Para tentar conter uma sequência de prejuízos bilionários e readequar sua estrutura de custos, a Casas Bahia iniciou um agressivo plano de cortes. Segundo informações apuradas pelo jornal Valor Econômico, a varejista está fechando 298 lojas em todo o país — o que representa cerca de 28,7% do seu parque de unidades físicas — e promovendo a demissão de cerca de 1,9 mil a 2 mil colaboradores. Fontes do setor indicam que o volume total de desligamentos pode chegar a até 3 mil pessoas.
O movimento marca uma das reduções mais drásticas e concentradas da história recente da empresa. Nas gestões anteriores, o encerramento de pontos de venda e a redução de quadro ocorriam de forma gradual, com uma média de 20 a 30 lojas fechadas por ano.
Cenário macroeconômico e pressão financeira
A decisão de acelerar o enxugamento da operação decorre da combinação entre o elevado endividamento das famílias brasileiras — que corrói o poder de compra dos consumidores — e o ambiente prolongado de juros altos, que eleva as despesas financeiras do grupo.
Embora a companhia tenha entrado em recuperação extrajudicial em 2024 e renegociado dívidas com bancos e credores via conversão de debêntures em ações, o resultado final do balanço segue sob forte pressão. No primeiro trimestre, a rede registrou um prejuízo de quase R$ 1,1 bilhão, mais do que o dobro das perdas apuradas no mesmo período do ano anterior. Em todo o ano de 2025, o prejuízo consolidado não ajustado havia atingido a marca de R$ 3 bilhões.
Para tentar equilibrar o fluxo de caixa, o Valor Econômico apurou que a varejista tem estendido prazos de pagamento à indústria e enfrentado atrasos em repasses a lojistas do seu marketplace e pagamentos via Pix. Além disso, a publicação do balanço financeiro do segundo trimestre foi adiada da última quarta-feira (12) para esta sexta-feira (14), com a teleconferência de resultados reagendada para o dia 17.
Desempenho
A retração foca principalmente no braço físico. De acordo com o Valor, a receita bruta consolidada do primeiro trimestre cresceu 6,4% em comparação ao mesmo período de 2025, somando R$ 8,8 bilhões, impulsionada em grande parte pelo crescimento do comércio eletrônico de produtos próprios (vendas diretas da marca, inclusive via canais parceiros como o Mercado Livre, que avançaram 26%).
Em contrapartida, as vendas em lojas físicas recuaram 1,8%, e o marketplace de terceiros registrou queda de 0,6%. A margem bruta da empresa permaneceu estável em 30,3%.
Em relatório recente de resultados, a administração da Casas Bahia reiterou que mantém um acompanhamento rigoroso sobre a performance de cada loja e centro de distribuição, encerrando operações que não gerem valor. Procurada pelo Valor Econômico, a empresa não se manifestou.



