{"id":86502,"date":"2026-06-07T15:24:29","date_gmt":"2026-06-07T18:24:29","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=86502"},"modified":"2026-06-07T15:24:29","modified_gmt":"2026-06-07T18:24:29","slug":"adaptacao-lenta-da-rede-eletrica-na-bahia-ameaca-arara-azul-de-lear-diz-projeto-de-conservacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2026\/06\/07\/adaptacao-lenta-da-rede-eletrica-na-bahia-ameaca-arara-azul-de-lear-diz-projeto-de-conservacao","title":{"rendered":"Adapta\u00e7\u00e3o lenta da rede el\u00e9trica na Bahia amea\u00e7a arara-azul-de-lear, diz projeto de conserva\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A caatinga abriga a \u00fanica popula\u00e7\u00e3o selvagem da arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), esp\u00e9cie em perigo de extin\u00e7\u00e3o. Gra\u00e7as a um projeto de conserva\u00e7\u00e3o iniciado em 1993, o total de aves saltou de 50 para 2.548 em tr\u00eas d\u00e9cadas, mas a rede el\u00e9trica da regi\u00e3o imp\u00f5e uma amea\u00e7a crescente aos animais.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o privada Funda\u00e7\u00e3o Biodiversitas gerencia a Esta\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica de Canudos, no norte da Bahia, e registra 192 indiv\u00edduos mortos por choques em linhas de m\u00e9dia e baixa tens\u00e3o nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Erica Pacifico, pesquisadora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), estuda a conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie desde 2008 e afirma que os \u00f3bitos se tornaram mais frequentes por causa do avan\u00e7o do desmatamento, fazendo com que as araras passem a buscar alimento nas \u00e1reas rurais \u2013onde a fia\u00e7\u00e3o el\u00e9trica representa risco de vida para casais em idade reprodutiva e filhotes.<\/p>\n<p>Segundo a especialista, seria necess\u00e1rio inverter a posi\u00e7\u00e3o dos transformadores para evitar a descarga el\u00e9trica. &#8220;\u00c9 uma solu\u00e7\u00e3o muito simples, e n\u00e3o est\u00e1 sendo feito. J\u00e1 faz cinco anos que existem tratativas com o Minist\u00e9rio P\u00fablico, mas a gente n\u00e3o v\u00ea rea\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p>Luciana Khoury, promotora de Justi\u00e7a Ambiental de Paulo Afonso (BA), diz que as autoridades tomaram conhecimento do caso em 2020. Investiga\u00e7\u00f5es iniciais confirmaram que a causa dos \u00f3bitos era a eletropless\u00e3o, o nome t\u00e9cnico para morte por choque el\u00e9trico acidental.<\/p>\n<p>Khoury afirma que o Minist\u00e9rio P\u00fablico planeja firmar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com a Neoenergia, a empresa respons\u00e1vel pela energia da Bahia, para definir protocolos de adapta\u00e7\u00e3o das estruturas j\u00e1 existentes e garantir que todas as novas instala\u00e7\u00f5es sejam constru\u00eddas no padr\u00e3o adequado.<\/p>\n<p>&#8220;O tempo acabou sendo mais longo do que se deseja e, com isso, mais consequ\u00eancias para as araras&#8221;, diz. De acordo com a promotora, ainda falta definir a \u00e1rea exata em que ser\u00e1 necess\u00e1rio fazer os ajustes, e a pr\u00f3xima reuni\u00e3o deve acontecer neste m\u00eas para fechar o acordo.<\/p>\n<p>A Neoenergia afirma ter modificado mais de 6.100 estruturas para evitar mortes de aves, com adapta\u00e7\u00f5es que incluem padr\u00e3o construtivo para permitir pouso seguro, distanciamento entre as fases da fia\u00e7\u00e3o e reposicionamento de isoladores, para cortar o fluxo da corrente el\u00e9trica.<\/p>\n<p>&#8220;Fazemos trocas constantes e cont\u00ednuas nos munic\u00edpios onde tem ocorr\u00eancia das araras, para que elas possam ter uma intera\u00e7\u00e3o sem risco de morte&#8221;, diz Daniel Daibert, superintendente de meio ambiente e fundi\u00e1rio da Neoenergia.<\/p>\n<p>A bi\u00f3loga T\u00e2nia Maria Alves, gerente da Esta\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica de Canudos, v\u00ea a situa\u00e7\u00e3o de outra forma. &#8220;Infelizmente, isso ainda n\u00e3o foi finalizado, n\u00e3o est\u00e1 da maneira que deveria ser, e as araras continuam morrendo.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Esse problema cresceu de 2018 para c\u00e1, e falta muito para resolver&#8221;, diz o guarda-parque Guilherme Feitosa de Jesus, que tamb\u00e9m atua como assistente de pesquisa.<\/p>\n<p>Erica Pacifico afirma que a distribui\u00e7\u00e3o de energia \u00e9 importante para a popula\u00e7\u00e3o e que, por causa disso, o assunto \u00e9 pouco falado. &#8220;Mas tenho clareza para dizer que a principal amea\u00e7a para a arara-azul-de-lear hoje \u00e9 a eletropless\u00e3o, sem sombra de d\u00favidas.&#8221;<\/p>\n<p>Ao ser perguntada sobre os impactos de torres e\u00f3licas instaladas em Canudos, a pesquisadora diz que n\u00e3o h\u00e1 registro de mortes de aves e que um estudo com base em dados de altitude e velocidade de voo identificou baixo perigo de colis\u00e3o com p\u00e1s de aerogeradores.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o temos evid\u00eancia nenhuma de que o parque e\u00f3lico cause risco para as araras, enquanto a rede de energia mata bicho agressivamente&#8221;, afirma a especialista.<\/p>\n<p>O jorna Folha de S\u00e3o Paulo acompanhou uma expedi\u00e7\u00e3o \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica de Canudos em abril e observou as aves em vida livre no in\u00edcio da manh\u00e3, quando deixam os ninhos, constru\u00eddos exclusivamente em pared\u00f5es de arenito calc\u00e1rio, \u00e0 procura da iguaria favorita da esp\u00e9cie: o licuri, fruto de uma palmeira.<\/p>\n<p>No dia seguinte \u00e0 visita da reportagem, guarda-parques encontraram uma arara morta na rede el\u00e9trica. A equipe afirma que contabiliza de 1 a 3 \u00f3bitos por m\u00eas, em m\u00e9dia.<\/p>\n<p>&#8220;Uma esp\u00e9cie amea\u00e7ada com hist\u00f3rico de 200 eletrocuss\u00f5es significa uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande para a gente que luta no dia a dia&#8221;, diz Jorge Velloso, superintendente da Funda\u00e7\u00e3o Biodiversitas. A organiza\u00e7\u00e3o recebe apoio da Seguros Unimed e tem parceiros internacionais.<\/p>\n<p>Outro risco vem de Cura\u00e7\u00e1, tamb\u00e9m na Bahia, onde um surto de circov\u00edrus atingiu as ararinhas-azuis reintroduzidas \u00e0 natureza pela ONG alem\u00e3 ACTP (Associa\u00e7\u00e3o para a Conserva\u00e7\u00e3o de Papagaios Amea\u00e7ados) e pela empresa brasileira Blue Sky. N\u00e3o h\u00e1 tratamento conhecido para o microrganismo, que pode matar as aves.<\/p>\n<p>O foco da doen\u00e7a se localiza a 120 km em linha reta da Esta\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica de Canudos. De acordo com Erica Pacifico, as araras-azuis-de-lear costumam voar cerca de 60 km por dia, mas podem voar at\u00e9 200 km de forma explorat\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8220;O circov\u00edrus na \u00e1rea de soltura da ararinha-azul \u00e9 uma bomba para a gente, \u00e9 um perigo s\u00e9rio&#8221;, afirma a especialista. Ela diz que a equipe testou 31 filhotes at\u00e9 meados de abril, sem evid\u00eancias de contamina\u00e7\u00e3o das araras-azuis-de-lear.<\/p>\n<p>No fim de maio, uma opera\u00e7\u00e3o retirou 69 ararinhas-azuis de um criadouro particular em Cura\u00e7\u00e1 e as levou para um centro na Univasf (Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco), em Petrolina (PE).<\/p>\n<p>A Esta\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica de Canudos permaneceu fechada ao p\u00fablico de 1993 a 2013 para permitir a regenera\u00e7\u00e3o das aves. Com o crescimento da popula\u00e7\u00e3o, a Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza mudou a classifica\u00e7\u00e3o da arara-azul-de-lear: em 2009, a esp\u00e9cie deixou de estar criticamente em perigo de extin\u00e7\u00e3o e passou a estar em perigo.<\/p>\n<p>Velloso diz que o fechamento foi uma atitude acertada, ao reduzir o tr\u00e1fico de animais, e antip\u00e1tica. &#8220;Durante 20 anos, a gente viveu em guerra com a comunidade, porque todo mundo sabia que tinha as araras, que o mundo inteiro estava falando, mas ningu\u00e9m podia visitar.&#8221;<\/p>\n<p>Atualmente, o local recebe de 600 a 800 visitantes a cada ano, com o limite m\u00e1ximo de 15 pessoas por dia. Turistas estrangeiros pagam R$ 550 para acessar a reserva, e brasileiros, R$ 330. Moradores de Canudos t\u00eam gratuidade, mediante a realiza\u00e7\u00e3o de um cadastro na prefeitura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A caatinga abriga a \u00fanica popula\u00e7\u00e3o selvagem da arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), esp\u00e9cie em perigo de extin\u00e7\u00e3o. Gra\u00e7as a um projeto de conserva\u00e7\u00e3o iniciado em 1993, o total de aves saltou de 50 para 2.548 em tr\u00eas d\u00e9cadas, mas a rede el\u00e9trica da regi\u00e3o imp\u00f5e uma amea\u00e7a crescente aos animais. 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