00e9 apontada pelo estudo como a regi\u00e3o mais investigada da Regi\u00e3o Metropolitana quando o assunto \u00e9 contamina\u00e7\u00e3o de aqu\u00edferos. Mesmo assim, cerca de 75% das \u00e1reas analisadas ainda n\u00e3o possuem informa\u00e7\u00f5es detalhadas nos cadastros ambientais. Metade desses locais corresponde a antigas instala\u00e7\u00f5es industriais com hist\u00f3rico de uso de solventes clorados.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-4ph2j8ktm8\">Para o pesquisador Reginaldo Bertolo, o acompanhamento realizado em Jurubatuba pode servir de modelo para outras \u00e1reas industriais da Grande S\u00e3o Paulo, incluindo munic\u00edpios do ABC paulista. A proposta \u00e9 ampliar a atua\u00e7\u00e3o integrada entre a Cetesb e a SP \u00c1guas no monitoramento e gest\u00e3o das \u00e1guas subterr\u00e2neas contaminadas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-tbxuqww7qt\">Para os autores, o principal desafio \u00e9 estruturar pol\u00edticas p\u00fablicas que considerem os aqu\u00edferos como sistemas integrados, e n\u00e3o como pontos isolados. Isso inclui ampliar o monitoramento, integrar bases de dados e tornar as informa\u00e7\u00f5es mais acess\u00edveis \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-tq2hcjxava\">O alerta, portanto, n\u00e3o se restringe \u00e0 realidade paulista: ele aponta para uma quest\u00e3o estrutural do pa\u00eds, em um contexto de crescente demanda por \u00e1gua e expans\u00e3o urbana sobre \u00e1reas com passivos ambientais ainda pouco conhecidos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<h2 id=\"intertitulo-4euo2jn1f4\" class=\"font-family-secondary text-tw-theme-box-titulo-default text-[26px] leading-[38px] font-bold md:text-[31px]\">RESPOSTAS<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-9kfux9fm23\">Em nota enviada \u00e0 Ag\u00eancia Fapesp, a SP \u00c1guas informou que realizou novos estudos hidrogeol\u00f3gicos na regi\u00e3o de Jurubatuba, em S\u00e3o Paulo, para ampliar o entendimento sobre a rela\u00e7\u00e3o entre \u00e1guas subterr\u00e2neas e \u00e1reas contaminadas. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, o objetivo \u00e9 aperfei\u00e7oar o modelo de gest\u00e3o existente, integrando pol\u00edticas de recursos h\u00eddricos e gerenciamento ambiental, al\u00e9m de identificar \u00e1reas com maior ou menor restri\u00e7\u00e3o para uso da \u00e1gua.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-rih8g9b1da\">A ag\u00eancia tamb\u00e9m defendeu medidas como unifica\u00e7\u00e3o de bancos de dados, monitoramento cont\u00ednuo e comunica\u00e7\u00e3o mais acess\u00edvel com a popula\u00e7\u00e3o para melhorar a gest\u00e3o dos aqu\u00edferos contaminados. Procurada pela reportagem, a Cetesb n\u00e3o se manifestou at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo cient\u00edfico acende um alerta: o uso crescente de \u00e1gua subterr\u00e2nea em grandes cidades brasileiras pode estar associado a riscos de contamina\u00e7\u00e3o dif\u00edceis de monitorar, especialmente em \u00e1reas industriais antigas ou em processo de reurbaniza\u00e7\u00e3o. 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