JUAZEIRO

HÁ 7 ANOS JUAZEIRO PERDIA DOM JOSÉ RODRIGUES DE SOUZA

Episcopado: 16 de fevereiro de 1975 a 30 de agosto de 2003
Lema “Enviou-me para evangelizar os pobres”

* Paraíba do Sul, 25 de março de 1926
+ Goiânia, 9 de setembro de 2012.

José Rodrigues de Souza, nasceu em 25 de março de 1926, em Paraíba do Sul/ RJ. Era ainda criança quando sua família se mudou para Serra Azul/SP, onde fez seus estudos primários. Uma Missão foi realizada na cidade em 1938, por missionários redentoristas. O jovem despertou a atenção do Pe. Victor Coelho de Almeida, que o convidou para ser sacerdote.

O convite foi aceito e com a permissão de seus pais, José Rodrigues partiu para o convento de Santo Afonso, em Aparecida/SP, com apenas dez anos de idade. Fez o Noviciado e Profissão Religiosa na cidade vizinha de Pindamonhangaba. Foi ordenado Padre em Tietê/SP em 27 de dezembro de 1950. Trabalhou como professor por quatorze anos. Depois, seus superiores o enviaram à Europa para um Curso de Catequese e Pastoral em Bruxelas, na Bélgica. Voltando ao Brasil, foi enviado a pregar Santas Missões e em 1969 mudou-se para Goiânia/GO, onde foi eleito vice-provincial dos redentoristas.

O Papa Paulo VI, o nomeou Bispo da Diocese de Juazeiro, em 12 de dezembro de 1974. No livro “O Bispo dos Excluídos”, do jornalista alemão Siegfried Pater, Dom José relembrou exemplo que os ensinamentos do padre Pedro Henrique influenciaram sua formação como sacerdote: “Ele nos ensinou ordem com disciplina militar e, apesar de exigir sacrifícios dos alunos, sabia entusiasmar-nos para o ideal que expressava com quatro palavras: padre, missionário, redentorista, santo”. Seu episcopado durou 28 anos.

Desde sua chegada, em 1975 até sua partida em 2003, Dom José Rodrigues foi um bispo que não se restringiu às paredes da igreja, nem às homilias proferidas no altar. Preferiu despir-se da solenidade que sua função exigia para se colocar ao lado dos pobres. Ignorou a elite, desafiou a ditadura militar, enfrentou os poderosos e exaltou os humildes. Não se importou com preconceitos… Foi um homem à frente de seu tempo. Motivou a parcela excluída da população do sertão baiano a se organizar e lutar por seus direitos. Ensinou seus companheiros e fiéis a partilhar e a construir uma sociedade mais justa. Era o pequeno grande homem que se agigantava em defesa dos oprimidos do Vale do São Francisco.

Principais trabalhos:

– Criou ou reforçou várias pastorais sociais: Pastoral da Terra (em resposta ao sofrimento do povo expulso pela barragem de Sobradinho e aos camponeses vítimas de grilagem), Juventude do Meio Popular, Pescadores, Mulher Marginalizada, Saúde, Reassentados, Carcerária, Criança, “círculos de cultura” (com Paulo Freire), o Setor Diocesano de Comunicação (SEDICA) e uma biblioteca de 45 mil volumes.

– Foi um dos fundadores da CPT Regional Nordeste III (Bahia/Sergipe), em 1976, da qual foi bispo acompanhante por muitos anos.

– Articulou a campanha pioneira pelas cisternas familiares de água de chuva “Adote uma cisterna”, pilar da convivência com o semiárido, que depois tornou-se política do governo federal.

– Foi um dos fundadores do Instituto da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA).

– Trabalhou por uma destinação social do patrimônio em terras da Diocese, na cidade de Juazeiro.

Pensamentos:

“Nunca traí os pobres, nem mesmo em época de eleição”.

“Está na hora de mudar! Mudar as pessoas. Mais importante é mudar a mentalidade! As dificuldades serão muitas, mas movidos pela audácia do Espírito e pelo equilíbrio de Deus, vamos para a luta!”.

“No Nordeste não falta água, falta justiça”.

“A caminhada mais longa e penosa não é ir, a pé, de Juazeiro a Pilão Arcado, mas sair de si mesmo para encontrar-se com o outro (irmão) e com o Outro (Deus). Cristianismo se vive em comunidade”.

“É só na união que vamos conseguir a libertação”.

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