{"id":87594,"date":"2026-07-31T12:16:46","date_gmt":"2026-07-31T15:16:46","guid":{"rendered":"https:\/\/blogopara.com.br\/?p=87594"},"modified":"2026-07-31T12:16:46","modified_gmt":"2026-07-31T15:16:46","slug":"depressao-sazonal-inverno-reacende-alerta-sobre-transtorno-que-atinge-127-dos-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2026\/07\/31\/depressao-sazonal-inverno-reacende-alerta-sobre-transtorno-que-atinge-127-dos-brasileiros","title":{"rendered":"Depress\u00e3o sazonal: inverno reacende alerta sobre transtorno que atinge 12,7% dos brasileiros"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 quem sinta o inverno catarinense muito al\u00e9m do frio na pele. Para uma parcela da popula\u00e7\u00e3o, as sucessivas frentes frias tamb\u00e9m trazem humor mais baixo, sono em excesso e uma sensa\u00e7\u00e3o de des\u00e2nimo que n\u00e3o passa com uma noite bem dormida. Quando esse quadro se repete todos os anos, na mesma \u00e9poca, e gera preju\u00edzo no trabalho, nos relacionamentos ou na rotina, pode n\u00e3o se tratar de uma simples tristeza de inverno e sim de depress\u00e3o sazonal, um subtipo de transtorno depressivo reconhecido pela psiquiatria.<\/p>\n<p>A depress\u00e3o j\u00e1 \u00e9 um dos problemas de sa\u00fade p\u00fablica mais expressivos do pa\u00eds, mesmo fora do inverno. Levantamento do inqu\u00e9rito Covitel 2023, com dados reunidos no Observat\u00f3rio de Sa\u00fade P\u00fablica e relatados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, mostra que 12,7% da popula\u00e7\u00e3o brasileira convive com depress\u00e3o &#8211; entre as mulheres, o \u00edndice sobe para 18,1%, contra 6,9% entre os homens. Em compara\u00e7\u00e3o internacional, o Brasil tamb\u00e9m aparece na lideran\u00e7a: segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o pa\u00eds tem a maior preval\u00eancia de depress\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, ficando atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos entre as na\u00e7\u00f5es das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>\u201cA depress\u00e3o sazonal \u00e9 um subtipo de transtorno depressivo maior ou transtorno bipolar caracterizado por epis\u00f3dios que ocorrem em uma \u00e9poca espec\u00edfica do ano, tipicamente no outono ou no inverno, com remiss\u00e3o completa nas outras esta\u00e7\u00f5es\u201d, explica o psiquiatra Ian Arantes Pereira, professor do IDOMED. Ele diz que o diagn\u00f3stico segue os mesmos crit\u00e9rios de qualquer quadro depressivo, mas exige um padr\u00e3o sazonal comprovado em pelo menos dois anos consecutivos, com desaparecimento total dos sintomas quando a esta\u00e7\u00e3o termina. \u201cIsso diferencia o quadro cl\u00ednico de um des\u00e2nimo comum, que n\u00e3o chega a comprometer o funcionamento da pessoa\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Entre os sinais mais frequentes est\u00e3o a necessidade aumentada de sono, o humor deprimido, a perda de prazer em atividades antes consideradas agrad\u00e1veis e a queda de energia. Pereira pondera que a diferen\u00e7a central est\u00e1 no impacto funcional. &#8220;A depress\u00e3o sazonal causa comprometimento funcional significativo no trabalho, nos estudos, na vida social, o que n\u00e3o acontece com uma tristeza comum de inverno.&#8221;<\/p>\n<p>Por que o corpo reage assim \u00e0 falta de sol<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 em mecanismos biol\u00f3gicos, a luz solar funciona como o principal sincronizador do rel\u00f3gio circadiano do corpo humano, e sua redu\u00e7\u00e3o no outono e no inverno prolonga a frequ\u00eancia de melatonina, horm\u00f4nio que regula o sono. Segundo Pereira, esse<\/p>\n<p>excesso de melatonina tem efeito depressog\u00eanico e ainda reduz a produ\u00e7\u00e3o de serotonina, j\u00e1 que os dois horm\u00f4nios disputam a mesma mat\u00e9ria-prima, o triptofano. &#8220;Pessoas com depress\u00e3o sazonal t\u00eam seus rel\u00f3gios biol\u00f3gicos desalinhados em rela\u00e7\u00e3o ao ciclo dia-noite externo&#8221;, resume o psiquiatra. A isso somam-se mudan\u00e7as de comportamento t\u00edpicas da esta\u00e7\u00e3o como menos atividade ao ar livre, mais isolamento social e queda na pr\u00e1tica de exerc\u00edcios, que refor\u00e7am o quadro.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio clim\u00e1tico projetado para o inverno catarinense de 2026 combina epis\u00f3dios pontuais de frio intenso, principalmente no in\u00edcio da esta\u00e7\u00e3o, com um segundo semestre mais \u00famido e nublado por influ\u00eancia do El Ni\u00f1o, segundo boletins da Epagri\/Ciram e da Secretaria de Estado da Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil (SDC\/SC). Julho e agosto devem concentrar mais chuva e maior nebulosidade no estado, justamente as condi\u00e7\u00f5es que mais reduzem a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz natural durante o dia.<\/p>\n<p>Quem tem mais risco e quando procurar ajuda<\/p>\n<p>Mulheres, jovens entre 18 e 30 anos, pessoas com hist\u00f3rico familiar de depress\u00e3o sazonal e pessoas que j\u00e1 convivem com outros transtornos psiqui\u00e1tricos &#8211; como os quadros ansiosos &#8211; formam os grupos mais suscet\u00edveis, segundo Pereira. Ele alerta que os sintomas n\u00e3o costumam desaparecer sozinhos com o passar dos dias. \u201cApesar de estarem limitados \u00e0 esta\u00e7\u00e3o, as pessoas com quadros sazonais podem permanecer sintom\u00e1ticas por cerca de 40% do ano\u201d.<\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 buscar avalia\u00e7\u00e3o profissional quando o humor deprimido, a perda de interesse, a queda de energia, a baixa autoestima ou o sentimento de culpa passam a interferir na rotina di\u00e1ria. Pensamentos relacionados ao suic\u00eddio ou \u00e0 autoagress\u00e3o, por sua vez, s\u00e3o sinais de alerta que exigem atendimento imediato. Para familiares e amigos, o psiquiatra sugere uma abordagem cuidadosa: expressar preocupa\u00e7\u00e3o sem julgamento, citar mudan\u00e7as espec\u00edficas percebidas na pessoa, oferecer ajuda pr\u00e1tica, como marcar uma consulta ou acompanhar o primeiro atendimento e nunca minimizar o que ela est\u00e1 sentindo.<\/p>\n<p>H\u00e1bitos que ajudam a atravessar o inverno<\/p>\n<p>Pequenas mudan\u00e7as de rotina, segundo o m\u00e9dico, j\u00e1 fazem diferen\u00e7as \u00f3bvias. Caminhar ao ar livre nas primeiras horas do dia, sempre que o tempo permitir, ajuda a regular o padr\u00e3o de libera\u00e7\u00e3o da melatonina, e combinar essa exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz com exerc\u00edcio f\u00edsico &#8211; caminhada, corrida ou pedalada &#8211; potencializa o efeito. Manter um hor\u00e1rio fixo para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana, preservar o ritmo circadiano mesmo quando a motiva\u00e7\u00e3o est\u00e1 baixa. Sustentar contato social, hobbies e uma rotina estruturada de trabalho, alimenta\u00e7\u00e3o e lazer tamb\u00e9m funciona como prote\u00e7\u00e3o, mesmo quando o \u00e2nimo natural para essas atividades diminui.<\/p>\n<p>Quando o quadro de depress\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 instalado, o tratamento deve ser definido por profissionais, de acordo com a gravidade dos sintomas e o hist\u00f3rico de cada paciente. \u201cO tratamento precisa ser individualizado. A automedica\u00e7\u00e3o e a banaliza\u00e7\u00e3o dos sintomas atrasam o in\u00edcio do cuidado e podem agravar o quadro do paciente\u201d, refor\u00e7a o especialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo o psiquiatra Ian Arantes Pereira, professor do IDOMED, a falta de sol no inverno pode desencadear ou agravar os 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