POLÍCIA

‘O único prejudicado foi quem perdeu a vida’, diz viúva de Léo Lanches sobre liberdade de PM

A viúva do comerciante Leonardo Gil Lima, conhecido como Léo Lanches, lamentou a soltura da soldado da Polícia Militar Valdilene Nonato Santos França, investigada pela morte do marido. Em um depoimento publicado nas redes sociais no sábado (10), Érica Nascimento disse que aguarda a conclusão do inquérito. A liberdade da PM foi concedida por decisão judicial no último dia 2.

“Realmente, ela está solta. Infelizmente, o único prejudicado foi quem perdeu a vida e a gente da família que sofre. A notícia que eu tenho é que ela está solta”, declarou Érica.

A informação sobre a soltura foi confirmada pela Polícia Militar nesta segunda-feira (12). Valdilene havia sido presa temporariamente em 4 de agosto, durante uma ação integrada das polícias Civil e Militar, no bairro da Pituba.

Em um vídeo que publicou no Instagram, Érica também afirmou que ainda não sabe quais serão os próximos passos do caso e que, neste momento, aguarda o andamento das investigações. “O inquérito ainda está em fase final, vai ser concluído. Não sei quais vão ser os próximos passos. O que me resta é aguardar”, acrescentou.

A viúva demonstrou frustração com a situação e afirmou que a liberdade da investigada não corresponde ao que esperava. “Não era o que eu queria, não era o que eu esperava. Mas infelizmente não é como a gente quer. Infelizmente, ela está solta e eu não tenho muito o que fazer, não tenho muito o que falar”.

Érica explicou que decidiu se manifestar após receber informações sobre o caso e perceber que o assunto já estava sendo divulgado em páginas nas redes sociais. “As informações que eu tive foram essas e já tem algumas páginas já postando e preferi vim falar já aqui”.

Morte de Léo Lanches

Leonardo Gil Lima, 33 anos, foi baleado na cabeça durante uma ação policial na localidade de Lessa Ribeiro, no bairro de São Cristóvão, em Salvador, no dia 23 de julho. O comerciante morreu menos de uma semana após inaugurar a própria lanchonete.

Na ocasião, a Polícia Militar informou que equipes da 49ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) foram recebidas a tiros por suspeitos e reagiram. Após a troca de tiros, Leonardo foi encontrado ferido e socorrido para o Hospital Menandro de Faria, mas não resistiu.

Moradores contestaram a versão apresentada pela corporação e afirmaram que não houve confronto. Eles também relataram que o comerciante não tinha envolvimento com a criminalidade.

A investigação ficou sob responsabilidade da 1ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico), com apoio da Agência de Inteligência do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo a Polícia Civil, um laudo do Departamento de Polícia Técnica (DPT) identificou a arma de onde partiu o disparo que atingiu o comerciante. Testemunhas foram ouvidas, imagens de câmeras corporais foram analisadas e perícias complementares foram solicitadas.

A morte provocou protestos em São Cristóvão. Na noite do ocorrido, moradores incendiaram um ônibus e bloquearam vias. No dia seguinte, o transporte coletivo chegou a ser suspenso no bairro. Após o caso, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia informou que acompanharia as investigações. Familiares de Leonardo também se reuniram com representantes do governo estadual para cobrar esclarecimentos e discutir medidas de assistência.

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