O jornalista e publicitário Carlos Britto jogou luz sobre um cenário de desespero que atinge milhares de famílias no Vale do São Francisco: a polêmica em torno das notas de redação do Enem 2025. Enquanto o Ministério da Educação tenta tratar o caso como normalidade, Britto levanta questionamentos graves sobre a falta de transparência do Inep e, principalmente, sobre a inércia dos representantes políticos da nossa região.
O que deveria ser o dia da realização de sonhos tornou-se um pesadelo. A antecipação do resultado pelo Inep para a madrugada do dia 16 de janeiro revelou notas de redação inexplicavelmente baixas. Estudantes de alto desempenho, como a filha da petrolinense Jacira Gomes — que saltou de um 980 em 2024 para um incompreensível 560 em 2025 — estão sem respostas.
“Isso jamais tinha acontecido durante as correções. Sempre chegávamos ao finalzinho de dezembro e início de janeiro do ano seguinte, para conseguirmos concluir as correções. Os avaliadores não receberam mais textos para corrigir e nem tiveram seu desempenho avaliado como ocorria nos anos anteriores. Tudo muito estranho, sem transparência. E há suspeita entre os corretores de ter sido uma estratégia de economia, pois cada texto custa à banca uma média de R$ 6 reais”, diz um corretor, que prefere não se identificar.
Carlos Britto destaca que a mudança de regras “no meio do jogo”, com alterações nas competências 4 e 5 após a realização da prova, fere qualquer princípio de isonomia. Mais grave ainda são os relatos de corretores que sugerem o uso de Inteligência Artificial para acelerar o processo. “Como é possível corrigir mais de 3,5 milhões de textos em apenas 17 dias sem comprometer a qualidade e a justiça da avaliação?”, questiona o jornalista.



