O Mercado Joca Oliveira foi concebido para ser um importante centro de comércio popular de Juazeiro. Recebeu investimentos públicos, ganhou uma estrutura moderna, conta com mais de 200 boxes e nasceu com a missão de fortalecer os pequenos comerciantes, gerar renda e oferecer mais comodidade à população.
Infelizmente, essa missão ainda está longe de ser cumprida.
Quem visita o mercado encontra uma realidade preocupante: muitos boxes fechados, pouco movimento e permissionários lutando diariamente para manter seus estabelecimentos funcionando.
Mais preocupante ainda é perceber que o discurso oficial não corresponde ao sentimento de quem vive essa realidade.
Em recente entrevista, o Secretário da AMA procurou transmitir a ideia de que a situação está sob controle. Entretanto, os permissionários afirmam que praticamente nada mudou.
O fluxo de consumidores continua baixo, muitos boxes permanecem fechados e as dificuldades seguem as mesmas.Embora tenha sido anunciada, inclusive, a instalação da Casa do Trabalhador no Mercado Joca Oliveira, justamente para aumentar a circulação de pessoas e impulsionar as vendas.
Sobre a redistribuição dos boxes, a justificativa é que depende do setor jurídico.
A organização do comércio no entorno do mercado seria responsabilidade de outra secretaria. Enquanto isso, o mercado continua esperando.
A única medida prática percebida por muitos permissionários foi a flexibilização do pagamento das taxas. O comerciante não precisa apenas pagar menos taxas.
Ele precisa vender.
Também se procura justificar o baixo movimento afirmando que a diversidade do comércio existente na cidade reduziu a importância dos mercados públicos.
Esse argumento não resiste à realidade.
Em todo o Brasil, mercados públicos continuam sendo pontos de encontro da população, referências gastronômicas, espaços culturais e importantes atrativos turísticos. Eles convivem diariamente com supermercados, atacarejos e centros comerciais, sem perder sua relevância. A diferença está na gestão.
Mercados bem administrados oferecem eventos, serviços públicos, diversidade de atividades, organização, segurança, limpeza e motivos para que as pessoas queiram frequentá-los.
O problema, portanto, não é a existência de outras opções de comércio.
O problema é não transformar o Mercado Joca Oliveira em um espaço vivo, atrativo e integrado à dinâmica da cidade.
Há ainda outra questão que merece esclarecimento. Segundo relatos de permissionários, existem boxes fechados cujos ocupantes apenas regularizam suas taxas, mas não exercem efetivamente a atividade comercial.
Se isso corresponde à realidade, a administração municipal deve esclarecer qual é o fundamento legal para manter espaços públicos improdutivos enquanto outros trabalhadores aguardam uma oportunidade para exercer seu direito ao trabalho.
Mas, acima de tudo, existe uma responsabilidade que não pode ser transferida.
A população não elegeu a AMA. Não elegeu a Procuradoria Jurídica.
Não elegeu cada secretaria individualmente. A população elegeu uma gestão municipal.
É essa gestão que deve integrar seus órgãos, superar entraves burocráticos, cumprir as promessas feitas e apresentar soluções concretas. Porque uma administração pública não pode ser medida pela quantidade de explicações que oferece, mas pelos resultados que entrega.
O Mercado Joca Oliveira não precisa de mais explicações. Precisa de gestão. E gestão é responsabilidade de quem governa.
Obrigado
Luiz Alves



