{"id":9484,"date":"2020-04-19T15:04:35","date_gmt":"2020-04-19T18:04:35","guid":{"rendered":"http:\/\/blogopara.com.br\/?p=9484"},"modified":"2020-04-19T15:04:41","modified_gmt":"2020-04-19T18:04:41","slug":"coronavirus-de-um-lado-invasores-de-outro-como-esta-a-situacao-dos-indigenas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogopara.com.br\/index.php\/2020\/04\/19\/coronavirus-de-um-lado-invasores-de-outro-como-esta-a-situacao-dos-indigenas-no-brasil","title":{"rendered":"Coronav\u00edrus de um lado, invasores de outro: como est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Precariamente assistidas pelo governo e pressionadas pela crescente onda de invas\u00f5es em seus territ\u00f3rios, as comunidades ind\u00edgenas enfrentam quase sozinhas o avan\u00e7o da pandemia do coronav\u00edrus nas aldeias. At\u00e9 o final de segunda-feira (13), o v\u00edrus j\u00e1 havia matado tr\u00eas ind\u00edgenas \u2014 um adolescente Yanomami, de 15 anos, em Roraima, uma idosa Borari, de 87 anos, em Alter do Ch\u00e3o, no Par\u00e1, e um homem da etnia Mura, de 55 anos, em Manaus \u2014 e contagiado nove pessoas no total. Outros 23 casos est\u00e3o sendo tratados como suspeitos e 31 foram descartados, segundo dados oficiais do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA melhor forma de prevenir agora \u00e9 manter as comunidades isoladas e orientar que n\u00e3o saiam e nem recebam visitas. Temos um hist\u00f3rico muito perverso de doen\u00e7as contagiosas, que dizimaram etnias inteiras no passado. Todos est\u00e3o assustados\u201d, diz S\u00f4nia Guajajara, coordenadora executiva da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (APIB). A preocupa\u00e7\u00e3o maior das entidades, segundo ela, \u00e9 se prevenir contra a fase mais dura do cont\u00e1gio, que amea\u00e7a as comunidades ind\u00edgenas, proporcionalmente, na mesma proje\u00e7\u00e3o de avan\u00e7o \u00e0s cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Longe da briga travada entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Sa\u00fade, Luiz Henrique Mandetta, as comunidades ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia contam basicamente com o trabalho de suas lideran\u00e7as comunit\u00e1rias, das entidades indigenistas e profissionais de sa\u00fade, que travam uma guerra quase solit\u00e1ria contra o v\u00edrus. \u201cFaltam EPIs (Equipamentos de Prote\u00e7\u00e3o Individual), vacinas contra a gripe e material para testagem do coronav\u00edrus em pessoas que apresentam sintomas de contamina\u00e7\u00e3o\u201d, diz S\u00f4nia Guajajara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFaltam EPIs (Equipamentos de Prote\u00e7\u00e3o Individual), vacinas contra a gripe e material para testagem do coronav\u00edrus em pessoas que apresentam sintomas de contamina\u00e7\u00e3o\u201d, relata S\u00f4nia Guajajara<br \/>\nH\u00e1 duas semanas ela vinha pressionando a Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena (SESAI), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, pela antecipa\u00e7\u00e3o da campanha de vacina\u00e7\u00e3o contra H1N1 nas aldeias, prevista para o final de abril, e para que se adote como crit\u00e9rio a possibilidade de cont\u00e1gio comunit\u00e1rio, uma vez que em muitas regi\u00f5es, al\u00e9m da miscigena\u00e7\u00e3o, h\u00e1 forte intera\u00e7\u00e3o entre aldeias e cidades. Nesta segunda (13), o secret\u00e1rio nacional de Sa\u00fade Ind\u00edgena, Robson Santos Silva anunciou que a vacina\u00e7\u00e3o come\u00e7ar\u00e1 na pr\u00f3xima quinta-feira, com a distribui\u00e7\u00e3o de 750 mil vacinas para comunidades ind\u00edgenas de todo pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os profissionais de sa\u00fade est\u00e3o coletando amostras de material para an\u00e1lise laboratorial de pessoas que apresentem sinais da Covid-19 e que tenham viajado. Os demais s\u00e3o avaliados pelos sintomas e medicados como gripe. Mas n\u00e3o t\u00eam, segundo S\u00f4nia Guajajara, os prometidos kits para testagem r\u00e1pida. \u201cN\u00e3o \u00e9 gripezinha. \u00c9 uma doen\u00e7a altamente letal e com risco maior aos ind\u00edgenas\u201d, diz a coordenadora da APIB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O vaiv\u00e9m descontrolado de pessoas nos garimpos ilegais, segundo as entidades indigenistas ouvidas pela Ag\u00eancia P\u00fablica, \u00e9 atualmente o grande desafio dos profissionais de sa\u00fade e das lideran\u00e7as que lutam para evitar o contato. \u201cExigimos que os \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a tirem os invasores das terras ind\u00edgenas. O risco de cont\u00e1gio \u00e9 iminente\u201d, diz S\u00f4nia. APIB e CIMI sustentam que no v\u00e1cuo deixado pela aus\u00eancia da Funai, Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM) e da redu\u00e7\u00e3o dos controles pela Pol\u00edcia Federal e Ex\u00e9rcito, os garimpos ilegais, grilagem de terras e explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeira est\u00e3o aumentando na Amaz\u00f4nia. Lideran\u00e7as dos Karipuna, em Rond\u00f4nia, alertaram entidades indigenistas sobre invasores limpando \u00e1reas a 10 quil\u00f4metros da Aldeia Panorama para extrair madeira. Levantamento do jornal O Estado de S\u00e3o Paulo, com base em informa\u00e7\u00f5es do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), aponta que as \u00e1reas desmatadas praticamente dobraram na Amaz\u00f4nia, saltando de 2.649 quil\u00f4metros quadrados, para 5.076 quil\u00f4metros quadrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ritmo do avan\u00e7o da minera\u00e7\u00e3o ilegal \u00e9 igualmente preocupante. \u201cS\u00f3 nas terras dos Yanomami j\u00e1 s\u00e3o mais de 30 mil garimpeiros\u201d, disse o coordenador do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI), Ant\u00f4nio Eduardo Oliveira. At\u00e9 o final do ano passado, a estimativa era de 20 mil garimpeiros. Oliveira afirma que a crise sanit\u00e1ria fragilizou ainda mais os controles e abriu brechas para a a\u00e7\u00e3o dos invasores. Segundo ele, a SESAI, que j\u00e1 havia afastado seus agentes das \u00e1reas de conflito com restri\u00e7\u00e3o a viagens imposta pela Funai, n\u00e3o tem plano de emerg\u00eancia preventivo ou de conten\u00e7\u00e3o caso a doen\u00e7a avance sobre as comunidades ind\u00edgenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ant\u00f4nio Eduardo Oliveira \u00e9 coordenador do Cimi<br \/>\n\u201cEstamos entrando na pior etapa\u201d, diz secret\u00e1rio de Sa\u00fade Ind\u00edgena<br \/>\nRobson Santos Silva, o secret\u00e1rio de Sa\u00fade Ind\u00edgena, disse \u00e0 P\u00fablica que a SESAI estruturou seu plano de a\u00e7\u00e3o para acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. \u201cO plano \u00e9 m\u00f3vel e pode ser modificado a cada etapa\u201d, disse ele. Num v\u00eddeo divulgado pelo site da SESAI, Silva alertou que nesta semana come\u00e7a a fase mais complicada. \u201cEstamos entrando na pior etapa, que \u00e9 essa que se inicia agora. O v\u00edrus tende a se expandir\u201d, disse ele, apelando para que os ind\u00edgenas permane\u00e7am isolados e em suas comunidades. A SESAI, segundo ele, cuida da sa\u00fade b\u00e1sica em distritos ind\u00edgenas, enquanto o SUS atender\u00e1 a todos, incluindo os casos mais graves de ind\u00edgenas infectados. O secret\u00e1rio disse que n\u00e3o quer acusar os hospitais, mas afirma que os tr\u00eas ind\u00edgenas que faleceram n\u00e3o deixaram suas aldeias com sintomas do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fa\u00e7a parte do nosso programa de apoio recorrente e promova jornalismo investigativo de qualidade. Doa\u00e7\u00f5es a partir de R$ 10,00\/m\u00eas.<br \/>\napoie agora!<br \/>\n\u201cDesde o in\u00edcio da crise estamos cobrando a a\u00e7\u00e3o do governo, mas n\u00e3o h\u00e1 at\u00e9 agora qualquer resposta. Com o sucateamento da Funai os riscos aumentaram\u201d, afirma Oliveira. O CIMI pediu que seus 200 funcion\u00e1rios envolvidos com assist\u00eancia aos \u00edndios sa\u00edssem de aldeias e passassem a monitorar \u00e0 dist\u00e2ncia a situa\u00e7\u00e3o. S\u00f4nia Guajajara afirma que a Funai foi desmontada e reaparelhada para atender ruralistas e mineradoras, estimuladas pela pol\u00edtica do governo Bolsonaro de incentivos \u00e0s atividades econ\u00f4micas em terras ind\u00edgenas. O ministro da Justi\u00e7a e da Seguran\u00e7a, Sergio Moro, a quem a Funai \u00e9 subordinada, segundo ela, se comporta como quem ignora completamente os riscos do coronav\u00edrus. \u201cEle n\u00e3o fala nada\u201d, cutuca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00faltima segunda (13), Moro quebrou o sil\u00eancio. Disse que o cont\u00e1gio que resultou nas tr\u00eas mortes ocorreu fora das aldeias e que as a\u00e7\u00f5es do MJ come\u00e7aram pelo isolamento nas comunidades. Segundo ele, visita\u00e7\u00f5es a comunidades s\u00f3 em casos excepcionais, para levar suporte. As invas\u00f5es, que chamou de intromiss\u00e3o, Moro disse tratar-se de um desafio aos \u00f3rg\u00e3os de controle.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 duas semanas a APIB, com a ajuda do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, conseguiu derrubar parte de uma portaria do presidente da Funai, Marcelo Xavier, que permitia \u00e0s coordena\u00e7\u00f5es regionais fazer contato com \u00edndios isolados, tarefa complexa e delicada, executada por um departamento espec\u00edfico da autarquia. Em tempos de pandemia o contato com gente despreparada, alerta S\u00f4nia, representaria um alto risco porque \u00edndios isolados n\u00e3o t\u00eam defesas no organismo nem contra os v\u00edrus mais comuns.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal recomendou a\u00e7\u00f5es emergenciais de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade dos povos ind\u00edgenas e citou \u201ccen\u00e1rio de risco de genoc\u00eddio\u201d sem as a\u00e7\u00f5es recomendadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Coordenador do Conselho Indigenista de Roraima (CIR), Enoque Taurepang afirma que a movimenta\u00e7\u00e3o de garimpeiros e dos empres\u00e1rios que os financiam, est\u00e1 gerando um cen\u00e1rio de alto risco para os Yanomami, que j\u00e1 apresentam s\u00e9rios problemas de sa\u00fade em decorr\u00eancia do derrame de merc\u00fario em rios e c\u00f3rregos na extra\u00e7\u00e3o de ouro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na avalia\u00e7\u00e3o de S\u00f4nia Guajajara, o ministro Sergio Moro tem ignorado completamente os riscos do coronav\u00edrus<br \/>\n\u201cInfelizmente a situa\u00e7\u00e3o do garimpo nos Yanomami \u00e9 incontrol\u00e1vel. Tem empres\u00e1rios de outros estados dentro das \u00e1reas. A gente chega l\u00e1 e fala que \u00e9 proibido, mas eles n\u00e3o obedecem, n\u00e3o conhecem a palavra n\u00e3o. Eles mudam o nome da invas\u00e3o: dizem que \u00e9 trabalho e n\u00e3o atendem\u201d, conta Taurepang, que tem usado as redes sociais para orientar as 245 comunidades ind\u00edgenas de Roraima filiadas ao CIR.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como as atividades do Ex\u00e9rcito na regi\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e3o funcionando precariamente em decorr\u00eancia da crise sanit\u00e1ria, segundo ele, os empres\u00e1rios de garimpo intensificaram as invas\u00f5es certos de que n\u00e3o sofrer\u00e3o repres\u00e1lias. A \u00faltima a\u00e7\u00e3o conjunta da Pol\u00edcia Federal e Ex\u00e9rcito para desalojar garimpeiros ocorreu no dia 13 de mar\u00e7o, na comunidade de Napole\u00e3o, da etnia Macuxi, na TI Raposa Serra do Sol. Os dois \u00f3rg\u00e3os desmontaram um garimpo em constru\u00e7\u00e3o, prenderam o empres\u00e1rio que financiava a atividade e quatro ind\u00edgenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 espera do aux\u00edlio emergencial: \u201cA gente vai ficando sem ter o que comer em casa\u201d<br \/>\nDesespero e pressa: reunimos uma dezena de hist\u00f3rias da popula\u00e7\u00e3o potencialmente benefici\u00e1ria do programa impactada pelo coronav\u00edrus para mostrar o desafio operacional de fazer o dinheiro chegar at\u00e9 elas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHoje j\u00e1 n\u00e3o conhecemos mais nem as rotas que est\u00e3o sendo usadas pelos garimpos ilegais. Est\u00e3o entrando sem a preocupa\u00e7\u00e3o de ter o ex\u00e9rcito no encal\u00e7o deles. A gente n\u00e3o pode fazer muita coisa e nem sabe direito o que est\u00e1 acontecendo nos garimpos nesse momento. Uma coisa \u00e9 a comunidade lutar contra as invas\u00f5es e outra situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ter um presidente que faz com que essas atividades aconte\u00e7am dentro das nossas terras. Um presidente que em toda oportunidade fala de explora\u00e7\u00e3o mineral\u201d, critica o dirigente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele diz que a lei n\u00e3o funciona nos garimpos ilegais: \u201cLutamos contra o Estado, contra essa doen\u00e7a e n\u00e3o sabemos at\u00e9 quando podemos segurar todos esses ataques. Se fosse pela lei ind\u00edgena daria para dar um jeito. Mas somos subordinados a um Estado, a lei e a Constitui\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 funciona para beneficiar os empres\u00e1rios nesse governo. N\u00e3o podemos fazer muita coisa\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele diz que a aus\u00eancia de \u00f3rg\u00e3os de \u00f3rg\u00e3os do Estado e a falta de equipamentos b\u00e1sicos nos postos de atendimento para os profissionais de sa\u00fade \u2014 como luvas, m\u00e1scaras e \u00e1lcool em gel e de rem\u00e9dios \u2014 est\u00e3o levando medo de cont\u00e1gio aos \u00edndios e \u00e0s lideran\u00e7as que fazem a media\u00e7\u00e3o entre sedes de vilas e aldeias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ontem, o jornal O Estado de S\u00e3o Paulo informou que h\u00e1 duas semanas a Funai recebeu mais 11 milh\u00f5es de recursos emergenciais para usar na prote\u00e7\u00e3o ind\u00edgena mas n\u00e3o gastou nenhum centavo.<br \/>\nO coordenador de sa\u00fade ind\u00edgena da regi\u00e3o Leste de Roraima, Adriano Corinthia, afirma que h\u00e1 uma aten\u00e7\u00e3o especial com a entrada de venezuelanos e com o controle do fluxo entre as aldeias, vilas e cidades, mas que o atendimento \u00e9 o de rotina, sem material que permita fazer o teste de coronav\u00edrus. \u201cTemos uma reserva m\u00ednima de materiais para os profissionais de sa\u00fade e medicamentos (apenas) para tratamento sintomatol\u00f3gico caso surja algum caso\u201d, disse o enfermeiro Manoel Avelino, que trabalha com os Yanomami. Para suprir a car\u00eancia de material, o governo federal enviou ao Estado pe\u00e7as ilustrativas de campanha com informa\u00e7\u00f5es recomendadas pelo MS. Segundo ele, os garimpos ilegais s\u00e3o \u00e1reas de risco de cont\u00e1gio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano passado, a inseguran\u00e7a na regi\u00e3o levou o CIR a organizar grupos de vigil\u00e2ncia, prote\u00e7\u00e3o e monitoramento, os chamados guardi\u00f5es, para garantir o controle dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas contra invas\u00f5es. Com a maior popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do pa\u00eds, estimada em 55 mil pessoas distribu\u00eddas em 413 comunidades em 32 TIs j\u00e1 demarcadas, o equivalente a 46,2% de sua superf\u00edcie, Roraima \u00e9 um dos pontos mais assediados do pa\u00eds por empres\u00e1rios de minera\u00e7\u00e3o, que investem pesado em garimpos ilegais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cen\u00e1rio gerado pela pandemia do coronav\u00edrus, diz ele, aumentou a tens\u00e3o na regi\u00e3o. \u201cA situa\u00e7\u00e3o \u00e9 complicada. Temos problemas de imigra\u00e7\u00e3o, garimpos ilegais e agora a evas\u00e3o de pessoas que est\u00e3o saindo das cidades, das sedes das vilas e indo para as aldeias e \u00e1reas rurais em busca de ref\u00fagio. A gente trabalha com os grupos de vigil\u00e2ncia no controle do nosso territ\u00f3rio. Mas essas pessoas, por si s\u00f3, sem equipamentos n\u00e3o podem fazer esse trabalho porque \u00e9 tamb\u00e9m expor a vida delas ao risco de pegar essa doen\u00e7a\u201d, alerta o coordenador do CIR.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enoque Taurepang assumiu o comando do CIR no ano passado. \u00c9 l\u00edder da etnia na Comunidade Ara\u00e7\u00e1, no munic\u00edpio de Amajari, na fronteira com a Venezuela, onde 53,8% da popula\u00e7\u00e3o, estimada em 11.560 pessoas em 2017 pelo IBGE, \u00e9 ind\u00edgena. Na vila ind\u00edgena vivem entre 1.800 a 2 mil pessoas que, segundo ele, se j\u00e1 sofriam com o fluxo migrat\u00f3rio de quem chega ao Brasil pela BR-174, nos \u00faltimos dias vivem assombradas com os riscos de cont\u00e1gio do coronav\u00edrus. Mais a Leste, na TI Raposa Serra do Sol, a miscigena\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos fatores preocupantes. Os tr\u00eas munic\u00edpios da TI t\u00eam popula\u00e7\u00e3o predominantemente ind\u00edgena, com 88,1% em Uiramut\u00e3, 56,9 % em Normandia, na fronteira com a Guiana Inglesa, e 55,4% em Pacaraima, fronteira com a Venezuela. Roraima \u00e9 o estado com maior propor\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas, com 11% de uma popula\u00e7\u00e3o calculada em 450,4 mil pessoas em 2010, o que explica a forte presen\u00e7a das etnias nas cidades, inclusive na capital, Boa Vista. Segundo o Censo de 2010, 8.500 dos 450 mil habitantes da capital se declararam ind\u00edgenas \u2014 os que vivem nas cidades n\u00e3o s\u00e3o atendidos pela SESAI, mas recebem, como a popula\u00e7\u00e3o em geral, o tratamento do SUS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O plano de conten\u00e7\u00e3o das entidades como o CIR \u00e9 controlar o retorno de \u00edndios de diferentes etnias que vivem nas cidades e, diante do medo do cont\u00e1gio, est\u00e3o buscando ref\u00fagio nas \u00e1reas rurais. \u201cNosso principal objetivo para esse momento \u00e9 fazer barreiras nas entradas de acesso para que tanto a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o ind\u00edgena n\u00e3o entre, quanto para que os parentes n\u00e3o saiam. Se for necess\u00e1rio buscar algum g\u00eanero para dar suporte \u00e0 fam\u00edlia, que seja de forma organizada. A gente est\u00e1 fazendo o que pode, parando totalmente a vida da comunidade para combater o v\u00edrus e sobreviver dentro de nossos territ\u00f3rios\u201d, afirma Enoque. Ele lembra, no entanto, que \u00e9 dif\u00edcil convencer um pai de fam\u00edlia a ficar em isolamento, quando ele precisa sair para ca\u00e7ar e pescar. \u201cN\u00e3o tem como pedir que os pais fiquem 24h dentro de casa, uma vez que eles n\u00e3o t\u00eam um ganho, um sal\u00e1rio ou apoio\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enoque conta que tem acompanhado diariamente os balan\u00e7os feitos pelo comit\u00ea gestor do coronav\u00edrus e as medidas anunciadas pelo Minist\u00e9rio de Sa\u00fade, mas sente que n\u00e3o h\u00e1 nada claro sobre como lidar com as comunidades ind\u00edgenas que, al\u00e9m de biologicamente mais fr\u00e1geis aos v\u00edrus influenza, j\u00e1 enfrentavam o abandono dos \u00f3rg\u00e3os estatais e a forte investida de grileiros e garimpeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O coordenador do CIR afirma que as comunidades est\u00e3o lutando sozinhas para enfrentar um prov\u00e1vel avan\u00e7o do v\u00edrus. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio que o governo e as institui\u00e7\u00f5es competentes venham nos ajudar. Precisamos dos materiais b\u00e1sicos para prevenir e combater a doen\u00e7a caso ela chegue \u00e0s comunidades. Mas parece que as comunidades n\u00e3o existem, vivem em outro mundo. N\u00e3o h\u00e1 at\u00e9 hoje nenhuma pol\u00edtica ou programa emergencial para cuidar da nossa gente, que \u00e9 mais vulner\u00e1vel e luta sozinha aqui na ponta\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos dias o CIR fez chegar \u00e0s comunidades por aplicativos de celular, r\u00e1dio ou telefone, mensagens suspendendo reuni\u00f5es ou festejos que exijam aglomera\u00e7\u00f5es. \u201cDe nossa parte a estrat\u00e9gia \u00e9 usar as redes sociais e tudo o que for poss\u00edvel em comunica\u00e7\u00e3o para manter nosso povo informado sobre tudo o que est\u00e1 acontecendo. Alertamos para que levem a s\u00e9rio e se previnam. \u00c9 o que podemos fazer\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No congresso, a tentativa de aprovar medidas \u201curgent\u00edssimas\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A deputada federal Joenia Wapichana (Rede-RR) coordena a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Ind\u00edgenas<br \/>\nNo Congresso, a rea\u00e7\u00e3o ind\u00edgena ao coronav\u00edrus \u00e9 capitaneada pela deputada Joenia Wapichana (Rede-RR), coordenadora da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Ind\u00edgenas. \u201cH\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o a mais quanto ao aumento das invas\u00f5es das terras ind\u00edgenas, principalmente em \u00e1reas que j\u00e1 t\u00eam hist\u00f3rico de invas\u00e3o. Esse per\u00edodo de crise sanit\u00e1ria em nenhum momento fez frear as invas\u00f5es dentro das terras ind\u00edgenas, que buscam a explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais\u201d, disse a parlamentar em entrevista online a jornalistas na \u00faltima quinta-feira (9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Joenia tamb\u00e9m afirma que os povos ind\u00edgenas t\u00eam agido r\u00e1pido e com firmeza para impedir que a Covid-19 se alastre nas aldeias. \u201cAs comunidades t\u00eam feito um trabalho incans\u00e1vel de alertar a sua pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ir ao centros urbanos, adotando medidas de isolamento para que n\u00e3o haja a entrada de pessoas estranhas, esfor\u00e7os justamente para proteger a coletividade\u201d, declarou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante disso, h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o com a seguran\u00e7a alimentar: est\u00e3o sendo discutidas maneiras para que a distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas n\u00e3o seja prejudicada, j\u00e1 que servidores de \u00f3rg\u00e3os como a Funai, vindos de fora das aldeias, s\u00e3o quem realiza a entrega dos suprimentos. Ontem (13), a ministra da Mulher, Fam\u00edlia e Direitos Humanos Damares Alves anunciou que a pasta entregar\u00e1 323 mil cestas de alimentos a 161 fam\u00edlias ind\u00edgenas e quilombolas com ajuda da Funai e Funda\u00e7\u00e3o Palmares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Parlamento, Joenia tem contado com aliados no trabalho de conten\u00e7\u00e3o ao coronav\u00edrus entre os povos tradicionais. No fim de mar\u00e7o, ela apresentou uma Proposta de Fiscaliza\u00e7\u00e3o e Controle (PFC) para monitorar a atua\u00e7\u00e3o da Sesai e do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade no enfrentamento da pandemia entre a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena \u2013 a ideia \u00e9 acompanhar os processos administrativos e verificar eventuais omiss\u00f5es dos dois \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Junto a outros parlamentares, a deputada tamb\u00e9m prop\u00f4s um Projeto de Lei (PL) que obriga a Uni\u00e3o a liberar ao Subsistema de Sa\u00fade Ind\u00edgena recursos adicionais, n\u00e3o previstos nos Planos de Sa\u00fade dos DSEIs, em caso de pandemia, emerg\u00eancia e calamidade em sa\u00fade p\u00fablica. Essa e outras propostas recentes sobre direitos ind\u00edgenas devem ser apensadas a outro PL, que determina a ado\u00e7\u00e3o de medidas \u201curgent\u00edssimas\u201d de ajuda \u00e0s comunidades enquanto durar o decreto de calamidade p\u00fablica. Est\u00e3o entre as a\u00e7\u00f5es o pagamento de aux\u00edlio emergencial no valor de um sal\u00e1rio m\u00ednimo a ind\u00edgenas de todo o pa\u00eds, refor\u00e7o na prote\u00e7\u00e3o territorial e incremento da estrutura de sa\u00fade dos estados e munic\u00edpios para que possam comportar o tratamento de ind\u00edgenas cujos casos demandam interna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<pre>Fonte: A publica<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lideran\u00e7as, entidades e profissionais de sa\u00fade falam \u00e0 P\u00fablica sobre a batalha quase solit\u00e1ria travada nas aldeias em meio \u00e0 pandemia que j\u00e1 vitimou tr\u00eas 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