Finalmente virada a página da definição do vice, que durou meses, para forte desgaste do nome escolhido e do grupo político que o confirmou, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) deverá assumir agora como tarefa principal não apenas afinar os ajustes para tocar a campanha e a máquina do governo como, ao mesmo tempo, administrar a cizânia entre Rui Costa e o senador Jaques Wagner, que acabaram de protagonizar nova disputa para a montagem da chapa, com, mais uma vez, ampla vitória do segundo sobre o ex-ministro, o que deve produzir nova camada de dificuldade para o relacionamento entre eles.
Mas não será este apenas o único conflito que o governador precisará gerenciar. Há notícias de que Rui, cujo temperamento difícil é conhecido, passou simplesmente a detestar Geraldo Jr. e sequer lhe dirige a palavra. Se o ex-ministro nunca teve simpatia pela figura histriônica do vice, tecendo críticas a seu estilo de bobo da Corte desde a campanha de 2022, de fato não havia motivo para que ele tenha que aceitar de bom grado sua manutenção na chapa, depois que pegou Geraldo Jr., na maior desfaçatez, pedindo para viralizar uma mensagem contra ele nas redes sociais.
Aliás, sobre o desprezo que Rui devota ao vice existem vários relatos. Um dos mais recentes dá conta de que, durante evento recente, antes da definição da chapa, ele sentou-se numa fila de cadeiras separado por outras duas autoridades do então ministro. Antes que o ato começasse, dirigiu pelo menos quatro perguntas a Rui que, solenemente, o ignorou, sem responder a nenhuma delas. Quem viu a cena, disse que até Jerônimo, que se notabilizou pela atenção que dedica a quem dele fica próximo, caiu em profundo constrangimento, um sentimento que, no entanto, o vice parece não conhecer.
A história corrobora uma conversa atribuída a Rui na qual ele teria exposto a assessores que se Geraldo Jr. fosse seu vice, jamais teria botado as asas de fora, como ocorreu sob as barbas de Jerônimo, conhecido pelo grau de tolerância extremado com correligionários e subordinados. Ainda que sejam conhecidas as habilidades interpessoais do governador, não se pode dizer que o climão entre Wagner e Rui e deste com Geraldo Jr. não vá se tornar fonte de estresse extra para alguém que precisa tocar a própria campanha num cenário altamente competitivo como o que se desenha.
Jerônimo ainda precisa resolver a escolha dos suplentes de Rui e Wagner na postulação ao Senado, mas o desafio, neste caso, não é apenas dele, uma vez que a definição das posições correspondentes na chapa de ACM Neto (União Brasil), candidato das oposições a governador, parece que passou a enfrentar também dificuldades, principalmente no campo do candidato a senador João Roma (PL), onde a base bolsonarista exige colocar um nome de sua confiança, rejeitando a indicação do ex-ministro do TCU Aroldo Cedraz. Por enquanto, no entanto, mais equilíbrio emocional será exigido de Jerônimo para lidar com os desafetos em sua chapa.
*Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.




