Eleito deputado federal pela primeira vez, Lucas Pavanato (PL-SP), de 26 anos, recebeu 3.038.438 votos neste domingo (4) e conquistou a maior votação de São Paulo para a Câmara. O vereador da capital paulista defende o fim das cotas raciais e pretende levar ao Congresso propostas que restringem tratamentos de transição de gênero e o acesso de pessoas trans a banheiros.
Pavanato superou a marca de Eduardo Bolsonaro, eleito em 2018 com 1.843.735 votos, até então o recorde para deputado federal. Na eleição deste ano, porém, a maior votação do país ficou com Nikolas Ferreira (PL-MG), que recebeu 3.119.314 votos.
A chegada à Câmara ocorre dois anos depois de Pavanato ter sido eleito o vereador mais votado da cidade de São Paulo, com 161.386 votos. Antes disso, em 2022, ele disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa paulista, recebeu mais de 36 mil votos e ficou na suplência.
Ex-integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), Pavanato rompeu com o grupo e se aproximou do bolsonarismo. Ele cita Jair Bolsonaro, o ex-vereador Fernando Holiday e Nikolas Ferreira, todos do PL, como suas três “boas referências” na política.
Embora reconheça compartilhar “princípios” com Nikolas e o considere um “amigo”, Pavanato rejeita o apelido “Nikolas de São Paulo” e afirma ter uma personalidade “distinta”.
Projetos
Entre as pautas que pretende defender na Câmara estão a privatização de empresas estatais, medidas contra o aborto e o fim das cotas raciais, de gênero e para pessoas trans. Também propõe retirar o limite da maioridade penal em casos de crimes hediondos e proibir tratamentos hormonais de transição de gênero para menores de 18 anos.
Segundo Pavanato, sua primeira iniciativa após assumir o mandato será defender uma CPI das ONGs que atendem pessoas em situação de rua em São Paulo. A proposta já figurava entre suas prioridades como vereador.
Em entrevista ao Metrópoles no primeiro dia de trabalho na Câmara Municipal, ele afirmou: “Meu projeto, que eu coloco como mais importante, seria a CPI das ONGs para investigar para onde está indo esse dinheiro e para onde está indo tanta grana e não resolve o problema”.
Ao comentar o desempenho eleitoral, Pavanato atribuiu sua votação à presença do conservadorismo na capital paulista. Disse que os adversários de seu “jeito de fazer política” terão de “aceitar”, porque a “direita veio e veio para ficar”.
Pavanato também se apresenta como “anti-woke” e propôs a criação de uma frente parlamentar com essa orientação na Câmara Municipal de São Paulo. O projeto recebeu aval da Comissão de Constituição e Justiça em março de 2026 e prevê acompanhar propostas legislativas e políticas públicas associadas ao movimento, além de promover valores cristãos. Originalmente ligado à atenção às injustiças raciais e sociais, o termo “woke” passou a ser usado por setores conservadores para criticar pautas relacionadas a gênero, diversidade e inclusão.
Polêmica com Erika Hilton
Durante a campanha, o parlamentar protagonizou uma disputa com Erika Hilton (PSOL-SP), reeleita deputada federal e que se tornou a mulher mais votada da história da Câmara. Ela também buscava a liderança da votação paulista.
Pavanato publicou vídeos em que chamou Hilton de “travesti do Lula”. A deputada acionou a Justiça Eleitoral, alegando que o conteúdo continha informações falsas ou gravemente descontextualizadas, além de violência política de gênero.
A retirada da publicação foi determinada inicialmente. Após recurso de Pavanato, a maioria dos magistrados do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) entendeu que o conteúdo não apresentava falsidade ou distorção grave suficiente para justificar a remoção.
O deputado eleito também ganhou visibilidade com abordagens a estudantes da Universidade de São Paulo (USP). Nessas ações, costuma montar uma mesa com cartazes sobre temas políticos. Em maio de 2025, a mensagem escolhida foi “Bolsonaro é melhor que Lula! Prove o contrário”.
Uma gravação feita em 2023, antes de sua eleição para vereador, levou à condenação de Pavanato ao pagamento de R$ 8 mil de indenização a uma estudante que apareceu no vídeo. Na ocasião, ele abordava alunos com perguntas sobre pensadores e temas políticos.
Na Câmara Municipal, Pavanato apresentou 100 projetos de lei, dos quais seis foram aprovados. Os demais 94 seguem em tramitação. Entre os textos aprovados estão a criação do Dia da Música Clássica nas escolas municipais, a mudança do nome do viaduto Bresse-Romualdo Hatty para viaduto Bispa Keilla Ferreira e a inclusão do Dia Municipal de Combate à Violência Infantil no calendário da cidade.
Ele também apresentou um projeto para regulamentar o transporte de passageiros por motocicletas de aplicativo. A proposta foi protocolada no mesmo dia em que a prefeitura obteve uma decisão judicial que negou um pedido de liminar da empresa 99 para manter a modalidade.
O serviço é proibido por decreto municipal desde janeiro de 2023. A prefeitura argumenta que sua liberação aumentaria os riscos de acidentes de trânsito.
Parte das propostas apresentadas por Pavanato como vereador trata de restrições à população trans. Em janeiro de 2025, ele sugeriu que atletas, ao se inscreverem em competições, informassem o gênero exclusivamente com base no “sexo biológico atribuído no nascimento”.
Outro texto previa proibir hospitais, clínicas e estabelecimentos de saúde de financiar ou realizar tratamentos hormonais, com indutores ou bloqueadores, e cirurgias de redesignação sexual em menores de 18 anos, mesmo com autorização dos pais.
Pavanato também propôs adotar o sexo de nascimento como único critério para o acesso a banheiros em escolas, espaços públicos, estabelecimentos comerciais e locais de trabalho.
Em março de 2026, apresentou uma proposta para extinguir as cotas raciais nos concursos públicos municipais e substituí-las por reservas de vagas para pessoas em situação de vulnerabilidade econômica.



