Juazeiro, norte do Estado da Bahia, vive, de maneira quase crônica, sendo alvo de conflitos fundiários. De tempos em tempos surgem situações de irregularidades de posse nesta terra que, como diz o hino da diocese, é juazeirense e franciscana.
Cumprindo a sazonalidade desses conflitos, o palco agora é o bairro Sol Levante. Recentemente, o juiz da 2ª Vara Cível de Juazeiro, Dr. Cristiano Queiroz Vasconcelos, determinou a desobstrução de vias e áreas públicas do loteamento. Estamos falando de aproximadamente cinco mil pessoas que, ao que tudo indica, terão de deixar suas casas.
Quanto ao mérito da litigância, talvez não haja muito a se discutir neste momento. Mas existe uma força motriz que parece ultrapassar a simples atuação do Judiciário baiano. Muitos advogados militantes de Juazeiro se surpreenderam com a condução desse processo. Afinal, trata-se de uma ação movida em 2016 que, pela sua complexidade, andou de maneira um tanto peculiar. Não se trata aqui de insinuar qualquer irregularidade do magistrado, mas é sabido que, na prática, não há sentença sem advogado constantemente no balcão, pedindo, despachando, acompanhando.
A questão que inquieta os moradores é clara: quem tem real interesse em retirar essas famílias do bairro?
É uma pergunta incômoda, de respostas múltiplas e, por vezes, até conspiratórias. Corre entre os moradores a versão de que parte da família autora da ação nem sequer reside no Brasil. Se for assim, o que justificaria tamanha insistência? Talvez haja alguém, em silêncio, se beneficiando dessa situação. Alguém que enxerga na desocupação uma oportunidade de ganho, seja financeiro, seja político.
Difícil cravar certezas, mas impossível não suspeitar. O tempo mostrará quem de fato está por trás dessa movimentação. Até lá, resta acompanhar e esperar que, no fim, seja a justiça quem prevaleça.
José Muniz Cerqueira
Empresário