JUAZEIRO

Juazeiro: Entre ricos e pobres, porque o projeto da Orla III pode não acontecer

O prefeito Andrei Gonçalves anunciou no final do mês de janeiro de 2026, durante entrevista ao Balanço Geral, o início das obras da nova orla. O projeto foi licitado no início deste mês. Segundo o prefeito, a obra dará uma transformação significativa na área ribeirinha da cidade. “Vamos apresentar à sociedade o projeto da nova orla de Juazeiro, que inclui expansão com a chamada Orla III.

O projeto indiscutivelmente é uma grande obra de modernização, pois permitirá a expansão a orla, criando mais espaço de lazer, entretenimento e qualificando espaços urbanos. Segundo informações, o projeto vai do bairro Angari ao Porto de Juazeiro.

Juazeiro precisa de inovação e de projetos que a coloque em destaque, mas como inovar e desenvolver projetos modernos, com a cidade fundada em aspectos coloniais? Por que não investir nas áreas periféricas, carentes de infraestrutura básica?

De um lado o prefeito terá um desafio para desapropriar à comunidade ribeirinha do bairro Angari. Bairro com mais de cem anos de existência, com população majoritamente de descendentes de pescadores e agricultores. A comunidade não tem mais a pesca como meio de sobrevivência, mas mantém uma identidade muito forte com o rio.

Durante a gestão do ex-prefeito Misael Aguilar (2000-2003) para a criação da nova Orla, uma parte da população que residia na parte de baixo do Angari, foi transferida para a parte superior, na área onde funcionou matadouro de Juazeiro.

Depois dessa ação, não houve fiscalização, e mais casas e construções foram erguidas em área pública próximo ao rio.

Do outro lado, acima do rio, o prefeito terá os condomínios de luxo. Que avançaram a margem do rio, criando áreas verde e de lazer. Como convencer os moradores que essas áreas serão de livre circulação pública? Que todo investimento para a valorização dos condomínios será destruído para dar espaço a nova orla?

Em ano eleitoral, não é recomendado desgastes, nem com pobres e nem com ricos.

Com esse projeto, a percepção é que o município continua preso ao passado, quando a navegação era a sua principal atividade econômica, por isso a beira do rio era o centro. Ao mesmo tempo, sonhando em ser igual a Petrolina, imitando os seus passos canhestros.

Olhando friamente o projeto, parece muito mais um factóide, do que uma verdade a ser realizada.

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