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Estudo da Fiocruz indica presença de coronavírus em canais de esgoto

Em parceria com a prefeitura de Niterói (RJ), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realiza uma pesquisa para analisar a eventual presença de material genético do novo coronavírus em amostras do sistema de esgotos da cidade. Segundo a entidade, os resultados iniciais evidenciam a eficácia da metodologia na ampliação da vigilância de propagação do novo coronavírus.

As primeiras coletas do estudo foram realizadas no dia 15, em pontos de efluente hospitalar e rede coletora de esgotos da ex-capital fluminense. A previsão é de que, na primeira etapa do projeto, o monitoramento seja realizado durante quatro semanas, mas pode ser prorrogado.

Na primeira semana, o estudo detectou material genético do novo coronavírus em amostras de esgotos em cinco dos 12 pontos de coleta, afirma a Fiocruz em seu site. As amostras analisadas foram de troncos coletores dos bairros de Icaraí e Camboinhas (conhecido ponto turístico de Niterói).

Evidências científicas já estudadas internacionalmente, no período de disseminação da doença, indicam que o vírus Sars-Cov-2 é excretado em fezes, o que deixaria as populações carentes das cidades ainda mais vulneráveis à contaminação.

Pesquisa divulgada em março pela revista britânica The Lancet, uma das mais influentes do mundo, verificou que, de 41 dos 74 pacientes com amostras fecais positivas para o coronavírus, as amostras fecais permaneceram positivas, em média, por 27,9 dias após o início dos primeiros sintomas – ou, como observa a publicação, em média 11,2 dias a mais do que nas amostras respiratórias. Dos 41 pacientes, um deles teve amostras fecais positivas por “notavelmente” 33 dias continuamente, segundo The Lancet.

De acordo com a Fiocruz, diante das evidências, o projeto utiliza a análise de amostras de esgotos como um instrumento de vigilância, o que permitiria identificar regiões com presença de casos da doença mesmo os ainda não notificados no sistema de saúde.

“O monitoramento da circulação do novo coronavírus durante a epidemia subsidiará informações para a vigilância em saúde, permitindo otimizar o uso dos recursos disponíveis e fortalecer medidas de profilaxia na área”, afirma a pesquisadora Marize Pereira Miagostovich, chefe do Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do IOC/Fiocruz e responsável pela pesquisa.

Segundo ela, a investigação sistemática da presença do material genético do vírus na rede de esgotos sanitários “pode fornecer um retrato da presença de casos positivos em determinada localidade, incluindo assintomáticos e subnotificados no sistema de saúde”.

“Este estudo confirma a importância da vigilância baseada em águas residuárias como uma abordagem promissora para entender a ocorrência do vírus em uma determinada região geográfica, assim como a inserção da virologia ambiental nas políticas públicas de saúde”, acrescenta.

Estudo da Fundação SOS Mata Atlântica divulgado em março, abrangendo 181 trechos de rios e corpos d’água, no perímetro da Mata Atlântica, mostrou que a qualidade do recurso mineral de 95% deles está comprometida, o que amplia a vulnerabilidade das populações pobres à pandemia de coronavírus no Brasil.

Fonte: Brasil Atual

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