O número de pessoas inadimplentes continua a crescer na Bahia. O estado tem 5,1 milhões de pessoas com o CPF negativado por endividamento, apontam dados referentes a abril do Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa.
A quantidade de baianos inadimplentes no último mês apresentou uma alta de 1,4% em relação a março, quando 5.047.365 pessoas estavam no vermelho. O crescimento na Bahia supera o nacional, que foi de 0,67%.
Segundo Guilherme Mendes, especialista em seguros da Serasa, o cartão de crédito é o maior vilão quando o assunto é endividamento. “Percebemos um aumento de pessoas que utilizam cartão de crédito como uma forma de complemento de renda, sendo que na verdade não é um complemento. As pessoas estão utilizando o cartão para pagar contas como de supermercado, luz, água, gás, que são contas essenciais. Isso acarreta naquela famosa bola de neve”, diz.
Ele explica que o que leva as pessoas à inadimplência, porém, é uma combinação de elementos, como a fala de planejamento financeiro em meio à ampliação do acesso ao crédito. Assim, parte dos consumidores começam a usar o crédito sem um controle claro do próprio orçamento.
“O cenário hoje realmente mostra o quanto os perfis do brasileiro e do baiano impactam diretamente com a falta de educação financeira. Torna-se uma recorrência, o nome acaba ficando sempre restrito, e parece que é uma esteira que não tem fim”, afirma Mendes. Em abril, a quantia média da dívida de cada baiano chegou a R$ 4.458,19, o equivalente a quase três salários-mínimos.
Por mais que pareçam a mesma coisa, há uma diferença entre inadimplência e endividamento. Endividado é quem possui dívidas a pagar (parcelas, financiamentos), mas pode estar com elas em dia. O inadimplente, por sua vez, é quem não pagou a dívida até a data de vencimento, ou seja, está em atraso e com o nome negativado.
Quem são os inadimplentes na Bahia?
Conforme os dados mais recentes da Serasa, a inadimplência da Bahia é majoritariamente feminina (53,2%) e está concentrada nas faixas etárias entre 41 e 60 anos (35,8%) e entre 26 e 40 anos (32,9%).
Os percentuais baianos vão na contramão dos nacionais, em que a maior massa de inadimplentes é do sexo masculino e tem entre 26 e 40 anos. Essa diferença se deve ao contexto socioeconômico do estado, diz Guilherme Mendes. Primeiro porque, na Bahia, as mulheres são maioria nas chefias dos lares, arcando com os custos com salários historicamente mais baixos que os dos homens e, consequentemente, ficando inadimplentes com mais frequência.
A renda domiciliar dos baianos também ajuda a entender o perfil dos endividados. “A Bahia tem um desemprego de 8,5%. A renda per capita do domicílio do baiano está em R$ 1.366. Quando a gente fala a nível Brasil, há uma renda per capita de R$ 2.700”, afirma o especialista.
Uma professora de 46 anos, que preferiu não se identificar, vive há oito meses com a angústia de uma dívida que está em torno de R$ 9 mil. Viu a situação apertar quando ficou desempregada e não conseguiu pagar os cartões. As contas foram chegando e, sem conseguir se organizar, se formou a bola de neve mencionada por Mendes.
“Isso me faz sentir muito mal, porque a cada dia a dívida vai aumentando e não tenho como pagar. Fico acordando no meio da noite e não consigo mais dormir pensando em como resolver”, diz. Para tentar reduzir os danos, ela tem se segurado ao máximo para não gastar e vem buscando um acordo para sair do vermelho. Também conseguiu voltar a trabalhar recentemente, o que aumenta sua esperança de regularizar o CPF em breve.
Como evitar a inadimplência
– Conheça o orçamento: é fundamental saber onde você está gastando. Anote quanto você ganha, quanto gasta, quanto está sobrando.
– Separe gastos essenciais dos supérfluos: antes de gastar, se pergunte: isso aqui é uma necessidade mesmo ou é um desejo?
– Fique atento às pequenas parcelas. “Às vezes o brasileiro tem muito costume de falar: ‘se a parcela cabe no meu bolso, eu vou comprar’. E quando vai ver aquela parcela que é de R$ 50, na verdade, estamos falando de R$ 600 em um ano. Então, tem que tomar muito cuidado com essas pequenas parcelas, porque quando elas se juntam com outras, acaba virando um fator difícil de ser pago”, pontua Guilherme Mendes.
– Crie o hábito de poupar, mesmo que seja um valor baixo, de R$ 20, R$ 50 ou R$ 100 por mês: isso pode fazer uma grande diferença caso ocorra algum imprevisto.
– Caso esteja endividado, comece a regularização com dívidas que contenham juros maiores, uma vez que um dos principais fatores de aumento da dívida é o juros sobre juros. Sempre foque nas dívidas de juros que mais estão afetando o orçamento.
Para aqueles que já estão inadimplentes, os mutirões da Serasa ampliam as oportunidades de negociação de dívidas, reunindo cupons e condições especiais para ajudar consumidores a regularizarem a vida financeira. A ação contempla ofertas do Novo Desenrola Brasil, e mobiliza instituições financeiras e outros segmentos do mercado, como securitizadoras e varejistas.
Ao todo, 11,6 milhões de consumidores brasileiros podem aproveitar mais de 34 milhões de ofertas com cupons disponíveis, que chegam a até R$200 em desconto adicional para dívidas negociadas à vista pelo site ou aplicativo da Serasa, somando os abatimentos já oferecidos pelas empresas parceiras.




