Wagner Moura fez história ao conquistar, na madrugada desta segunda-feira (12), o prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama no Globo de Ouro 2026 por seu trabalho em “O Agente Secreto”. A vitória fez crescer a curiosidade dos fãs sobre a vida do baiano, que teve que se mudar ainda na juventude após a cidade onde nasceu desaparecer.
O ator passou a infância em Rodelas, no Sertão da Bahia. O município deixou de existir após ser inundado pela construção da Hidrelétrica de Itaparica, nos anos 1980. Na época, Wagner tinha apenas 11 anos.
A antiga Rodelas foi submersa, e uma nova cidade, chamada de Nova Rodelas, precisou ser construída para abrigar os moradores expulsos pela água. O episódio marcou o futuro artista, que chegou a ser entrevistado por uma emissora de televisão durante a mudança, com lama no rosto. Anos depois, a imagem viralizou nas redes sociais, já com Wagner reconhecido nacional e internacionalmente.
“Não estava com vontade me mudar não, mas agora que já mudei… É legal, melhor que aqui. Não, nem tudo… Porque aqui é o lugar que a gente brinca, sempre se diverte, já tem as coisas tudo, que a gente já sabe tudo. Lá é tudo estranho para a gente. Aqui a gente joga bola e brinca de se esconder”, disse o pequeno Wagner, ao ser perguntado se tinha gostado de se mudar.
Ele voltou a falar sobre a cidade em outras entrevistas anos depois, quando já era um ator consagrado. “[Rodelas] é uma cidade linda. Tenho uma memória de uma cidade idílica. Queria voltar lá pra mostrar a cidade para os meus filhos, mas eu fico sem querer ir porque é outra cidade, e eu tenho medo de apagar aquela memoria tão boa que eu tenho dali”, comentou, em entrevista a Amaury Jr. em 2011.
Dez anos depois, falou mais uma vez sobre a infância, dessa vez em conversa durante o programa “Papo de Segunda”, da GNT. “Sou resultado do lugar de onde vim, da minha infância, do contexto cultural onde fui forjado, tanto do sertão da Bahia quanto de Salvador. Do que vi, do que vivi, do que vi de produção cultural, de produção artística em Salvador, de estar ali naquela cidade com aquelas pessoas, né?”, falou, em novembro de 2021.
“Isso, para mim, é muito importante. Quando digo que sou lá fora um ator interessante para eles porque sou de Salvador, tenho total clareza disso. Não faz sentido querer trabalhar lá e querer ser um cara igual àqueles caras lá”.
Natural de Salvador, Wagner retornou à capital baiana ainda jovem e iniciou a carreira no teatro. Formou-se em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia e, aos 16 anos, já atuava nos palcos. O reconhecimento começou a ganhar força em 1997, quando recebeu o prêmio Revelação no Prêmio Braskem de Teatro pela peça “Abismo de Rosas”.
A projeção nacional veio nos anos 2000, especialmente com o espetáculo “A Máquina”, de João Falcão, em que atuou ao lado de Lázaro Ramos e Vladimir Brichta.
Em 2007, ele interpretou o personagem “Boca” no filme “Ó Paí, Ó”, que foi gravado no Pelourinho, em Salvador, e protagonizado por Lázaro Ramos. Os artistas são amigos de longa data e voltaram a ser parceiros em diversos projetos. O marido de Taís Araújo, inclusive, parabenizou o conterrâneo pela vitória no Globo de Ouro.



